Calores e Casos Alienígenas

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Resumo

Betsy Parker estava conduzindo uma sessão de terapia de casal rotineira… até que um calorão a atingiu e alienígenas a abduziram no meio de seu colapso. Agora, ela está presa em uma nave espacial, ainda de pijama, lidando com a perimenopausa enquanto é forçada a mediar desastres de relacionamento intergalácticos que poderiam, literalmente, iniciar guerras. E os três machos alienígenas que a trouxeram para cá? Eles são um problema à parte. O guerreiro comandante que não consegue parar de tocá-la. O diplomata calmo e calculista que enxerga através dela. E o médico curioso que acha seu corpo e seus hormônios fascinantes. À medida que as tensões aumentam por toda a galáxia, espera-se que Betsy consiga consertar os relacionamentos de todos… Mas os dela estão ficando um pouco complicados. Porque, entre o caos, o calor e os colapsos emocionais… ela está começando a se apaixonar pelos três. Por que escolher um… quando ela não precisa?

Gênero
Romance
Autor
Poppy Corn
Status
Completo
Capítulos
47
Classificação
4.9 15 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo Um

Betsy

Eram 20h57 de uma quinta-feira, e Betsy Parker tinha noventa por cento de certeza de que estava prestes a sofrer uma combustão espontânea. Ainda assim, ela manteve sua expressão profissional.

Na tela do seu laptop, o casal à sua frente estava discutindo de novo. A mulher mantinha os braços cruzados firmemente sobre o peito, enquanto o homem parecia desejar estar em qualquer outro lugar da Terra, de preferência em algum lugar com menos sentimentos.

Betsy assentiu lentamente, fingindo que seu cérebro não estava derretendo. — Vamos fazer uma pausa por um segundo — disse ela, usando seu tom de voz mais calmo de terapeuta.

O que era impressionante, considerando que o suor escorria por suas costas e se acumulava em lugares onde não deveria estar de jeito nenhum.

Ondas de calor. Claro. Por que não?

A mulher na tela suspirou dramaticamente. — Ele nunca escuta.

O homem levantou as mãos. — Eu escuto, sim! Só não acho que cada coisinha precise virar um documentário emocional de três horas.

Evitação emocional, humor defensivo. Clássico. Mentalmente, ela os classificou automaticamente. Estilos de apego: ansioso e evitativo/dismissivo.

Em voz alta, ela disse: — O que estou ouvindo é que ambos querem ser compreendidos, mas estão usando dois estilos de comunicação muito diferentes.

A mulher piscou. O homem também.

A mulher inclinou-se levemente para a frente. — Isso... realmente faz sentido.

Betsy sorriu.

Enquanto isso, seus órgãos internos estavam organizando uma pequena rebelião. A onda de calor se intensificava. Seu couro cabeludo coçava, suas orelhas queimavam e o meio de suas costas formigava naquele ponto enfurecedor que nenhum braço humano conseguiria alcançar. E ela tinha quase certeza de que a parte interna de suas coxas tinha decidido se juntar à rebelião só por diversão.

Perimenopausa. A maneira da natureza lembrar às mulheres que a garantia de seus corpos havia oficialmente expirado.

Ainda sorrindo, Betsy esticou uma mão para fora da câmera e coçou a omoplata como um guaxinim com picada de mosquito.

Profissional. Muito profissional.

— Antes de encerrarmos hoje — ela continuou suavemente —, gostaria que cada um de vocês experimentasse algo simples esta semana.

Ambos os clientes se inclinaram para a frente.

— Em vez de responder imediatamente durante uma discussão, tirem dez segundos e repitam o que ouviram a outra pessoa dizer.

O homem franziu a testa. — Tipo repetir como um papagaio?

— Exatamente. — Betsy assentiu.

A mulher parecia cética. — Isso soa estranho.

— Oh, vai ser estranho, com certeza — Betsy garantiu, esfregando as coxas sob a mesa, grata pelo alívio. — Mas é geralmente no estranhamento que o crescimento acontece.

Ambos riram.

