Capítulo Um - A Última Noite de Liberdade
A música no clube pulsava como um batimento cardíaco através do assoalho — um grave profundo e vibrante que subia pelos saltos de Hayley Carter e se instalava em algum lugar no seu peito. Balões rosas e dourados se acumulavam no teto, acima do camarote onde ela estava espremida entre suas amigas, com uma tiara de plástico escorregando pela testa a cada minuto. As palavras Bride to Be brilhavam na faixa rosa que Jess insistira que ela usasse há aproximadamente vinte minutos e dois coquetéis.
Ela puxou a faixa, constrangida, pela décima segunda vez.
"Eu pareço um artigo de festa ambulante", resmungou Hayley, puxando a faixa. Ela tentou tirá-la de vez.
Megan deu um tapa em sua mão. "Você está adorável. Para de se mexer."
Jess riu, levantando seu próprio coquetel fluorescente — algo que envolvia um guarda-chuvinha e muito curaçau blue —, mas um brilho estranho surgiu em seus olhos.
Do outro lado da mesa, Lila se recostou no banco de couro vermelho, seus cachos escuros saltando enquanto ela sorria. "Relaxa. É sua despedida de solteira. Você tem que ficar um pouco envergonhada. Está no regulamento."
O clube estava lotado de grupos de mulheres rindo — coroas de aniversário refletindo a luz, boás de plumas sobre os ombros, pulseiras brilhantes piscando na luz neon. Perto do fundo, um grupo de despedida de solteira tentava ensinar à noiva uma coreografia das Spice Girls. Não estava indo bem. Hayley sentiu uma afinidade estranha com aquela mulher.
Daniel tinha insistido para ela sair.
"Aproveite", ele dissera naquela manhã, beijando sua testa enquanto ela estava sentada na bancada da cozinha de pijama, tomando café e sentindo uma leve ansiedade pré-festa. "Suas amigas merecem comemorar com você. E você merece se soltar um pouco antes do grande dia."
Ela se derreteu um pouco com isso, como sempre fazia quando ele era atencioso. Esse era o Daniel — discretamente gentil, sempre confiável, o equivalente humano a um cobertor quentinho e uma xícara de chá. O que era maravilhoso. O que era exatamente o que ela queria.
Não era?
Hayley tomou um gole maior da sua bebida e afastou o pensamento.
É claro que era o que ela queria. Eles estavam juntos há quatro anos. Praticamente moravam juntos no apartamento dele. Ela sempre teve seu próprio lugar, mas Daniel preferia o apartamento dele, que era mais espaçoso. Eles tinham uma conta poupança conjunta e uma assinatura compartilhada de um serviço de streaming. Este era o próximo passo óbvio. Uma progressão natural. A coisa que você faz quando ama alguém e quer passar o resto da vida com essa pessoa.
Então, por que a palavra lógico continuava aparecendo em seus pensamentos quando ela pensava no seu próprio casamento?
Jess se inclinou para frente, conspiratória, com os olhos brilhando com aquela malícia que, ao longo de quinze anos de amizade, levou a aproximadamente 73% das decisões mais lamentáveis da vida de Hayley. "Ok. Próxima atividade."
O estômago de Hayley se contraiu.
"Jess..."
Tarde demais. Jess bateu na mesa com as duas mãos. "Tragam ele!"
Hayley congelou no meio do gole.
"Megan", ela disse lentamente, com um medo crescendo em sua voz como um nevoeiro subindo do mar. "O que você fez?"
O sorriso de Megan era nada menos que diabólico. Ela jogou o cabelo loiro sobre o ombro e se recostou como uma rainha observando seu domínio. "Ah, nada", disse ela calmamente. "Só contratei um pouco de entretenimento. Você só faz vinte e cinco anos e se casa no mesmo mês uma vez, teoricamente. Achei que deveríamos fazer valer a pena."
Lila soltou um gritinho e balançou os pés debaixo da mesa como uma criança encantada.
Hayley gemeu, cobrindo o rosto com as duas mãos. "Não. Não, não, não. Eu disse a vocês — disse explicitamente — nada de strippers. Fui clara sobre isso. Usei as palavras ‘em hipótese alguma’. Essas palavras exatas."
"Não é um stripper", Megan corrigiu suavemente. "Dançarino. Existe uma diferença. Strippers tiram a roupa. Dançarinos apenas... dançam. Com bom gosto. Artisticamente."
"Desde quando você se importa com bom gosto?"
Megan pressionou a mão contra o peito em uma ofensa fingida. "Sou uma mulher de requinte e cultura."
Jess bufou dentro do copo.
"Estou falando sério, Meg. Não quero um estranho..." — Hayley baixou a voz, olhando em volta — "...se esfregando em mim enquanto vocês filmam para a posteridade. Eu tenho que viver com essas lembranças."
"Relaxa." Megan fez um gesto de descaso com a mão. "Reservei pelo clube, não por algum site duvidoso. Eles são profissionais."
