Minha Pequena Destinada

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Resumo

Aria tinha cinco anos quando a Alcateia Lua Cinzenta foi destruída. Escondida no oco de um carvalho ancestral, ela sobreviveu ao massacre que levou seus pais, apagou seu lar e enterrou sua linhagem sob cinzas e sangue. Ao amanhecer, era para ela estar morta também. Então, Christian a encontrou. Como Alfa da Alcateia Lua de Prata, Christian deu a Aria abrigo, segurança e uma nova vida protegida por fronteiras vigiadas. Para Aria, ele se tornou seu protetor, seu porto seguro e a única pessoa que nunca deixou a escuridão tomá-la. Para Christian, ela se tornou uma promessa que ele jamais poderia quebrar. Mas alguns segredos não permanecem enterrados. Quando Aria completa dezoito anos, seu lobo desperta com memórias estranhas, um perigoso vínculo começa a surgir e o passado que ela mal sobreviveu começa a persegui-la novamente. Rogues estão retornando. Seu irmão perdido pode não estar tão morto quanto todos acreditavam. E a verdade sobre a Lua Cinzenta é muito maior do que apenas uma alcateia arruinada. Aria não é apenas uma sobrevivente. Ela é a última herdeira de uma linhagem rara de Luna, poderosa o suficiente para expor Alfas falsos, curar vínculos rompidos e ameaçar os inimigos que tentaram apagá-la. Ela foi escondida para sobreviver. Agora, ela precisa ascender para retornar.

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
4.8 6 avaliações
Classificação Etária
16+

Prólogo

A lua pairava baixa sobre o território de Grey Moon, pálida e vigilante acima da floresta.

Aria Penelope Smith não sabia que uma lua podia parecer triste.

Aos cinco anos, tristeza era algo que ela entendia apenas de pequenas formas. Tristeza era deixar cair sua fita favorita na lama. Tristeza era acordar de um pesadelo e achar o quarto escuro demais. Tristeza era ser avisada de que não podia comer uma segunda fatia de bolo antes do jantar.

Esta noite não deveria ser triste.

Esta noite era seu aniversário.

A clareira atrás da casa da alcateia brilhava com lanternas presas aos galhos das árvores. Balões roxos e prateados balançavam na brisa da noite. Uma longa mesa de madeira ficava sob o velho carvalho, carregada de comida, presentes embrulhados, copos de suco de frutas e um bolo com cinco pequenas velas esperando para serem acesas.

Aria estava no meio de tudo aquilo, com glacê nos dedos e felicidade no peito.

"Mamãe, olha!" ela gritou, girando em seu vestido de aniversário até a saia rodar ao redor dos joelhos. "Eu sou uma princesa Luna!"

Sua mãe riu suavemente e se agachou à sua frente. Penelope Smith tinha olhos calorosos, mãos gentis e aquele tipo de sorriso que fazia Aria sentir que nada no mundo poderia dar errado.

"Uma princesa Luna não deve ficar com glacê no cabelo", Penelope provocou, limpando os dedos pegajosos de Aria com um pano.

Aria riu. "E se o glacê quiser ficar no meu cabelo?"

"Então o glacê é muito corajoso", disse seu pai, atrás delas.

Jacob Smith levantou Aria em seus braços e a girou uma vez, fazendo-a dar um gritinho. Ele tinha cheiro de pinho, fumaça e das tiras de couro que usava durante a patrulha. Para o resto da alcateia, ele era o Beta de Grey Moon, forte o suficiente para fazer guerreiros ficarem mais eretos quando ele entrava em uma sala. Para Aria, ele era o homem que a deixava subir em seus ombros e fingir que podia tocar as estrelas.

"Papai, agora eu tenho cinco anos", ela anunciou orgulhosa.

"Eu sei, pequena lua." Ele beijou sua testa. "Grande demais já."

"Já posso treinar?"

"Ainda não."

"Posso lutar contra invasores?"

O sorriso dele desapareceu por apenas um segundo, mas Aria percebeu. Crianças sempre notam as coisas que os adultos tentam esconder.

