Crimson Star Academy: Livro 1

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Resumo

Na Crimson Star Academy, Brianna Ekhart deveria ser apenas mais uma estudante lobisomem aprendendo a controlar seu poder. Em vez disso, ela é algo que não deveria existir — uma híbrida de duas linhagens que nunca deveriam se misturar. Quando o Comandante da academia descobre seu segredo, a atração entre eles se torna inegável. Mas Kieran Sullivan não é o único a sentir o que ela realmente é. Nem Cole e Flint Blackburn, os irmãos que se veem igualmente ligados a ela por uma força mais antiga do que as leis sobrenaturais que governam seu mundo. Uma mulher. Três companheiros. Um vínculo impossível que desafia tudo o que o Conselho considera sagrado. Enquanto Brianna luta para esconder sua natureza perigosa, sua atração por Kieran, Cole e Flint se torna impossível de resistir. Mas seu romance proibido não passa despercebido. Quando são descobertos, as consequências são mortais — e apenas uma antiga profecia separa eles da execução ao amanhecer. No entanto, sobreviver ao julgamento do Conselho é apenas o começo. Sussurros de algo mais sombrio estão surgindo. Selos antigos estão enfraquecendo. E a natureza dupla única de Brianna pode ser a única coisa entre o mundo sobrenatural e a destruição total. Nas sombras, os Old Ones estão despertando. E a caçada começou.

Gênero
Romance
Autor
Becca37_rr
Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
5.0 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Bri

Os portões de ferro da Crimson Star Academy erguiam-se diante de mim como as mandíbulas de uma fera antiga, prontos para me engolir inteira. A academia ficava nos arredores da Tenebrae City, nas profundezas do reino de Tenebrosity, onde criaturas paranormais prosperavam nas sombras e em segredos. Apropriado, considerando o que me esperava lá dentro.

Ajustei minha bolsa no ombro, ignorando o tremor das minhas mãos. Não era medo — nunca era medo —, mas o peso do que eu carregava. O segredo que poderia me destruir se alguém descobrisse. A verdade sobre o que eu realmente era.

“Tem certeza disso, Bri?” A voz da minha melhor amiga soou pelo alto-falante do meu telefone.

“Não”, admiti, olhando para a arquitetura gótica que parecia arranhar o céu nublado. “Mas quando foi que isso me impediu?”

Ela riu, mas o riso soou vazio. Ambas sabíamos o que era este lugar. A Crimson Star Academy não era apenas uma instalação de treinamento paranormal de elite. Era para onde enviavam os perigosos. Os poderosos. Aqueles que não se encaixavam perfeitamente na sociedade dos vampiros ou lobisomens.

Aqueles como eu.

Desliguei a chamada e atravessei os portões. Eles se fecharam atrás de mim com uma finalidade que fez meu estômago revirar. O terreno se estendia à minha frente — gramados bem cuidados dando lugar a uma floresta densa, instalações de treinamento modernas coladas em edifícios de pedra centenários. Tudo ali gritava dinheiro e segredos.

“Carne fresca.”

Virei-me em direção à voz. Três garotas estavam perto da fonte, todas perfeitamente arrumadas e irradiando o tipo de crueldade casual que vem com o privilégio. Vampiras, pela aparência de sua pele pálida e pelo modo como se moviam — fluido demais, gracioso demais.

“Perdida, lobinha?” a mais alta sibilou, seus olhos brilhando em vermelho.

Meus dedos se fecharam em punhos. A ansiedade que vinha crescendo desde que saí de Portland aumentou, e pude sentir o calor familiar surgindo sob minha pele. “Não estou perdida. E definitivamente não sou pequena.”

“Esquentadinha.” Ela sorriu, com as presas saltando. “Eu gosto disso. Torna mais divertido quando elas quebram.”

Dei um passo à frente, sentindo a tensão se apertar no meu peito. “Quer testar essa teoria?”

“Srta. Ekhart.”

A voz cortou a tensão como uma lâmina — profunda, autoritária e fria o suficiente para congelar o ar entre nós. Virei-me e perdi o fôlego.

Ele estava no topo dos degraus de pedra que levavam ao prédio principal, uma silhueta escura contra o céu cinzento. Mesmo a essa distância, eu podia sentir o peso de sua presença, o poder bruto que irradiava dele como o calor de uma forja.

Professor Kieran Sullivan. Eu tinha visto a foto dele no material da academia, mas nada havia me preparado para a realidade dele.

Ele desceu os degraus com uma graça predatória, e eu o vi de verdade pela primeira vez. Cabelo preto como azeviche, penteado para trás, mas com algumas mechas caindo sobre a testa. Olhos azul-gelo que pareciam ver através de mim. Traços afiados que pareciam esculpidos em mármore. E alto — caralho, ele devia ter pelo menos dois metros, talvez mais.

Ele vestia tudo preto — calças táticas, camisa justa que não escondia nada da musculatura por baixo, botas de combate. Aquele não era um homem que dava aula atrás de uma mesa.

“Comandante Sullivan”, a garota vampira se corrigiu, parecendo nervosa de repente.

Então ele não era apenas um professor. Interessante.

Aqueles olhos azul-gelo percorreram a cena, demorando-se em mim por um momento que pareceu longo demais. Algo brilhou no fundo deles — reconhecimento? Impossível. Nós nunca nos conhecemos.

