Prólogo
Por que amar alguém é tão difícil?
No design, existe uma regra para tudo. Você alinha vetores, equilibra o peso das cores, domina o contraste. Se algo foge do planejado, você simplesmente ajusta as linhas-guia. Mas o amor não obedece a nenhum projeto.
O simples ato de amar tem o poder inegável de nos fazer felizes, mas carrega uma precisão cirúrgica para nos destruir por dentro. A verdadeira dor na nossa alma nasce do fato de nos entregarmos tão profundamente que a falta de reciprocidade não apenas machuca; ela desmorona as defesas que passamos a vida inteira construindo.
Quando você se fere muito, a mente começa a pesar os incontáveis "e se?". É a dúvida constante que nos deixa paranoicos, puxando-nos para uma espiral de confusão e incertezas. Por causa desses "e se?", desenvolvi um mecanismo de sobrevivência muito simples: quando o sentimento ameaça emergir, eu fujo. Eu esqueço. Eu fecho a porta antes que o outro perceba os meus sentimentos, antes que a intensidade tome conta de mim e me destrua aos poucos.
Foi com essa armadura de distanciamento que desembarquei em Nova York. Minha carreira era a única prioridade; a solidão era um preço aceitável para manter o controle. O problema é que o destino tem o péssimo hábito de reescrever as nossas regras.
Eu passei a vida inteira fugindo, mas, no fundo, a única coisa que eu realmente esperava era que um dia todos aqueles "e se?" tornassem um valeu a pena, pois achei você.









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