Reino de Safira (KookV - Omegaverse)

Resumo

O príncipe Park Jimin salvou sua vida e o tornou sua 'Dama de companhia'; por causa disso, ele lhe jurou lealdade a qualquer preço. Portanto, quando no dia de seu casamento obrigatório Jimin pede ajuda para fugir do reino com o guarda beta por quem se apaixonou, Taehyung não hesita e o ajuda, mesmo que isso signifique perder a cabeça ao ser descoberto. Ele esperava que tudo terminasse mal ao aceitar, mas jamais imaginou que o príncipe com quem Park deveria se casar diria aquelas palavras que mudariam sua vida para sempre: — Não importa se não é o príncipe Park. Eu me casarei com alguém hoje, e será com este ômega que tentou zombar de mim. Esta é a história de amor deles, que durou até o fim de seus dias. HISTÓRIA REGISTRADA SOB O CÓDIGO: 2508022678903 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Gênero
Romance
Autor
Goguito
Status
Completo
Capítulos
90
Classificação
5.0 13 avaliações
Classificação Etária
18+

Capitulo 1

〘 REINO ZAFIRO / Dre4msCometrue 〙


Kim Taehyung é apenas um ômega, filho de uma das tantas criadas do castelo dos reis Park, o Reino de Ouro, como todos o conhecem.


Ele viveu até os treze anos junto com os outros funcionários do local, ajudando nos afazeres desde muito cedo, porque sua mãe já estava velha demais para certas tarefas. Ele a ajudava com essas coisas até se apresentar como ômega. Depois disso, não o permitiram mais fazer trabalhos que, para eles, eram considerados “pesados”.


Desde o momento em que se apresentou como ômega, ele começou a sentir uma profunda admiração e gratidão pelo filho mais velho dos reis Park, Heejin, o alfa rei, e pela rainha Park Yonhyeon; Park Jimin, o príncipe ômega dois anos mais velho que ele.


Não tirem conclusões precipitadas. Ele não o admirava a ponto de se apaixonar ou ter um "crush" nele. Vejam bem, depois de se apresentar como ômega, Taehyung ficou muito doente. Por serem filhos de criados, não podiam pagar um bom médico ou remédios, então sua mãe e as pessoas próximas apenas esperavam por um milagre ou pela morte do jovem ômega.


Mas o milagre veio na forma de um príncipe ômega.


Park Jimin, ao saber da condição do pequeno, imediatamente e contra a opinião de seu pai, enviou seu melhor médico e pagou todas as despesas para salvar a vida dele. E conseguiu. Taehyung se recuperou completamente após alguns meses.


Quando sua mãe contou sobre a atitude generosa do príncipe, o jovem ômega não tardou a procurá-lo para agradecer de todo o coração por ter salvo sua vida, mesmo sem ter obrigação nenhuma, já que ele era apenas o filho ômega de uma das criadas.


Ele se ajoelhou diante do príncipe ômega, que estava sentado no jardim, sobre uma manta na grama, estudando. Com toda a sinceridade do mundo, prometeu-lhe uma coisa.


— Príncipe Park, jamais esquecerei o que fez por mim — o pequeno Taehyung, aos treze anos, levou a mão ao peito e levantou o olhar para observá-lo fixamente —. A partir de agora, juro-lhe completa lealdade e prometo dar minha vida, se necessário, pelo seu bem-estar. Por favor, a partir deste dia, confie em mim. Serei ainda mais prestativo que os seus acompanhantes mais leais.


O príncipe ômega, de cabelos rosados como uma bela flor de cerejeira, sorriu para ele, fechou o livro e o colocou de lado para se aproximar do ômega mais novo. Ele levou a mão aos cabelos grisalhos do rapaz e acariciou seus fios brilhantes com um carinho que surpreendeu o criado.


— Você é adorável, Taehyung — elogiou, com aquele carisma e doçura que lhe eram peculiares —. Então, cuide de mim. Por favor.


Os olhos, tão cinzas quanto o cabelo do ômega, brilharam ao ouvi-lo. Ele assentiu várias vezes com a cabeça, presenteando o príncipe com o melhor de seus sorrisos.


— Com certeza, alteza!


Aquele foi o início de uma amizade tão forte e leal como poucas existiam. Almas gêmeas se reconhecendo para nunca mais se soltarem.


