Corações Sob Proteção - Um Romance com Guarda-Costas

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Resumo

Sofie von Essen está acostumada a ser o centro das atenções. Como uma das modelos mais requisitadas do mundo, a exposição sempre fez parte do trabalho. Até que alguém começa a observar de perto demais. As mensagens começam de forma sutil. Depois se multiplicam. Então se tornam... íntimas. Ele conhece cada passo dela. Com quem ela está. Onde ela mora. Quando Sofie parte para Nova York, ela tenta se convencer de que a distância resolverá o problema. Não resolve. É lá que as coisas se agravam. Porque o seu perseguidor não desapareceu. Ele a seguiu através do Atlântico. Entra em cena Ben McGrath - ex-Navy SEAL e fundador de uma empresa de segurança privada de elite. Um homem que planeja tudo, não confia em ninguém e nunca comete o mesmo erro duas vezes. Proteger Sofie deveria ser apenas mais uma missão. Mas ela não é apenas mais uma cliente. E esta não é apenas mais uma ameaça. Quanto mais perto ele chega, mais difícil se torna manter o distanciamento. Porque, embora Ben possa controlar cada saída, cada risco, cada movimento, ele não consegue controlar o que acontece quando protegê-la começa a parecer algo a mais. E, desta vez, falhar não é uma opção.

Status
Completo
Capítulos
42
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo Um

——— SOFIE ———

O celular vibrou no criado-mudo. Uma vez.

Sofie von Essen não abriu os olhos.

Um momento depois, vibrou de novo, o som mais agudo agora, mais insistente.

Ela virou de lado e enterrou o rosto no travesseiro.

Nada de checar isso logo cedo, Sofie.

As manhãs eram sagradas. As manhãs eram dela. O que estivesse esperando atrás daquela tela brilhante podia esperar mais cinco minutos.

A luz do sol se espalhava pelo apartamento naquele dourado aveludado e particular que só acontece no início do verão. Como se alguém tivesse ajustado a saturação o suficiente para te convencer de que a vida estava, de fato, sob controle.

Sofie apertou os olhos contra a claridade e gemeu baixinho no travesseiro.

Ela ficou imóvel por um momento, catalogando as sensações. O silêncio. O peso estranho da sua própria cama depois de semanas dormindo em lençóis de hotel. A dor leve nas panturrilhas de tantas horas de salto alto. O jet lag ainda a perseguia, mas, pela primeira vez, ela não precisava lutar contra ele.

Sem horário marcado.

Sem carro esperando lá embaixo.

Sem um rosto para montar antes do amanhecer.

O celular vibrou de novo.

Mesmo assim, ela sorriu. Finalmente — um sábado de folga.

Ela se sentou na cama e caminhou descalça pelo piso de madeira, o cabelo preso em um coque bagunçado. Um fogão de azulejos brancos permanecia silencioso no canto, ornamental e sem uso, esperando pelo inverno.

O apartamento ainda estava fresco por causa do ar da noite, com uma janela alta entreaberta voltada para a água. Lá fora, Strandvägen já estava viva daquela maneira contida e elegante que Estocolmo mantém nas manhãs de fim de semana — ciclistas passando, turistas demorando com câmeras, a cidade acordando sem pressa. Sofie abriu um armário. Depois outro.

Vazio. Ela franziu a testa. A geladeira oferecia ainda menos esperança.

Uma cebola solitária.

Meia garrafa de água mineral.

Um pote questionável com algo alaranjado que ela não lembrava ter comprado.

Ela encarou o item por um longo segundo.

"Maravilha", murmurou para si mesma. "Um plano alimentar criado pela 'eu' do passado, que claramente odiava a 'eu' do futuro." Ela fechou a porta com um baque suave.

Ela tinha voltado para casa dois dias antes, jogou a mala no corredor e prometeu a si mesma que iria ao mercado no dia seguinte. Mas o dia seguinte virou uma maratona de provas de roupa e um jantar de última hora que ela não planejava ir, seguido de exaustão.

Café.

Ela tinha esquecido de comprar café.

Sofie encostou a testa brevemente na porta fria do armário e riu baixinho.

