Meu Irmasto

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Resumo

Meu Irmasto Por Darci Sameul Matteo nunca esperou que sua vida mudasse por causa de um casamento. Quieto, emotivo e irremediavelmente devoto às pessoas que ama, ele entra em um mundo de luxo, privilégios e tensões ocultas depois que sua mãe se casa com o rico empresário Daniel Warrington. Lá, dentro de uma villa deslumbrante com vista para o litoral, Matteo conhece Ronan, filho de Daniel. Frio. Arrogante. Intocável. Desde o primeiro olhar, a tensão entre eles queima sob a superfície como um segredo perigoso esperando para explodir. Mas o coração de Matteo já pertence a outra pessoa. Diego, seu melhor amigo, seu porto seguro, o garoto que ele amou secretamente por anos, de repente se torna tudo o que ele sempre sonhou ter. Doce, apaixonado, leal, Diego lhe oferece um amor que parece caloroso, honesto e real. E, por um momento, Matteo acredita que finalmente pode ser feliz. Até que um beijo proibido muda tudo. Porque Ronan não é mais apenas seu irmasto. Ele se torna tentação. Obsessão. Caos. Preso entre o conforto de um amor puro e o fogo de um desejo perigoso, Matteo se vê encurralado em uma tempestade de culpa, paixão, ciúme e sofrimento. Cada olhar se torna uma confissão. Cada toque se torna um pecado. E quanto mais ele cai, mais difícil se torna distinguir a diferença entre amor... e destruição. Meu Irmasto é um romance emocional e viciante sobre sentimentos proibidos.

Status
Completo
Capítulos
50
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Chapter 1

CAPÍTULO 1

Ronan

A fumaça espessa de um charuto cubano flutuava preguiçosamente pela névoa violeta do ambiente, cortando o brilho fraco que escapava das luzes de neon vermelhas escondidas atrás de cortinas de veludo. Na parede do fundo, uma projeção silenciosa pulsava lentamente, com silhuetas dançando em câmera lenta, enquanto a música vibrava baixo ao fundo como o batimento cardíaco de algo pecaminoso.

O sofá de couro preto parecia feito para o pecado.

E, esparramado nele, estava Ronan Warrington.

Recostado com um braço esticado casualmente sobre o encosto, ele observava a cena como se ela lhe pertencesse.

De certa forma, pertencia.

À sua direita, uma loira com lábios preenchidos demais e um vestido que desafiava qualquer padrão conhecido de decência deslizava seus dedos longos por baixo da camisa preta dele, desabotoada até o peito. À sua esquerda, uma morena de pele cor de caramelo e olhos escuros roçava os lábios no pescoço dele com uma lentidão calculada, como se sussurrasse uma prece proibida em sua pele.

Na mesa à sua frente, havia um copo de cristal cheio de uísque envelhecido, duas carreiras de cocaína perfeitamente alinhadas, um maço de cigarros caros e um celular vibrando pela quinta vez.

Ele nem sequer olhou para a tela.

Ronan não era do tipo que se deixava interromper quando estava no comando do recinto.

-Ron… quer que eu prepare outra carreira?, a loira sussurrou com uma voz rouca, estendendo a mão para o pequeno saco de pó branco.

Ele virou a cabeça lentamente em direção a ela, seu olhar afiado e gélido cortando-a como uma lâmina.

-Você não pergunta, querida… ele murmurou.

-Você simplesmente faz.

Ela sorriu sem jeito, corando como uma aluna pega colando, e obedeceu imediatamente.

Ronan passou a língua pelo lábio inferior, quase entediado. Seus olhos negros, profundos, irreais, devastadoramente bonitos, não revelavam absolutamente nada.

Ele não estava bêbado. Não estava chapado.

Apenas… vazio.

E dentro desse vazio silencioso vivia todo o seu poder. Toda a sua raiva.

O celular vibrou novamente.

Sem se levantar totalmente, ele o pegou e iluminou a tela.

Semana que vem. Primeira corrida.

Seus olhos percorreram o texto lentamente. Um espasmo quase invisível apareceu no canto de sua boca.

A loira ria sem pensar ao lado dele, enquanto a mão da morena deslizava por baixo do cinto dele. A música pulsava mais forte. A luz vermelha distorcia as sombras ao redor deles.

-Perfeito… ele sussurrou para si mesmo.

Ele ergueu o copo, brindou contra o ar vazio e engoliu o uísque em um movimento suave.

Mas seu olhar permanecia imóvel. Frio. Belo como o pecado.

-Eu quero um show, garotas… não um circo, Ronan disse, com a voz baixa, preguiçosa e cortante ao mesmo tempo.

Não era um pedido.

Era uma ordem.

As duas mulheres trocaram um olhar.