〘 REINO ZAFIRO / Dre4msCometrue 〙


Seis anos depois. Atualidade.


Reino de Ouro, uma semana antes do casamento arranjado entre Park Jimin e o herdeiro do trono do Reino Zafiro, Jeon Jungkook.


Quando o príncipe Jimin entrou em seu quarto acompanhado de seu mais querido e leal “dama de companhia”, o sorriso que manteve durante todo o almoço com seus pais desapareceu por completo. Sua postura impecável desmoronou com a rapidez com que as gotas de chuva caíam no chão durante uma tempestade.


Ele se jogou sobre sua grande cama de lençóis de seda dourada e deixou que seus soluços fossem ouvidos em todo o quarto.


— Alteza… — Taehyung se aproximou com um lenço para limpar as lágrimas dele —. É uma notícia lamentável. Sinto muito por você.


Jimin aceitou o lenço gentilmente, mas apenas o apertou forte entre as mãos, sem parar de chorar. A tristeza era palpável no ambiente e clara em seu aroma.


— Eu não quero… Eu não quero me casar com alguém que não seja Yoon — ele disse entre lágrimas, com dor em cada palavra —. Eu não conheço esse alfa. Não quero conhecê-lo nem estar com ele…


— Ouvi algumas pessoas dizerem que ele é um delta… — comentou, tentando amenizar a situação para o príncipe, embora soubesse que era algo impossível. Ele sentou-se na beira da cama para ficar perto dele —. Veja pelo lado bom: você não terá que se prender a ele através de uma marca.


— Não me importa o que ele seja… Eu amo um beta, você sabe que sempre amei o Yoon — disse, buscando o calor dos braços do amigo, querendo se acalmar com o aroma doce de mirtilos, tão único no ômega mais novo —. Yoon me ama também, e prometi a ele que encontraríamos uma forma de ficar juntos… Mas não conseguirei cumprir minha promessa.


Taehyung sentia-se impotente por não conseguir ajudá-lo de forma alguma. Achava cruel demais que os reis tivessem planejado um casamento arranjado sem consultar absolutamente nada com o príncipe, sendo que, por costume, esse tipo de assunto sempre era discutido com os envolvidos desde o início. Eles apenas sentaram-se para almoçar hoje e informaram que planejavam isso há meses.


“Em uma semana você se casa com o herdeiro do Reino Zafiro. Portanto, prepare-se para ser um ômega digno de um príncipe como ele.”


Nem sequer pediram a opinião do príncipe; apenas informaram, sabendo que ele não poderia negar ou objetar absolutamente nada. O que mais partiu seu coração foi ver o olhar do príncipe escurecer ao ouvir a notícia, mas, em seu rosto, ele mostrava apenas um sorriso complacente, fingindo que estava de acordo, porque sabia que era inútil negar algo aos pais.


Os ômegas são aqueles que possuem menos poder e direitos na realeza. Uma hierarquia injusta e imposta por pensamentos retrógrados que beneficiam apenas os alfas.


Jimin era alguém tão forte naquele momento. Taehyung só conseguia sentir ainda mais admiração por ele ao vê-lo sustentar, com desespero e medo, aquele amor construído em segredo do resto do mundo.


— Se eu pudesse fazer algo para ajudar, alteza… — disse com pura impotência na voz, enquanto acariciava as costas do outro —. Eu faria qualquer coisa para ajudá-lo a ser feliz, você sabe. Eu gostaria de tomar essa dor para mim.


— Eu sei, Tae… Eu sei — respondeu, profundamente grato —. Estando aqui comigo, você já me ajuda muito. Não consigo buscar consolo em mais ninguém, nem quero fazer isso neste momento…


Passaram-se vários minutos em que o príncipe desabafava e Taehyung tentava fazê-lo se sentir melhor apenas com apoio moral, que era a única coisa que ele podia oferecer. Em certo momento, o príncipe parou de chorar e se afastou, limpando as lágrimas para olhá-lo.


Quando seus olhares se cruzaram, Taehyung soube que aquela decisão no olhar do príncipe significava apenas uma coisa.


