Prólogo
Cassian
Quando desisti, a floresta parecia uma mentira.
Dez anos procurando, e os pinheiros ainda tinham o mesmo cheiro — terra, chuva e o leve toque metálico de magia no solo. Dez anos cruzando fronteiras, comparecendo a cada encontro, a cada corrida, a cada cerimônia de aliança, esperando por aquele momento como um relâmpago.
O momento em que o cheiro da minha companheira me atingiria e meu mundo se rearranjaria.
Ele nunca veio.
Eu estava no cume acima da casa da alcateia, com o vento puxando meu cabelo e trazendo os aromas familiares de casa — lobos, fumaça das chaminés da cozinha, óleo do campo de treinamento. Lá embaixo, as luzes das varandas piscavam uma a uma, quadrados dourados e suaves cortando o anoitecer.
Em algum lugar, uma porta bateu. Alguém riu. A vida continuava, como sempre, encontrando ela ou não.
"Ela não vem, sabia?"
A voz atrás de mim era como seda sobre aço.
Não me encolhi. Apenas um lobo nesta alcateia poderia chegar de fininho atrás de mim sem que meu lobo ficasse alerta, e só isso já deveria ter me dito algo. Em vez disso, fechei os olhos por um segundo e depois os abri, observando o vale.
"O que você quer, Livia?", perguntei.
Ela veio para o meu lado, perto o suficiente para que eu pudesse sentir seu calor mesmo através do frio. Livia Arden tinha um tipo de beleza que fazia as pessoas olharem duas vezes — cabelos escuros e sedosos, maçãs do rosto marcantes, olhos como âmbar polido. Ela se portava como a Luna que queria ser, mesmo que a alcateia comentasse o contrário.
"Quero que você pare com essa cara de quem chutou o cachorro favorito de um precipício", ela disse calmamente. "É deprimente. Você deveria ser o futuro Alfa intimidador, lembra?"
"Intimidação é superestimada", eu disse.
"Você diz isso porque é bom nisso mesmo quando tenta ser legal."
Soltei um suspiro que quase pareceu uma risada.
O silêncio se instalou entre nós, do tipo confortável, ou pelo menos do tipo praticado. Livia visitava este cume cada vez mais ultimamente. Às vezes ela encontrava desculpas — relatórios das patrulhas, fofocas do conselho. Às vezes trazia café. Às vezes trazia apenas a si mesma.
Esta noite, tive a sensação de que ela viera apenas pela última.
Lá embaixo, as luzes do campo de treinamento se acenderam, iluminando alguns lobos terminando os treinos. Eles olhavam para o cume de vez em quando, como se checassem se eu ainda estava observando. Ainda ali. Ainda deles.
"O conselho se reuniu de novo esta manhã", Livia disse finalmente. "Sem você."
"Anotado", resmunguei. "Quem convocou?"
"Seu pai", ela disse. "O que você saberia se não tivesse saído antes do amanhecer."
Girei meus ombros, úmidos pela corrida. Minha camiseta grudava nas costas. Eu tinha me transformado antes do nascer do sol e corrido até meus pulmões queimarem, perseguindo cheiros que não estavam lá. Perseguindo um futuro fantasma.
"O que eles decidiram?", perguntei.
"Que estão preocupados", ela disse simplesmente. "Os anciãos acham que você não estará pronto para assumir o posto sem uma Luna ao seu lado. Eles estão... circulando."
"Circulando", repeti. "Como abutres."
"Como velhos lobos que acham que sabem o que é melhor", ela corrigiu, embora seus lábios se curvassem. "A mesma coisa, na verdade."
Meu maxilar travou. Eu podia ver, o jeito que eles me olhavam nas reuniões, como se estivessem contando os dias. Fiz vinte e seis anos no mês passado. Dez anos sem uma companheira era raro, não impossível. Mas a raridade deixava as pessoas nervosas.
Alguns achavam que minha companheira tinha morrido antes mesmo de nos conhecermos. Alguns achavam que a Lua tinha me ignorado completamente. Uma companheira escolhida resolveria tudo de forma organizada.
