A Ascensão de Varkryn

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Resumo

Ryder Varkryn nunca deveria tê-la desejado. Ava Kaevor é uma loba — feroz, de língua afiada e nascida no poder como a filha do Alpha. Cada encontro entre eles faísca como um fio desencapado: olhares demorados demais, calor intenso demais no espaço entre eles, uma consciência mútua que faz seu autocontrole vacilar. Ela o desafia. Aproxima-se demais. Olha para ele como se soubesse exatamente quão perigoso ele é… e não se importasse. Ryder a sente em toda parte — sob sua pele, em seu pulso, nos momentos em que seus instintos gritam para reivindicar o que ele jamais deveria tocar. A química entre eles é volátil, inegável e completamente proibida. E isso a torna perigosa. Porque Ryder não é apenas mais um lobo. O Silver Dawn caça híbridos. Sempre caçou. Eles vieram atrás dele quando ele tinha dez anos. Sua mãe morreu protegendo-o dos caçadores enviados para apagar sua existência. Quinze anos depois, eles voltaram — e seu pai deu a vida para que Ryder pudesse sobreviver a um segundo expurgo. Agora, ele cansou de fugir. Doze anciãos do Silver Dawn sancionaram o massacre de sua espécie. Oito deles já estão mortos — caçados e executados um a um pelo próprio Ryder. Restam apenas quatro. Meio Lycan. Meio Nosov. Lobo e vampiro. Um híbrido que o Silver Dawn falhou em matar. À medida que os corpos caem e o desejo se confunde com algo perigosamente próximo da confiança, Ryder é forçado a questionar a lealdade de Ava. Será ela apenas a filha inocente de um Alpha pega no fogo cruzado… ou de alguma forma ligada aos caçadores que ele está derramando sangue para destruir? E se Ava for sua fraqueza, o fogo entre eles pode ser a única coisa capaz de destruir ambos.

Status
Completo
Capítulos
41
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: A Caçadora e o Lycan

Minha mãe era uma caçadora.

Eu não sabia disso até ter idade suficiente para entender o que significava. Idade suficiente para entender que a mulher que cantava para eu dormir à noite passou a infância aprendendo a matar coisas como o meu pai.

Coisas como eu.

Mas isso veio depois. Antes de eu nascer, antes do fogo, antes de tudo desmoronar — havia apenas uma mulher caminhando para casa na neve e uma besta sangrando na floresta.

Essa é a história que me contaram. Os pedaços que juntei ao longo de anos de perguntas, de silêncios, de coisas que meu pai dizia e não dizia. Eu mesma preenchi as lacunas.

Não sei se acertei.

Não sei se isso importa.

Bulgária – Montanhas Stara Planina, 1987

A neve caía densa quando Elena deixou a aldeia.

Ela puxou o casaco para mais perto e ajeitou a cesta no braço. Pão, queijo, uma garrafa de rakia para seu pai. O caminho pelas montanhas era familiar — ela o percorrera mil vezes. Cada árvore, cada pedra, cada curva do rio estavam memorizadas.

Ela não estava com medo. Ela era uma Vetrov. Sua família caçava as criaturas que se alimentavam de humanos há seis gerações. Ela fora treinada para rastrear, lutar e matar.

O rosnado veio da esquerda.

Baixo. Perto.

Sua mão foi para a faca. De lâmina de prata. Forjada por um ferreiro em Sofia que sabia o que os Vetrov caçavam e cobrava por isso.

A criatura saiu de entre as árvores.

Elena congelou.

Não era um lobo. Não era um homem. Era algo entre os dois — enorme, em pé sobre duas pernas, a pelagem emaranhada de sangue. Olhos dourados, selvagens de dor. Garras mais longas que seus dedos deixavam sulcos profundos na neve enquanto ele cambaleava para frente.

Um Lycan.

Ela deveria correr. Era o que seu pai a ensinara.

Ela não correu.

Porque o Lycan não estava atacando. Ele estava ali parado, sangrando por feridas no peito e nos braços. Feridas de prata — as bordas pretas e infeccionadas, sem cicatrizar como deveriam. Quem quer que tivesse feito aquilo sabia o que estava caçando.

A besta a observava. Esperando que ela decidisse se iria matá-lo.

Elena baixou a faca.

"Você está ferido", disse ela.

O Lycan não se moveu.

"Posso ajudar você."

Ainda sem resposta.

Ela deu um passo à frente. A besta ficou tensa. Suas garras se estenderam.

"Não vou machucar você." Ela embainhou a faca. Levantou as mãos vazias. "Viu? Sem armas."

Um longo momento se passou.

Então a transformação começou.

Ossos estalando. Se reformando. O pelo retraindo para dentro da pele. Um homem surgindo da besta, nu na neve, com vapor subindo de seu corpo.

Ele era alto. Mais largo que qualquer homem que ela já tivesse visto. Olhos cinza-gelo. Cicatrizes cobrindo seu peito e braços, sobrepostas às feridas frescas de prata. Mas os ferimentos já começavam a fechar — sua cura natural entrando em ação, empurrando a prata para fora como farpas.

Ele olhava para ela como se esperasse que ela gritasse.

Ela não gritou.

"Meu nome é Elena", disse ela. "Elena Vetrov."

Algo mudou em sua expressão.

"Vetrov", repetiu ele. "A família de caçadores."

