Perseguida pelo Alfa da Meia-Noite

Resumo

Ela cruzou a fronteira dele como presa. Ela se ergueu como sua igual. Lyra passou anos sobrevivendo — fugindo de um passado que deixou cicatrizes mais profundas que a pele. Quando ela invade o território do implacável Alfa da Meia-Noite, espera correntes... ou a morte. Em vez disso, ela encontra Raze. Frio. Controlado. Perigoso. E seu mate. Raze nunca quis uma fraqueza. Como Alfa, ele não pode se dar a esse luxo. Mas a mulher feroz e de língua afiada que o desafia a cada passo é tudo, menos frágil. Ela não se submete a ele. Ela o escolhe. E essa escolha muda tudo. À medida que os inimigos se aproximam e velhos fantasmas se recusam a permanecer enterrados, Lyra precisa decidir se continuará vivendo com medo de perder o amor — ou se lutará por um futuro que finalmente pode ser seu. Mas conquistar um mate é apenas o começo. Para ficar ao lado de um Alfa, ela precisa se tornar mais do que uma sobrevivente. Ela precisa se tornar a Luna. E quando o laço entre eles incendiar em fogo e sangue, toda a alcateia aprenderá uma verdade: O lobo mais perigoso da Meia-Noite... não é o Alfa. É a sua mate.

Gênero
Romance
Autor
Yolandi
Status
Completo
Capítulos
81
Classificação
3.3 3 avaliações
Classificação Etária
18+

O sonho que caçava

Na primeira noite em que sonhou com ele, Lyra acordou com o nome dele nos lábios.

O problema era que...

Ela não sabia o nome dele.

Apenas a sensação dele.

Calor. Sombra. Poder.

Tudo começava na floresta.

Todas as noites, ela se encontrava lá.

O luar derramava-se como fogo prateado entre árvores imponentes, iluminando seus pés descalços enquanto ela corria sobre o musgo e raízes que nunca cortavam sua pele. O ar cheirava a algo selvagem. Intocado. Elétrico.

E ela nunca sentia medo.

Ela corria porque gostava da perseguição.

Porque a antecipação fervilhava lá no fundo do seu ventre.

Porque ela podia senti-lo atrás de si.

Observando.

Na primeira vez que a mão dele envolveu seu pulso, ela arquejou — não de medo.

De reconhecimento.

O contato queimava.

Dedos grandes. Palma áspera. Força controlada.

Ele não a puxou para trás bruscamente.

Ele a deixou sentir o domínio primeiro.

“Correndo de novo”, sua voz soou grave atrás dela.

Profunda. Veludo sobre aço.

Ela engoliu em seco.

“Você me segue.”

Uma risada baixa vibrou contra sua espinha enquanto ele se aproximava, seu peito roçando as costas dela. Ele era enorme. O calor irradiava dele como uma fornalha viva.

“Eu não sigo”, ele murmurou perto do seu ouvido. “Eu caço.”

A outra mão dele deslizou lentamente do quadril até a sua cintura.

Possessivo.

Deliberado.

A respiração dela ficou curta quando ele a virou para encará-lo.

Na primeira vez que ela viu o rosto dele com clareza, seu pulso falhou.

Cabelos escuros caíam sobre uma testa forte. Cicatrizes traçavam a pele cor de bronze. Um maxilar esculpido em linhas implacáveis.

Mas eram os olhos dele...

Prateados.

Brilhando levemente sob a lua.

Olhos de lobo.

Olhos de predador.

Olhos de companheiro.

Sua loba ronronou sob suas costelas.

Ele ergueu a mão, arrastando os nós dos dedos lentamente pela curva da bochecha dela.

“Você não me teme”, ele observou.

“Eu não te conheço.”

O polegar dele roçou o lábio inferior dela.

“Você conhecerá.”

E então a boca dele estava sobre a dela.

Não foi suave.

Não foi brutal.

Foi uma reivindicação.

O beijo foi lento no início, testando. A mão dele apertou seu cabelo, inclinando a cabeça dela para aprofundar o ângulo. Ela sentiu-se devorada sem ser ferida. Dominada sem ser diminuída.