A loira se levantou primeiro, despindo o vestido como se fosse uma segunda pele e deixando-o cair dramaticamente no chão. O sutiã minúsculo foi descartado enquanto ela avançava lentamente, virando-se para ele como se estivesse dançando para uma plateia de um homem só.

A morena jogou o cabelo sobre o ombro, abrindo um sorriso largo ao se levantar também, com os quadris balançando no ritmo que vibrava pelas paredes. Ela se aproximou da loira e, com uma graça hipnótica, pressionou os lábios contra o pescoço dela… depois desceu, ao longo da clavícula.

Elas começaram a se beijar lentamente, com fome, seus corpos entrelaçados, despidos tanto de tecido quanto de inibições.

Ronan as observava com os cotovelos apoiados nos joelhos, o uísque esquecido na mesa ao lado. Ele passou a língua pelos lábios e deu um sorriso de canto.

Seu olhar era uma faca cortando a fumaça.

Cada movimento que faziam era para ele. Uma performance de desejo. Um ato de submissão.

-Mais perto, ele murmurou.

-Não quero piscar e perder alguma coisa.

As garotas riram baixinho, tontas pelo álcool, pelo desejo e pela emoção de simplesmente estarem perto dele. Elas subiram na cama enorme coberta por lençóis de seda preta e continuaram sua dança provocante enquanto se beijavam avidamente, com as mãos percorrendo a pele, coxas e curvas em uma coreografia nascida da pura falta de pudor.

Ron se levantou lentamente.

Com cuidado.

Como um predador.

Fluido. Silencioso. Preciso.

Ele desfez o primeiro botão da camisa. Depois o próximo. E o outro.

Até que o tecido deslizasse completamente de seus ombros atléticos.

Sua pele pálida contrastava com a escuridão do ambiente. O cabelo preto caía de forma rebelde sobre sua testa, e seus olhos…

Deus, aqueles olhos.

Os olhos de Ronan não eram apenas escuros.

Eles eram a própria escuridão.

E esta noite, dentro daquele quarto, eles carregavam apenas uma emoção:

Controle.

Ele caminhou em direção à cama, deixando a calça deslizar com a mesma lentidão sensual.

As garotas pararam de dançar.

Elas o observavam. Esperando.

E ele sorriu.

Satisfeito. Preguiçoso. Perigoso.

Seu olhar prometia algo que não podia ser dito em voz alta… Apenas sentido.

Através da pele. Através da respiração. Através de cada nervo que ainda não sabia que estava prestes a queimar.

-Deixem-me mostrar como é um show de verdade…

E então a escuridão os engoliu por completo: desejo, gemidos abafados, beijos entrelaçados, mãos errantes e sexo sem proteção se dissolvendo na noite como um ritual pecaminoso.

A porta da sala privativa se abriu lentamente, liberando um rastro de fumaça e o perfume persistente de sexo de volta ao clube.

Ronan saiu primeiro, abotoando sua camisa preta com movimentos lentos e distraídos. Ele passou a mão no cabelo, deixando-o cair naquele desleixo perfeito sobre os olhos, e olhou ao redor com um leve divertimento.

A parada tinha sido breve.

Mas intensa.

Exatamente como ele gostava.

Atrás dele, uma das garotas riu fracamente enquanto a outra ajeitava as roupas com uma expressão aérea. Ronan nunca olhou para trás.

E não tinha a menor intenção de fazê-lo.

Ao descer os três degraus que levavam de volta à área principal, as luzes do clube o envolveram em ondas violentas de cor: violeta, azul elétrico, vermelho queimado.

A música pulsava pelo chão. Pela pele. Pelo sangue.

-RON!

A voz veio de algum lugar à sua direita.

Kevin, seu amigo mais antigo e barulhento, acenava com uma bebida na mão enquanto uma ruiva ficava grudada nele como um acessório vivo. O cabelo dela estava trançado em dezenas de tranças finas que chegavam quase até a cintura, balançando como cobras toda vez que ela ria.

-Cara! Kevin gritou acima da música, rindo como um lunático.

-Você se esbaldou com duas hoje! Duas! Juro por Deus, você vai entrar direto no paraíso por puro pecado!

Ronan se aproximou preguiçosamente.

Ele arrancou a bebida da mão de Kevin e levou aos lábios sem perguntar o que havia dentro. Para ele, tudo era consumido com a mesma indiferença cuidadosamente cultivada: mulheres, álcool, amigos.

Um luxo reservado para pessoas que não sentiam mais nada.

-Paraíso? ele murmurou com deboche.

-Longe demais do meu gosto.

Kevin explodiu em uma risada ainda mais alta, empurrando a ruiva para Ron por um segundo. Ela tocou o peito dele instintivamente, mas ele segurou o pulso dela e abaixou sua mão sem agressividade, porém com uma clareza afiada o suficiente para destruir qualquer ilusão.

