Prólogo: O Herdeiro do Padrinho
◈Nikolai◈
Nikolai Artur Kuznet estava ao lado do leito de morte de seu pai, observando-o. O homem estivera doente por anos e usou seus momentos finais para preparar o filho e ensiná-lo sobre os negócios da família.
Em outras palavras, seu pai mostrou-lhe o que significava ser rei: ser o chefe de todos os chefes, manter tudo dentro da família e ficar atento aos estranhos.
“Nikolai”, disse seu pai, Rolan Isaak Kuznet, olhando para ele.
Nikolai encontrou o olhar do pai. Aquele homem liderava a máfia russo-americana há quarenta e dois anos — desde que tinha quinze. Ele não era o homem que a maioria das pessoas acreditava que fosse. Rolan Kuznet era implacável e, ao mesmo tempo, amoroso. Ele faria qualquer coisa para proteger sua família — de sangue ou não.
É por isso que todos o chamavam de Padrinho.
Ele chegaria a mandar embora as pessoas que amava para protegê-las, para nunca mais vê-las. Foi o que aconteceu com sua mãe e sua irmã vinte anos atrás, quando Nikolai tinha dez anos e sua irmã tinha seis. Seu pai as mandou para longe. Nikolai nunca esqueceu seus rostos, mesmo depois de seu pai ter destruído todas as fotografias delas. Ele se recusou a deixar que as imagens delas desaparecessem.
“Encontre sua mãe e sua irmã”, disse seu pai, tirando Nikolai de seus pensamentos.
Nikolai encarou o pai, chocado. “Papai, pensei que você as tivesse mandado embora porque estariam mais seguras longe de nós.”
Rolan tossiu, e um fio fino de sangue escorreu de seu lábio.
“Papai”, disse Nikolai, aproximando-se da cama.
“É hora de trazê-las para casa”, disse Rolan, com a voz fraca.
“E o que aconteceu com Natasha e mamãe?”
“Sua mamãe saberá o que fazer”, garantiu-lhe Rolan.
Nikolai assentiu e disse: “Se você acha que é a hora”.
Rolan olhou para o teto e depois voltou a olhar para o filho. “Cuide delas.”
“Papai...” murmurou Nikolai enquanto os olhos de seu pai se fechavam e ele dava seu último suspiro.
Nikolai ergueu a mão do pai e disse: “Eu as encontrarei, papai. Eu prometo”.
“Sinto muito”, disse uma voz feminina atrás dele.
Nikolai soltou a mão do pai, recuou e virou-se para a enfermeira. “Por favor, cuide de tudo”, disse ele.
“Com certeza”, respondeu a enfermeira, acenando para ele.
Nikolai saiu para encontrar seu guarda-costas. Ele precisava compartilhar as palavras de seu pai com ele — o homem saberia o que fazer a seguir.
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“Tem certeza de que é seguro trazê-las para casa?”
Nikolai olhou para seu guarda-costas. Se seu pai tinha certeza, então ele também deveria ter.
Nikolai pensou por um momento e depois disse: “Vou ligar para o tio Luka e ver o que ele diz”.
Luka sabia da doença do irmão, então, quando Rolan faleceu, Nikolai mandou uma mensagem para o tio enquanto procurava seu guarda-costas, para informá-lo da morte de seu irmão.
Seu guarda-costas assentiu em concordância, então Nikolai tirou o telefone do bolso, discou o número do tio e transmitiu as últimas palavras de seu pai.
Seu tio não concordou com seu pai.
Quando Nikolai desligou, ele olhou para seu guarda-costas. Alek o observava, e Nikolai pôde perceber pela expressão do homem grande que ele sabia exatamente o que Luka Kuznet tinha dito ao sobrinho.
“O tio Luka não acredita que seja seguro para minha irmã ou minha mãe retornarem para a família.”
Alek assentiu, com uma expressão de quem compreendia tudo.
“Mas papai me pediu para trazê-las para casa.”
Alek encontrou o olhar de Nikolai e disse: “Talvez elas precisem continuar escondidas”.
Nikolai sorriu, sabendo que havia um motivo para seu pai ter insistido que aquele homem fosse seu guarda-costas. Não tinha nada a ver com o fato de Alek e Nikolai serem melhores amigos.
Após uma pausa, Nikolai perguntou: “Como eu as encontro?”
Alek deu um sorriso de lado e disse: “Acho que deveríamos deixar isso com Rolan Kuznet”.
Nikolai balançou a cabeça. “Meu pai não pode fazer isso; ele está...”
“Eu acredito que sua família é capaz de se comunicar além do túmulo”, disse Alek, interrompendo Nikolai.
Nikolai encarou Alek. Ele sabia que seu pai não fazia ideia de onde sua irmã e sua mãe estavam, já que ele havia escondido o paradeiro delas para mantê-las em segurança. Então, como eles iriam encontrá-las? Enquanto as últimas palavras de seu pai passavam por sua mente, um pensamento lhe ocorreu e um sorriso surgiu em seu rosto.
“Carro, agora”, disse Nikolai.
Alek sorriu enquanto seguia Nikolai até o carro.
Nikolai fechou os punhos com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, uma determinação ardendo intensamente através da dor crua em seu peito.
Ele não iria falhar com o último desejo do Padrinho.