CUSTÓDIA DO DIABO

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Resumo

Julian Vane matou meu pai quando eu tinha dez anos. Ele era o maior rival do meu pai e, naquela noite, foi o homem com a arma. Mas, em vez de me matar também, ele me levou para casa. Ele se tornou meu tutor legal. Pagou pelas minhas escolas, comprou minhas roupas e me manteve trancada dentro de sua mansão de alta segurança por onze anos. Agora, tenho vinte e um anos. Julian não é mais apenas o homem que assassinou minha família. Ele é o homem que observa cada movimento meu. Ele tem o dobro da minha idade, é perigoso e é a única pessoa que me restou. Passei muitos anos planejando minha fuga, mas Julian tem outros planos. Ele não me criou apenas para me deixar ir embora. Ele me criou para pertencer a ele. "Eu sou dono de tudo nesta casa, Elena. Especialmente de você."

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

PRÓLOGO: A Dívida de Sangue


'A NOITE EM QUE O PÁSSARO FOI ENGAIOLADO'

—Dez Anos Atrás—

O assoalho estava gelado, mas eu não me movi. Eu estava encolhida no espaço minúsculo e escuro sob a enorme escrivaninha de carvalho do meu pai. Meu coração batia tão forte contra as costelas que eu tinha certeza de que os homens no corredor podiam ouvi-lo.

Então veio o primeiro grito. Era a minha mãe.

Não foi como nos filmes. Foi curto, agudo e, então — um estalo. O som do tiro foi tão alto que pareceu rachar a minha cabeça. Pressionei minhas mãos sobre as orelhas, apertando os olhos até ver pontos brilhantes.

Por favor, por favor, por favor, eu rezava. Mas Deus não estava em nossa casa esta noite.

Mais tiros vieram em seguida. Um. Dois. Três. Ouvi corpos pesados atingirem o chão. Ouvi o vidro quebrar na sala de jantar. Ouvi o silêncio que se seguiu, que era mil vezes mais assustador do que o barulho.

Então, a porta do escritório foi aberta com um chute.

Prendi a respiração, ficando roxa. Debaixo da mesa, eu só conseguia ver os sapatos dele. Couro preto. Polidos. Caros. Não havia uma única gota de sangue neles, mesmo com toda a minha família caída morta a poucos metros de distância.

O cômodo de repente se encheu com um cheiro estranho. Não era fumaça. Era um perfume caro — algo como sândalo e chuva fria. Era o cheiro de riqueza. Era o cheiro de um homem que nunca tinha perdido uma briga na vida.

A cadeira rangeu quando ele se sentou. A cadeira do meu pai.

"Eu sei que você está aí embaixo, Elena", disse uma voz. Era profunda, suave e completamente calma. Como se ele estivesse apenas checando o tempo.

Continuei congelada. Talvez, se eu não me movesse, eu viraria pedra e ele não me veria.

"Não me faça pedir duas vezes. Não sou um homem paciente."

Saí rastejando lentamente, com as pernas tremendo tanto que quase caí. Olhei para cima e o vi. Ele parecia alguém que deveria estar na capa de uma revista, não em uma cena de crime. Era jovem — talvez no final dos vinte anos — com cabelos escuros penteados para trás e olhos que pareciam pedaços de gelo quebrado.

Ele olhou para mim e, por um segundo, eu vi. A arma descansando sobre a mesa. A mesma arma que acabara de silenciar a voz da minha mãe para sempre.

Comecei a chorar, lágrimas gordas escorrendo pelo meu rosto, mas não fiz barulho algum. Eu estava aterrorizada demais até para soluçar.

O homem se levantou e caminhou em minha direção. Ele não parecia zangado. Ele parecia... entediado. Ele se ajoelhou na minha frente, amassando o vinco de suas calças caras. Ele estendeu a mão e eu recuei, mas ele apenas usou o polegar para limpar uma lágrima da minha bochecha. A pele dele estava gelada.

"Seu pai era um ladrão, Elena. Ele roubou de mim, então peguei o que era meu", disse ele, encarando a minha alma.

Ele se inclinou mais perto, aquele cheiro de sândalo me envolvendo como uma gaiola. Então, ele me levantou do chão, colocando-me contra o peito como se eu fosse uma boneca que ele tivesse acabado de comprar em uma loja.

Olhei por cima do ombro dele e vi a mão do meu pai aparecendo no corredor. Ele não estava se movendo.

O homem se afastou dos corpos e começou a caminhar em direção à saída.

"Deste segundo em diante, você não tem nome. Você não tem passado", ele sussurrou em meu ouvido, apertando o aperto. "Você é minha agora."

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