Pelo menos para eles.
Livia mudou o peso do corpo, o roçar de seu braço contra o meu foi um toque deliberado.
"Por quanto tempo você vai continuar fazendo isso?", ela perguntou suavemente. "Correndo pelas fronteiras como se pudesse caçar o destino. Esperando por um cheiro que nunca vem. Deixando todos pensarem que você é... metade do que deveria ser."
Suas palavras eram precisas. Não cruéis, mas afiadas o suficiente para ferir.
"Bom saber que o conselho tem uma opinião tão elevada de mim", eu disse.
"Não distorça as coisas." Ela virou o corpo na minha direção. "Eles te respeitam. Até te temem. Você é um bom líder, Cassian. Você assume cada patrulha, cada negociação, cada problema sobre seus ombros como se tivesse nascido para carregar tudo."
"Eu nasci", disse de forma seca.
"Sim", ela concordou. "Mas isso não significa que você precise fazer isso sozinho."
Algo dentro de mim se retraiu, velho e cansado. Desviei o olhar para as florestas que eu conhecia melhor do que meu próprio reflexo.
"Eu tenho o Beta, o Gamma, a porra da alcateia toda", eu disse. "Não estou sozinho."
"Você está sozinho onde importa", ela disse. "Você sabe disso."
Por um segundo, meu lobo se levantou em silêncio de protesto. Uma agitação baixa e inquieta no fundo da minha mente, como uma pata arranhando pedra.
Eu a reprimi.
Livia acompanhou meu olhar para o vale. "Você se lembra do seu primeiro Encontro?", ela perguntou. "Quando você tinha dezesseis anos?"
Claro que lembrava. Eu lembrava da antecipação crua e vibrante, do jeito que cada loba que eu cruzava fazia meu lobo se inclinar, inspirar, esperar. Eu lembrava da decepção cada vez que nada acontecia. Do jeito que isso se estendeu por anos.
Assenti uma vez.
"Você voltou com raiva", ela continuou. "Não porque não a encontrou, mas porque achou que tinha feito algo errado. Que tinha falhado em algum... teste."
Minha boca se fechou. "Você já estava me espionando naquela época?"
"Observando", ela corrigiu. "Eu presto atenção."
"Eu notei", murmurei.
Ela sorriu, pequena e satisfeita. "Meu ponto é: você tem se punido por uma década por algo que não é sua culpa. Talvez não exista uma companheira. Talvez ela tenha morrido. Talvez a Lua tenha mudado de ideia."
"Não faça isso", rosnei antes que pudesse me impedir. O som deslizou entre nós, baixo e de aviso.
Livia não se encolheu. Ela inclinou a cabeça, me observando com cuidado.
"Você idolatra a ideia dela", ela disse mais suavemente. "Essa mulher perfeita que sairá das árvores e consertará a rachadura no seu peito só por existir. Mas e se for apenas isso, Cassian? Uma ideia?"
O vento cortou o cume, mais frio agora. Meus dedos se curvaram em punhos ao meu lado.
Pensei nos anos de busca. Nos rumores. Na pena nos olhos de alguns, na zombaria nos de outros. Na dor silenciosa e privada que eu carregava como uma costela extra.
"Eu a sinto", eu disse. Pareceu infantil até para os meus ouvidos. "Toda lua cheia, ela está... lá. Fraca, mas está. Como se estivesse apenas... fora de alcance."
O olhar de Livia suavizou. Ela deu um passo curto, até ficarmos quase nos tocando, do ombro ao quadril. Meu lobo andava de um lado para o outro, inquieto e curioso ao mesmo tempo.
"Ou talvez", ela disse, sua voz um murmúrio baixo, "o que você sinta seja a parte de você que quer não estar mais sozinho. Que quer deixar alguém entrar. Não precisa ser ela, Cassian. Pode ser alguém real. Alguém aqui."
Sua mão roçou a minha. Não foi um acidente, de jeito nenhum.