Trinta e dois anos, inúmeras campanhas internacionais de moda no currículo, capaz de correr entre três cidades em uma semana sem perder o passaporte — derrotada por uma cozinha vazia.

Tudo bem.

Ela se endireitou, rolou os ombros para trás e pegou o celular. Ele vibrou imediatamente em sua mão.

Ela suspirou e desbloqueou o aparelho, já sabendo o que encontraria. Mais de cem mensagens novas. Ela não leu nenhuma de imediato. Em vez disso, ficou encarando a tela, com o polegar pairando sobre ela, a irritação crescendo de forma aguda e familiar.

Tinha havido muitas ultimamente. Mais do que o normal. Ou talvez ela estivesse apenas cansada demais para filtrá-las com sua indiferença habitual.

Ela abriu a primeira.

Você estava incrível ontem. Eu te vi.

Uma mulher como você não deveria andar sozinha para casa.

Sofie soltou o ar pelo nariz. Aquele tom. Aquela mistura perturbadora de admiração e presunção. Não era exatamente uma ameaça. Mas era o suficiente para se sentir... invadida.

Ela bloqueou o celular sem responder.

Pessoas esquisitas existiam em todo lugar. TikTok, Instagram, Facebook e, às vezes, até o LinkedIn, que sempre parecia um lugar particularmente desequilibrado para flertar com estranhos. A maioria deles se misturava — homens que confundiam acesso com intimidade, e atenção com convite.

Este, porém, era persistente. Ela tinha fãs demais para contar, mas havia um em particular que a deixava mais assustada do que os outros.

Ele usava as mesmas frases. O mesmo ritmo. Novas contas surgiam toda vez que ela bloqueava as antigas, como se fosse um jogo. Um jogo entediante, mas ainda assim.

Ela balançou a cabeça, recusando-se a deixar que isso ditasse o ritmo do seu dia.

Café primeiro. Depois, o resto.

Sofie vestiu calças de moletom confortáveis da Lululemon e um cardigã branco oversized, prendeu o cabelo loiro em um rabo de cavalo, colocou os óculos de sol e pegou sua sacola.

Lá fora, o ar cheirava a lilases, brisa do mar e início de verão – limpo, suave. Ela respirou fundo ao sair do prédio.

A cidade a cumprimentou como uma velha amiga. Seu café favorito na esquina já tinha uma pequena fila, e o zumbido familiar das máquinas de expresso saía pela porta aberta. Ela pediu um latte de aveia e um croissant de amêndoas, aceitou ambos com um sorriso grato e voltou para a luz do sol. A primeira mordida no croissant foi perfeita - folhado, amanteigado, revigorante.

Enquanto ela mastigava, seu celular tocou. Freya.

Sofie sorriu ao atender, com as migalhas ameaçando trair sua compostura. "Bom dia."

"Deixa eu adivinhar, você está comendo um croissant? De amêndoas?", disse Freya.

Sofie sorriu. "Como você sabia?"

"Há quanto tempo a gente se conhece?", Freya riu.

Houve uma pausa do outro lado da linha. Sutil, mas Sofie percebeu.

"Ei", disse ela, encostando-se em um poste. "O que está acontecendo?"

"Nada", respondeu Freya rapidamente. Rápido demais. "Ou, bem. Eu só... as coisas parecem meio estranhas com o Jon."

Sofie ouviu, deixando a cidade fluir ao seu redor. "Estranhas como?"

"Ele está ocupado. E eu também. Ele não pode vir de Nova York, e agora ele vai para Paris e eu não posso ir. Por motivos diferentes..." Freya suspirou devagar. "Estamos sempre correndo atrás de alguma coisa. Voos, eventos, prazos. Às vezes sinto que não sou realmente parte da vida dele. Só... estou por perto."

Sofie não interrompeu. Freya chegaria lá sozinha.

"Provavelmente estou pensando demais", acrescentou ela. "A boa notícia é que nossa loja de Nova York está indo muito bem, o circo nas redes sociais está insano agora, e eu deveria ser grata. Eu sou grata."

"Você tem permissão para ser grata e se sentir sozinha ao mesmo tempo", disse Sofie com ternura.

Freya riu baixinho. "Meu Deus. Por que você está sempre tão certa?"

