A Loba da Lua de Prata

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Resumo

Rejeitada. Quebrada. Caçada. O destino de Elara foi selado no momento em que seu companheiro Alpha a descartou — e escolheu outra. O que se seguiu foi crueldade, dor e uma traição que despedaçou sua alma. Mas quando o mesmo Alpha que a rejeitou a liberta, ela é forçada a viver na natureza selvagem, com nada além dos fragmentos de um vínculo que se recusa a quebrar. Agora uma renegada, Elara precisa lutar para sobreviver em um mundo que não mostra piedade. Contudo, algo está despertando dentro dela — algo poderoso, perigoso… e totalmente desconhecido. E, apesar de tudo, ela ainda consegue senti-lo. Sua culpa. Seu desejo. Seu amor. Mas alguns vínculos não foram feitos para serem quebrados. E alguns lobos não foram feitos para serem esquecidos.

Gênero
Romance
Autor
Yolandi
Status
Completo
Capítulos
37
Classificação
4.7 6 avaliações
Classificação Etária
13+

Where paths begin

A noite cheirava a chuva e destino.

Elara respirou fundo lentamente, deixando o ar fresco preencher seus pulmões, mas isso pouco fez para acalmar a energia inquieta que se enrolava em seu peito. A floresta ao redor da clareira vibrava suavemente com vida — o farfalhar das folhas, o grito distante de criaturas noturnas, o movimento silencioso dos lobos que se reuniam sob os antigos carvalhos.

Tudo parecia… mais intenso.

Como se o próprio mundo soubesse que algo estava prestes a mudar.

Seus dedos se curvaram no tecido fino do vestido, apertando-o com força suficiente para se manter centrada. Ela havia escolhido o mais simples que possuía — um cinza suave, sem adornos, quase misturando-se às sombras. Parecia mais seguro assim. Menos notável.

Elara passara a maior parte da vida tentando não ser notada.

Esta noite tornava isso impossível.

A clareira já estava enchendo, com lobos formando pequenos grupos enquanto conversavam em tons baixos. Alguns riam nervosamente, outros permaneciam rígidos de expectativa. Os mais jovens sussurravam animadamente, seus olhos brilhando com esperança e curiosidade.

Esta noite era a Escolha.

A noite em que a lua revelava os companheiros destinados.

O olhar de Elara vagou pela multidão, seu peito apertando levemente ao observar os outros lobos sem parceiros. Havia garotas de sua idade brilhando de empolgação, com os cabelos cuidadosamente trançados ou soltos caindo sobre os ombros. Seus vestidos eram mais claros, mais delicados, escolhidos com carinho.

Elas esperavam que algo bom acontecesse esta noite.

Elara… não esperava.

A esperança nunca tinha sido algo que ela pudesse se permitir.

Crescer na alcateia Nightfall a ensinou isso rápido demais. Não através de crueldade — pelo menos não diretamente — mas através de algo mais silencioso. Mais insidioso.

Negligência.

Ser ignorada.

Esquecida à vista de todos.

Seus pais morreram quando ela era jovem — uma doença que varreu parte da alcateia durante um inverno rigoroso. Ela lembrava muito pouco deles além do calor e das risadas, ecos distantes que pareciam mais sonhos do que memórias agora.

Depois disso, ela simplesmente… existia.

Alimentada. Abrigada. Tolerada.

Mas nunca verdadeiramente vista.

Nunca verdadeiramente valorizada.

Ela aprendeu a ficar quieta. A não atrapalhar. A sobreviver sem esperar nada mais.

Era mais fácil assim.

Menos doloroso.

E ainda assim…

Esta noite, algo parecia diferente.

Sua mão foi até o peito, pressionando levemente o esterno. A sensação estranha tinha começado mais cedo naquela noite — quase imperceptível a princípio. Um leve tremor, como asas roçando contra suas costelas.

Agora era impossível ignorar.

Aquilo pulsava em um ritmo constante, tornando-se mais forte a cada momento que passava.