"Seu trabalho é crescer", Jacob disse gentilmente. "O meu é manter você segura."

Penelope tocou o braço dele. O olhar que trocaram foi rápido, mas algo silencioso passou entre eles. Preocupação. Medo. Um segredo pesado demais para uma festa de aniversário.

Aria abriu a boca para perguntar, mas Kole veio correndo em direção a eles antes que ela pudesse falar. Seu irmão mais velho tinha doze anos, alto o suficiente para agir como alguém importante e jovem o bastante para ainda roubar doces da mesa quando achava que ninguém estava olhando.

"Aria!" ele chamou. "Venha ver o que eu trouxe para você."

Ela se soltou dos braços do pai e correu até ele.

Kole estendeu uma pulseira pequena feita de fios trançados. Prata, preto e cinza. As cores da alcateia deles.

"Eu mesmo fiz", disse ele, tentando soar casual.

Aria olhou para aquilo como se fosse um tesouro. "Para mim?"

"Não, para a árvore", ele disse, revirando os olhos. "Claro que é para você."

Ela estendeu a mão para ele, e ele amarrou a pulseira em seu pulso.

"Pronto", disse ele. "Agora você tem que guardar para sempre."

"Eu vou."

"Promete?"

Aria assentiu seriamente. "Promessa de lua."

O rosto de Kole suavizou. Ele deu um toque no nariz dela. "Bom."

Uma trombeta soou da extremidade do território.

A clareira ficou em silêncio.

No início, Aria pensou que fizesse parte da festa. Talvez alguém estivesse anunciando o bolo. Talvez o Alpha tivesse planejado outra surpresa. Mas os adultos não sorriam. A mão de seu pai foi até a lâmina em sua cintura. Sua mãe se virou para as árvores.

Outra trombeta soou.

Esta foi mais curta. Mais aguda.

Um aviso.

Jacob se moveu primeiro. "Penelope."

"Eu sei", sussurrou a mãe dela.

O Alpha de Grey Moon deu um passo à frente, com a expressão rígida. Guerreiros começaram a se transformar pela clareira, seus ossos estalando enquanto assumiam a forma de lobo e corriam em direção à fronteira. A Luna reuniu as crianças perto das portas da casa da alcateia.

Aria olhava de um adulto para outro, confusa com a rapidez com que o riso tinha se transformado em silêncio.

"Mamãe?" ela perguntou.

Penelope agarrou sua mão. "Escute-me com atenção, Aria."

"Eu não quero."

"Você precisa."

O primeiro grito veio da floresta.

Não perto, mas perto o suficiente.

Aria estremeceu. Kole ficou à frente dela, seu corpo jovem tenso, os olhos fixos na linha das árvores.

Então, os invasores chegaram.

Eles surgiram da floresta como sombras com dentes, de olhos selvagens e distorcidos. Seus pelos estavam sujos, seus movimentos eram desajeitados pela fome e pela fúria. Os guerreiros de Grey Moon os encontraram antes que pudessem alcançar as crianças, mas o medo percorreu a clareira mais rápido do que qualquer lobo.

Jacob se transformou diante de sua família, seu grande lobo cinzento se abaixando em uma posição defensiva.

Penelope puxou Aria para perto e pressionou algo frio em sua palma.

Um pingente.

Tinha o formato de uma lua crescente, liso e prateado, com uma pequena pedra escura no centro.

"Não perca isso", disse Penelope, sua voz tremendo apenas um pouco. "Não importa o que aconteça."

"O que está acontecendo?" Aria gritou.

As mãos de sua mãe seguraram seu rosto. "Você vai se esconder."

"Não. Eu quero ficar com você."

"Você vai se esconder e vai ficar quieta até que alguém seguro encontre você."

Kole balançou a cabeça. "Eu levo ela."

Penelope olhou para ele, e Aria viu a dor nos olhos de sua mãe. "Você conhece a trilha leste."

Kole engoliu em seco. "Mãe—"

"Leve sua irmã."