"Você reservou um stripper através de um clube?"
"Um dançarino. E sim. Dei a eles o clima — divertido, mas respeitoso — e eles enviam quem estiver disponível." Megan deu de ombros. "Coisa padrão."
"Então você nem sabe quem está vindo?"
"Eu sei que ele será profissional. Esse é literalmente o trabalho dele." Megan sinalizou para a garçonete pedindo outra rodada.
"Você deu a eles um clima?"
"Aluguei um camarote, especifiquei a ocasião e dei uma boa gorjeta adiantada." Megan deu de ombros.
Hayley encarou-a. "Você está me dizendo que um estranho qualquer vai aparecer para dançar para mim, e você nem sabe o nome dele?"
"Eu sei o nome artístico dele." Megan sorriu. "Ryder Storm. Muito dramático. Super combina com o tema."
Jess soltou um riso tão violento que quase engoliu o coquetel. "Ryder Storm?" Ela pressionou a mão contra a boca, com os ombros tremendo. "Isso soa como um fenômeno climático num clube de strip masculino."
"É um clube de strip masculino", disse Megan secamente.
"Melhor ainda." Jess se abanou dramaticamente, jogando-se contra o banco como uma dama vitoriana diante de um escândalo. "Ohhh, Ryder Storm está se aproximando. Todo mundo se proteja. Preparem-se para o temporal, senhoras."
Lila deu um chute nela debaixo da mesa. "Você é muito exagerada."
"Eu estou entretida. Existe uma diferença."
Até Hayley sentiu a boca tremer, apesar de si mesma. "Vocês duas são impossíveis."
Megan ignorou o comentário com a dignidade de quem esperava exatamente essa resposta. "Pode zombar o quanto quiser. Você vai mudar de ideia quando ele aparecer e vocês ficarem sem fala."
"Eu nunca ficarei sem fala por causa de alguém chamado Ryder Storm", declarou Jess. "Isso é um voto solene."
(Doze minutos depois, ela quebraria esse voto de forma espetacular.)
Hayley gemeu. "Eu odeio tudo isso."
"Você ama tudo isso. Só está fingindo que não. Relaxa." Megan fez um gesto de descaso. "Eu pesquisei. Esse cara deve ser elegante. Mais para uma performance artística do que... você sabe. A outra coisa."
"Não tem outra coisa. Só tem uma coisa, e é a coisa que eu não quero."
"Você está sendo dramática."
"Estou sendo razoável!"
"Você está sendo dramática e razoável, o que é a pior combinação. Apenas confie em mim. Quando foi que eu te levei para o caminho errado?" disse Megan.
Hayley abriu a boca para responder.
Megan levantou uma mão. "Pergunta retórica. Não responda."
A música do DJ parou abruptamente no meio, deixando um silêncio retumbante que deixou o ambiente todo em alerta. Um holofote se acendeu perto do pequeno palco do outro lado da sala, e uma voz ecoou pelos alto-falantes — profunda, dramática, uma voz que provavelmente anunciava lutas de boxe e eventos de luta livre.
"Senhoras... vocês estão prontas?"
A multidão explodiu em gritos. O grupo de despedida de solteira abandonou a coreografia das Spice Girls totalmente.
Hayley afundou no banco até que seu queixo quase tocasse a mesa.
"Eu odeio todas vocês", ela resmungou entre os dedos. "Vou me lembrar disso durante a montagem das mesas do casamento. Cada uma de vocês ficará sentada perto da cozinha. Vocês ficarão atrás de um pilar. Terão uma visão limitada do altar."
Jess puxou suas mãos do rosto. "Você não vai se esconder. Esta é uma tradição sagrada. A Última Noite de Liberdade. Você deveria ser selvagem, despreocupada e fazer coisas das quais se arrependerá pela metade."
"Eu não quero ser selvagem e despreocupada. Eu quero estar em casa de pijama assistindo Orgulho e Preconceito e fingindo que o Sr. Darcy é real."
"É exatamente por isso que você precisa disso."
Uma linha de baixo pesada e lenta começou — profunda e rítmica, um som que parecia ignorar os ouvidos e se instalar diretamente na corrente sanguínea. As luzes diminuíram até que a sala brilhasse em carmesim escuro e violeta, com sombras se acumulando nos cantos e se espalhando pelo teto.
A multidão perto do palco avançou, uma onda de glitter e gritos animados.
E então ele entrou na luz, e Hayley esqueceu como se respira.
Ele era alto — não apenas alto, imponente — com ombros largos que faziam a multidão se abrir para ele como algo inevitável, e não uma escolha. Com bem mais de um metro e oitenta, ele se movia com a confiança preguiçosa de um predador observando a paisagem, seu corpo entendendo exatamente qual espaço ocupava e não oferecendo desculpas por nada disso. Seu cabelo comprido e escuro caía solto pelos ombros, captando as luzes coloridas como tinta derramada sobre seda, algumas mechas caindo para a frente quando ele inclinou a cabeça e examinou o salão.