— Taehyung… — ele segurou as mãos do amigo e olhou-o com total firmeza —. Tenho um plano. Mas é arriscado demais e não posso prometer que, se você me ajudar, sairá ileso ou sem um castigo, mas…


— Eu aceito — respondeu, totalmente decidido —. Apenas me diga o que fazer e farei sem hesitar. Pois devo-lhe minha vida, e meu maior desejo é a sua felicidade.


Ele aproximou o dorso da mão do príncipe aos seus lábios, deixando um beijo tão doce e puro que até o lobo do rapaz de cabelos grisalhos estremeceu. Voltou a olhar nos olhos dele, com decisão.


— Meu único desejo é poder ajudá-lo a ter a vida que tanto sonhou. Seus desejos são os meus, e sua felicidade é a minha. Jamais hesite em contar comigo, alteza.


Jimin sorriu, totalmente grato, e o abraçou com força, voltando a soluçar. Ele não conseguia colocar em palavras o quanto se sentia feliz por ter alguém como ele em sua vida. Apesar da diferença de status, eles nunca se sentiram diferentes ou distantes. Ele gostava tanto dele que até desejava que pudesse estar ao seu lado pelo resto da vida.


— Não se preocupe. Não permitirei que você morra; levarei você comigo de uma forma ou de outra.


— Me levar com você? — perguntou sem entender ao que ele se referia —. Você pretende… fugir junto com o soldado Min?


— Sim.


Taehyung se afastou para encará-lo, com preocupação no olhar. Ele o apoiaria em qualquer coisa que quisesse fazer, mas temia que fosse arriscado e perigoso demais. Não suportaria se algo desse errado e ele fosse punido. Os reis Park são pessoas frias e cruéis que jamais perdoariam algo assim, preferindo se livrar do próprio filho do que passar vergonha diante dos outros familiares reais.


— Alteza, se vocês não conseguirem ir embora e forem pegos, eles os matarão — disse com medo, que começou a tomar conta dele ao imaginar diversos cenários em que nada saía bem —. Não só isso, mas o Reino Zafiro poderia considerar suas ações como traição e invadir o reino. Essa aliança serve para que o reino aumente sua força militar. Aquele reino tem um número gigante de soldados dispostos a invadir qualquer outro, e este aqui não tem o suficiente para se defender, embora sejamos um dos maiores reinos.


O príncipe Jimin negou com a cabeça e sorriu, tranquilo.


— Falarei com Yoon para traçarmos um plano infalível. Quanto ao resto, não se preocupe; aquele reino é famoso por se achar melhor que os outros, e tenho quase certeza de que nos verão como idiotas por recusar uma união com eles. Eles nos obrigarão a pagar, seja com ouro ou com todos os soldados que temos, mas não arruinariam este reino, pois isso os deixaria na posição de quem precisa de um “reino inferior” — disse, fazendo aspas com os dedos —. Não conheço o príncipe pessoalmente, já que meus pais só me permitem ir aos festejos aqui, mas tenho certeza de que, a menos que ele realmente queira se casar comigo, não acho que usarão esses métodos.


— Você tem certeza disso? — perguntou, um pouco preocupado com a possibilidade de as coisas não saírem daquela forma —. E se algo der errado? O que acontecerá se eles se enfurecerem e decidirem invadir o reino?


— Meu pai dará um jeito de encontrar uma solução — ele juntou as mãos, entrelaçando-as com as de Taehyung, e sorriu, tentando tranquilizá-lo —. Prometo que tudo dará certo e voltaremos para te buscar. Tenho pessoas de confiança e outras que, com ouro suficiente, nos ajudarão. Nós três iremos embora daqui e poderemos viver livremente.


Taehyung negou com a cabeça e sorriu da mesma forma. Aquilo soava muito bem, era um sonho. Mas ele sabia que algo assim não era possível.


— Se vocês conseguirem fugir juntos, então a minha missão estará cumprida.


A lealdade era a maior virtude de Taehyung. Ele jurou por sua vida que seria leal ao seu príncipe; então, faria todo o possível para que os desejos dele fossem cumpridos. Mesmo que sua própria vida estivesse em risco. Ele entregaria a vida sem hesitar em nome do benevolente Park Jimin.


Porque ele devia isso ao príncipe e queria retribuir da forma mais sincera possível.


〘 REINO ZAFIRO / Dre4msCometrue 〙


Atualidade. Reino de Ouro, dia do casamento.


