Broken Halos MC #7: Ciber

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Resumo

Ciber é um homem de dados, não de drama. Ele é o fantasma por trás do Broken Halos MC—um hacker de elite que mantém o dinheiro do clube escondido e seus inimigos no escuro. Por trás de uma muralha de códigos e servidores criptografados, ele é intocável. Até que alguém rouba dele. Ele rastreia o ladrão até um apartamento de luxo, esperando encontrar um hacker rival ou um mestre do crime. Mas o que encontra é algo que nunca imaginou. Eles colidem como gasolina e um fósforo aceso. Porém, quando inimigos se aproximam e segredos começam a vir à tona, Ciber pode descobrir que a maior brecha em sua vida não está em seu sistema. Está em seu coração.

Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
5.0 29 avaliações
Classificação Etária
18+

1. Cyber

O caos do clube dos Broken Halos era um peso físico, uma muralha de som que normalmente ricocheteava nos meus fones com cancelamento de ruído como ondas contra um penhasco. Hoje, o penhasco estava se desgastando.

Eu estava sentado no centro da mesa, meu “centro de comando” espalhado em um semicírculo de telas brilhantes. Três tablets, um laptop reforçado e meu teclado mecânico personalizado. À minha esquerda, Stone e Bear discutiam uma entrega. À direita, a nova geração dos Halos travava uma guerra em pequena escala.

O caçula de Lex berrava — um som agudo, capaz de estilhaçar vidros — enquanto dois outros pirralhos corriam entre as pernas dos irmãos.

O clube antes cheirava a cerveja velha, óleo de arma e más decisões. Agora? Era uma mistura pesada disso tudo com talco de bebê e suco derramado. Todo mundo estava se domesticando. Todo mundo estava sossegando.

Inclinei-me para trás, o pescoço estalando, e observei o caos por uma fração de segundo. A maioria desses caras — Stone, Bruiser, Riot — vivia por isso. Eles arrumaram suas “Old Ladies”, plantaram sementes e agora tinham um motivo para voltar para casa.

Eu? Tenho vinte e oito anos. Gosto da minha cama vazia e dos meus HDs criptografados. Observei Ghost do outro lado da sala, encostado no batente da porta, os olhos acompanhando tudo. Ele e Bear eram os únicos que ainda estavam no meu barco — solteiros, sem amarras e sãos. Não estava pronto para essa merda de “felizes para sempre”. Tinha muitos dados para processar e uma vida que lutei demais para manter privada.

Voltei para as telas. Os irmãos não diziam — talvez nem percebessem —, mas esse clube seria um monte de escombros fumegantes sem mim. No mundo moderno, não se ganha guerras só com couro e chumbo; se ganha com exploits de dia zero e roteamento offshore. Eu cuidava da folha de pagamento, apagava os rastros digitais das nossas atividades e mantinha os federais correndo atrás de fantasmas num salão de espelhos.

Se eu soubesse dar um soco tão bem quanto escrevo um script, provavelmente estaria sentado na cadeira do presidente. Mas me faltava jeito social. Era um fantasma na máquina, e gostava disso. Esse clube me deu um lar quando fugi do meu próprio sangue com nada além de uma Harley e um laptop. Devia a eles a minha vida.

Naquele momento, eu fazia uma varredura de rotina nas nossas conchas auxiliares. Mantínhamos o dinheiro em movimento — um pouco aqui, um pouco ali — para o IRS não ver uma montanha de grana parada num lugar só. Era um sistema lindo, ritmado.

Então, meu celular vibrou.

Não era uma notificação comum. Era um alarme de Nível 1. Um tom personalizado que programei para soar como um modem morrendo — um som que, na verdade, eu nunca tinha ouvido antes.

O ar na sala esfriou.

Parei de digitar. Meu coração, que normalmente batia a sessenta por minuto, martelava contra as costelas. Fiquei olhando para a tela pequena.

Acesso Permitido. Transação Confirmada. ID: “NoobSlayer14.”

O sangue sumiu do meu rosto tão rápido que me senti zonzo. A visão ficou turva até restar só aquele celular. O barulho do clube — as crianças, as risadas, a voz trovejante de Stone — virou um zumbido distante.

Fiquei olhando para o nome, uma onda de irritação varrendo minha raiva. NoobSlayer14. Sério? Revirei os olhos com tanta força que doeu. Quem diabos se chama assim? Parecia nome de um handle de 2005 num lobby de *Call of Duty* ou de um adolescente esquisitão que mora no porão. Era pra ser o quê, brincadeira de criança? Um nome feito para ofender, um tapa na cara de quem claramente achava que estava sendo esperto.

O fato de alguém com um apelido tão patético e de quinta categoria ter passado pela minha criptografia de ponta fez a bile subir pela garganta. Era humilhante.

Uma veia na têmpora começou a latejar, a pressão aumentando até achar que meu crânio ia rachar. A conta auxiliar da folha de pagamento — uma concha que usávamos para as despesas diárias do clube — estava sendo esvaziada em tempo real.

“Filho da puta!!!”

A palavra saiu rasgada da minha garganta, crua e irregular. Não reconheci minha própria voz.

Bati o celular na mesa. A tela se estilhaçou numa teia de aranha, o som cortando o ambiente como um tiro.

O clube ficou em silêncio mortal. De relance, vi Kasia agir por instinto, levando as crianças para o corredor dos fundos.

Não dei a mínima. Agarrei o laptop, puxando-o com um tranco brusco que quase derrubou um tablet. Os dedos não dançavam mais; eles esfaqueavam as teclas. Eu digitava com uma velocidade desesperada, tentando rastrear os pontos de salto, tentando cortar a conexão antes que pulassem o firewall e chegassem às contas principais.

“Cyber, que porra está acontecendo?”, Stone perguntou, a voz baixa e perigosa.

Levantei os olhos, os meus vermelhos. As mãos tremiam — uma sensação que eu odiava.

“Alguém acabou de invadir a conta auxiliar da folha de pagamento do clube”, falei, a voz tensa. “É uma das nossas conchas offshore menores, mas eles não só hackearam.”

Virei o laptop para que todos na mesa vissem a carnificina. O saldo estava zerado. Uma linha vermelha grossa cortava o histórico de transações, uma cicatriz digital nos nossos registros.

“Eles não tocaram nas contas principais”, sussurrei, a voz falhando de uma fúria que não conseguia conter. “Mas esvaziaram essa aqui completamente.”

Fiquei olhando para a linha vermelha. Não era só um roubo. Era uma mensagem. Eles passaram pelas minhas cifras rotativas como se não existissem.