A língua dele contornou a linha dos lábios dela, exigindo passagem.

Ela cedeu.

No momento em que suas bocas realmente se encontraram, algo estalou entre eles como uma coleira puxada com força.

O corpo dela arqueou-se contra o dele sem pensar.

O rosnado dele ecoou através do peito dela como se ali vivesse.

Ele a levantou sem esforço, prensando-a contra o tronco de uma árvore. A casca era sólida e fria contra sua pele, e o contraste com o calor dele a fez arquejar na boca dele.

“Minha”, ele sussurrou contra o pescoço dela.

A palavra não foi gentil.

Não foi doce.

Foi inevitável.

Ela acordou tremendo.

Sem fôlego.

Sozinha.

E sentindo uma dor profunda.

Os sonhos não pararam.

Eles se intensificaram.

Noite após noite, ela retornava àquela floresta.

Às vezes ele já estava esperando.

Às vezes ela sentia o olhar dele primeiro — pesado, quente, faminto.

Em outras noites, ele a deixava correr por mais tempo.

Deixava a antecipação crescer até que suas coxas tremessem e seu pulso martelasse nos ouvidos.

Ela começou a desejar o momento em que os dedos dele se fechariam ao redor dela.

Desejar a forma como o corpo dele enjaularia o dela.

Desejar o domínio presente no silêncio dele.

Ele nunca perguntou o nome dela.

Ela nunca perguntou o dele.

Eles não precisavam disso.

Seus lobos falavam por instinto.

Pelo cheiro.

Pela posse.

Certa noite, a lua pairava impossivelmente baixa no céu, banhando-os com uma luz pálida enquanto ele a encurralava contra uma rocha.

“Você desacelera de propósito”, ele acusou suavemente.

Ela empinou o queixo.

“Talvez eu queira ser pega.”

Os olhos dele brilharam mais intensamente.

A mão dele deslizou pela lateral do seu corpo, os dedos traçando a curva da cintura antes de agarrar sua coxa e levantá-la ao redor do seu quadril. O movimento foi fluido. Controlado. Intencional.

A respiração dela falhou bruscamente ao sentir a linha sólida do corpo dele pressionada contra o seu.

A testa dele descansou contra a dela.

“Você me testa”, ele murmurou.

“Você gosta disso.”

Um rosnado foi a resposta dela.

Ele a beijou novamente, mais lentamente desta vez. Mais profundamente. Suas mãos percorriam sem hesitação, mapeando as curvas dela como se estivesse memorizando um território que pretendia conquistar.

Ela se sentiu reivindicada sem ser quebrada.

Desejada sem ser reduzida.

No mundo dos sonhos, ela não era a presa.

Ela era fogo encontrando fogo.

Os dentes dele roçaram a curva sensível onde o pescoço encontrava o ombro.

As costas dela arquearem-se instintivamente.

“Se você fosse real”, ela sussurrou sem fôlego, “você não me deixaria falar desse jeito.”

O aperto dele se intensificou o suficiente para lembrá-la de quem detinha o poder.

“Se você fosse real”, ele respondeu contra a pele dela, “você não sobreviveria ao me desafiar.”

O calor a inundou.

Não era medo.

Era excitação.

Ela acordou com os dentes fantasmagóricos dele ainda pressionando sua pele.

A quilômetros dali, em um território governado pelo domínio e pelo silêncio, Raze Blackthorne não dormia mais em paz.

Por meses, a mesma fêmea o assombrava.

Ele tinha tentado de tudo para parar com isso.

Uísque.

Exaustão.

Patrulhas noturnas.

Nada funcionava.

No momento em que fechava os olhos, a floresta vinha.

E ela também.

Pequena, mas feroz. Curvas suaves escondendo aço por baixo. Uma boca que o desafiava mesmo enquanto se abria sob a dele.

Ela nunca implorava.

Nunca se submetia.

Mesmo quando ele a imobilizava.

Mesmo quando ele a levantava sem esforço e sentia o corpo dela derreter contra o seu.

A loba dela encontrava a dele com a mesma fome.

Ele nunca tinha conhecido uma fome como aquela.

Não era apenas física.

Era territorial.

Instintiva.