-Uma de cada vez, boneca. Eu não me desperdiço tão fácil assim.

Então, sem dizer mais nada, ele se virou e desapareceu na pista de dança.

Duas loiras já o tinham avistado.

Elas se pressionaram contra seus lados como predadoras elegantes sentindo sangue na água. Ronan se movia com uma confiança relaxada, seu corpo balançando no ritmo como um homem que sabia exatamente o quanto era desejado e sabia que tinha todo o tempo do mundo para decidir quem merecia sua atenção.

As mãos delas deslizavam por sua camisa, seu peito, pelo comprimento de seus braços.

Ele sorriu.

Nenhuma delas importava.

Mas elas desempenhavam seus papéis perfeitamente.

Todos queriam estar perto de Ronan.

Tocá-lo. Ser vistas ao lado dele. Sentir seu olhar pousar nelas, mesmo que por um segundo.

Ninguém sabia que, dentro de sua mente, apenas uma palavra ecoava sem parar:

Corrida.

E a palavra rolava por seus pensamentos como um insulto com sabor de adrenalina.

As batidas na porta vieram cedo demais.

E agressivas demais.

O quarto estava quase totalmente escuro, com cortinas grossas mantendo a luz do dia do lado de fora com disciplina militar. Na cama enorme, sob um cobertor pesado de caxemira, jazia uma figura vestida em sombras de prata e preto. Uma perna pendia despreocupadamente pela borda, um testemunho silencioso do caos da noite passada.

A porta se abriu silenciosamente.

Jose entrou, impecavelmente vestido como sempre. Sem hesitar, ele caminhou direto para a janela e puxou as cortinas totalmente.

A luz do sol explodiu no quarto como uma mini bomba nuclear.

-Feche as porras das cortinas, Jose, rosnou a voz vinda debaixo do cobertor, profunda, áspera e venenosa.

-A menos que queira que eu as enfie no seu rabo.

Jose parou imediatamente, embora não parecesse minimamente impressionado.

-Senhor, quando o senhor voltou para casa às 2h45 da manhã, deu-me instruções para acordá-lo às dez horas para o seu curso online. Ele pausou brevemente.

-Marketing Extendido em Negócios Digitais.

O cobertor foi violentamente jogado de lado.

Ronan passou a mão pelo rosto com um suspiro longo e exausto antes de se sentar, com o cabelo desgrenhado e a expressão vazia, o rosto de um homem que não acreditava mais em nada.

Ele encarou Jose como se o pobre homem fosse pessoalmente responsável por cada decisão ruim que ele já tinha tomado na vida.

-Saia.

O tom era baixo. Curto. Completamente destituído de paciência.

-Claro, senhor.

Jose desapareceu como um fantasma discreto, fechando a porta silenciosamente atrás de si.

Ronan saiu da cama com peso, tirando as roupas enquanto caminhava para o banheiro. A camisa cheirava a fumaça e suor. As calças ainda traziam vestígios de uísque e mãos femininas.

Ele jogou tudo no chão com nojo antes de entrar direto embaixo do chuveiro.

A água fria caiu contra sua pele, e ele soltou o ar com a satisfação silenciosa de um homem que sobreviveu a mais uma batalha inútil contra sua própria ressaca.

Então seu celular começou a tocar em algum lugar no quarto.

Persistentemente.

-Sério mesmo…?, Ronan murmurou entre dentes cerrados.

Ele saiu do banheiro bufando, pegando uma toalha no suporte e enrolando-a desleixadamente na cintura. A água pingava de seu cabelo em seus ombros, e seus olhos negros estavam ainda mais escuros pela irritação do que pela falta de sono.

Quando ele alcançou a cama, o celular tinha parado de tocar.

Chamada perdida.

Pai.

Ronan franziu a testa.

Seu toque na tela foi estranhamente hesitante.

Uma nova mensagem apareceu.

Ele a abriu.

E sua expressão congelou em algo entre o nojo, a descrença e o divertimento amargo.

Ron… eu me casei. Eu sei, parece loucura. Queria te contar por telefone, mas você nunca atende.

Estou voltando casado, Ron. Com a mulher mais extraordinária do mundo.

E você finalmente vai ganhar o irmão que sempre quis. Ele tem vinte e quatro anos.

Um músculo tremeu violentamente em seu maxilar.

O irmão que você sempre quis.

Ronan riu.

Curto.

Perigoso.

Quase teatral.

Então ele jogou o celular na cama e desabou na ponta dela, molhado, furioso e profundamente ofendido pela ideia absurda de que em algum lugar, de alguma forma, alguém pudesse acreditar genuinamente que ele algum dia tinha desejado…

Um irmão.

Próximo Capítulo