"Um hábito irritante."

Depois disso, elas mudaram para um assunto mais leve — o colapso recente de um diretor de moda no escritório de Freya, o caos no último ensaio de Sofie. Depois, falaram sobre o amigo delas, Leo, e sua sobrevivência contínua ao que Freya chamava de mais uma maratona de Grindr, que Sofie suspeitava envolver pelo menos uma escolha de vida questionável.

"Na verdade, tenho uma semana tranquila", disse Sofie, surpreendendo-se um pouco ao dizer isso. "Só algumas provas de roupa em Estocolmo, depois Copenhague em duas semanas. Embora esse seja um ensaio grande."

"Você deveria sair comigo e com o Leo antes de desaparecer de novo", disse Freya. "Jantar. Drinks. Algo normal."

Sofie sorriu. "Eu adoraria." Então ela acrescentou: "Além disso, o Midsummer está chegando. Você definitivamente não vai faltar."

Freya gemeu. "Eu... vou pensar no caso."

"Você vai vir", corrigiu Sofie, sorrindo. "Isso não está em discussão. Você precisa viver um pouco, mesmo que o homem que você ama esteja do outro lado do Atlântico."

Elas desligaram poucos minutos depois, deixando Sofie sozinha novamente, com o croissant terminado e o café pela metade. Os sons da cidade voltaram, mais suaves agora.

Ela checou o celular por hábito. Novas mensagens.

Por que você não me responde?

Nós fomos feitos um para o outro.

Você é tão perfeita.

Ela revirou os olhos, apagou e bloqueou. Nada incomum. Apenas barulho.

Ela terminou o resto do café e começou a caminhar.

Em vez de ir direto para casa, virou em direção ao Mercado de Östermalm, deixando seus pés a levarem por conta própria. Lá dentro, o local já estava movimentado, a luz do sol filtrando pelas pequenas janelas, e o ar carregado com o perfume de pães frescos, queijos e café.

Ela vagou lentamente, sem pressa. Pegou um queijo maturado que não precisava, mas queria. Parou no balcão da Lisa Elmqvist e sorriu, aliviada com a visão das refeições prontas bem organizadas.

"Perfeito", murmurou, escolhendo salmão para mais tarde. Nada de cozinhar para ela esta noite.

Ela acrescentou um pão, algumas frutas e, então, lembrando-se de sua frustração anterior, entrou na seção de mercado para comprar cápsulas de café para sua máquina.

Seu celular começou a tocar.

Ela hesitou, depois atendeu ao ver o nome de Ellie.

"Oi, você", disse Sofie.

"Finalmente", respondeu sua irmã. "Eu estava começando a achar que você tinha sido engolida por mais um ensaio de moda."

"Quase", disse Sofie, sorrindo. "Como vai Londres?"

"Movimentada. Caótica. Incrível." A voz de Ellie se iluminou. "E – tenho ótimas notícias", disse Ellie. "Talvez eu consiga um estágio na primavera que vem. Em um dos melhores escritórios de arquitetura daqui."

Sofie diminuiu o passo perto de uma banca de frutas, o orgulho aquecendo seu peito. "Isso é ótimo, Ellie. É incrível."

"Eu sei", disse Ellie, um pouco ofegante. "Parece que... parece que as coisas finalmente estão se encaixando."

"Estou tão feliz por você", disse Sofie, sendo sincera. "Você trabalhou muito por isso."

Elas conversaram sobre várias coisas — as próximas aulas de Ellie, a agenda de viagens de verão de Sofie, e as tentativas cada vez menos sutis de seus pais de arranjarem homens bons e adequados para elas.

"Sinceramente", disse Ellie, "se eu ouvir a frase ele vem de uma boa família mais uma vez..."

Sofie suspirou. "Eu sei. Estou quase dizendo a eles que entrei para um convento. Ou que tenho uma política rigorosa contra namorar homens que realmente conseguiriam se comprometer." Ellie riu. "Falando nisso. Você está saindo com alguém?"

Sofie bufou baixinho. "Não."

"Não de 'ninguém', ou não de 'ninguém que a mamãe aprovaria'?"

