Gleb
Quando a besta que vive em sua alma assume o comando do seu corpo, só ela decide para onde você vai — para a luz ou para a escuridão.(c) Kamila Dani
Empurro as portas pesadas com a mão. A celebração está a todo vapor, os recém-casados estão aceitando os parabéns e eu sigo direto para eles.
“Parabéns.” Aperto a mão do noivo.
“Obrigado! É um prazer ver você na nossa festa”, a noiva dá o seu palpite.
Dou um sorriso contido e balanço a cabeça em resposta.
Meu olhar varre o salão grande e iluminado, procurando as pessoas por quem vim. Se não fosse pelo ministro, eu não teria pisado neste lugar, mas conexões fortes e parceiros confiáveis são sempre úteis.
“Gleb, no canto, perto da saída da varanda”, Yura me avisa.
“Estou indo.” Dou um tapinha no ombro do cara. No caminho, afrouxo minha gravata borboleta. Sinceramente, nem sei por que a coloquei.
“Aceite meus parabéns, Sr. Ministro”, interrompo descaradamente a conversa entre os dois homens. O pai da noiva não é apenas um ministro — ele é uma carteira cheia. É exatamente por isso que estou aqui hoje à noite.
“Obrigado.” Ele estende a mão. “Um prazer, Gleb, um verdadeiro prazer que um homem tão importante possa nos dedicar um pouco de sua atenção.” Ele sorri de forma astuta.
Velho lobo.
“E estou encantado por ter decidido celebrar o casamento de sua filha na minha cidade. Realmente, sem palavras.” Tudo está caindo exatamente nas minhas mãos. Nem preciso sair dos limites da cidade.
“Você tem uma cidade maravilhosa.” Ele se vira para mim, esquecendo completamente seu companheiro mais velho. “E você é tão jovem e promissor.”
Sim, minha cidade está em ordem. Desde o primeiro dia, ninguém ousou desobedecer às minhas leis. E se alguém não gosta das regras, ninguém está forçando ninguém a ficar.
Quando meu pai me presenteou com a cidade — depois de primeiro tomá-la do alfa anterior —, o lugar era um desastre tão grande que, nos primeiros meses, mal conseguia falar normalmente. Eu gritava como um louco o tempo todo. Mas, agora, um olhar basta para que todos entendam tudo.
A conversa não dura mais que dois minutos, depois apertamos as mãos. Um lobo entende o outro antes mesmo de uma frase ser completada.
Não temos hostilidade com humanos. Eles até ocupam cargos importantes às vezes. Mas prefiro os da minha espécie.
Me viro de volta para meu assistente e, no caminho, meu olhar prende-se em uma loira parada perto da mesa de buffet.
Uma figura esguia em um vestido branco, o brilho da sua pele é quase ofuscante, e até daqui consigo sentir o cheiro dela. Morango doce.
“Belo casamento”, digo, analisando a mulher.
“Uh-huh.” Ela enfia uma tortinha na boca e se vira imediatamente.
“Dança comigo?” Odeio dançar, mas quero saber se a quero ou não para a noite.
“Desculpe.” Por fim, ela se vira para me encarar. “Eu não danço.” Fazendo-se de difícil.
Entendi. Bonita, e sabe exatamente como provocar os homens.
Seus lábios levemente cheios se curvam devagar em um sorriso charmoso.
Linda. E, esta noite, ela definitivamente estará na minha cama.
Ninguém recusa um alfa.
Especialmente não loiras. Tudo o que sabem fazer é flertar. Especialmente as naturais. Eu vejo através das mulheres.
“Não estou pedindo”, murmuro. “Você provavelmente não me reconheceu.” Estendo a mão. “Gleb Vakhatov.”
A garota baixa o olhar para a minha mão, depois levanta seus olhos arregalados para os meus.
“E daí?” Ela cruza os braços sobre o peito. Aproximo-me, tentando captar se ela é humana ou loba.
Ela dá um passo para trás.
Um fogo infernal rasga minhas costelas. Aperto o maxilar para não rosnar para ela — não quero assustá-la. Ela pode ser humana.
“Ninguém me recusa”, digo com uma risada sombria.
“Eu recuso.” Ela pisca e se vira para ir embora.
Eu a seguro pelo antebraço — e a besta abre os olhos imediatamente.
“Que porra é essa?!” Pego a criatura pela garganta com a outra mão. Não dou a mínima para quem está olhando. “Como você entrou na minha cidade?” Uma vadia! Uma criatura imunda! Como ela chegou aqui?
Não, impossível! Ninguém. Ninguém ousaria quebrar minha regra. Ou eu arranco a cabeça deles.
“Alfa, tire suas garras de mim”, ela diz com a voz rouca, encarando-me diretamente nos olhos. Anéis ao redor de suas pupilas brilham com uma luz branca.
Uma vadia. Ela ousou vir à minha cidade e quebrar a lei. Que se dane tudo. Ela vai pagar por essa insolência.
“Não está gostando? Desconfortável?” Estou pronto para jogá-la pela janela agora mesmo. “Bem, eu não gosto que um lixo qualquer tenha ousado vir aqui.”
“Eu não me importo!” Seus olhos cinzentos me perfuram, e ela cobre minha mão com a dela. Com facilidade, ela a puxa e a torce com tanta força que quero uivar de dor.
“O que foi, alfa?” Ela sorri. “Não está confortável?” Consigo sentir seu batimento cardíaco. Estável, nem sequer acelerado pelo medo. “Escute” — ela fica na ponta dos pés para alcançar meu ouvido — “não faça cena. Vou apenas parabenizar um amigo e ir embora. Ninguém vai entender nada. O principal é: seja um bom garoto.”
Ela me empurra e, no segundo seguinte, desaparece como fumaça.
“Sua vadia! Você vai pagar por isso!”









The name "Gleb" is quite unique. How did you come by it?
You go girl!!! Put him in his place, Love it!!!