Seu lobo se agitava sob sua pele, andando de um lado para o outro, inquieto.

Você sente? Elara sussurrou internamente.

Seu lobo respondeu com um zumbido baixo e ansioso.

Sim… algo está chegando.

Elara engoliu em seco.

A lua já estava totalmente erguida, pesada e luminosa acima da clareira. Sua luz prateada banhava tudo, cobrindo a floresta com um brilho etéreo. Sombras se estendiam, longas e finas, mudando com o movimento dos lobos lá embaixo.

Os anciãos começaram a caminhar em direção ao centro, sua presença exigindo atenção.

As conversas silenciaram.

O ar tornou-se pesado com a expectativa.

“Elara.”

Ela se assustou levemente ao ouvir seu nome, virando-se para encontrar um rosto conhecido se aproximando.

Liora.

Um dos poucos lobos que já lhe demonstraram uma gentileza constante.

O cabelo ruivo de Liora estava trançado frouxamente sobre um ombro, e seus olhos verdes eram calorosos, apesar da tensão nervosa que tremeluzia por trás deles.

“Você veio”, disse Liora suavemente, oferecendo um pequeno sorriso.

Elara assentiu. “Quase não vim.”

“Eu sei”, respondeu Liora, com uma expressão compreensiva. “Mas você teria se arrependido.”

Elara não tinha tanta certeza disso.

“E se nada acontecer?”, perguntou ela em voz baixa.

Liora inclinou a cabeça. “E se algo acontecer?”

Elara soltou um suspiro fraco e sem humor. “Geralmente, algo significa problemas para mim.”

O sorriso de Liora desapareceu levemente, substituído por algo mais sério.

“Nem tudo na sua vida tem que terminar mal, Elara.”

Elara não respondeu.

Ela queria acreditar nisso.

Queria mesmo.

Mas a experiência a tinha ensinado o contrário.

Um silêncio repentino caiu sobre a clareira.

Espalhou-se rapidamente — como uma ondulação se movendo através de uma água parada — até que cada voz se calasse.

Até a floresta parecia ter silenciado.

Elara sentiu antes de vê-lo.

Uma mudança no ar.

Uma pressão.

Poder.

A multidão se abriu instintivamente enquanto ele entrava na clareira.

Alpha Draven.

Ele não precisava se anunciar.

Sua presença fazia isso por ele.

Alto, de ombros largos e inegavelmente dominante, ele se movia com uma precisão controlada, cada passo deliberado. Seu cabelo escuro estava levemente despenteado; seus traços marcantes mantinham uma expressão neutra que, de alguma forma, ainda emanava autoridade.

Mas eram seus olhos que comandavam a atenção.

Frios.

Calculistas.

Implacáveis.

Cada lobo baixou o olhar à medida que ele passava.

Cada lobo… exceto Elara.

Ela não conseguia.

Porque no momento em que seus olhos encontraram os dele —

Tudo mudou.

A sensação em seu peito explodiu.

Sua respiração falhou violentamente enquanto algo bem profundo dentro dela se encaixou com uma clareza aterrorizante.

O laço.

Ele percorreu seu corpo como fogo, queimando através de suas veias, inflamando cada terminação nervosa. Sua loba se lançou para frente com um grito de pura e incontida alegria.

Mate.

A palavra ecoou por todo o seu ser.

Elara cambaleou um pouco e levou a mão ao peito, com o coração batendo descontroladamente.

“É ele…”, sussurrou, a voz trêmula de descrença. “É realmente ele…”

O Alpha.

De todos os lobos…

Seu mate.

Um calor frágil se espalhou por ela, afastando anos de solidão silenciosa. Por um momento breve e impossível, algo dentro dela ousou ter esperança.

Talvez… ela não tivesse sido esquecida afinal.

Draven parou no meio do passo.

Seu olhar se prendeu ao dela.

E ela viu.

Reconhecimento.

Um lampejo de algo real.

Ele também sentiu.

Um alívio percorreu seu corpo.

