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Ligada aos Lobos, Alcateia Blackwood, Livro 1

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Resumo

Avisos de Conteúdo: Ligada aos Lobos é um dark shifter romance que contém referências a tráfico infantil e abuso no passado (não retratados explicitamente, mas discutidos como antecedentes), TEPT e reações a traumas, violência e cenas de batalha, ligação não consensual (histórica, não entre os personagens principais), temas de autonomia corporal e consentimento, e um eventual relacionamento poliamoroso/tríade consensual. A leitura é recomendada para o público adulto. Jade Grayson passou dez anos sendo propriedade. Uma curandeira Omega traficada para alcateias que precisavam de seu dom e temiam seu lobo, ela aprendeu cedo que seu valor estava em seu sangue, não em quem ela era. Ela escapou aos dezesseis anos e passou onze anos fugindo — reprimindo sua natureza, consertando motocicletas, sobrevivendo sozinha. Então, sua moto quebra nos limites do território Blackwood. Elias Black matou o próprio pai para acabar com a tirania. Ele governa por escolha, não por dominância, e não quer saber da Omega quebrada que estremece ao ouvir vozes alteradas. Mas o vínculo não se importa com o momento. Ele se forma de qualquer maneira — indesejado, inegável — e, de repente, Jade está lutando contra um futuro que parece excessivamente com posse, mesmo quando oferecido com mãos gentis. Xander Sullivan é o Beta de Elias há cinco anos. Ele sabe o que significa escolher um vínculo em vez de apenas sobreviver a um, e vê em Jade algo pelo qual vale a pena esperar. O que começa como proteção torna-se participação. O que começa como abrigo torna-se um lar. Então Walter Vane a encontra. O monstro que foi dono de Jade por uma década está vindo para recuperar seu "ativo" favorito. Para proteger sua alcateia, Jade deve abraçar a natureza Omega que ela reprimiu, transformar em arma o dom que a tornou valiosa e confiar que a família que ela construiu permanecerá ao seu lado — não porque eles a possuem, mas porque ela os escolheu. Alguns lobos nasceram para correr. Jade Grayson está aprendendo a ficar.

Gênero
Romance
Autor
Ember Wilds
Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.3 (3 avaliações)
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: À Beira da Estrada

O carburador estava sendo um pé no saco.

Jade Grayson agachou-se no cascalho de uma estrada municipal que não merecia nem esse nome. Com os dedos enterrados nas entranhas de sua Honda CB750 de 1983, ela mentalizou o motor para colaborar. Ele vinha engasgando há dezesseis quilômetros, aquele engasgo específico que significava que a mistura de combustível estava errada ou que algo tinha entrado na linha, de novo. Ela tinha limpado aquela porra duas semanas atrás no estacionamento de um motel fora de Tulsa, mas a moto ultimamente andava cheia de opiniões. Opiniões sobre ficar nos lugares.

"Você não vai morrer hoje", murmurou ela, não para a moto. Nunca para a moto. A moto era apenas metal. Ela falava com o motor como falava com tudo: de forma mecânica e prática, como se a máquina pudesse ouvi-la e estivesse apenas sendo teimosa. "O afogador está bem. A boia está bem. Vamos lá, sua peça de..."

O calor da tarde pressionava, denso e úmido, transformando o ar em algo que ela podia mastigar. Agosto em qualquer-estado-que-fosse esse. Ela tinha cruzado a fronteira ontem e mal percebeu a placa. Todas se misturavam agora: divisas estaduais, limites de cidades, as fronteiras invisíveis que ela cruzava a cada poucas semanas como um relógio. Duas semanas em Tulsa. Dez dias em Little Rock. Três semanas fora de Dallas, o que tinha sido um erro. Muito tempo. Ela tinha começado a saber o nome da garçonete na lanchonete, a antecipar o pedido do caminhoneiro no posto de gasolina. Era nessa hora que você fugia. Antes que eles soubessem o seu.

Ela limpou a testa com o antebraço, deixando um rastro de graxa na pele. Seu cabelo tinha escapado do elástico uma hora atrás, caindo em mechas pretas ao redor do rosto, e ela nem se deu ao trabalho de afastá-lo. O sol queimava a nuca através da camisa de flanela. Ela deveria ter usado a camisa mais leve, mas a flanela tinha bolsos, e bolsos significavam carregar tudo o que ela possuía sem precisar de uma bolsa que pudesse ser arrancada.