Como o combinado era que o príncipe Jimin se mudaria para o Reino Zafiro, decidiram festejar o casamento no Reino de Ouro como uma espécie de despedida, a pedido do ômega.


A realidade por trás desse pedido era que Min Yoongi, o beta amante do príncipe e com quem ele iria fugir, tinha contatos no local para ajudá-los a escapar sem que ninguém os seguisse. O plano estava friamente calculado e, embora o príncipe não quisesse abandonar sua dama de honra, ele aceitou levar adiante a ideia do beta:


Fingir ser Jimin durante a cerimônia, aproveitando que o traje de noiva incluía um tule que impedia a identificação de seu rosto até o momento em que precisasse responder se aceitava o alfa como seu esposo.


O tempo de preparação, somado ao da cerimônia, seria suficiente para que conseguissem fugir por uma floresta próxima ao castelo, que não estaria muito vigiada. A maioria dos soldados estaria dentro e fora do castelo, além do jardim e da parte dos fundos, já que a segurança de ambos os príncipes era prioridade.


Taehyung passou uma semana preparando as malas que ficariam escondidas em uma árvore marcada na floresta. Cada noite, quando tinha tempo, levava mudas de roupa, garrafas de água e comida, para que tivessem uma viagem sem passar fome.


Obviamente, também deixou lá dinheiro e ouro que poderiam ser úteis.


Com tudo pronto, era apenas questão de tempo até que Yoongi desse o sinal e começassem o plano que não podia ter falhas nem erros.


—Poderiam me deixar a sós um momento? —perguntou Jimin às criadas e estilistas que estavam encarregadas de deixá-lo apresentável para o príncipe que seria seu marido—. Preciso me concentrar para algo tão importante.


As betas e ômegas assentiram, compreendendo como o príncipe deveria estar se sentindo prestes a casar. Quando deixaram o quarto, Taehyung saiu do armário onde estava escondido, e Jimin apressou-se a tirar o vestido que usaria.


Um lindo traje de tecido preto com mangas longas de renda, decote em V e uma cauda longa que se arrastava pelo chão, feita da seda mais fina. Não era muito largo, então era fácil se mover com ele. No Reino de Ouro, a cor tradicional dos casamentos era o preto, pois queriam se distinguir de outras famílias reais.


—Tem certeza de que quer fazer isso, Tae? —perguntou o príncipe preocupado, observando o ômega tentando ajustar o vestido—. Ainda dá tempo de você vir conosco.


—O plano não vai funcionar se eu não fizer isso —respondeu, estalando a língua quando um braço ficou preso na manga—. Assim que eu sair daqui, espere a porta ser batida cinco vezes seguidas; será o Yoongi e vocês serão guiados pelo guarda Kihyun até um caminho escondido que dá na floresta.


—Tae, eu… —ele se aproximou para segurar suas mãos, olhando-o com os olhos úmidos—. Não tenho palavras para demonstrar o quanto sou grato por você me ajudar com isso… mesmo arriscando sua vida…


—Só estou pagando minha dívida —respondeu, minimizando a situação—. Eu não estaria aqui hoje se não fosse pelo senhor e seu coração de ouro —aproximou-se para abraçá-lo, tentando não desabar em choro—. Por favor, seja muito feliz. Dessa forma, eu também serei.


—Por favor, não morra —pediu da mesma forma—. Kihyun vai te ajudar quando te prenderem, e estaremos te esperando para irmos embora juntos. Lembre-se do que dizer para que precisem te manter vivo.


O som da porta sendo batida alarmou ambos, e Jimin apressou-se a colocar o tule preto que impedia a identificação de seu rosto. Depois, escondeu-se no mesmo lugar que Taehyung estava antes.


—Alteza, está pronto? —perguntou uma das estilistas quando entraram novamente, e o rapaz de cabelos acinzentados assentiu sem responder, para que não percebessem que não era o príncipe—. Já está na hora. Vamos.


Taehyung suspirou, sentindo todo o corpo tremer diante do que faria. Estava com medo, pois sabia que, quando o tule fosse levantado, sua sentença de morte seria decretada. O príncipe acreditava que, em meio ao alvoroço e à pressa para procurá-lo, seus pais prenderiam o ômega mais jovem e que, assim, poderiam levar adiante outro plano para buscá-lo. Mas Tae sabia muito bem que isso não aconteceria, e não quis dizer nada.


