Capítulo 1 - Distrações Deliciosas
"O diabo não vem vestido com uma capa vermelha e chifres pontudos.
Ele vem como tudo o que você sempre desejou..." -- Desconhecido
O Gilded Velvet pulsava no ritmo habitual daquela sexta-feira de março. As garotas mais sexys da cidade de West Bend subiam ao palco, brilhando com glitter, adesivos nos mamilos e tecidos leves e decorativos, enquanto dançavam no poste de aço inoxidável sob luzes intensas. Homens de ternos Tom Ford, Brioni e Bijan Pakzad jogavam dinheiro nelas, assobiando e gritando, enquanto Dominic Larken se dirigia à área VIP, com sua penumbra de sempre, reservada exclusivamente para ele. Menos de um minuto depois, enquanto ele desabotoava seu terno preto de três peças da William Westmancott, uma garota curvilínea de meia arrastão presa por uma liga de renda se aproximou. Ela sorria como um anjo, combinando com as pequenas asas pretas nas costas e a auréola dourada sobre seu cabelo castanho-claro cacheado.
"Boa noite e bem-vindo ao Gilded Velvet. Serei seu anjo esta noite."
Ele a olhou de cima a baixo com a cabeça levemente inclinada. Era algo que o clube tinha começado recentemente: cada atendente e até o barman usavam fantasias para divertir os clientes. Na verdade, o habilidoso mixologista, Ben, estava vestido com chifres de demônio. Outras atendentes incorporavam gatinhas, raposas fofas e coelhinhas sexys, com rabo e orelhas combinando.
"Whisky com gelo." A voz de Dominic era rouca. Ele perguntou, levantando uma sobrancelha marcada por uma cicatriz: "Você vai dançar para nós hoje como uma nova atração, anjo?"
Ela riu com bom humor. "Se é essa bebida que você quer, eu sou a pessoa certa, mas dançar?" Ela acenou com uma das mãos, de unhas bem feitas, claras e brilhantes, enquanto se inclinava para perto, dando a ele uma visão privilegiada de seus seios fartos apertados um contra o outro. "Ah, não, ninguém quer ver isso." Ela se endireitou e sorriu. "Essa bebida já está saindo."
Dominic observou o rebolado de seus quadris femininos enquanto ela ia até o bar e soube que ela estava muito enganada quanto a isso. A cintura dela era fina, mas suas coxas eram grossas o suficiente para engolir os sonhos de um homem. A "anjo" não era nada magricela, e era exatamente assim que Dominic gostava. As curvas de ampulheta o faziam fantasiar sobre o que poderia fazer com elas, antes de se recostar em seu assento de couro com um sorriso divertido, levantando os cantos da boca carnuda.
"Garota esperta."
Dominic tamborilou os dedos na mesa de carvalho — um hábito que fez seus dois seguranças, em pé atrás dele, se moverem levemente. Vic e Jesse sabiam que era raro alguém chamar a atenção do chefe, muito menos uma mulher empregada no clube que ele possuía em segredo. No entanto, havia algo na recusa daquele anjo que o intrigava. A maioria das mulheres no clube o reconhecia e se jogava aos pés dele. Ela não; na verdade, a "anjo" o tratava como tratava qualquer outra pessoa em sua seção.
Jesse se atreveu a chegar perto depois que a anjo se afastou. "Aquela garota foi contratada na semana passada, depois que a outra atendente foi demitida por roubar gorjetas."
Dominic o afastou com um gesto desdenhoso. Seus olhos gélidos ainda acompanhavam os movimentos dela pela multidão. Ela se movia com propósito, sem o domínio ensaiado das dançarinas. Sem performance. Apenas... uma eficiência simples para entregar bebidas e aperitivos.
Quando ela voltou com seu whisky, Dominic continuou observando-a. "Hmmm...", ele resmungou enquanto seus dedos tatuados tocaram os dela, pequenos, quando ela lhe entregou o pedido. Um choque perceptível fez com que os olhos avelã dela se arregalassem, assustados, enquanto ela encarava os olhos azuis gélidos dele. Dominic lambeu os lábios enquanto ela ofegava e puxava a mão de volta com um solavanco. O peito farto dela, vestido naquele body sexy sem alças, subia e descia rapidamente.
