Marcados pelo Luar

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Resumo

Cinco anos atrás, o Alpha Kael Blackwood rejeitou sua companheira destinada na frente de toda a alcateia. Sera Hollow fugiu sem nada além de seu coração partido — e um segredo crescendo dentro dela. Agora ela está de volta, convocada por ser a única curandeira capaz de salvar a irmã de Kael, que está morrendo. Mas Sera não é mais a garota quebrada que fugiu. Ela é poderosa. Ela está furiosa. E tem um filho de quatro anos com olhos prateados que são idênticos aos do pai. O mate bond desperta violentamente no momento em que ficam no mesmo ambiente, mas Sera tem condições — e Kael tem inimigos que usarão qualquer fraqueza contra ele. Incluindo o filho cuja existência ele jamais imaginou.

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
4.6 5 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: A Convocação

A batida na porta vem numa tarde de quarta-feira. Estou ensinando Noah a trançar grama.


Moramos na beira de uma cidadezinha chamada Mirren's Hollow. Fica longe o suficiente do território da matilha para que os lobos não nos incomodem. É perto o bastante da floresta para eu sentir a velha magia na terra quando ando descalça. Aqui é bem tranquilo. Esse é o objetivo.


— Mamãe, eu consegui! — Noah levanta uma trança verde meio torta. Eu beijo a testa dele, porque está perfeita.


A segunda batida na porta é mais forte.


Dou uma caixinha de suco para o Noah e vou até a porta. Pelo olho mágico, vejo uma mulher que não reconheço. Ela tem uns trinta e poucos anos e usa roupas que gritam ser da matilha. Calça jeans escura. Uma jaqueta de couro. Um pingente de lobo de prata no pescoço. É do tipo que você só usa se tiver nascido no meio deles.


Sinto um frio na barriga.


— Sera Hollow? — A voz dela soa respeitosa. Até meio assustada. Isso é novidade.


— Eu não conheço você. — Mantenho a porta só uma fresta aberta. Minha mão está pronta para fechá-la com força.


— Sou prima da Maya. Venho dos territórios do norte. — Ela respira fundo. Seus olhos estão vermelhos, como se tivesse dirigido a noite toda. — Estou aqui porque Lena Blackwood está morrendo. E só você pode salvá-la.


O mundo gira.


Lena. A irmã de Kael. A única pessoa em toda aquela matilha que já foi boa para mim sem querer nada em troca.


Não pergunto como ela me encontrou. Não pergunto como sabem onde estou. É claro que me acharam. Uma linhagem de curandeiras não fica escondida para sempre. — Diga ao Kael para procurar outra curandeira.


— Não tem outra pessoa. — Os olhos da mulher estão desesperados. — Ela foi amaldiçoada. Os curandeiros do território não conseguem tratar o problema. O conselho da matilha está em consulta há duas semanas. Você é o único nome em que todos continuam pensando.


— Não. — Eu fecho a porta. Mas não até o fim. Faço isso porque sou fraca, e Lena foi gentil comigo uma vez.


— Ela pede por você especificamente. — A voz da mulher falha. — Antes de morrer, ela quer te ver de novo.


Minhas mãos estão tremendo.


Abro a porta um pouco mais. — Qual é o seu nome?


— Cara.


— Se eu aceitar... E isso é um grande "se"... Eu tenho algumas condições.


— Qualquer coisa.


— Eu vou sozinha. Eu curo a Lena. Depois vou embora. Kael Blackwood tem que ficar longe de mim. Totalmente longe. Não quero vê-lo, falar com ele, nem ficar na mesma sala que ele. Isso não está em negociação.


Cara balança a cabeça, como se já esperasse por isso. — Tudo bem.


— E meu filho fica com a Maya enquanto eu estiver fora.


— Quanto tempo...


— O tempo que for preciso.


Arrumo uma mala enquanto Noah tira uma soneca. Pego ervas de pedra-da-lua para proteção. Elas afastam a magia de sangue. O tipo de magia que não se importa se você está de acordo. Pego também cristais de cura. Pego meu grimório, com anos de anotações feitas à mão. Foram passadas da minha mãe e da mãe dela antes disso. Por último, pego o bracelete de ferro. É aquele que não uso desde que saí do território Blackwood. Velho costume. Velha armadura.


Maya chega em menos de uma hora. Ela é humana, tem um olhar acolhedor e é a presença mais segura que já conheci. Ela me abraça na porta sem fazer perguntas. Ela nunca faz perguntas. Ela simplesmente aparece. Eu não sei o que faria sem ela.


A viagem até o território Blackwood leva seis horas. Cara dirige quase em total silêncio. Eu vejo a paisagem mudar pela janela. Os subúrbios dão lugar a fazendas, e as fazendas viram uma antiga floresta. As árvores ficam mais densas e velhas quanto mais para o norte a gente vai. Essa parte do país pertence aos lobos. Quem não sabe disso é porque não tem prestado atenção.


Eu não venho aqui há cinco anos.


Passamos pela fronteira do território por volta do pôr do sol. O ar muda. É fisicamente diferente por aqui. É um ar carregado, vivo e cheio de uma magia antiga cravada na terra por gerações. A energia dos lobisomens no chão me reconhece. Ela responde a mim. Minha pele se arrepia toda.


— Você está bem? — Cara dá uma olhada para mim.


— Estou bem.


Eu não estou bem. Porque quanto mais chego perto do território Blackwood, mais eu consigo sentir. É um aperto no peito. Uma vibração nos meus ossos que parece...


Não. Não.


O laço de companheiro.


Isso deveria estar morto. Passei cinco anos matando isso, matando de fome. Queimei a conexão até não sobrar nada. Nós rejeitamos um ao outro. Era para ter sido o fim.


Mas cruzamos o último ponto de controle e passamos pelos portões da casa da matilha. Assim que meus pés tocam o chão do lugar onde Kael Blackwood foi dono de cada pedaço do meu coração, o laço desperta com força. Parece que ele nunca deixou de existir.


Cada nervo do meu corpo pega fogo.