A Rejeitada do Alfa

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Resumo

Ela nunca deveria ter importado. Sera Blackwood passou a vida sendo invisível — a ômega desonrada, filha de um traidor, a garota que ninguém escolhe. Até que a Lua de Vinculação a une ao Alfa mais poderoso de cinco territórios... e ele a rejeita diante de todos. Mas o vínculo não se rompe. O Alfa Kael Voss sabe exatamente o que ela é — e o que o mundo fará com ela se descobrirem. Por isso, ele a afasta. Caça das sombras. Treina-a. Observa-a. Deseja-a. Porque quanto mais próximos ficam, mais difícil é fingir que o vínculo não está consumindo ambos. E quando um inimigo impiedoso começa a caçar ômegas por causa de um poder que apenas Sera possui, esconder-se já não é uma opção. Agora ela precisa escolher: continuar fraca e sobreviver... ou reivindicar o poder que a torna irresistível — e perigosa. Mesmo que isso signifique render-se ao único homem que tentou destruí-la. Mesmo que isso signifique perder-se nele. Ele a rejeitou para salvá-la. Agora, ele arriscará tudo para reivindicá-la.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

CAPÍTULO 1: O INÍCIO

A dor começa no meu peito. Isso acontece três segundos antes de os tambores pararem.


Estou no fundo do Salão Principal com as outras ômegas sem companheiro. Fico espremida entre o ombro trêmulo de Lena e a parede de pedra fria quando a atração bate. Não é o chamado gentil que li nas histórias antigas. Não é um puxão suave em direção ao destino. É violento. É uma corda de ouro derretido passando pelas minhas costelas. Ela se enrola no meu coração e puxa com tanta força que esqueço como respirar.


— Sera? — Lena agarra meu braço. — Você está bem? O seu rosto...


— Estou bem — sussurro, mas não estou. Tudo em mim está gritando por algo que ainda não consigo ver.


A cerimônia da Lua de Ligação acontece uma vez por ano. Ocorre na noite em que o véu entre humano e lobo fica mais fino. É quando a Deusa da Lua revela os companheiros destinados. São laços escritos em nossas almas desde o nascimento. Para a maioria dos lobos, isso é lindo. É transcendente. É o tipo de momento pelo qual você espera a vida toda.


Para mim, deveria ser uma bênção. Uma saída. A filha de um beta desonrado não ganha muito neste mundo. Não tem respeito, nem recursos, nem futuro. Mas um companheiro destinado? Isso muda tudo. Muda até para uma ômega tão invisível quanto eu.


Os tambores começam de novo, mais graves desta vez. O Alpha ainda não entrou.


Pelo salão, as fêmeas sem companheiro erguem a cabeça. Elas arrumam o cabelo e ajeitam os ombros. Nós fomos preparadas por semanas. Tomamos banho em óleos sagrados e vestimos seda branca que gruda no corpo como uma segunda pele. Somos oferendas e espectadoras ao mesmo tempo. Estamos esperando para saber se a Deusa nos escolheu.


O laço puxa de novo. É tão forte que meus joelhos cedem.


Lena me segura, com uma preocupação real no rosto. — Falando sério, você está me assustando.


Não posso contar a ela. Não posso contar a ninguém. A atração não aponta para os machos sem companheiro do outro lado do salão. Ela aponta para o palanque.


Aponta para ele.


As portas enormes na frente do salão se abrem. O Alpha Kael Voss entra como se fosse o dono do próprio ar. E ele é. Ele é dono deste território e das terras de cinco matilhas. Ele também é dono do medo de qualquer inimigo burro o bastante para testar suas fronteiras. Ele tem só vinte e seis anos, mas parece mais velho. Parece esculpido em pedra e escuridão, com olhos que já viram a guerra. O cabelo preto cai sobre a testa dele. O corpo é puro músculo sob o couro preto da cerimônia. A prata da sua posição brilha à luz de velas.


Eu o vi exatamente duas vezes antes disso. Uma vez quando eu tinha oito anos, atrás de uma porta que eu não devia abrir. Outra vez no mês passado, quando ele passou por mim no corredor. Eu prendi a respiração até ele sumir, morrendo de medo. Achava que até respirar o mesmo ar que ele já era demais.


Agora, o laço dentro de mim está gritando o nome dele.


Não. Não, isso está errado. É um erro. Alphas não se ligam com ômegas. Eles se ligam com fêmeas fortes e filhas de betas. Fêmeas que podem ficar ao lado deles e ajudar a matilha de alguma forma. Não eu. Não uma garota cujo pai liderou uma rebelião que quase destruiu tudo. A presença de uma garota cuja mãe morreu na vergonha é só um lembrete de fracasso.


Mas a atração não pode ser negada. Ela se enrola na minha espinha e acende a minha loba. Faz ela andar de um lado para o outro sob a minha pele, como se tentasse rasgar a saída.


Kael anda até o centro do palanque. Eu vejo o momento exato em que ele também sente isso.


O corpo todo dele fica duro. A cabeça dele cai para trás. Por uma fração de segundo, ele fecha os olhos com força como se sentisse dor. Eu o vejo se recompor. Vejo o Alpha forçar o rosto a virar pedra de novo. Quando ele abre os olhos, varre a multidão com o olhar. Ele procura a origem do laço do mesmo jeito que um predador caça.


O salão fica em completo silêncio. Todo mundo sente isso agora. Sentem a grande onda de poder e o laço pegando fogo. O ar tem gosto de raio e de algo queimando.


Os olhos dele encontram os meus do outro lado do salão lotado. Eles passam pelas fêmeas sem companheiro, pelos guardas, pelos anciãos e pelas testemunhas. Ele me olha como se eu fosse a única pessoa viva.


Por um momento perfeito e impossível, acho que estou errada. Talvez isso não seja um erro. Talvez a Deusa saiba de algo que nós não sabemos. Talvez...


O lábio dele se encurva mostrando os dentes. E eu vejo o momento em que ele toma a decisão.


— Não.


A palavra ecoa pelo salão como um tiro. É suave, mas é a ordem de um Alpha. Ela bate como uma força física. Os lobos choramingam. As fêmeas se encolhem. A mão de Lena aperta meu braço.


— Não — Kael diz de novo, mais alto desta vez. A voz dele é puro veneno. — Eu rejeito o laço. Eu rejeito esta companheira.


As palavras acertam meu peito como balas.


Não consigo me mexer. Não consigo respirar. Não consigo entender o que está acontecendo por causa do barulho nos meus ouvidos. Ele me rejeitou. O Alpha, o macho mais temido de cinco territórios, acabou de me rejeitar na frente de centenas de testemunhas. Não foi em particular. Não foi com jeito. Foi em público. Foi brutal. Como se eu não valesse nem o esforço de um fora em particular.


Ao meu redor, o salão explode. Murmúrios chocados viram suspiros e depois gritos de descrença. Ninguém rejeita um companheiro destinado. Isso não se faz. Não é possível. O laço não quebra só porque um Alpha decide que não o quer.


Mas deveria ter quebrado. Nas histórias, quando um companheiro é rejeitado, o laço se corta. O lobo rejeitado fica livre. Fica ferido, mas no fim das contas é solto.


Eu espero por esse corte.


Ele não vem.


Em vez disso, o laço aperta ainda mais o meu coração. Quando os olhos de Kael encontram os meus de novo, cheios de algo que parece raiva e agonia juntas, eu percebo a verdade:


O laço também não quebrou para ele.