Ele não iria recuar. Independentemente do medo ou da morte iminente.


Mesmo que quisessem cortar sua cabeça ali mesmo, ele não baixaria a cabeça para ninguém e manteria um sorriso orgulhoso pelo seu príncipe. Porque ele seria muito feliz ao lado da pessoa que ama, e então Taehyung também o seria da mesma maneira.


A cada passo que dava, acompanhado de "suas damas de honra", sentia o sangue congelar nas veias pelo temor do que aconteceria. O que mais o aterrorizava, ainda mais do que a própria morte, era que seu príncipe não conseguisse fugir e fosse encontrado e punido. Ele não poderia fazer nada para ajudá-los, e isso seria ainda mais doloroso.


Por sorte, teve que esperar uns dez minutos até que a rainha chegasse ao seu lado para pegar seu braço. Caminharia junto com ela até o altar, onde o alfa —ou delta, segundo os rumores— o esperava para se tornar seu marido. Embora isso não fosse acontecer, porque seu príncipe já estaria muito longe.


—Isso é para o bem do reino, você tem consciência disso? —perguntou a rainha ao "seu filho".


Taehyung apenas assentiu em resposta e, por sorte, a mulher não notou nada de suspeito em sua falta de resposta verbal. Jimin não era muito comunicativo com seus pais, que nunca demonstravam interesse em nada relacionado ao seu único filho. Todos sabiam que era pelo fato de ter nascido ômega, embora o príncipe jamais tenha se sentido ofendido por quem era.


Era realmente impressionante aos olhos do ômega de cabelos prateados.


Trombetas soaram junto com violinos, e o ômega ficou completamente tenso. Temia que, com seu nervosismo e medo, o remédio que escondia seu aroma parasse de fazer efeito e revelasse que ele não era quem supunham ser.


Só mais um pouco. Ele precisava se acalmar.


Quando as grandes portas se abriram diante deles, um longo tapete vermelho os recebeu, convidando-os a avançar. Ao final dele, encontrava-se o príncipe do Reino Zafiro. Ele sabia disso. Mas não conseguia vê-lo com clareza devido ao tule e à distância entre ambos.


Avançou junto com a rainha, ouvindo os aplausos de todos os convidados dos dois lados. Seu pulso disparava e ele tinha certeza de que começara a suar; cada passo parecia tão pesado que quase sentiu vontade de desmaiar.


O caminho tornou-se terrivelmente longo até que a rainha soltou seu braço e guiou sua mão esquerda para pegar a do alfa que agora estava diante dele. Não conseguia vê-lo bem por causa do tule e porque seu olhar estava baixo, na altura do peito do outro.


Manter o olhar baixo o ajudava a não pensar que tinha diante de si uma das pessoas mais poderosas de todos os reinos. Mesmo os de classes mais baixas conheciam o sobrenome Jeon e o poder do Reino Zafiro. A simples existência deles os tornava as pessoas mais imponentes, capazes de fazer tremer até os mais valentes.


Pessoa que, certamente, depois disso, o enviaria para a morte.


Ao sentir a mão do outro entrar em contato com a sua, sentiu o corpo todo estremecer e formigar. Engoliu em seco diante da forma como aquele simples toque o fez sentir, e o nervosismo tomou conta de seu corpo quando a voz do sacerdote ao seu lado começou a cerimônia, após os aplausos cessarem.


—Hoje é um dia memorável para o Reino de Ouro e o Reino Zafiro —falou o homem, gritando para que todos pudessem ouvir—. Hoje se unirão em matrimônio nosso príncipe Park Jimin e o herdeiro do reino mais importante, Jeon Jungkook.


Taehyung quase deu um salto com a surpresa quando as mãos do outro seguraram as suas e as pressionaram levemente. O ômega fechou os olhos com força, xingando em voz baixa quando pôde sentir levemente o aroma dele através do fino tule. Aquelas mãos eram grandes, firmes e estranhamente quentes.