Olhei para ela. Ela ergueu o queixo, olhos cor de âmbar captando a última luz.
"Você precisa de uma Luna", ela disse simplesmente. "Seu pai vai deixar o cargo em breve. A alcateia precisa de estabilidade. Um herdeiro. Uma fêmea que saiba lidar com a política, as recepções, os... dramas mesquinhos sem fim, para que você possa se concentrar em manter todos vivos."
"Você faz parecer glamoroso", eu disse.
Ela sorriu, lenta e convicta. "É trabalho. É responsabilidade. A maioria dos lobos não entende realmente o que a Luna faz. Eles acham que são títulos e vestidos. Não é. É gerenciar o coração da alcateia para que o Alfa possa gerenciar os dentes."
Pisquei, surpreso com a verdade naquilo.
Livia tinha um ponto. Ela geralmente tinha. Isso era parte de seu poder — ela embalava a ambição em razão.
"E você acha que é adequada para isso?", perguntei, observando-a atentamente.
Ela sustentou meu olhar. "Eu sei que sou."
Em algum lugar lá embaixo, uma porta se abriu e fechou. O riso de uma fêmea subiu e depois desapareceu. O mundo continuou girando enquanto o espaço entre nós ficava mais tenso.
"Os anciãos não concordam", eu disse.
O sorriso de Livia diminuiu brevemente, um flash de irritação que desapareceu tão rápido quanto veio. "Os anciãos estão se apegando a velhas mágoas", ela disse. "Porque minha mãe não nasceu aqui. Porque meu tio tomou decisões estúpidas há quinze anos. Eles esquecem quem faz metade do trabalho deles nos bastidores enquanto eles resmungam sobre tradição."
Isso também era verdade. Eu a vi resolvendo conflitos, escoltando recém-chegados, entregando mensagens que ninguém queria levar. Ela se inseria onde havia lacunas e se tornava indispensável.
Ela também fazia questão de que as pessoas notassem. Ou tentava.
Alguns notavam. Muitos não. Mais do que alguns sussurravam abertamente que ela era calculista demais, faminta demais pela cadeira de Luna.
— Você se importa com o que eles pensam — eu disse baixinho.
O maxilar de Livia tencionou. — Eu me importo que eles prefeririam te ver sozinho até poderem empurrar alguma bonequinha complacente na sua direção — disse ela. — Alguém que eles possam controlar como uma marionete. Você merece mais do que isso.
— Como você? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.
Ela não desviou o olhar. — Sim — disse ela, direta. — Como eu.
A franqueza daquilo tirou o ar dos meus pulmões por um batimento cardíaco.
Nós já tínhamos rodeado essa conversa antes, com palavras menores e mais seguras. Dicas. Piadas. Esta noite, ela tinha exposto tudo até os ossos.
— Livia...
— Eu sei que você queria uma companheira — ela interrompeu, com a voz mais suave agora. — Um vínculo verdadeiro. Sei o quanto isso significava para você. Mas chega um ponto em que a teimosia vira autodestruição. Você continua sangrando por um ideal que talvez nunca chegue, e a alcateia está observando. Eles estão esperando. Alguns estão perdendo a fé.
As palavras deslizaram sob minha pele, alojando-se profundamente em lugares para onde eu não queria olhar.
Perdendo a fé.
Eu tinha notado isso na rigidez de algumas bocas, no jeito que alguns lobos mais jovens olhavam para mim quando conversas sobre companheiras surgiam. Não era uma dúvida direta. Apenas... desconforto. Preocupação.
Um líder que não conseguia garantir um vínculo, que não conseguia oferecer uma Luna, que não tinha herdeiro — isso significava incerteza. Lobos não prosperam na incerteza.
Os dedos de Livia envolveram os meus. Desta vez, ela não fingiu que foi acidental. O aperto dela era quente e firme.
— E se você escolhesse? — ela perguntou. — E se você decidisse que sua vida é mais do que esperar por um fantasma? Você poderia ter alguém ao seu lado que conhece esta alcateia, que pode dividir o trabalho com você. Alguém que quer isso.
