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A Perigosa Delicadeza

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Resumo

Pelos últimos dez anos, Zack Riley — o delinquente e valentão da escola — atormentou impiedosamente Anna Reece — a garota doce e nerd que todos adoravam. Mas um dia, tudo mudou… Movido por uma possessividade ciumenta, Zack confessou o sentimento que escondia desde a infância. Será que este garoto confuso conseguirá superar seus traumas psicológicos e se tornar alguém que merece ser namorado? Será que Anna conseguirá vencer seus problemas de confiança e olhar além do passado com garotos enganadores para aceitar os sentimentos de Zack? Sim, e sim. Na verdade, esses dois personagens improváveis conseguem construir um laço mais forte do que a maioria. Eles compartilham uma conexão tão profunda que alguns diriam que é destino.

Status
Completo
Capítulos
161
Classificação
3.0 (1 avaliação)
Classificação Etária
18+
Este é um exemplo

Capítulo 1: Ponto de Virada

Zack Riley era um garoto que conhecia a tragédia muito bem. Perdera a mãe aos nove anos, e seu pai trabalhava longas horas, quase sempre para evitar pensar na perda da esposa. Para passar o tempo, Zack passava horas no parquinho perto de casa, descarregando sua revolta de criança em brigas com os outros meninos. Anna Reece, por outro lado, vinha de uma família grande e cheia de vida: duas irmãs, um irmão e pais carinhosos. Era o tipo doce e inocente, morava a poucas casas de Zack e sempre tentava ser gentil com ele ou convidá-lo para ir à sua casa. Mas Zack era um garoto teimoso, que confundia a doçura dela com fraqueza. Um dia, enquanto apanhava feio de dois meninos duas vezes maiores que ele, Anna interveio para ajudá-lo. Os garotos deixaram Zack em paz, mas a reação dele foi bem pior do que ela esperava. Começou a debochar de Anna, chamando-a de mimada, quando, na verdade, já estava apaixonado por ela e por sua bondade. Como um idiota, passou a implicar com ela como forma de se aproximar, e isso durou dez anos. Zack virou um delinquente, brigando com todo mundo, fumando e tirando notas ruins. Enquanto Anna se tornou cada vez mais popular, tirava notas altas e ajudava os outros a estudar para provas e exames.

Aos dezoito anos, Anna era uma moça esbelta e bem torneada, com cabelos castanhos longos e olhos da mesma cor. Muitos na escola a chamavam de anjo. Sempre doce e educada. Zack, por sua vez, era grande, musculoso e desajeitado. Tinha descolorido o cabelo no verão e feito um piercing na orelha, o que o deixava com cara de delinquente típico de colégio. Apesar de implicar com Anna, sempre segurava um pouco, com medo de magoá-la de verdade. Ela tentava bancar a forte, fingindo que as palavras dele não a afetavam tanto quanto afetavam. Às vezes, chorava até dormir, se perguntando por que ele a detestava tanto, quando, sem perceber, ela não o detestava nem um pouco.

Um dia, Anna conheceu Mark, um aluno novo, e os dois viraram amigos. Embora só trocassem olhares carinhosos, os boatos se espalharam rápido: Anna e Mark estavam namorando. Quando Zack ouviu a notícia, entrou em pânico. Era como se algo importante estivesse sendo tirado dele, e isso trouxe de volta lembranças da morte da mãe. Chovia forte quando Zack saiu da escola. Usava um moletom cinza e jeans preto. Caminhou apressado em direção à casa de Anna, sem ter certeza do que ia dizer, mas sabendo que precisava vê-la. Quando a avistou, suas roupas já estavam encharcadas. Anna estava debaixo de um guarda-chuva preto, usando uma saia vermelho-escura e uma blusa cinza. Zack a alcançou em poucos passos e a prensou contra o muro. O guarda-chuva escorregou de suas mãos, e ela o encarou, chocada. — É verdade? Arranjou um namorado? — Zack perguntou, ofegante. Por um instante, Anna apenas o olhou com os olhos arregalados, depois gaguejou: — O quê? Não... Quer dizer... — O aperto de Zack em seus ombros aumentou, os dedos afundando na blusa cinza. Seus olhos verdes estavam escuros, tempestuosos, fixos nos castanhos de Anna, como se tentasse ler a verdade direto em sua alma. A chuva caía ao redor dos dois, grudando os cabelos descoloridos dele na testa. — Não, ou sim? — perguntou, a voz baixa e perigosa. — Não minta pra mim, sua pirralha. Ouvi os boatos na escola. Você e o Mark, é? Andando juntos pra casa, sorrindo um pro outro como dois pombinhos. Zack se aproximou mais, o hálito quente contra a bochecha de Anna. — Então me diz, é verdade? Deixou ele te tocar? Te beijar? Ele pôs as mãos no que é meu? As palavras dele transbordavam possessividade, e um arrepio percorreu a espinha de Anna. Ele parecia quase selvagem na sua raiva.