Mesmo do outro lado do clube — mesmo através da iluminação fraca e do aperto dos corpos — Hayley conseguia ver as linhas marcadas de seu maxilar, as maçãs do rosto esculpidas, a curva confiante de sua boca que sugeria que ele sabia exatamente o efeito que estava causando e achava isso levemente divertido.
A voz do locutor ecoou novamente.
"Senhoras... aplaudam a tempestade que vocês tanto esperavam..."
Pausa dramática. A multidão prendeu a respiração coletiva.
"RYDER STORM!"
A multidão gritou. O grupo de despedida de solteira pulava. Em algum lugar à esquerda de Hayley, uma mulher gritou algo impublicável.
Suas amigas gritaram mais alto.
"Meu Deus", Jess suspirou, agarrando o braço de Hayley com força. "Meu Deus. Megan. Megan, eu retiro tudo de ruim que já disse sobre você."
Megan parecia insuportavelmente satisfeita consigo mesma. "Como deveria."
Hayley apenas olhava.
Ele vestia calças de couro preto ajustadas nos quadris — do tipo que parecia caro, não barato de loja de fantasias — e uma jaqueta preta aberta que revelava um peito esculpido e um abdômen definido sob as luzes do palco. Sua pele brilhava com os reflexos dos holofotes.
Mas o que a impressionou não foi apenas o corpo.
Foi a maneira como ele se movia.
Ele atravessou o palco com uma confiança fluida e fácil que parecia quase inconsciente, como se a música vivesse em algum lugar em seus ossos e ele estivesse simplesmente deixando-a sair. Cada passo era deliberado sem parecer ensaiado, sem pressa, o caminhar lento de alguém totalmente consciente de cada olho na sala e absolutamente indiferente à atenção.
Quando a batida voltou, ele girou os ombros uma vez — um movimento único e suave que fez a jaqueta deslizar levemente, revelando mais do seu peito — e a sala perdeu o juízo.
Hayley percebeu que sua boca estava levemente aberta. Ela a fechou.
Jess agarrou seu braço com força suficiente para deixar marcas. "Hayley. Hayley. Olha para ele."
"Eu estou olhando", disse Hayley. "Eu estou olhando."
Ryder Storm — aparentemente — começou a dançar.
Não era frenético ou exagerado como ela esperava. Não havia empurrões pélvicos desajeitados, nem dedos apontados de forma constrangedora para mulheres aleatórias na multidão. Nada que gritasse Eu sou um Artista Profissional, Por Favor, Aprecie Meu Artifício.
Era mais lento. Controlado. Quase... artístico.
Ele se movia com o ritmo como se estivesse contando uma história com o corpo — cada movimento de seus quadris era deliberado, cada giro de seus ombros era preciso e cheio de significado. Suas mãos percorriam o ar como se estivessem traçando formas que só ele podia ver. Quando a música crescia, seus movimentos também cresciam; quando ela caía para algo mais calmo, ele seguia o fluxo, seu corpo se dobrando e ondulando como água encontrando seu nível.
O holofote o seguia enquanto ele descia do palco.
A multidão se abria instintivamente, criando um caminho como o Mar Vermelho.
Mulheres estendiam as mãos enquanto ele passava, rindo e torcendo, tentando tocar seus braços, ombros e peito. Ele soltou um sorriso fácil, cumprimentando um grupo antes de girar suavemente para longe, sem nunca quebrar o ritmo da música. Ele fazia tudo parecer fácil — a atenção, a fisicalidade, a consciência constante de onde estava o seu corpo.
Hayley sentiu um estranho frio na barriga. Não era exatamente atração. Era algo mais parecido com... reconhecimento? Não, isso não fazia sentido. Ela nunca tinha visto aquele homem na vida.
Jess inclinou-se para perto do seu ouvido. — Ele está vindo para cá.
Os olhos de Hayley se arregalaram. — Não, ele não está.
Jess apontou.
Hayley olhou.
Ryder Storm estava caminhando diretamente em direção ao camarote delas.
Suas amigas entraram em um caos de alegria.
— A Hayley é a noiva!
— Aqui!
— Traz ele para cá!
Megan assobiou — com dois dedos na boca, um som estridente e alto, do jeito que ela fazia desde que tinham dezessete anos e entravam escondidas em boates com identidades falsas.
Hayley queria se enfiar debaixo da mesa e nunca mais sair. Ela considerou, por um breve momento, a viabilidade logística de simplesmente deslizar para baixo do banco e se esconder até que tudo aquilo acabasse. Infelizmente, o chão parecia grudento e ela estava usando um vestido preto brilhante de que gostava muito.
O dançarino parou ao lado do camarote.