Eu engoli em seco.
Meu lobo se agitou, pressionando o interior da minha pele. Não houve relâmpago. Nenhum reconhecimento súbito e flamejante. Apenas um zumbido estranho e silencioso. Nem certo. Nem errado. Algo no meio.
— A Lua escolheu por nós — eu disse, embora a convicção na minha voz estivesse mais fraca do que eu gostaria. — É nisso que sempre acreditamos.
— Talvez a Lua tenha te dado o livre-arbítrio — rebateu Livia. — Talvez a verdadeira escolha seja sua. Você realmente acha que ela quereria seu futuro Alfa desperdiçando a vida em um anseio?
Anseio.
A palavra tinha um gosto amargo. Dez anos disso — estendendo-se do meu aniversário de dezesseis anos até agora — tinham cavado sulcos nos meus ossos. Tinha se tornado um hábito: escanear cada multidão, respirar cada novo perfume, catalogar, descartar e seguir em frente.
Sempre seguindo. Nunca chegando.
Como seria parar? Ficar parado e deixar algo... alguém... se acomodar?
Eu olhei para Livia. Para o jeito que ela me observava, com olhos claros e famintos, mas também — deuses, me ajudem — sinceros. Ela queria isso. Ela me queria. Não como homem, talvez, mas como um Alfa, como um futuro. Como um trono ao lado do qual ela pudesse se sentar.
Mas havia algo mais ali também. Eu não era cego. Havia um afeto real enterrado sob o cálculo. Ela me conhecia. Ela me observou por anos, ficou perto o suficiente para aprender meus hábitos, meus tiques, o jeito que meu temperamento funcionava. Ela tinha ficado do meu lado em discussões do conselho com uma ferocidade que surpreendeu a todos.
Talvez ela se importasse. Do jeito dela.
— Eu não seria capaz de te dar o que um vínculo de companheiro dá — eu disse devagar. — Não completamente.
A expressão de Livia não vacilou. — Você me daria honestidade — disse ela. — Respeito. Parceria. Isso importa mais para mim do que alguma conexão mística que não apareceu em uma década.
O polegar dela percorreu um arco lento nas costas da minha mão. Meu batimento cardíaco se estabilizou em algo pesado e medido.
— E o que você me daria? — perguntei.
A resposta dela foi imediata.
— Lealdade — disse ela. — Competência. Uma Luna que lutará pela sua alcateia como se fosse minha própria carne. Alguém que pode entreter os Alfas vizinhos e também dizer a eles para irem para o inferno com um sorriso. Manterei a ordem em sua casa enquanto você a mantém em seu território. Não vou te envergonhar. Não vou recuar diante do sangue.
Ela manteve meu olhar. — E eu escolherei você, Cassian. Todos os dias. Mesmo quando você estiver distante. Mesmo quando estiver teimoso. Mesmo quando ainda estiver lamentando uma ideia.
Lá estava de novo — aquela sutil facada. Lamentando uma ideia.
Soltei o ar lentamente, sentindo como se a colina tivesse inclinado alguns graus sob meus pés.
— Eu estaria desistindo — disse baixinho.
— Você estaria seguindo em frente — ela corrigiu. — Por você mesmo. Pela sua alcateia.
Pela minha alcateia.
A frase estava presente em todas as decisões que eu tomava. Aquilo não era apenas sobre mim e uma garota sem nome que eu nunca conheci. Era sobre estabilidade. Sobre a próxima geração. Sobre apresentar uma frente unida ao mundo além das nossas fronteiras.
— Se eu concordasse — eu disse, com a voz áspera —, a alcateia não te aceitaria facilmente.
O queixo dela se ergueu, desafiador. — Eles não precisam. Não a princípio. Eles vão aprender. Eu vou provar meu valor. Eu sempre provo.
— Alguns acham que você é... ambiciosa — eu disse.
Ela riu baixinho. — É porque eu sou. E porque a ambição parece mais feia em uma mulher do que em um homem para a maioria deles. Você se importa?