Tinha certeza de que o alfa à sua frente podia sentir seu aroma também. Soube disso quando as mãos grandes e fortes do outro deram um aperto bem mais notável nas suas. Sentiu os polegares alheios acariciarem o dorso de suas mãos com tanta gentileza que se sentiu sobrecarregado, além de envergonhado. Nunca antes alguém que não fosse seu príncipe o havia tocado daquela maneira.


O príncipe desconhecido tomava muita liberdade, mesmo acabando de conhecê-lo. Sabia que isso não teria agradado em nada ao Jimin.


O sacerdote continuava falando, mas Taehyung já não o ouvia. Estava tão nervoso e assustado que seu corpo começou a tremer levemente. Esquecer sua situação atual só durou alguns segundos. O medo retornou com muito mais intensidade, porque cada vez restava menos tempo para manter sua mentira.


—Por favor, os anéis —pediu o homem grisalho ao lado de ambos.


Ouviu passos se aproximarem e, por baixo do tule, pôde ver perfeitamente o momento em que o príncipe desconhecido colocou aquele lindo anel em seu dedo anelar. Ele o fez com tanto tato que demorou um pouco mais do que o normal.


—Eu, Jeon Jungkook, aceito tomar Park Jimin como meu esposo —ouviu o alfa dizer, e sua voz fez seu lobo reagir, levantando as orelhas e a cauda, ansioso.


Sua voz não era muito grave, mas tampouco muito aguda. Era uma mistura de ambas, com um sotaque próprio de seu local de nascimento e um tom elegante, digno de alguém de sua linhagem. Dava arrepios ouvi-lo tão perto.


Ah… Isso era demais para Taehyung. Será que era suposto sentir isso?


Os aplausos fizeram-no voltar a si e, quando o sacerdote lhe fez a tão esperada pergunta, alguém parou ao seu lado, estendendo-lhe uma pequena caixa onde estava o anel que deveria colocar no mais velho.


Mas ele não o pegou.


—Park Jimin, você aceita este matrimônio e ser o ômega e esposo de Jeon Jungkook? —perguntou o homem, desta vez para ele.


Taehyung suspirou fundo. Muito fundo mesmo, e soltou o ar com força, fazendo o tecido fino do seu tule se mover conforme o movimento. Ele levantou bem o olhar e soltou-se do aperto das suas mãos com as contrárias.


— Receio que deva rejeitar a proposta — disse ele, surpreendido consigo mesmo quando sua voz saiu firme, quase zombeteira. Ainda assim, manteve um tom mais agudo que o dele, tentando imitar a voz do seu príncipe.


O arquejo de surpresa de todos foi ouvido por todo o lugar, ecoando pelo extenso salão. Isso só deixou claro para ele que o momento havia chegado. Não dava mais para prolongar as coisas.


Ele levou uma das mãos àquela que possuía o anel recém-colocado, tirou-o e, logo em seguida, jogou-o no chão como se fosse uma pedra sem valor algum.


— O que você acha que está fazendo, Park Jimin!? — ouviu-se a voz do rei.


— A questão é... — ele levou as duas mãos à faixa que segurava o tule e, ao retirá-la para deixar o seu rosto à mostra, levantou o olhar para encontrar o do alfa. — Que eu não sou Park Jimin — soltou desta vez com a sua voz natural.


Enquanto os gritos de espanto, surpresa e o som de taças caindo ao chão eram a única coisa que se podia ouvir, Taehyung permitiu-se analisar aquele que agora identificava como alfa, com quem o seu príncipe deveria ter se casado desde o início.


A única conclusão a que chegou foi: que homem. Santa lua.


A sua vestimenta era linda e impecável; notava-se o custo em cada detalhe dos tecidos. Terno azul-índigo com bordados dourados, calças brancas e o logotipo da sua família em um broche na altura do peito. As suas botas pretas, altas até abaixo dos joelhos, combinavam perfeitamente com aquela calça branca. O seu cabelo era negro como azeviche; os seus olhos, negros e intimidantes, lindos e perigosos, analisavam-no com o cenho levemente franzido.


— Do que se trata isto, Rei Park? — perguntou o príncipe Jeon, sem tirar os olhos do ômega à sua frente, analisando-o com uma intensidade que iluminava o seu olhar. — Ele não é o seu filho?