De perto, ele parecia ainda mais alto. E de alguma forma... mais jovem. Não na idade — ele estava claramente na casa dos vinte e poucos, talvez trinta anos — mas em algo menos mensurável. A pele no canto dos seus olhos era lisa, sem as marcas de uma vida sofrida. Sua boca, quando não estava se apresentando, assumia uma expressão que não era bem um sorriso, nem bem uma incerteza — apenas aberta, de um jeito que sugeria que ele ainda não tinha aprendido a se fechar para o mundo.
Seu cabelo caiu levemente para frente enquanto ele olhava para ela, e aqueles olhos cinza-azulados perscrutavam seu rosto com uma expressão que ela não conseguia decifrar. Houve um lampejo ali, que surgiu e sumiu, de algo quase como nervosismo. O tipo de sensação que alguém tem antes de fazer coisas o suficiente para deixar de ficar nervoso com elas.
Por um momento, o artista confiante vacilou.
Algo mais sereno passou pelo seu rosto, quase incerto. Quase tímido. Seu maxilar se moveu levemente, como se ele estivesse decidindo se diria algo, e então decidindo que não.
Então o sorriso de palco voltou, caloroso e ensaiado, e Hayley se perguntou se ela tinha imaginado tudo.
— Bem — disse ele, com a voz suave e grave, que se destacava facilmente sobre a música. — Qual de vocês é a noiva?
Quatro dedos apontaram para Hayley.
Ela gemeu e fechou os olhos por um segundo. — Traidoras. Todas vocês.
Ele riu — uma risada de verdade, não uma risada de artista, grave e genuína.
— Essa seria eu — admitiu Hayley, com fraqueza, gesticulando para a faixa ridícula. — Infelizmente.
Ele se agachou levemente para ficarem na altura dos olhos. De perto, seus olhos eram incomuns — cinza-azulados, como o mar antes de uma tempestade, com anéis mais escuros nas bordas. Seus cílios eram injustamente longos.
— Hayley — disse ele, lendo as letras brilhantes no peito dela.
Sua voz suavizou um pouco. Perdeu um pouco daquela atitude de palco.
— Parabéns.
Algo na sinceridade daquilo a pegou de surpresa. Ela esperava a bajulação performática de sempre — você é a noiva mais linda que já vi, como você teve tanta sorte — o charme vazio que vinha com o trabalho. Mas a voz dele não tinha nada disso. Apenas um calor simples e genuíno.
— Obrigada — disse ela, sem jeito. — Eu... obrigada.
Jess, aparentemente decidindo que sutileza era para os fracos, deu um leve empurrão no ombro dela. — Dance para a noiva! — exigiu ela. — É por isso que você está aqui, não é? Dance para ela.
A multidão ao redor deles gritou em concordância.
Ryder Storm riu, passando a mão pelo cabelo e jogando-o para trás. O movimento chamou a atenção de Hayley para a linha do seu maxilar, o desenho do seu pescoço, o jeito como seu peito se movia ao respirar.
Pare de notar essas coisas, ela disse a si mesma com firmeza. Você está noiva. Pessoas noivas não ficam reparando no pescoço dos outros.
— Bem — disse ele, voltando a ficar de pé em toda a sua altura —, longe de mim decepcionar.
A música mudou — agora mais lenta, mais pesada, com um ritmo que parecia pulsar exatamente no compasso de um batimento cardíaco. O baixo era tão profundo que ela conseguia sentir nos dentes.
Ele estendeu a mão para Hayley.
Seu coração batia dolorosamente contra as costelas.
— Ah, eu não... eu não sou... eu não sei dançar muito bem...
Jess agarrou seu pulso e o empurrou para frente antes que ela pudesse terminar a frase.
Hayley lançou-lhe um olhar de pura traição.
Tarde demais.
A mão de Ryder Storm fechou-se gentilmente ao redor da dela.
O toque dele era quente. Firme. Cuidadoso — como se ele estivesse segurando algo frágil sem querer ser condescendente. A palma de sua mão era levemente calejada contra a pele dela.
Ele a puxou para se levantar.
Ela apenas ficou ali, piscando, com a mão ainda presa na dele. A música continuava batendo. O bar continuava agitado. Mas algo tinha mudado — uma onda de consciência passando pela multidão como o vento pelo trigo.
O grupo da despedida de solteira, ainda aglomerado perto do palco, foi o primeiro a notar. Uma delas — talvez a noiva, ou a amiga mais escandalosa — apontou e disse algo que Hayley não conseguiu ouvir. Em segundos, elas estavam migrando, arrastando sua noiva relutante para o centro da ação, abrindo espaço perto do camarote como se estivessem esperando exatamente por aquilo.
— Abram espaço! — alguém gritou. — A noiva está passando!
Outros grupos se afastaram automaticamente, do jeito que as multidões sempre fazem quando algo está acontecendo — não porque se importassem, necessariamente, mas porque corpos em movimento criavam espaço por padrão. Algumas mulheres olharam, avaliaram a situação (dançarino + noiva = foto para as redes sociais) e levantaram seus telefones com a indiferença treinada de quem documenta tudo por garantia.