“As aulas começam em uma hora”, disse ele, sua voz ecoando sem esforço pelo pátio. “Sugiro que todas encontrem o caminho para a orientação. Srta. Ekhart, você vem comigo.”

Não foi um pedido.

As garotas vampiras se dispersaram como folhas ao vento. Fiquei onde estava, encarando seu olhar, embora cada instinto meu gritasse para desviar. Para me submeter.

Eu não me submeto.

“Algum problema, Srta. Ekhart?” Ele havia encurtado a distância entre nós sem que eu percebesse, agora parado perto o suficiente para que eu tivesse que inclinar a cabeça para trás para manter contato visual.

“Deveria ter?”

Seu maxilar se contraiu quase imperceptivelmente. “Você está atrasada.”

“O trânsito estava um inferno.”

“Você veio de ônibus. Não havia trânsito.”

Então ele estava me vigiando. Monitorando minha chegada. O pensamento deveria ter me deixado inquieta. Em vez disso, causou um arrepio estranho na minha espinha.

“Então acho que sou naturalmente atrasada, Comandante.” Carreguei o título com sarcasmo suficiente para ficar no limite da insubordinação.

Algo perigoso brilhou naqueles olhos azul-gelo. “Você descobrirá que essa atitude não servirá para nada aqui, Srta. Ekhart. A Crimson Star Academy não é como outras instituições. Nós não mimamos. Não abrimos exceções. Ou você alcança nossos padrões, ou é descartada. Geralmente em pedaços.”

“Que bom, não vim aqui para ser mimada.”

“Não.” Ele se inclinou levemente, e senti o cheiro dele — pinheiro, fumaça e algo mais escuro, mais primitivo. “Você está aqui porque não tem outra escolha. Porque todas as outras academias te rejeitaram. Porque seu poder é instável demais, perigoso demais para ficar sem treinamento.”

Fechei as mãos nas laterais do corpo. “Você não sabe nada sobre mim.”

“Eu sei tudo sobre você, Brianna Ekhart.” A maneira como ele disse meu nome completo fez soar como uma ameaça e uma promessa. “Sei sobre o incidente em Portland. Sei sobre os três vampiros que você mandou para o hospital. Sei sobre o incêndio.”

O calor inundou minhas bochechas. “Eles me atacaram primeiro.”

“E você respondeu com força suficiente para destruir um quarteirão.” Ele se endireitou, colocando uma distância profissional entre nós mais uma vez. “É por isso que você está aqui. Para aprender o controle. Para aprender a disciplina. Para aprender que poder sem restrição é apenas destruição prestes a acontecer.”

“E você vai me ensinar isso?” Não consegui conter o ceticismo em minha voz.

O sorriso dele era afiado o suficiente para cortar. “Vou tentar. Embora eu suspeite que você vá lutar contra mim a cada passo do caminho.”

“Pode apostar que vou.”

“Bom.” Ele se virou, esperando claramente que eu o seguisse. “Prefiro alunas com fogo. São mais satisfatórias de quebrar.”

Eu deveria ter ficado de boca fechada. Deveria ter apenas seguido ele como uma boa aluna. Mas eu nunca fui boa em fazer o que se deve.

“Você pode tentar me quebrar, Comandante”, chamei enquanto ele se afastava. “Mas garanto que será você quem acabará sangrando.”

Ele parou no meio do passo, olhando por cima do ombro. Por um breve momento, algo que poderia ser aprovação brilhou em seu rosto.

Kieran

Observei-a caminhar pela janela do meu escritório; seu passo desafiador cortava o pátio como uma lâmina na seda. Brianna Ekhart. O arquivo na minha mesa tinha quase oito centímetros de espessura — relatórios de incidentes, avaliações psicológicas, testes de poder que deixavam até o Conselho nervoso.

Eles a enviaram para mim porque ninguém mais a aceitaria. Porque eu sou especializado nos quebrados, nos perigosos. Aqueles que queimam forte demais.

Três vampiros hospitalizados. Um quarteirão destruído. E, ainda assim, ela entrou no meu escritório com o queixo erguido e fogo nos olhos, desafiando-me a julgá-la.

A fera dentro de mim agitou-se, intrigada. Fazia muito tempo que alguém não me desafiava tão abertamente. Fazia muito tempo que eu não sentia esse tipo de fome — não por sangue ou violência, mas pela emoção de quebrar algo bonito e assistir a isso se despedaçar ou se tornar algo ainda mais magnífico.

Notei suas mãos trêmulas quando ela chegou. O modo como seus olhos disparavam por toda parte como se calculasse rotas de fuga. A energia nervosa que irradiava dela em ondas. O que quer que estivesse escondendo, aquilo a estava consumindo viva.

E eu queria saber o que era. Queria arrancar cada camada de defesa que ela construiu até encontrar a verdade nua por baixo. Queria ver no que ela se transformaria quando todas aquelas paredes caíssem.

O pensamento deveria ter me preocupado. Passei dois séculos construindo controle, aprendendo a enjaular o monstro que vivia nos meus ossos. Eu não fico obcecado. Não deixo alunos entrarem na minha mente.

Mas Brianna Ekhart não era como os outros alunos.

E isso seria um problema.