"A primeira opção", disse Sofie. "Estou começando a achar que é uma causa perdida. Entre os candidatos ricos e nobres que nossos pais vivem apresentando — sendo que metade já é casada — e minha vida real, não sei quando isso deveria acontecer."

"Você não conhece ninguém no trabalho?"

Sofie cantarolou pensativa enquanto parava perto da banca de chocolates, considerando brevemente se comprar um de cada contava como autocuidado.

"Principalmente homens que são bonitos, dolorosamente conscientes disso e, portanto, completamente cheios de si. Emocionalmente, têm uns cinco anos de idade. Ou são gays. Frequentemente, tudo isso ao mesmo tempo."

Ela pausou. "Na verdade, isso é injusto. Os gays são o único ponto positivo."

"Isso parece... exaustivo", disse Ellie.

"É", concordou Sofie. "Pelo menos com meus amigos gays eu tenho ótimas conversas sobre sapatos, bolsas e a vida. Pouquíssimas mágoas."

Ela hesitou. "A maioria dos homens com quem saí nos últimos anos ou se sente intimidada por mim, ou tenta me transformar em algum tipo de fantasia... ou espera secretamente que eu seja um atalho para alguma coisa. Quase não existe meio-termo."

Sua voz suavizou. "Às vezes seria bom ser vista como uma pessoa primeiro. Não como algo para competir, usar ou colecionar."

Ela suspirou, depois acrescentou de leve: "Eu realmente anseio por química real. Proximidade de verdade. Não apenas um amigo movido a bateria muito confiável."

Ellie caiu na gargalhada. Houve um breve silêncio.

"Pelo que vale", disse Ellie, "eu saí com alguém daqui por um tempo." Sofie pausou. "Ah, uau."

"É. Inteligente. Ambicioso. Eu gostava dele." Ellie hesitou, depois suspirou. "Muito."

Ela expirou. "Então descobri que eu não era a única com quem ele saía. Eu nem teria me importado se ele tivesse me contado. Mas não contou."

Ela ficou em silêncio por um momento antes de continuar. "Entre a faculdade e todo o resto, acho que eu não tinha a energia que ele merecia. Talvez ele tenha percebido isso."

Sofie ficou quieta por um segundo. "Sinto muito, mana. Mas não acho que seja verdade."

Ela continuou. "Ele não te merecia. Apenas foque em você mesma. Essa é a única opção sensata."

Seu celular vibrou. Depois de novo. Sofie fez uma careta.

"O quê?", perguntou Ellie. "O que está acontecendo?"

"Nada", disse Sofie levemente. "Só... o tipo de fã louco de sempre."

Ellie não riu. "Sofie."

Sofie sorriu mesmo assim. "Faz parte do trabalho. Sempre tem pessoas que acham que estamos em um relacionamento. Ou que eu devo algo a elas."

"Como o quê?"

"Atenção. Devoção", disse Sofie secamente. "A experiência de namorada, menos o meu consentimento."

Ellie franziu a testa. "Isso não parece nada bom."

"É só barulho", disse Sofie. "Sinceramente, estou mais irritada do que com medo."

Ellie hesitou. "Você tem certeza?"

"Sim", disse Sofie, e falou a verdade.

Elas se despediram poucos minutos depois, com Sofie prometendo visitar Londres em breve.

Ela pagou, guardou a sacola e saiu de volta para a rua.

O sol ainda brilhava. A orla brilhava enquanto ela caminhava em direção a casa, a luz dançando pela superfície como se nada no mundo pudesse tocá-la.

Ela decidiu que o tempo estava bonito demais para ser desperdiçado.

Correr sempre ajudava — limpava sua mente, queimava a estática. Assim que chegou em casa, trocou rapidamente por um conjunto de shorts azuis e uma regata, com um top esportivo rosa aparecendo por baixo.

O vento vindo da água estava morno enquanto ela corria ao longo da orla e atravessava a ponte em direção a Djurgården, sua playlist pulsando constantemente em seus ouvidos. Por um momento, o mal-estar desapareceu.

Ela estava completamente alheia ao homem sentado no banco em frente ao seu prédio.

Boné de beisebol baixo.

Capuz preto puxado por cima.

Olhos fixos nela enquanto ela desaparecia rua abaixo.