"Desculpe", murmurou o anjo, recuando, desequilibrada. Seu coração disparou. Ela logo recuperou o prumo, contudo, passando a língua pelos lábios secos, como se a temperatura do clube tivesse subido para as profundezas do inferno. Provavelmente era ideia do gerente, Gary, deixar tudo mais quente para estimular o consumo de bebidas. Funcionou, porque os pedidos não pararam desde que ela começou a trabalhar naquela noite.
O homem de terno preto sob medida — afinal, nada de prateleira caberia naqueles ombros, braços, peito e pernas tão longos — sem gravata e com dois botões da camisa abertos, revelando muita tinta por baixo, não sorriu. Seus olhos gélidos, quase escondidos atrás dos óculos escuros, não perdiam nada e carregavam uma intensidade que fazia o anjo estremecer por dentro enquanto ela se virava para atender outro cliente que pedia molho A1 para seu bife de costela.
"Eu não estou." Dominic tomou um gole de seu whisky como fazia na maioria das sextas-feiras, mas, desta vez, o cenário de pisos de mármore polido e cabines de veludo que ele conhecia tão bem pareceu mudar. Desta vez, uma nova garota curvilínea o servia, sorrindo com uma doçura fora de lugar no clube mais elegante de West Bend. "A noite acabou de ficar um pouco mais interessante."
Os cubos de gelo tilintaram enquanto ele levava o copo de cristal aos lábios entreabertos e bebia tudo. Ele não precisou chamá-la para pedir mais; ela voltou com outro whisky com gelo, como ele havia pedido antes. Ele ficou impressionado com a intuição dela sobre seus desejos.
"Você é nova aqui."
Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação, dita em um tom baixo e controlado que sugeria que ele sabia muito mais do que dizia.
Todos que trabalhavam no clube tinham sua história. Com a "anjo" não era diferente. Para ela, o emprego era apenas isso: um trabalho como qualquer outro, um meio para atingir um fim. Sua amiga Crystal, que dançava de quarta a domingo, contou-lhe sobre a oportunidade de trabalhar no clube servindo homens ricos, enfatizando que não era nada vulgar como outros clubes de striptease da cidade. O Gilded Velvet pendia mais para a classe alta, com seus móveis de couro e mesas de carvalho. Havia uma seção só para fumantes de charuto e, nos andares inferiores, uma discoteca. Parecia que o Gilded Velvet era o ponto de encontro preferido de todos porque tinha algo para cada um. A "anjo" ganhava mais em gorjetas do que ganhava no café onde trabalhava durante o dia.
A anjo sorriu e assentiu. "Bela observação, com tantas pessoas mascaradas. Sim, sou nova, mas farei o meu melhor para cuidar das suas bebidas esta noite. Aproveite o show."
"Pretendo." Dominic assentiu lentamente; aquele sorriso nunca desaparecia por completo. Ele deu um longo gole em seu novo whisky, o gelo tilintando contra o vidro. Ele a dispensou com um olhar, voltando sua atenção para o palco, onde uma dançarina de seda esmeralda começava sua rotina. Seus dedos retomaram o tamborilar — aquele sinal revelador de que sua mente ainda estava calculando algo.
Um de seus homens, um sujeito cheio de cicatrizes chamado Vic, inclinou-se para perto. "Chefe, como o Jesse tentou lhe dizer, ela é a terceira atendente nova este mês. Quer que eu..."
Dominic o interrompeu com um olhar afiado. "Deixa para lá."
Havia algo na maneira como o anjo se movia — sem ansiedade, sem desespero em seus olhos. Apenas fazendo seu trabalho. Ele respeitava aquilo mais do que gostaria de admitir, enquanto continuava a observar como ela interagia com os outros clientes. Sem flertes exagerados, apenas um atendimento amigável. Dominic acomodou-se mais profundamente em sua cadeira de couro, com as pernas cruzadas, óculos escuros na ponta do nariz, saboreando sua bebida. Ele tentou prestar atenção na excelente performance de força física enquanto a dançarina Star flutuava ao redor do poste de aço em perfeita sincronia com a vibe lenta e sensual de "Movement", de Hozier. Independentemente da beleza e da habilidade de tirar o fôlego de Star, a atenção de Dominic continuava a se desviar de volta para o bar, para a anjo que o cativava de uma maneira muito diferente.
Aili Kennison, ou "Anjo", como era conhecida no clube, suspirou quando Ben, o "Diabo" do bar, a chamou. "Ei, a casa está cheia hoje." Ele lhe entregou uma bandeja de doses. "Duas despedidas de solteiro, empresários sedentos por toda parte, e a Mouse foi para casa doente de novo." Ele balançou sua cabeça com chifres. "Acho que ela pode estar grávida, então isso deixa você cuidando de tudo de novo. Foi mal."