O grupo da despedida de solteira tinha se aproximado, e sua noiva agora estava sentada nos ombros de uma amiga para ter uma visão melhor. Os telefones balançavam acima da multidão como bastões de luz em um show.
Quando Hayley percebeu o que estava acontecendo, um círculo solto já tinha se formado — irregular, casual, mais por acaso do que por planejamento. O grupo da despedida de solteira reivindicou a frente, com seus telefones já gravando. Algumas convidadas de outros grupos pairavam nas bordas, mais curiosas do que interessadas. A maior parte do bar continuava com suas conversas, alheios ou indiferentes.
Não era uma apresentação. Era apenas... um momento. Um que, por acaso, tinha uma plateia. Mas os olhos de Ryder permaneciam nos dela, firmes e calorosos, e de alguma forma isso fazia com que a plateia parecesse apenas um barulho de fundo em vez de um julgamento.
Hayley conseguia sentir seu rosto queimando. Ela tinha certeza de que estava quase da cor de um carro de bombeiros.
— Sinto muito — ela sussurrou, antes que pudesse se conter.
Ele piscou, surpreso. — Por quê?
— Por... isso. — Ela gesticulou desamparadamente para si mesma, para a faixa, para a tiara, para a multidão, para toda aquela situação humilhante. — Por ser a pior pessoa possível para se dançar. Eu não sou... eu não... essa não é a minha praia.
Um leve sorriso surgiu em sua boca — não o sorriso de artista desta vez, mas algo menor e mais privado. — É literalmente o meu trabalho — disse ele baixinho. — Acredite, eu já dancei com gente muito pior. Pelo menos você é educada.
— Quem não é educada?
— Você se surpreenderia. — Os olhos dele enrugaram nos cantos. — Semana passada, uma mulher tentou subir em mim como se eu fosse uma árvore. A segurança precisou intervir.
Hayley riu antes de conseguir se controlar — um som genuíno e surpreso que pareceu assustar os dois igualmente.
A música cresceu.
Ele deu um passo mais perto.
Mas não tão perto quanto ela esperava. Nada daquela pressão de corpo inteiro que ela temia, o tipo de coisa que teria deixado suas amigas histéricas e ela em parada cardíaca. Em vez disso, ele lhe deu espaço — o suficiente para que ela pudesse respirar, pudesse pensar, pudesse ainda se sentir ela mesma.
Ele começou a se mover ao redor dela, dançando em movimentos suaves e controlados que mantinham distância suficiente para parecer respeitoso. Seus quadris giravam com o ritmo, lentos e deliberados, mas seus olhos permaneciam no rosto dela em vez de no seu corpo — verificando, constantemente, se ela estava confortável com aquilo.
Era estranhamente... atencioso.
Hayley soltou um suspiro trêmulo que ela nem tinha percebido que estava segurando.
Suas amigas gritavam de tanto rir e incentivavam atrás dela. Ela ouviu Megan gritar algo sobre "isso aí, Hayley!" e Jess responder com algo impronunciável.
Ryder entrou em uma rotação lenta, circulando-a com uma graça deliberada. Seu corpo ondulava com a música — um movimento de ombros que percorria sua coluna e descia para os quadris. Fluido e hipnotizante. Quando ele ficava de costas para ela, olhava por cima do ombro com aquele mesmo sorriso caloroso, uma mão estendida para trás como se a convidasse para se aproximar.
Ela não se moveu. Não conseguia se mover. Não tinha certeza se ainda sabia como.
Ele se virou para encará-la novamente e se agachou, subindo lentamente — dolorosamente devagar — em um movimento que começava nas coxas e viajava para cima como uma onda. Suas mãos traçavam o ar perto de seu próprio corpo, nunca tocando nela, mas a sugestão estava ali, a implicação de intimidade sem qualquer contato real.
Hayley percebeu que estava prendendo a respiração.
Ele girou uma vez no ritmo da música, seu cabelo varrendo seus ombros como uma cortina escura. As luzes do palco brilhavam em suas costas, destacando as linhas fortes dos músculos sob a pele, o jeito que seu corpo se movia como se tivesse sido desenhado especificamente para aquele propósito.
Quando ele a encarou novamente, sua expressão mudou.
Aquela mesma suavidade de antes. Quase tímido.
Ele inclinou a cabeça em direção à dela — perto o suficiente para que seu cabelo roçasse em seu próprio ombro, perto o suficiente para que, por um segundo vertiginoso, ela pensasse que ele poderia falar. Em vez disso, seus lábios se moveram perto de seu ouvido, formando palavras que ela não conseguia ouvir, que era impossível ouvir por causa do baixo que sacudia o chão.
Mas ela as sentiu. O calor da sua respiração. O formato das sílabas contra a sua pele.
