Velvet Claimed

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Resumo

POV de Mirelle: Desde os dezessete anos, carrego um desejo secreto, uma atração por alguém que não deveria, um fogo perigoso que não consigo apagar. Agora, parada entre ele e outro homem, sinto o peso das minhas escolhas me pressionando. Um homem oferece familiaridade, uma emoção perigosa que incendeia meu sangue e faz meu coração disparar. O outro... ele é poder, obsessão e controle encarnados, uma escuridão à qual não consigo resistir, mesmo sabendo que ela pode me destruir. Cada olhar, cada toque, me faz ansiar por ambos, mas conheço o risco — brincar com um homem como ele é um jogo perigoso. Um movimento errado e eu poderia perder mais do que meu coração. POV de Mikhail: Ela é tudo o que eu quero e, ainda assim, nada é simples. Tenho uma vida, uma noiva a quem amo à minha própria maneira distorcida, mas é algo político, controlado e vazio comparado ao que ela incendeia em mim. Ela me desafia, me provoca, dobra minhas regras sem quebrá-las por completo. Não consigo parar de pensar nela — no jeito que ela se move, no jeito que ela olha para mim, no jeito que seu desejo reflete o meu. Ela é divertida, é perigosa, é minha de maneiras que não consigo controlar totalmente. E quando penso no outro homem, na história que ela carrega com ele, a tensão só se torna mais sombria. Este é um jogo de apostas altas, um que pode ser perigoso. Em um mundo onde o poder e a paixão colidem, o desejo não é apenas tentação — é guerra. Mirelle está presa entre um homem que a persegue desde a juventude e uma força perigosa e dominante que não medirá esforços para possuí-la. Cada toque, cada olhar intenso, cada comando sussurrado ultrapassa limites, testa lealdades e incendeia um fogo erótico e sombrio que nenhum dos dois consegue conter. Obsessão e luxúria se misturam com perigo e segredos, criando um triângulo amoroso tão distorcido, tão cru, que a rendição pode ser a única saída... se é que ela não os consumirá primeiro.

Status
Completo
Capítulos
36
Classificação
4.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Prólogo

PRÓLOGO

MIKHAIL

Não provoco incêndios para ver tudo queimar, eu os provoco para revelar quem queima comigo. As chamas não julgam. Elas iluminam a verdade de todos por perto. Vi cidades se dissolverem em fumaça e percebi o quão frágil a esperança realmente é.

O fogo sempre falou mais claramente do que os homens. O fogo não mente. O fogo não finge. Quando ele toca em algo, só resta a verdade: osso, cinza ou silêncio.

Caminhei ao lado de demônios e apertei as mãos de fantasmas. Vi coisas que destruiriam homens comuns, fazendo-os colocar uma arma na própria cabeça para silenciar o que vive dentro de suas memórias. Mas não fui criado para quebrar. Fui criado para resistir.

Poder.

Sangue.

Violência.

Controle.

Essa foi a minha infância. Não houve amor. Não houve gentileza. Apenas sobrevivência. Meu pai criou guerreiros, não filhos. Quando ele morreu, enterrei aquela dor tão fundo que nem eu mesmo conseguia mais alcançá-la. Fraqueza não tem vez em homens como eu. A única coisa que sempre importou para mim é a família.

Meus irmãos — meu sangue — minha lealdade.

E duas pequenas almas que, de alguma forma, encontraram calor dentro de um homem feito de sombras. Rurik… e Zlata, K. Esses três… eu queimaria o mundo por eles. Nunca quis ter filhos. Nunca acreditei que um homem como eu deveria trazer uma vida a este mundo cheio de escuridão. Mas eles são o mais próximo que terei de uma família — e, estranhamente, isso sempre foi o suficiente.

A porta da frente se abre, e o calor invade o ambiente junto com barulho e movimento. Antes que eu consiga dar dois passos para dentro, pequenos pés se chocam contra mim.

“Mikhail!”

Rurik se joga contra a minha cintura, com os braços me abraçando forte e o rosto radiante de travessura e expectativa. Ele tem cheiro de giz de cera e confusão.

“Você tem o meu dinheiro? Você me deve”, ele pergunta, com uma seriedade mortal — mas seu sorriso o trai.

Olho para ele lentamente. “Devo? Quanto é… vinte?”

“Vinte e cinco”, ele corrige imediatamente, já estendendo a mão.

Um homem de negócios, já. Pego o dinheiro do bolso e coloco na palma da mão dele.

“Você está ficando caro, malenkiy bandit.”

“Eu sou um homem de negócios”, diz ele, orgulhoso.

“Você é um ladrão”, respondo.

Antes que ele possa discutir, outro vulto colide comigo. Zlata.

Eu a pego facilmente enquanto ela pula em meus braços, com as mãozinhas envolvendo meu pescoço. Ela dá um beijo suave na minha têmpora, sorrindo como se fosse dona do mundo.