Ancestral.

Toda vez que ela ria dele no sonho, algo em seu peito apertava.

Toda vez que ela pressionava o corpo contra o dele em desafio, seu controle se esvaía.

Ele acordava duro e furioso.

Porque ela não era real.

Não podia ser.

E, ainda assim, ele conseguia senti-la quando se levantava da cama: chuva selvagem e algo afiado como um relâmpago.

Certa noite, o sonho mudou.

Ele não a perseguiu.

Ele esperou.

Ela entrou na clareira por conta própria.

Devagar.

Consciente.

"Você está ficando impaciente", ela observou.

Ele se encostou em uma árvore, com os braços cruzados sobre o peito.

"Você está ficando imprudente."

Ela parou a centímetros dele, desta vez.

Sem correr.

Sem perseguição.

Os dedos dela subiram pelo peito dele, traçando uma cicatriz perto de sua clavícula.

Ele inspirou bruscamente.

Aquele toque pequeno parecia mais perigoso do que qualquer ferida de batalha.

"Você acha que eu tenho medo de você", ela disse baixinho.

A mão dele disparou, segurando o pulso dela — não com rispidez, mas com firmeza.

"Eu sei que você não tem."

Ele a puxou para mais perto até que seus corpos estivessem totalmente alinhados.

O pulso dela trovejava entre eles.

"Deveria ter."

Em vez de recuar, ela se inclinou e mordeu o lábio inferior dele.

O lobo dele surgiu violentamente dentro dele.

A floresta escureceu.

O vento uivou entre as árvores enquanto ele a virava, pressionando as costas dela contra o chão, desta vez, pairando sobre ela. Suas mãos envolveram a cabeça dela, enjaulando-a sob seu corpo.

"Você provoca", ele rosnou.

"Você reage."

Os olhos dele queimavam mais intensamente do que nunca.

"Cuidado", ele avisou.

As pernas dela se enroscaram na cintura dele, prendendo-o no lugar.

"Me obrigue."

O som que ele fez não era humano.

Era puro lobo.

Ele se abaixou, capturando a boca dela novamente enquanto o mundo ao redor deles parecia pulsar no ritmo do vínculo que os unia.

E, pela primeira vez —

O sonho parecia quase real.

Sólido.

Próximo.

Como se algo além do controle deles estivesse diminuindo a distância entre os dois.

Então veio a noite em que tudo se quebrou.

Lyra não sonhou com a floresta.

Ela não sentiu o luar.

Ela sentiu mãos.

Mãos reais.

Ásperas.

Cruéis.

Ela deu um sobressalto e acordou em uma escuridão que não era prateada e segura.

Paredes de pedra.

Ar frio.

O cheiro dele.

Seu antigo Alpha.

"Achou que poderia fugir para sempre?", a voz dele zombou.

Uma dor explodiu em seu rosto quando ele lhe deu um tapa nas costas da mão.

Sua loba rosnou, mas ela estava fraca, drogada desde a noite anterior.

Ele agarrou seu cabelo, puxando sua cabeça para trás.

"Você pertence a mim."

Em algum lugar profundo de sua mente, olhos prateados brilharam.

Um rosnado distante ecoou como um trovão sobre as montanhas.

Mas não estava perto o suficiente.

Seu antigo Alpha a empurrou contra a parede, com os dedos cavando sua garganta — não para reivindicar.

Para esmagar.

"Vou te quebrar até que você se lembre de quem é seu dono."

Pontos escuros tomaram sua visão.

O ar desapareceu.

E enquanto a consciência se esvaía —

A floresta cintilou.

Por apenas um segundo.

Olhos prateados queimando na escuridão.

Um lobo uivando de fúria.

Então, nada.

A quilômetros de distância, Raze se sentou bruscamente na cama, com o peito arfante.

O vínculo gritou.

Não com desejo.

Com perigo.

Pela primeira vez em meses —

Ele sentiu cheiro de sangue.

E não era o dele.

Seu lobo se levantou lentamente, de forma letal.

Ela não era apenas um sonho.

Ela era real.

E alguém tinha acabado de machucar o que lhe pertencia.

A caçada estava prestes a começar.