Ela deu um passo à frente, atraída por ele sem hesitar, sem pensar.

Isso estava certo.

Isso era o destino.

Isso era…

“Não.”

A palavra atingiu como uma lâmina.

Elara congelou.

O calor dentro dela vacilou.

A expressão de Draven endureceu e seu olhar tornou-se frio, mais frio do que ela jamais vira.

“Eu recuso isso”, disse ele, sua voz cortando o silêncio. “Isso não está acontecendo.”

A confusão a atingiu de forma brusca e desorientadora.

“O quê…?”, sua voz mal se sustentava. “Alpha… o laço…”

“Eu disse não.”

A finalidade em seu tom trouxe um calafrio à clareira.

Murmúrios começaram a se espalhar.

O peito de Elara apertou dolorosamente.

“Você sente isso”, ela insistiu, com o desespero surgindo em sua voz. “Você sabe que sou sua mate.”

Draven deu um passo mais próximo, sua presença era avassaladora, mas não reconfortante.

Julgando.

Avaliando.

Descartando.

“Eu senti algo”, disse ele. “Isso não significa que irei aceitar.”

Seu coração se despedaçou.

“Pela minha posição”, ele continuou, com a voz baixa e cortante, “eu exijo força. Poder. Uma Luna que imponha respeito.”

Seu olhar a percorreu, lento e deliberado.

“Você não é nada disso.”

As palavras caíram com precisão brutal.

Elara recuou como se tivesse sido atingida.

“Eu não sou fraca”, ela disse, embora sua voz a traísse.

Uma risada suave quebrou a tensão.

Vespera se adiantou.

Confiante. Elegante. Perigosa.

Ela se moveu para o lado de Draven com graça natural, sua mão roçando o braço dele como se reivindicasse seu lugar.

“Isso é bastante lamentável”, disse Vespera, com um sorriso de escárnio nos lábios. “Eu esperava que a lua tivesse melhor discernimento.”

Seus olhos examinaram Elara.

Frios. Desdenhosos.

Cruéis.

“Isto?”, ela acrescentou. “É isso que o destino oferece a você?”

Alguns lobos riram.

O estômago de Elara se revirou de dor.

Draven não a corrigiu.

Não defendeu o laço.

Em vez disso…

Ele segurou a mão de Vespera.

E algo dentro de Elara se quebrou completamente.

“Eu, Alpha Draven, rejeito você, Elara da alcateia Nightfall”, ele declarou. “Eu corto este laço e recuso você como minha mate e Luna.”

A dor a dilacerou.

Violenta. Consumidora.

Elara caiu de joelhos com um grito sufocado, seus dedos cravando na terra enquanto o laço se tensionava, se esticava…

Mas não quebrou.

Seus olhos se arregalaram em choque.

Ele ainda estava lá.

Fraco.

Dano.

Mas vivo.

Draven vacilou um pouco.

A confusão passou por seu rosto.

Mas sumiu em um instante.

“Patética”, murmurou Vespera.

Então…

Crack.

O estalo do tapa ecoou pela clareira.

A cabeça de Elara virou bruscamente para o lado, sangue enchendo sua boca.

“Saiba o seu lugar”, disse Vespera friamente.

Elara piscou, atordoada.

Ninguém se moveu.

Ninguém falou.

Ninguém ajudou.

Porque o Alpha tinha feito sua escolha.

E sua palavra era lei.

Draven se virou.

“Tirem-na daqui”, ordenou.

Mãos a agarraram bruscamente, forçando-a a ficar de pé.

“Por favor…”, ela sussurrou.

Mas ninguém ouviu.

Enquanto era levada para fora da clareira, com o corpo tremendo e a alma fraturada…

A lua ainda brilhava acima.

Silenciosa.

Impassível.

Mas bem dentro dela…

Algo mudou.

Algo sombrio.

Algo à espera.

Porque o laço não havia se rompido totalmente.

E o que quer que viesse a seguir…

Não seria gentil.