Ela é a princesa desta família — e todos sabem disso.

“M”, ela sussurra.

“Zlata”, murmuro de volta, com um tom mais suave do que uso com qualquer outra pessoa.

Do outro lado da sala, vem uma voz familiar — cansada, firme e divertida por trás da autoridade.

“Você os estraga”, diz Nikandr, balançando a cabeça.

Olho para cima e o vejo encostado no batente da porta, de braços cruzados, observando a cena como um homem que finge desaprovar — mas não se move para impedir.

“Tenho certeza de que ele aprende coisas piores com você”, digo calmamente. “Relaxe. Estamos atrasados.”

Nikandr solta o ar, balançando a cabeça. “Precisamos ir. Rosalie está com Evelyn. Kazimir deve acordar logo.”

Kazimir, a quem chamo de baby K ou K.

Caos em forma humana. Filho de Evelyn. Barulhento, esperto, destemido — e impossível de controlar. Desde que Evelyn perdeu o marido para o câncer, nos envolvemos mais. Não por obrigação. Por sangue.

De repente — passos pesados correndo.

Kazimir aparece, com o cabelo bagunçado, olhos brilhantes e energia inesgotável.

“Misha!”

Ele corre direto para mim, me abraçando forte, depois dispara até Nikandr, grudando ao lado dele. O menino confia profundamente nele. Nikandr esconde bem, mas ele amolece com essas crianças. Seguimos em direção à porta juntos, a casa viva com sons de risadas infantis que nunca existiram na nossa infância.

Lá fora, o ar frio morde com força, mas o SUV nos espera. Colocamos as crianças, prendemos seus cintos nas cadeirinhas. Nikandr para de repente no meio do movimento.

“Preciso de lanches. E dos iPads deles. Caso contrário, estamos fodidos.”

Ele se vira de volta para a casa. Do banco de trás, Zlata dá uma risadinha.

“Da disse fodidos.”

Rio baixinho, balançando a cabeça. “Sim. Ele disse. Ele não deveria falar palavrão.”

“Você fala palavrão”, acusa Rurik na hora.

“Eu sou uma má influência”, admito.

Kazimir sorri. “A mamãe diz que você é um idiota, babaca.”

Olho para trás, na direção dele. “Sua mãe é...”

Parei antes de me meter em encrenca.

Nikandr retorna, carregando lanches, suco e tablets — suprimentos de sobrevivência para uma guerra, disfarçados de paternidade.

Nós dirigimos.

Dentro do SUV — caos, migalhas, risadas, perguntas, vozes pequenas.

Lá fora — silêncio, aço, o mundo ao qual pertenço.

O armazém surge à frente como uma besta adormecida — aço frio. Portões vigiados. Poder silencioso. Descemos do carro. O ar cheira a óleo, metal e controle. Lá dentro, meus irmãos esperam. Maxim — astuto, observador, calculista. Aleksandr — revisando papéis de remessa, com a mente sempre funcionando. Lev — calmo, imóvel, observando tudo. Isso não é apenas família. É um império. Nikandr dá um passo à frente — Pakhan, a coluna de tudo que construímos.

“Começamos.”

E o calor desaparece. Apenas o poder permanece. As crianças ainda estão assistindo a um filme e fizeram uma bagunça no escritório do Nik. Sempre me certifico de que estejam seguras enquanto olho pelas câmeras. As portas do armazém se fecharam atrás de nós com um pesado eco metálico, selando o calor e as risadas do lado de fora — trancando-nos de volta no mundo que nos forjou. Lá dentro, o ar era mais frio. Quieto. Controlado.

Uma longa mesa de aço ficava sob luzes industriais suspensas, com a superfície coberta de mapas, manifestos, celulares descartáveis, registros codificados e armas dispostas com uma intenção silenciosa. Nada ali era por acaso. Nunca era.

Maxim estava encostado em um caixote, de braços cruzados, com os olhos afiados e inquietos — sempre caçando, mesmo na quietude. Aleksandr estava sobre os registros de remessa, folheando páginas com precisão metódica, já três movimentos à frente em sua mente. Lev permanecia sentado, calmo e inescrutável, com os dedos entrelaçados, observando tudo sem parecer se mover. Meus irmãos. Não apenas sangue — estrutura. Poder. Fundação. Nikandr deu um passo à frente; apenas sua presença alterava o ar na sala. Quando ele falava, nunca era alto — mas era lei.

“Relatório.”

Maxim se desencostou do caixote primeiro. “A remessa do cais chega esta noite. Dois contêineres estão atrasados. A alfândega fez perguntas — nada que possam provar, mas estão farejando mais perto do que eu gostaria.”

Aleksandr falou sem desviar o olhar. “Rotas ajustadas. Motoristas trocados. Se estavam vigiando, não viram nada de útil.”