Betsy sorriu novamente, embora a essa altura ela tivesse certeza de que sua temperatura interna tinha atingido níveis de explosão solar. Ela olhou para o relógio no canto da tela. Marcava 20h59.

Mais um minuto. Então ela poderia tirar o cardigã que, de repente, tinha se tornado a peça de roupa mais sufocante do mundo. Por que as reuniões de Zoom não podiam ser apenas telefonemas?

— No mesmo horário na próxima semana? — perguntou ela.

Ambos os clientes assentiram.

— Ótimo. Cuidem-se.

A tela ficou escura. Betsy fechou o laptop imediatamente. — Ai, meu Deus — ela gemeu.

O cardigã saiu primeiro. Depois a blusa. Ela se abanou com um caderno que estava por perto. — Por que — ela resmungou para o apartamento vazio —, meu corpo acha que eu moro na superfície do sol?

Ela se levantou da cadeira da mesa e se espreguiçou.

Sua calça de pijama era de flanela macia, estampada com pequenas constelações. Sua regata estava levemente grudada nas costas por causa do calor. Nos pés, ela usava os chinelos peludos mais confortáveis do mundo.

Seu guarda-roupa profissional para a noite consistia inteiramente da metade superior do seu corpo. Obrigada, Zoom.

Ela passou os dedos pelos cachos castanhos, que começavam a mostrar mechas teimosas de grisalho perto das têmporas. Ela podia sentir a umidade da sua última onda de calor. Com um giro rápido, ela reuniu os fios e fez um coque despojado, saboreando o ar fresco instantâneo em seu pescoço.

O olhar de Betsy caiu sobre a placa de Terapeuta do Ano na parede. Ela a deixou ali de propósito. Não por orgulho, mas por despeito. Era um lembrete diário de que ela conseguia ver claramente os padrões de todo mundo, enquanto aparentemente era completamente cega para os seus. Doze anos de casamento. Dois anos de terapia de casal com outra pessoa e um divórcio caríssimo. E agora ela passava as noites ajudando outras pessoas a fazerem a coisa em que ela tinha falhado espetacularmente.

A única coisa boa que veio daquela farsa de casamento foi seu filho. Ele estava atualmente estacionado do outro lado do mundo e teve a audácia de ser feliz no casamento.

A coceira voltou. Desta vez na orelha. Ela a coçou. Depois as costas novamente, depois o couro cabeludo. — Será que estou trocando de pele? — ela perguntou ao teto.

Sua onda de calor ainda estava forte, então ela pegou um copo d'água no balcão e caminhou em direção à varanda. Ar fresco da noite. Era isso que ela precisava. Apenas alguns minutos lá fora e talvez ela não se sentisse como um vulcão.

Ela deslizou a porta da varanda e saiu na noite. O ar estava deliciosamente fresco contra sua pele. Pela primeira vez na noite toda, seu corpo parou de tentar cozinhá-la viva.

— Oh, graças a Deus — ela respirou aliviada.

Então o céu se iluminou.

Betsy piscou quando um feixe de luz desceu diretamente de cima de seu prédio. Ela encarou aquilo por um longo momento.

— ...hã? — Ela esfregou os olhos, depois olhou de novo.

O feixe ainda estava lá.

— Bem — ela murmurou, cruzando os braços —, ou estou sendo abduzida por alienígenas ou a menopausa finalmente me levou para o território das alucinações completas.

A luz ficou mais brilhante.

Betsy suspirou. — Se forem alienígenas — ela gritou para o céu —, vocês poderiam talvez esperar a onda de calor passar?

O feixe a puxou para cima exatamente por três segundos. Betsy Parker estava genuinamente aterrorizada. A cidade sumiu abaixo dela; seu apartamento, sua varanda, sua vida comum inteira reduzida a um ponto de luz. Então, o absurdo da situação a alcançou. Ela estava sendo abduzida por alienígenas. De pijama de constelações. Ainda usando chinelos peludos.

— Claro — ela murmurou. — Agora minha vida fica interessante. — Seu último pensamento antes de desmaiar foi: — Puta que pariu. Eu não estou usando sutiã.