"Sim."

"Sua espécie caça a minha há séculos."

"Eu sei."

"E você está se oferecendo para me ajudar?"

"Você está sangrando na neve." Ela ergueu a cesta no braço. "Tenho curativos na cabana da minha família. A uma milha daqui. Agulha e linha. Whisky, se você beber."

Ele ponderou aquilo por um longo momento.

"Silas", disse ele por fim. "Silas Varkryn."

Varkryn. Ela conhecia aquele nome. Todo caçador conhecia aquele nome.

"Você é o último", disse ela.

"Eu sou."

A cabana era pequena. Um único cômodo. Lareira, uma cama, uma mesa com duas cadeiras. A família de Elena a usava há gerações — um lugar para descansar entre as caçadas, cuidar de feridas, esperar as tempestades passarem.

Silas sentou-se no chão porque as cadeiras eram pequenas demais para ele. Elena ajoelhou-se ao lado dele, limpando os ferimentos de prata, observando-os se fecharem diante de seus olhos.

"Fique parado", disse ela.

"Estou parado."

"Você se cura rápido."

"Lycans se curam rápido. A prata atrasa o processo. Não o interrompe."

Ela passou a linha na agulha. Começou a costurar os piores ferimentos.

"Quem fez isso com você?"

"Caçadores."

"Minha família?"

"Não. Outros caçadores. Do sul."

Ela deu o nó no ponto. Passou para o próximo.

"Por que eles estavam caçando você?"

"Porque eu existo."

Ela olhou para cima. Encontrou seus olhos.

"Isso não é motivo."

"É, se você for um Varkryn."

Ela não perguntou o que aquilo significava. Ela já sabia. Seu pai lhe contara histórias sobre os reis Lycan que governaram as florestas por séculos. Sobre a coalizão que os derrubou. Sobre os grupos de caça que perseguiam os sobreviventes desde então.

"Há quanto tempo você está fugindo?", ela perguntou.

"Minha vida inteira."

Ela terminou o último ponto. Deu o nó. Sentou-se sobre os calcanhares.

"Você pode ficar aqui hoje à noite", disse ela. "Descanse. Cure-se. Pela manhã, trarei comida e água."

"E depois?"

"E depois veremos."

Ele ficou uma noite. Depois duas. Depois uma semana.

Depois um mês.

Eles entraram em um ritmo. Elena ia à aldeia durante o dia — comprava suprimentos, mantinha a aparência de uma vida normal. Ela voltava à noite e o encontrava esperando. Às vezes em forma humana. Às vezes em sua forma Lycan, patrulhando o perímetro, certificando-se de que ninguém a tivesse seguido.

Eles jantavam juntos. Ela cozinhava. Ele observava.

"Você está me encarando", disse ela certa noite.

"Estou observando."

"É a mesma coisa."

"Não é. Encarar implica grosseria. Observar implica interesse."

Um calor subiu pelo seu pescoço. "O que é tão interessante?"

"Você. O jeito que você se move. O jeito que você cozinha como se estivesse travando uma guerra. O jeito que você cantarola quando acha que ninguém está ouvindo."

"Eu não cantarolo."

"Você cantarola. Canções folclóricas búlgaras antigas. Muito mal."

"Vou te esfaquear com esta faca."

"Você poderia tentar." Ele quase sorriu. "Mas teria que me pegar primeiro."

Três meses depois de se conhecerem, ela lhe contou a verdade.

Eles estavam sentados à beira do rio. Os pés dela na água. Os dele na margem — ele não gostava do frio como ela.

"Minha família me enviou aqui para encontrar você", disse ela.

Ele não reagiu.

"Eles ouviram rumores de um Lycan na região. Queriam que eu rastreasse você. Caçasse você. Matasse você, se pudesse."

"Eu sei."

Ela olhou para ele. "Você sabia?"

"Eu podia sentir o cheiro da prata em sua faca na noite em que nos conhecemos. Podia sentir o cheiro de acônito em seu sangue — sua família tem dopado você com isso há anos, não é? Para se tornarem imunes."

"Então por que você me deixou ajudar?"

"Porque eu queria ver o que uma caçadora faria ao encontrar um Lycan que não fosse um monstro."

"É isso que você é? Não é um monstro?"

"Já não sei mais." Ele virou-se para olhá-la. "O que você vê?"

Ela pensou sobre isso. Sobre os últimos três meses. Sobre o homem que a acompanhava até em casa na neve. Que lhe contava histórias sobre as montanhas. Que a ouvia falar sobre a aldeia como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

"Eu vejo um homem", disse ela. "Um homem que esteve sozinho por tempo demais. Um homem que merece algo melhor do que o que o mundo lhe deu."

Ele não falou nada por um longo momento.

"O que você vai dizer à sua família?", ele perguntou.

"Que não consegui encontrar você. Que os rumores eram falsos."

"E se eles não acreditarem?"

"Então direi a verdade a eles."

"Que é?"

Ela pegou a mão dele. Seus dedos estavam quentes apesar do frio. Ásperos pelos calos. Fortes.

"A verdade é que eu me apaixonei por você." Ela olhou em seus olhos. "E não vou deixar ninguém machucar você. Nem minha família. Nem os caçadores. Nem os clãs. Ninguém."

Ele não disse nada.

Ele a puxou para perto e a beijou.