— Lamento decepcioná-lo, sua majestade — respondeu Taehyung com um sorriso ladino, permitindo-se zombar um pouco do alfa ao assumir que não demorariam nem um minuto para assassiná-lo ali mesmo. — Mas o meu príncipe já está muito longe. Será inútil ir atrás dele.


— Prendam esse maldito ômega! — ordenou o Rei Park com raiva na voz.


Quando alguns guardas se aproximaram com as espadas embainhadas, com a intenção de pegá-lo e retê-lo — embora fosse desnecessário, já que o acinzentado não iria resistir —, Taehyung não conseguiu evitar tremer, assustado.


— Alto! — ordenou o príncipe Jeon, erguendo um braço à frente do ômega para que todos os guardas parassem.


Taehyung sustentou o olhar do homem, apesar de a sua simples presença o fazer sentir-se extremamente pequeno e indefeso. O homem de cabelos negros baixou o braço e todos esperaram, expectantes, que ele falasse.


— O seu nome — ordenou, voltando a olhar para o ômega.


A pergunta deixou-o desconcertado e surpreso. Ele já se imaginava com a cabeça separada do pescoço assim que descobrissem a sua verdadeira identidade. Demorou alguns segundos, mas conseguiu responder:


— Importa? Estou condenado a morrer.


— Pode ser que eu não ordene que te matem se nos disser onde está o nosso filho — falou a Rainha Park, aproximando-se de Taehyung para segurá-lo com força pelo braço, com fúria pura nos seus olhos. — Fala! Onde ele está?


O acinzentado soltou um pequeno arquejo diante da força do aperto e das unhas que se cravavam na sua pele.


— Solte-o — ordenou o príncipe Jeon, usando a sua voz de comando, com os seus olhos escuros cravados na mulher.


Tanto Taehyung quanto a rainha e todos os presentes — exceto os betas, embora estes também tenham se assustado — baixaram a cabeça, submissos e incapazes de enfrentá-lo. Automaticamente, a mulher ômega soltou-o e o acinzentado levou uma mão à zona maltratada.


— Terão que me matar — respondeu Taehyung, olhando diretamente para a rainha. — Não direi uma única palavra. Não importa se me torturarem... morrerei antes de trair o príncipe! — gritou ele, deixando clara a sua decisão.


O rosto do Rei Park estava vermelho de raiva, e a rainha, pálida, não conseguia assimilar tudo o que estava acontecendo. Jamais pensou que teria de enfrentar algo assim, nem que o príncipe herdeiro mais poderoso usasse a sua voz de comando contra ela.


A risada estrondosa do príncipe Jeon chamou a atenção de todos os presentes. Taehyung virou-se para vê-lo, totalmente confuso diante da sua atitude, e tremeu quando o homem de cabelos negros pousou o seu olhar divertido sobre ele.


— Bem, não importa — disse ele, agachando-se para recolher o anel que o ômega havia lançado ao chão anteriormente. — Não é o príncipe Park, mas eu vou me casar com ele.


— O quê?


Taehyung achou que tinha ouvido mal, por isso olhou para ele com o cenho franzido. Todos no lugar começaram a falar desesperados diante da loucura que estavam presenciando. Os reis aproximaram-se para exigir que ele parasse com as brincadeiras num momento tão sério.


Mas Jeon não fez caso algum. Voltou a colocar toda a sua atenção no ômega de olhos cinzentos.


— Você é ômega, cheira a mirtilos e, curiosamente, é a minha fruta favorita — disse, aproximando-se dele com um sorriso ladino. — Vim para me casar, e vou me casar mesmo que seja com o ômega que tentou zombar de mim.


Taehyung não podia acreditar.


— Que tipo de príncipe começa a brincar neste tipo de situação? Você é estúpido? — perguntou, sentindo-se ofendido, certo de que o sujeito estava caçoando dele.


— Mais respeito ao falar com o príncipe Jeon, seu maldito ômega de quarta categoria! — gritou a rainha, com intenção de se aproximar dele novamente.


— Silêncio! — gritou Jeon, já farto da atitude da mulher. — Este ômega será o meu esposo. Portanto, meça as suas palavras a partir de agora.


— O quê? Não pode estar falando sério, príncipe Jeon — disse rapidamente o Rei Park.