Então ele se afastou, e as palavras se formularam em sua memória como um sonho ao acordar:
Apenas exista. Eu farei o resto. Ela não fazia ideia de como sabia. Ela simplesmente sabia.
Ele se aproximou novamente — ainda não muito, mas o suficiente — e começou a se mover de um jeito que era inequivocamente sugestivo sem ser vulgar. Seus quadris giravam em círculos lentos, suas mãos traçando o ar perto de seu próprio corpo em vez do dela.
Então sua mão se levantou.
A respiração de Hayley falhou.
A palma da mão dele pairava a centímetros da cintura dela — perto o suficiente para que ela pudesse sentir o calor radiante da sua pele, perto o suficiente para que, se ela balançasse nem que fosse um pouco, ela se pressionaria contra ele. Seus dedos se curvaram, como se ele estivesse resistindo à vontade de fechar aquela distância. A música desvaneceu. Ou talvez ela tenha parado de ouvi-la. De qualquer forma, só existia o baixo em seu peito, o espaço entre a mão dele e sua pele, e a pergunta que nenhum dos dois faria.
Os olhos dele desceram para onde sua mão quase a tocava, depois voltaram para o rosto dela.
Verificando, ela percebeu. Ele está checando se isso é aceitável.
Ela não se moveu. Não conseguia se mover. Não tinha certeza se queria.
O momento se estendeu — um segundo, dois — e então sua mão caiu de volta ao lado do corpo. Ele girou o ombro em um movimento suave, redirecionando a energia para seu próprio corpo, e se afastou dela em uma volta controlada que, de alguma forma, pareceu mais íntima do que qualquer contato.
Quando ele a encarou novamente, aquele pequeno sorriso privado surgiu em sua boca. Aquele que não era para a plateia.
Ele se agachou levemente de novo, depois subiu devagar, o movimento viajando pelas coxas, quadris, peito e ombros — uma onda de movimento que atraiu todos os olhares da sala.
Incluindo o dela. Sempre o dela.
Ele alcançou a borda de sua jaqueta, os dedos roçando o tecido, e por um momento de parar o coração, Hayley pensou que ele pudesse tirá-la. Mas ele apenas puxou, um flerte, uma sugestão, antes de soltá-la e continuar a se mover.
A multidão gemeu de decepção. Algumas mulheres gritaram incentivos.
Ryder apenas sorriu e continuou dançando.
Hayley tornou-se agudamente consciente de que estava parada no meio de uma boate com uma faixa ridícula enquanto um homem que parecia ter sido esculpido por alguém com intenções artísticas muito específicas dançava bem na frente dela.
Ela também percebeu que estava... gostando daquilo.
Não no sentido de eu quero esse homem — ela estava noiva, amava Daniel, Daniel era maravilhoso, estável e seguro —, mas no sentido de isso é divertido. Havia algo libertador em ser observada sem pressão, em ser o centro das atenções sem ter que encenar nada. Ela podia apenas... ficar ali. Observar. E permitir-se sentir, por cinco minutos, como uma mulher que acaba em situações como aquela.
O pensamento a fez sorrir — um sorriso de verdade, não aquele ansioso que ela usou a noite toda.
Ryder percebeu. Seus olhos se arregalaram levemente e, então, se suavizaram.
A música aumentou, e ele acompanhou o ritmo — mais lento agora, prolongando os momentos finais. Seus olhos encontraram os dela e se fixaram.
Ele disse algo sem som. Três sílabas. Ela não conseguiu entender.
Hayley balançou a cabeça, apontando para o ouvido, para a música — Eu não consigo te ouvir.
Ele sorriu. Aquele sorriso íntimo. Inclinou-se o suficiente para que ela sentisse o calor de sua presença, sem chegar a tocá-la.
“Natural”, ele disse. Não alto o suficiente para competir com a música. Apenas o bastante para que ela captasse a forma da palavra. O significado.
Ela riu, pega de surpresa. “Estou parada.”
Ele leu seus lábios de volta, com os olhos semicerrados. “Exatamente.” Pausa. “Excelente nisso.”
Ela não ouviu a última parte. Não precisava.
Ela riu de novo. Isso estava acontecendo com mais frequência do que esperava.
A música começou a diminuir — ela percebeu a mudança no ritmo, a forma como o baixo começou a sumir. Ryder desacelerou seus movimentos, prolongando os momentos finais com uma graça deliberada. Ele virou de costas para ela, girou os ombros mais uma vez e olhou por cima do ombro com um último brilho daquele sorriso de artista.
Mas, em vez do final esperado — a pose dramática, a batida final —, ele fez algo inesperado.
Ele se virou de frente para ela, deu um passo à frente até que houvesse apenas uns trinta centímetros entre eles e estendeu as duas mãos, com as palmas para cima. Um convite, não uma exigência.
Hayley hesitou por apenas um segundo antes de colocar as mãos nas dele.