Aili respirou fundo e deu de ombros. "Já passei por coisas piores, acredite." Ela sorriu com uma piscadela enquanto pegava a bandeja. Os solteiros gritaram quando ela entregou as doses e recolheu os copos vazios.
"Outra jarra de cerveja?"
"Com certeza!" eles comemoraram juntos, e ela riu.
"Já estou levando."
Ambos os grupos de homens eram barulhentos. Um estava um pouco mais bêbado que o outro, como se estivessem em uma competição para ver quem jogava mais dinheiro nas dançarinas e quem bebia como peixe. Eram um pouco agitados, mas não agressivos. Aili achava que eram os tipos jovens da época da faculdade, celebrando o último dia de liberdade do amigo antes do casamento iminente. Mesmo quando um do grupo bêbado se tornou inconveniente com uma dançarina que passava, Omar e Kevin, da segurança, rapidamente e com discrição resolveram a situação, pegando o infrator pelos braços e escoltando-o para fora, garantindo que ele não voltasse a importunar nenhuma outra funcionária.
A festa não parou um segundo, e os outros integrantes do grupo se certificaram de manter as mãos longe. Omar e Kevin estavam atentos no salão, enquanto Jamie e Kort garantiam que as áreas dos fundos para as dançarinas permanecessem seguras até que estivessem prontas para interagir com os fãs no salão ou para uma dança particular nas salas reservadas. Outros seguranças, Marcus e David, mantinham aquelas áreas protegidas para que ninguém precisasse se preocupar com nada desagradável acontecendo com nenhuma das mulheres que trabalhavam ali.
Na mesa VIP, o homem de terno sob medida continuava a beber seu whisky, que ela notou estar quase acabando. Aili se certificou de pegar outro copo com o Diabo, que já o tinha pronto quando ela se aproximou com uma piscadela.
"Aqui está." Ela sorriu como o anjo que representava enquanto entregava a nova bebida ao homem bem-vestido, que não tinha se movido nem tirado os óculos escuros da ponta de seu nariz aquilino. Ela retirou o copo vazio enquanto ele acenava em agradecimento, sem dizer nada.
Em vez disso, por trás dos óculos escuros, ele acompanhava a eficiência prática dela pelo salão, sem deixar ninguém com sede. Ela não entrava no joguinho, e era raro ele se surpreender com algo que não esperava. A raposa e a coelhinha faziam isso por muitos clientes enquanto sacudiam a bunda, incentivando uma dança de colo ou outra, rindo com os clientes que abanavam suas notas de cem dólares como se fossem papel de seda. Ela simplesmente seguia seu trabalho com um sorriso cordial, como se esperaria de uma estranha passando na rua ou num supermercado. Era algo tão fora de lugar naquele clube de striptease. A depravação e a sujeira daqueles homens sedentos despertavam cautela, ao mesmo tempo em que impulsionavam o negócio da fantasia, enquanto perseguiam todo o dinheiro naquelas carteiras grossas e cartões de crédito sem limite. A "anjo", no entanto, poderia estar trabalhando em uma cafeteria qualquer, pelo modo como tratava todos com respeito e afabilidade. O olhar de Dominic era atraído por ela.
Vic notou seu chefe observando a atendente novamente e perguntou, já tendo enviado uma mensagem para um de seus técnicos fazer uma verificação de antecedentes da nova funcionária: "Quer que eu investigue a ficha dela?"
Dominic não respondeu imediatamente enquanto considerava a pergunta. Ele girou o whisky antes de tomar um novo gole. "Não. Deixa para lá."
Havia algo em seu tom, contudo, que não era exatamente uma dispensa, e foi por isso que Vic não cancelou a mensagem. Soava mais como contenção, o que definitivamente não era do feitio do chefe. O homem que era dono de quase tudo em West Bend não era conhecido por se segurar quando queria algo. Então, o que diabos havia de diferente naquela sexta-feira, diferente naquela garota curvilínea vestida de anjo?
A música pulsava. Luzes coloridas banhavam o clube, e Dominic Larken, um homem acostumado a saber tudo sobre todos em sua órbita, viu-se genuinamente incerto sobre a atendente mascarada vestida de anjo.









great start
Amazing start!