Pensei sobre isso. Pensei de verdade.
A ambição em si não era um defeito. Sem ela, não teríamos expansão, nem alianças, nem progresso. O que importava era para onde ela apontava.
A dela apontava para mim? Para a alcateia? Para o poder por si só?
Provavelmente para os três, se eu fosse honesto. Mas, no nosso mundo, poder e responsabilidade estavam interligados. Querer um significava reivindicar o outro.
— Eu me importo que quem estiver ao meu lado se importe com a alcateia — eu disse. — Não apenas com o título.
As mãos de Livia apertaram as minhas. — Eu não estaria aqui se não me importasse — disse ela. — Você sabe o que eu fiz. A quem ajudei. Pergunte a eles. Pergunte às mães cujos filhotes eu cuidei para que elas pudessem descansar. Aos anciãos cujos remédios eu fui buscar. Às patrulhas que eu curei e mandei de volta. Eu não quero o título de Luna pelas joias, Cassian. Eu quero porque já estou fazendo metade do trabalho.
Isso, também, era difícil de contestar.
Os protestos em meu peito vacilaram. Eles não desapareceram, mas ficaram... mais quietos. Cansados. Dez anos segurando uma promessa que nunca se materializou pesavam muito.
Talvez fosse assim que o compromisso se parecia. Não uma rendição. Apenas... escolher um caminho diferente.
Virei minha mão, entrelaçando meus dedos com os dela. Meu lobo choramingou, baixo e incerto, então se acomodou em uma posição de alerta.
— Isso não seria como um vínculo real — eu disse. — Haveria limites. Honestidade. Sem mentiras. Se eu te tomar como minha companheira escolhida, não fingirei que você é algo que não é. Ou que você é outra pessoa.
Livia assentiu uma vez. — Eu não quero ser outra pessoa — disse ela. — Eu só quero ser sua.
Algo no meu peito oscilou. Não a chama azul flamejante que eu sempre imaginei, mas uma faísca pequena e constante.
— Cassian? — ela perguntou, a voz agora quase um sussurro. — Deixe-me te ajudar. Deixe-me ficar ao seu lado. Pare de se punir por um conto de fadas.
A palavra distorceu, carregando partes iguais de conforto e acusação.
Um conto de fadas.
Talvez fosse só isso que o vínculo de companheiro tinha se tornado para mim — uma história à qual eu me apegava porque a alternativa significava encarar isto: escolhas difíceis, combinações imperfeitas, o risco de decepcionar a mim mesmo e a todos os outros.
Olhei para nossas mãos unidas. Para o vale. Para a vida esperando lá embaixo.
Lenta e deliberadamente, eu assenti.
— Tudo bem — eu disse. — Vamos tentar do seu jeito.
O fôlego de Livia escapou de uma vez. Por um batimento cardíaco, sua compostura falhou, e vi um triunfo puro brilhar em seu rosto antes que ela o suavizasse em algo mais leve.
— Você não vai se arrepender — disse ela.
Meu lobo se agitou novamente, inquieto. Ignorei a sensação, guardando-a junto com o resto das dúvidas para as quais eu não tinha tempo.
— Espero que não — murmurei.
Puxei-a para mais perto, mais pelo simbolismo do que pelo conforto. O corpo dela se encaixou contra o meu, familiar de um jeito que vinha de anos de proximidade, não do destino.
Abaixo de nós, o último da luz do dia se esvaiu, e as luzes da casa da alcateia brilharam mais intensamente.
Dez anos de busca, e em uma colina sem vento com vista para tudo o que eu jurara proteger, eu deixei a ideia dela para trás.
Nem toda ela. Nem a dor. Mas o suficiente.
O suficiente para abrir espaço para a mulher ao meu lado.
O suficiente para parar de correr.
Bem longe, além das fronteiras que eu tinha desgastado com minha busca, algo mudou. Um fio esticou-se, vibrando com uma consciência distante e assustada.
Eu não senti.
Ainda não.