Ele as segurou gentilmente, seus polegares roçando uma vez sobre as articulações dela, antes de se afastar e fazer uma reverência — um gesto formal que parecia totalmente contraditório com tudo o que havia acontecido antes.
A música acabou.
O salão explodiu em aplausos.
Hayley piscou, consciente de quão alto estava o lugar, de quão claras as luzes pareciam e de quantas pessoas os observavam.
Ryder se recompôs e soltou as mãos dela com cuidado — deliberadamente —, como se quisesse que ela soubesse que o contato estava terminando por escolha, não por acidente, e passou a mão no cabelo novamente.
Eles apenas se olharam — dois estranhos no meio de uma boate lotada, respirando mais rápido do que o normal, presos em algo para o qual nenhum dos dois tinha palavras.
“Obrigada”, disse Hayley, e foi sincera.
Ele assentiu uma vez, e o barulho da boate pareceu diminuir, a multidão desaparecendo em um ruído de fundo. “Obrigado por levar na esportiva. Nem todo mundo leva.”
“Suspeito que nem todo mundo consiga um dançarino profissional que realmente respeite o espaço pessoal.”
Então Jess apareceu ao lado de Hayley, agarrando seu braço e puxando-a de volta para o camarote.
“Ai meu Deus”, Jess gritou. “Ai meu Deus. Isso foi incrível. Você foi incrível. Ele foi incrível. Tudo é incrível.”
Hayley deixou-se levar, olhando para trás uma última vez por cima do ombro.
Ryder observava sua partida, com aquela expressão serena de volta ao rosto. Quando seus olhos se encontraram, ele assentiu uma vez — um reconhecimento pequeno e particular — e então se virou para aceitar um high-five de uma das mulheres da despedida de solteira.
Hayley deslizou de volta para o assento, com o coração batendo mais rápido do que a situação exigia. A tiara tinha escorregado para perto da sua orelha esquerda — ela conseguia senti-la puxando seu cabelo, um puxãozinho persistente que combinava com a vibração que ainda percorria sua pele. Deve ter acontecido durante a dança, durante todos aqueles giros e quase toques, quando ela estava focada demais nas mãos, nos olhos e em tudo de Ryder para notar o próprio corpo.
Ela levou a mão ao cabelo para ajeitá-la.
Jess estava observando-a. Não de forma óbvia — ela estava rindo de algo no celular de Lila —, mas Hayley notou o olhar rápido, a forma como os olhos de Jess a acompanharam enquanto se acomodava, como se estivesse procurando por algo.
Procurando o quê?
O pensamento escapou antes que ela pudesse capturá-lo.
Ela pressionou as palmas das mãos contra a mesa grudenta, tentando se situar. A mão de Ryder estivera quente. Com calos que sugeriam que ele fazia algo com as mãos quando não estava dançando — violão, talvez, ou escalada, ou qualquer outra coisa que deixasse a pele áspera de um jeito que se notava mesmo em um toque breve.
As mãos de Daniel eram macias. Macias de escritório, lisas de teclado. Ela sempre gostou disso nelas — eram as mãos do seu Daniel, as que deixavam recados no espelho do banheiro e acariciavam seu rosto quando ele a beijava de bom dia.
Então por que o contraste fazia seu estômago apertar?
Megan empurrou uma tequila fresca para ela. “De nada.”
“Cala a boca.”
“Nunca.”
Lila inclinou-se para frente, com os olhos arregalados. “Ele era tão gato. Tipo, gato demais. Isso deveria ser ilegal.”
“Ele era muito...” Hayley procurou a palavra certa. “Profissional.”
Jess bufou. “Profissional não é a palavra que eu usaria. Talentoso, talvez. Dotado. Abençoado pelos deuses.”
“Jess.”
“O quê? Posso olhar. Meus olhos funcionam.”
Hayley riu e deu um gole longo em sua bebida. O álcool queimou ao descer, mas de um jeito agradável — um calor que se espalhou pelo seu peito e soltou algo apertado que ela nem sabia que estava segurando.
“E então?” Megan inclinou-se, com os olhos brilhando. “Foi tudo o que você não sabia que queria?”
“Foi...” Hayley considerou. “Meio legal. Ele foi respeitoso.”
“Respeitoso.” Megan fez uma careta. “Essa é a palavra que você vai usar? Não ‘incrível’, ou ‘mudou minha vida’, ou ‘nunca me senti tão viva’?”
“Eu sou noiva, Meg. Não deveria me sentir mais viva só porque um estranho dançou perto de mim.”
Do outro lado da mesa, Jess abaixou seu coquetel com uma expressão ilegível. “Falando nisso...” Ela inclinou a cabeça, estudando Hayley com o foco específico de alguém que a conhecia há quinze anos e conseguia ler silêncios melhor do que palavras. “Você está bem, né? Sobre as três semanas?”
“Três semanas?”
“O casamento, gênio. O motivo da faixa.” A voz de Jess era leve, mas seus olhos permaneciam fixos. “Daniel tem tanta sorte que você não é do tipo que desiste na última hora.”