Jungkook ignorou-o e aproximou-se do ômega, que estava atordoado e confuso com as suas palavras. Taehyung levantou o olhar para conectar com o do outro e quis afastar-se, mas temeu que ele usasse a sua voz de comando ou o golpeasse. Por isso, ficou no seu lugar, esperando o que viesse.


— O seu nome, ou matarei todos os convidados idosos que estão presentes — pediu com um tom tranquilo que não combinava com as suas ameaças.


— ...Você não está falando sério — desafiou ele, sem acreditar.


— Você precisa saber algo sobre mim, já que vamos nos casar — continuou sem hesitar. — Sou herdeiro do reino mais poderoso do mundo e sou, por natureza, caprichoso. Se quero algo, eu consigo. Porque tenho o poder para isso.


— E-Eu não vou me casar com você. Isto é uma loucura — respondeu, sentindo-se um bobo por ter gaguejado. O alfa estava invadindo o seu espaço pessoal e alterando o seu lobo.


— Não gosto de repetir as coisas. Responda, se não quer ver sangue manchar estes chãos.


Taehyung não o conhecia de nada, mas algo lhe dizia que ele falava sério. Olhou à sua volta e notou que havia pelo menos uma dúzia de pessoas idosas, com o medo refletido nos seus rostos. Se o sujeito falava sério, não queria carregar com a morte de inocentes.


Suspirou e voltou a olhá-lo. Só tinha que dizer o seu nome.


— K-Kim Taehyung... — respondeu com receio.


— Muito bem — disse Jeon com um sorriso satisfeito, levando uma mão ao queixo de Taehyung para acariciá-lo com o polegar. — Taehyung, vamos nos casar porque eu quero que seja assim, entendeu? Ninguém se oporá ao que eu quiser. Tenho o mundo nas minhas mãos.


— E se eu me recusar? — perguntou com firmeza, embora todo o seu corpo tremesse.


— Tomarei a recusa de Park como uma ameaça e invadirei este reino. Matarei todos — disse com total frialdade. — Não deixarei nem os animais vivos. O que acha disso?


Taehyung engoliu seco e negou com a cabeça, desviando o olhar. Era aterrorizante a facilidade com que ele falava de um massacre.


— Lunático... Isto não fazia parte do plano!


— Bem. Acho que será mais fácil se eu usar outro método — ele pegou na sua mão direita à força e aproximou o anel até estar prestes a colocá-lo no seu dedo. — Você ocupará o lugar do príncipe Park e eu não enviarei ninguém para procurá-lo nem debaixo das pedras para matá-lo. Não te parece justo?


Agora a proposta parecia tentadora para o ômega. Demasiado tentadora.


Ele baixou o olhar para o anel e depois voltou a olhar para o príncipe. Não precisou pensar muito; a resposta saiu dos seus lábios sem hesitação.


— Não o procurarão. Ninguém. Nem mesmo os seus pais — disse, lançando-lhes um olhar rápido aos reis. — Vão esquecer-se dele. E se algum dia o encontrarem, vão deixá-lo em paz. Se algo acontecer ao meu príncipe... não hesitarei em tirar a minha própria vida!


Jungkook sorriu satisfeito ao saber que já o tinha nas suas mãos e assentiu.


— De acordo.


Taehyung tirou o anel da mão dele e colocou-o sozinho, a contragosto. Depois baixou o olhar, sentindo a vergonha invadi-lo ao perceber que agora seria o esposo e ômega do príncipe Jeon do Reino Zafiro. Por outro lado, compreendeu que, de alguma maneira, acabara de escapar da morte, coisa que o deixou ainda mais desorientado.


Ele deu um pequeno pulo quando o homem de cabelos negros pegou na sua mão e o levou até onde o sacerdote tinha ficado completamente em choque. A maioria dos convidados estava igual.


— Bem. Continuemos, por favor — disse Jeon como se nada fosse, com um sorriso de total satisfação. — Fico feliz que tudo isto tenha sido mais divertido do que pensei.


— ...Você é completamente demente, príncipe — murmurou Taehyung com o cenho franzido, sentindo as suas bochechas arderem.


Jeon riu e negou com a cabeça. Voltou a pegar nas suas mãos e olhou-o com aquela expressão egocêntrica de pura vitória. Era atraente, até.


— Não, querido. Você não quer me ver demente.


〘 REINO ZAFIRO / Dre4msCometrue 〙