A voz de Lev veio a seguir, baixa e precisa. “A equipe do lado sul se aproximou dos nossos clubes inferiores. Sem agressividade. Apenas testando.”

Testando. Recostei-me levemente, cruzando os braços, ouvindo — sentindo o ritmo por baixo das palavras. O poder não está no barulho. Está no padrão. No silêncio. No que os homens não dizem.

Os olhos de Nikandr se moveram para mim. “Mikhail.”

Apenas meu nome. O suficiente.

“Eles não estão prontos para uma guerra”, disse calmamente. “Mas estão ficando ousados. Vamos lembrá-los de quem é esta cidade — silenciosamente, a princípio. Permanentemente, se necessário.”

Um leve sorriso de canto surgiu na boca de Maxim. “Eu gosto de soluções permanentes.”

“Você gosta de caos”, murmurou Aleksandr.

“Funciona”, respondeu Maxim.

Nikandr deu um aceno lento. Decisão tomada.

Sem votação. Sem debate. É assim que o poder sobrevive — clareza, não ruído.

Aleksandr deslizou outro papel pela mesa. “Os clubes estão estáveis. A receita é alta. Mas dois gerentes estão desviando dinheiro.”

Olhei para os números uma vez. Foi o suficiente. “Substitua-os.”

Lev acrescentou com calma: “Ou faça um exemplo.”

Nikandr não hesitou. “Exemplo primeiro. Substituição depois.”

Os negócios continuaram — remessas, armas, verificações de lealdade, rotas e expansão. Cada detalhe importava. Um erro poderia custar sangue — o nosso ou o deles.

Horas se passaram sem que ninguém notasse.

As crianças caíram no sono; saíram, causaram caos e depois assistiram a filmes. Repetindo: dia longo para eles aqui, e muitos “eu quero ir embora”.

Finalmente, o silêncio se estabeleceu.

Planos definidos. Império estável. Guerra… adiada.

Quando os negócios terminaram, a tensão não desapareceu — ela mudou. Voltamos a ser irmãos, não comandantes.

Maxim serviu uísque em copos grossos, deslizando um na minha direção. “Você parece cansado.”

“Não estou”, respondi.

Lev me estudou em silêncio. “Você tem estado mais quieto que o normal.”

“Eu sempre sou quieto.”

Aleksandr sorriu levemente. “Não. Você fica mais barulhento quando a violência está por perto.”

Maxim riu. “Ele sente falta de quebrar as coisas.”

“Eu quebro o que precisa ser quebrado”, falei com firmeza.

Nikandr me observou por mais tempo que os outros. Ele me conhece bem demais — vê o que eu não digo. Mas não insistiu.

Em vez disso, falou das crianças.

“Rurik me trapaceou ontem no xadrez”, disse ele secamente.

Maxim riu. “Ele aprendeu com você.”

“Ele escondeu uma peça”, respondeu Nikandr.

Permiti um raro sorriso de canto. “Futuro Pakhan.”

Aleksandr balançou a cabeça. “Zlata já governa ele.”

“Ela governa todos vocês”, acrescentou Lev, calmamente.

Isso… era verdade.

"K. Ele me lembra você", diz Max com um sorriso.

Ele é como eu, e vive se metendo em confusão.

Por um breve momento, algo quente existiu na sala — não fraqueza, não moleza — apenas sangue e pertencimento. Algo que nunca tivemos ao crescer.

Então, isso desapareceu.

Porque esta vida não permite que o calor dure muito.

Saí sozinho.

O ar da noite estava cortante, frio o suficiente para limpar a mente. A fumaça saía de uma fábrica distante, espiralando para o céu negro como fantasmas tentando escapar da terra. Acendi um cigarro, observando a chama tremeluzir — pequena, controlada, obediente. O fogo nunca mente.

Os homens mentem.

A cidade se estendia diante de mim — luzes, movimento, segredos, medo. Abaixo de tudo isso, nosso império respirava silenciosamente, invisível, mas absoluto. Não precisávamos de barulho. Poder falado baixo dura mais. No entanto, algo dentro de mim parecia… inquieto.

Não era medo.

Não era fraqueza.

Era algo desconhecido.

Tempo, talvez.

Ou o peso lento de tudo que enterrei está finalmente se movendo sob a superfície. Pensei no meu pai. No sangue. No fogo. Na longa estrada que transformou meninos em armas. E então — inesperadamente — não pensei em nada. Apenas no silêncio. Por anos, esse silêncio foi o suficiente. Mas não por muito mais tempo. Em breve, algo entraria no meu mundo — algo frágil, ferido e mais forte do que aparentava.

E, pela primeira vez na minha vida… o fogo não seria algo que eu controlaria. Seria algo que eu sentiria. E quando esse momento chegar, os homens queimarão. Impérios mudarão. E eu… não sairei ileso.