Laços Ocultos – O Alfa e sua companheira humana

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Resumo

Ayla construiu uma vida silenciosa, simples e cuidadosamente protegida — uma vida onde nada dura o suficiente para quebrá-la novamente. Mas tudo começa a mudar no momento em que um estranho entra em seu café, carregando uma presença que ela não consegue ignorar e uma atração que não consegue explicar. Emir não é apenas intenso — ele é poder contido, autoridade silenciosa e segredos muito mais profundos do que ela pode enxergar. Um homem ligado a um mundo que ela nunca conheceu… mas que parece reconhecê-la antes mesmo que ela entenda o porquê. O que começa como uma conexão tranquila logo se aprofunda em algo a que nenhum dos dois consegue resistir. Em momentos roubados, toques prolongados e verdades não ditas, Ayla se vê entrando em uma vida que é tudo, menos comum. Mas alguns laços não são simples. Alguns carregam história, perigo e um passado que se recusa a permanecer enterrado. À medida que o amor cresce, o risco também aumenta — porque em um mundo governado pelo instinto, pela lealdade e pelo poder, uma escolha pode mudar tudo… ou destruir tudo.

Gênero
Romance
Autor
Emm
Status
Completo
Capítulos
54
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
16+

1. Ayla

Os primeiros flocos de inverno flutuavam preguiçosamente pelo céu, pousando suavemente nas ruas de paralelepípedos abaixo. O quarto de Ayla, situado acima da livraria de aluguel no canto da rua, era pintado de um tom alegre de amarelo — uma tentativa de capturar a luz do sol mesmo nos dias mais cinzentos. Mínimo, mas convidativo, o local cheirava levemente a café, livros antigos e sachês de lavanda guardados nas gavetas. Uma pequena janela emoldurava a rua lá fora, onde as pessoas passavam apressadas com seus cachecóis e casacos, e os flocos de neve dançavam ao vento, balançando como pequenos artistas em um balé silencioso.

A manhã de Ayla começava com a precisão do hábito. Ela deslizava os pés em pantufas gastas, prendia seus cabelos castanhos escuros em uma trança frouxa e passava uma pequena cafeteira antes de sair de seu quartinho ensolarado. Ela caminhava pela estreita rua de paralelepípedos, a neve rangendo suavemente sob seus sapatos, curtindo o ritmo tranquilo de seus passos. Quando chegava ao café que gerenciava, o frio do início da manhã já tinha beijado suas bochechas e deixado seu nariz rosado.

O café era seu santuário. Com aquecimento central, uma luz quente emanava das janelas altas para a rua, refletindo-se nas mesas de madeira polida e nas cadeiras organizadas em grupos aconchegantes. O aroma de café passado na hora se misturava à doçura dos doces — pães de canela, croissants de chocolate e tortas de frutas enfileiradas na vitrine de vidro, cada um quase bonito demais para ser comido. O falatório suave dos clientes habituais preenchia o ar, pontuado pelo chiado suave da máquina de expresso e o tilintar das xícaras. Cada canto parecia guardar uma história, desde a prateleira de livros antigos em um nicho até a pequena lousa listando os especiais do dia: “Latte de especiarias de abóbora, scones assados na hora e bolo de mel com amêndoas.”

Atrás do balcão, Leo, o simpático atendente, recebia cada cliente com um sorriso alegre e o cabelo escuro bem penteado. Mira, a garçonete brincalhona, piscava para Ayla sempre que o admirador da jovem entrava, deixando-a corar levemente antes de voltar à sua rotina. E o Sr. Cem, o dono do café, um homem redondo e jovial, batia palmas sempre que via Ayla, perguntando calorosamente: “Como está o meu raio de sol favorito hoje?” Sua risada era alta, contagiante e sempre fazia o café parecer um lar.

Ayla se movia com eficiência entre as mesas, levando xícaras fumegantes aos clientes e trocando sorrisos com aqueles que a cumprimentavam pelo nome. Havia uma pequena e silenciosa emoção que ela não podia negar — a familiaridade de suas rotinas, as pequenas conexões humanas que ela cultivava a cada dia. E depois havia o jovem que vinha todas as manhãs, precisamente às nove e quarenta e cinco, pegando seu café com um aceno educado e um sorriso que mexia com ela de maneiras que ela se recusava a nomear. Era inofensivo, ela dizia a si mesma. Ela estava ocupada demais para distrações.

Os domingos eram só dela. Ela frequentemente ajudava a senhoria com a livraria de aluguel lá embaixo, tirando o pó das prateleiras e organizando os livros no silêncio quente da loja iluminada pelo sol. Naquela manhã, enquanto endireitava a lombada de alguns romances, ela se deparou com um exemplar desgastado com uma capa peculiar: uma criatura com olhos brilhantes e presas espreitando em uma floresta. The Hidden Bonds, dizia o título.

A senhoria, espiando por cima dos óculos atrás do balcão, deu uma risadinha suave. “As crianças de hoje em dia… lendo qualquer coisa. Você realmente acha que criaturas como essas existem?”, ela murmurou, balançando a cabeça.

Ayla apenas sorriu em resposta. Um leve arrepio percorreu sua memória — uma noite muito tempo atrás, cheia de sons estranhos e sem nome, o cheiro de ferro e medo, um quarto escondido. Ela balançou a cabeça gentilmente e afastou o pensamento. Aquele era um fantasma de uma vida muito distante, um fragmento que não pertencia ao seu presente cuidadoso e medido.

Enquanto Ayla talvez tivesse ignorado o pensamento, em algum lugar não muito longe, entre as montanhas, o chão sentiu o baque de pés pesados, já que pesadelos não deixavam Emir dormir em paz e agora ele precisava fazer o que mais o libertava. Correr. Sobre suas quatro patas.

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