O lobo de Jacob se virou para eles por um segundo, e mesmo naquela forma, Aria soube que ele a olhava com amor.

"Corram!" Penelope gritou.

Kole agarrou a mão de Aria e a puxou para dentro das árvores.

Galhos arranhavam seus braços. Seus sapatos de aniversário escorregavam nas folhas molhadas. Atrás deles, os sons da luta aumentavam, mas Kole não parou. Ele segurava a mão dela com tanta força que doía.

"Kole, vai mais devagar!" ela soluçou.

"Não podemos."

"Eu quero a mamãe!"

"Eu sei."

"Eu quero o papai!"

O rosto de Kole se contraiu, mas ele continuou correndo. "Aria, por favor."

Um invasor saltou das árvores à frente.

Kole parou tão subitamente que Aria bateu em seu lado. Os olhos do lobo brilhavam em carmesim no escuro. Seus lábios se curvaram.

Kole empurrou Aria para trás dele.

"Corra para o velho carvalho", ele sussurrou.

"Não."

"Aria."

"Não, não, não."

Ele puxou a pulseira no pulso dela, fazendo-a olhar para ele. "Promessa de lua, lembra? Você tem que guardar para sempre. Agora tem que me ouvir."

O invasor deu um passo mais perto.

Kole a empurrou com força. "Vai!"

Aria correu.

Ela correu com as lágrimas borrando as árvores, com o pingente da mãe apertado em uma mão e a voz do irmão falhando atrás dela. Ela correu até seu peito doer. Ela correu até as luzes da festa desaparecerem. Ela correu até o velho carvalho aparecer à frente, enorme e oco na base, a árvore que ela usava como castelo secreto durante as brincadeiras.

Ela entrou rastejando.

O oco cheirava a casca úmida e terra. Aria se encolheu o máximo que pôde, pressionando o punho contra a boca para não chorar alto demais.

Lá fora, a floresta tremia com uivos distantes.

Ela esperou por Kole.

Ele não veio.

Ela esperou pela voz de sua mãe.

Ela não chamou.

Ela esperou pelos braços fortes do pai para tirá-la dali e dizer que tudo tinha acabado.

Ninguém veio.

O pingente em sua palma começou a esquentar.

Aria abriu os dedos. Um brilho prateado fraco pulsava da pedra escura, suave como o luar na água. Por um momento, ela pensou ter ouvido sussurros, não de fora da árvore, mas de algum lugar bem dentro de si mesma.

Sobreviva, pequena lua.

Aria fechou os olhos com força.

"Eu estou com medo", ela sussurrou.

A voz veio novamente, mais suave desta vez.

Esconda-se agora. Levante-se depois.

Uma sombra passou sobre o oco.

Aria parou de respirar.

Passos pesados moveram-se perto da árvore. Um invasor farejou a casca, rosnados baixos ecoando na noite. Suas garras rasparam contra as raízes a centímetros do rosto dela.

O pingente brilhou uma vez.

O invasor recuou com um ganido agudo e correu em direção ao caos distante, como se algo o tivesse chamado para longe.

Aria permaneceu imóvel.

A chuva começou a cair, fina e fria, escorregando pelas rachaduras no carvalho. Ela lavou o glacê de seus dedos. Encharcou a bainha de seu vestido de aniversário. Transformou a terra sob seus joelhos em lama.

Ao amanhecer, Grey Moon estava em silêncio.

Sem músicas.

Sem risos.

Sem velas.

Apenas fumaça subindo além das árvores e uma menininha escondida no oco de um carvalho antigo, segurando o último pedaço de uma linhagem que o mundo acreditava ter terminado.

Aria não sabia o que significava ser Moonborn.

Ela não sabia por que sua mãe tinha lhe dado o pingente.

Ela não sabia que, muito além do território de Grey Moon, um jovem Alpha logo sentiria o cheiro estranho de chocolate, menta e algodão-doce flutuando através da chuva.

Ela apenas sabia que seu mundo tinha se quebrado.

E, de alguma forma, ela tinha sobrevivido.