Anna sentiu o coração bater mais forte no peito. Uma umidade se formou entre suas pernas, e sua respiração ficou mais alta. — Hã, não... Não, o Mark e eu... somos só amigos. Ele... Ele gosta de falar sobre anime — disse, nervosa. Os olhos verdes de Zack se estreitaram, percorrendo o rosto dela como se procurasse qualquer sinal de mentira. Não afrouxou o aperto nos ombros dela, mantendo-a presa contra o muro frio e molhado. A chuva continuava caindo, pingando das pontas do cabelo loiro dele no rosto de Anna. — Só amigos? — ele zombou, soltando uma risada sem graça. — É assim que você chama? Andando juntos pra casa, rindo como dois bobos? Acha que sou burro? Inclinou-se ainda mais, até os lábios quase roçarem os dela. — E anime? Sério? Então ele fala de desenhos, e você fica só ouvindo? Ou gosta quando ele se empolga e começa a gesticular como um idiota? A voz dele ficou mais baixa, carregada de sarcasmo e ciúme amargo. O polegar traçou o contorno do maxilar dela, um toque surpreendentemente suave que contrastava com a intensidade dos olhos verdes escuros.

A respiração de Anna falhou quando o polegar dele tocou sua pele. Ela se mexeu levemente contra o muro, muito consciente de como estava presa. — Eu também gosto de anime. Bem nerd, né? — disse, sem jeito. Os músculos se contraíram instintivamente, esperando que ele caçoasse dela ou dissesse algo cruel, como sempre. O polegar de Zack parou no maxilar dela, a expressão indecifrável por um momento. O sorriso sarcástico nos lábios vacilou, dando lugar a algo diferente — surpresa, talvez até um lampejo de interesse. — Ah, então agora você é nerd também? — disse, a voz perdendo um pouco da agressividade. — É isso que você e o Mark têm em comum? Falando de personagens de anime idiotas e seus poderes idiotas? Recuou um pouco, mas não a soltou. Os olhos verdes escuros percorreram o rosto dela, como se a visse pela primeira vez. — O que mais você gosta nisso? Dos olhos grandes? Das roupas ridículas? Ou só gosta de ter alguém pra fazer tipo fã-clube pra você? O tom ainda era de deboche, mas havia uma curiosidade genuína por baixo. Parecia tentar entender esse interesse que Anna tinha e ele desconhecia.

Anna não queria explicar o que achava legal em anime para Zack. Não queria contar como achava os vilões musculosos atraentes. Nem como os animes costumavam empurrar romances entre bad boys e garotas aparentemente inocentes. Que, nos animes, delinquentes como ele eram o charme... — Que diferença faz? Me solta logo. O aperto de Zack nos ombros dela aumentou de novo, os dedos afundando na blusa cinza. Ignorou o pedido para soltá-la e se concentrou apenas na conversa. — Que diferença faz? — repetiu, a voz baixa e intensa. — Faz diferença porque estou tentando entender o que você vê naquele otário. Ele sabe mais de anime do que eu? É isso? Inclinou-se de novo, a testa quase tocando a de Anna. A chuva continuava caindo ao redor dos dois, criando um mundo isolado e particular contra o muro. — Aposto que ele nem sabe brigar. Deve chorar se cortar um dedo com papel — Zack zombou.

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