Algo vacilou na expressão dela. Um segundo longo demais antes do sorriso. Um olhar cúmplice que sugeria que ela estava observando algo — esperando algo.
O estômago de Hayley apertou. “Por que eu desistiria?”
“Por motivo nenhum.” Jess deu de ombros, já alcançando sua bebida novamente. Casual demais. “Só puxando conversa. Sabe como é. Checagem pré-casamento.”
Lila olhou para elas, claramente perdida no que acabara de acontecer. Megan não deixou passar — Hayley pegou o olhar rápido que ela lançou para Jess, uma conversa silenciosa acontecendo acima de sua cabeça.
“Quem disse?” Megan disse suavemente, guiando-as de volta para águas mais seguras.
Hayley abriu a boca para responder, então fechou-a novamente.
Seu celular vibrou na mesa.
Ela olhou para baixo. O nome de Daniel iluminou a tela.
Espero que esteja se divertindo! Não deixe a Jess te convencer a fazer nada muito louco. Bom, talvez um pouquinho de loucura. Te amo.
Hayley encarou a mensagem. Três frases. Dezesseis palavras. O emoji de piscadela que ele sempre usava — 😉 — aquele que ela um dia achou cativante e agora não conseguia decifrar direito.
Te amo.
Ela deveria responder. Um emoji de coração, uma garantia de que estava bem, que sentia sua falta, que estaria em casa logo. Era o que a Hayley que era noiva de Daniel faria.
Seus polegares permaneceram imóveis.
Do outro lado do bar, um movimento chamou sua atenção.
Ryder estava indo em direção à saída dos fundos, seu paletó agora fechado, sua postura diferente — menos performance, mais o cara cansado voltando para casa após o trabalho. Ele estava quase na porta, com uma mão alcançando a maçaneta, quando parou.
Virou-se.
Olhou para trás.
Do outro lado do bar lotado, através do mar de corpos, balões e luzes piscantes, seus olhos encontraram os dela. Como se ele soubesse exatamente onde olhar. Como se tivesse sentido que ela o observava.
O fôlego de Hayley falhou.
Por um momento — um batimento cardíaco, dois — eles apenas se olharam. A distância entre eles parecia elétrica, carregada com tudo o que não aconteceu, tudo o que não poderia acontecer. A expressão dele era ilegível dali, mas seu corpo tinha se aquietado completamente, uma mão congelada na porta de saída, a outra pendida ao lado do corpo.
Espera.
A palavra subiu em sua garganta. Não dita. Indizível.
Espera—
Alguém esbarrou em seu cotovelo — uma garçonete passando com uma bandeja de doses — e o momento se despedaçou.
Quando Hayley olhou de volta, a porta estava se fechando. O cabelo escuro desaparecendo. Foi embora.
Ela encarou o espaço vazio onde ele estivera, com o coração batendo contra as costelas como se tentasse segui-lo.
Você nem sabe o nome dele, ela disse a si mesma. Ele é um estranho. Um artista. Isso é ridículo.
Mas sua mão se levantou de qualquer jeito, quase alcançando a saída, antes que ela se controlasse e a deixasse cair.
Ela desviou o olhar.
Daniel, ela lembrou a si mesma. Você vai se casar com Daniel. Daniel, que deixa bilhetinhos no espelho do banheiro. Daniel, que lembra de comprar seu café favorito. Daniel, que nunca a fez se sentir incerta, ansiosa ou qualquer coisa que não fosse completamente segura.
Daniel era maravilhoso.
Daniel era perfeito.
Daniel era... previsível.
O pensamento entrou em sua mente sem ser convidado, e ela o empurrou para longe tão rápido quanto veio. Ser previsível era bom. Ser previsível era seguro. Previsível era o que você queria em um parceiro de vida, alguém que estaria lá, constante e confiável, através de todo o caos que o mundo jogasse em você.
Então por que a palavra previsível parecia ruim?
Ela desviou o olhar. Tomou um gole de sua bebida. Fingiu ouvir Jess descrevendo algo com gestos elaborados.
Seus olhos continuavam vagando para a porta de saída. A madeira escura. A pequena janela redonda. O fato de que ela não se abria novamente.
Para com isso, ela disse a si mesma. Ele foi embora. Acabou. Você é noiva.
A porta permaneceu fechada.
Jess dizia algo sobre a próxima rodada de doses. Lila ria de algo no celular. Megan já estava sinalizando para a garçonete.
Hayley sorriu, assentiu e participou de todas as maneiras apropriadas.
Mas, no fundo de sua mente, uma vozinha sussurrou algo que ela não estava pronta para ouvir.
Ele não tirou nada. Nem o paletó, nem o cinto, nem mesmo as aparências. Ele apenas... dançou. E foi a sensação mais viva que ela teve em meses.
Ela deu outro gole e mandou a voz calar a boca.
Ela não ouviu.