Chapter 1
A transição do branco estéril do hospital para o luxo amplo e envidraçado de sua mansão em Malibu pareceu menos com um retorno ao lar e mais como ser transferido para uma gaiola mais cara.
Julian Vance estava sentado em sua cadeira de couro feita sob medida, olhando para o horizonte do Pacífico. O pôr do sol era de um roxo arroxeado, bonito e indiferente. Atrás dele, a casa zumbia com a eficiência silenciosa de um museu. Tudo era automatizado, elegante e perfeitamente adaptado para um homem que não podia mais pisar na areia de sua própria praia particular.
Ele olhou para o tabloide mais recente na mesa de centro. A manchete dizia: "HERÓI DE AÇÃO FORA DE COMBATE: Será que Vance Voltará a Andar?". Ele empurrou a revista para fora da mesa com um movimento do pulso. Ela caiu no chão como um pássaro ferido.
Sua mente vagou, como costumava fazer quando a casa ficava silenciosa demais, para Marcus. Marcus, com seus dentes perfeitos e sua imagem pública calculada, que partira apenas duas semanas após a confirmação da lesão medular T8. Marcus não queria ser o "cuidador" de uma figura trágica; ele tinha uma marca a zelar.
Um sinal ecoou pela casa. O portão da frente.
Julian checou o monitor. Um rosto familiar e rústico olhava para a câmera. Dr. Silas Thorne.
No hospital, Silas fora um homem de poucas palavras — uma sombra de jaleco branco que verificava prontuários e se movia com uma competência silenciosa e intimidadora. Eles não eram amigos. Nem sequer eram próximos. Julian estava furioso demais para conversar, e Silas era profissional demais para insistir. Mas a seguradora e a equipe de gestão de Julian insistiram em um fisiatra residente para o primeiro mês de adaptação em casa. Silas era o melhor, e a carreira de Julian era valiosa demais para ser confiada a qualquer outra pessoa.
A porta se abriu e Silas entrou, carregando uma pesada mala médica e uma bolsa de notebook. Ele não estava vestindo o jaleco. Com um suéter escuro e calça jeans, ele parecia menos um médico e mais um homem que sabia exatamente quanto peso conseguia carregar.
"A entrada da garagem é um pesadelo, Julian", disse Silas como cumprimento. Sua voz era um barítono baixo e firme que parecia ancorar o ambiente espaçoso. "Muitos paparazzi no portão. Você deveria pedir para a equipe de segurança retirá-los."
"Eu gosto da companhia", retrucou Julian, com a voz carregada pela amargura que ele alimentava o dia todo. "Pelo menos eles ainda olham para mim. A maioria das pessoas desvia o olhar assim que vê a cadeira."
Silas não recuou. Ele caminhou até lá e colocou sua bolsa na ilha de mármore. Ele não ofereceu pena. Ele nem sequer ofereceu um sorriso. Apenas observou Julian com aqueles olhos firmes e indecifráveis.
"Eu não sou 'a maioria das pessoas'", disse Silas calmamente. "E não estou aqui para olhar para a cadeira. Estou aqui para analisar sua neuroplasticidade."
Ele caminhou até lá e ajoelhou-se na frente de Julian, não para rezar ou implorar, mas para verificar o alinhamento de seus pés nos apoios. A proximidade era surpreendente. No hospital, sempre havia enfermeiras, cortinas e o cheiro de antisséptico. Aqui, havia apenas o aroma de Silas — cedro e ar frio da noite — e o silêncio sufocante da mansão.
"Como está a escala de dor hoje?", perguntou Silas, seus dedos roçando brevemente o joelho de Julian.
Julian olhou para a mão do médico — forte, capaz e assustadoramente firme. "Não é dor, Silas. É nada. Esse é o problema. É apenas... vazio."
Silas levantou o olhar, fixando-o no de Julian. Pela primeira vez, a máscara de "Doutor" deslizou apenas uma fração, revelando algo mais humano. "O vazio pode ser preenchido, Julian. Mas você precisa parar de olhar para trás, para o que se foi, se quiser ver o que está por vir."
Ele se levantou, tendo terminado o exame da noite. "Estarei na ala de hóspedes se precisar de alguma coisa. Não tente passar para a cama sozinho esta noite. Me chame."
Enquanto Silas se afastava, com seus passos ecoando no assoalho de madeira, Julian sentiu uma centelha estranha e desconfortável de algo que não era amargura. Ele observou Silas desaparecer pelo corredor, imaginando por que o homem que mal falava com ele no hospital agora parecia ser a única pessoa que realmente conseguia vê-lo.



My!My heart be still🤗🤗💃💃
So far so good😊👍🏼
I'm liking Silas already and he's only just arrived!