A moto engasgou de novo, um som úmido e metálico que a fez cerrar os dentes. Ela conhecia aquele som. Fugia dele há onze anos e agora ele a deixaria na mão em uma estrada que não aparecia nos mapas, em um condado que ela escolheu justamente por não ter câmeras, nem pedágios, nada que pudesse deixar um rastro.

Suas mãos conheciam o trabalho. Memória muscular de mil estacionamentos de motel, mil ferramentas emprestadas, mil amanheceres passados com os dedos no motor de outra pessoa. O carburador se desfez sob seu toque, e ela checou a cuba da boia e os giclês, sua mente catalogando problemas e soluções enquanto outra parte — a parte que ela mantinha trancada, a parte que sabia das coisas antes dela — sussurrava que ela já tinha feito aquilo antes. Criou problemas onde não havia. Causou atrasos que ela podia fingir serem mecânicos em vez de algo completamente diferente.

Ela ignorou essa parte. Ela sempre ignorava.

O som chegou antes. Pneus no asfalto, lentos e deliberados. Não a pressa de alguém passando, não o rugido de um caminhão atropelando tudo. Um veículo encostando no acostamento atrás dela, o cascalho triturando sob o peso, o estalo de um motor esfriando, silêncio.

Ela não olhou para cima. Seus ombros ficaram tensos mesmo assim, o velho instinto surgindo: saída, distância de ataque, mas ela manteve as mãos firmes na chave inglesa. A estrada se estendia vazia em ambas as direções, apenas ela, a moto e o que quer que tivesse parado atrás dela. Sem testemunhas. Sem câmeras. O isolamento que parecia segurança dez minutos atrás, de repente, parecia uma armadilha.

Não era um policial. Qualquer um, menos um policial.

Policiais significavam perguntas. Perguntas significavam bancos de dados. Bancos de dados significavam Walter, eventualmente, se alguém procurasse o suficiente. Se alguém se importasse em procurar.

Os passos eram pesados. Confiantes. O passo de alguém que era dono do chão onde pisava.

"Precisa de ajuda?"

A voz era rouca e autoritária, profunda o suficiente para vibrar em seu peito. Jade manteve a cabeça baixa, focada no carburador, com o coração fazendo algo estranho entre as costelas. Não era medo. Ela conhecia o medo. O medo tinha gosto, metálico e frio. Aquilo era outra coisa. Algo quente que não tinha motivos para estar ali, no meio do nada, com as botas de um estranho na sua visão periférica.

"Eu dou conta", disse ela. Curta. Grossa. A voz que ela usava quando não queria ser lembrada.

"Carburador?"

Ela olhou para cima então. Teve que olhar; ele estava agachado, o que os colocou no mesmo nível, e o mundo girou.

Ele era grande. Não apenas alto, embora fosse, com ombros largos preenchendo o uniforme cáqui, mangas arregaçadas até os cotovelos, antebraços com músculos definidos. Cabelo escuro, barba por fazer, olhos da cor de nuvens de tempestade antes de desabarem. Um distintivo de xerife no peito, brilhando sob o sol da tarde.

Mas não foi o distintivo que roubou seu fôlego.

Foi o cheiro.

Ela passou onze anos ignorando seu lobo, enterrando-o tão fundo que às vezes esquecia que ele existia, mas o animal surgiu agora, repentino e violento, arranhando por dentro de sua pele. *Meu*, ele disse. *Ele. Aquele ali.* O cheiro dele a atingiu como algo físico: pinho, fumaça e algo mais sombrio, selvagem, algo que fez seus dedos relaxarem na chave e suas coxas se pressionarem sem sua permissão. Sua boca salivou. Sua pele parecia apertada demais, quente demais, como se ela estivesse queimando de dentro para fora.

Não. Não, não, não. Isso não podia estar acontecendo. Não ali. Não agora. Não com um xerife em um território onde ela nunca pretendeu entrar.

As narinas dele dilataram. Os olhos, aqueles olhos cinzentos e terríveis, arregalaram-se apenas uma fração. O músculo do maxilar dele saltou.

Ele também sentiu. O que quer que fosse aquilo. Reconhecimento. Biologia. Destino.

"Estou bem", disse Jade, e sua voz saiu áspera. Ela pigarreou, olhou de volta para o motor e forçou as mãos a se moverem. "Só um giclê entupido. Cinco minutos."

"Você tem ferramentas?"

"Sempre."

"A maioria das pessoas não carrega um kit completo em uma moto."

"A maioria das pessoas não é como eu."

Ela sentiu ele observando-a trabalhar. Isso deveria tê-la deixado desconfortável, ser observada, ser vista, mas, em vez disso, sentiu como calor em suas costas, como a luz do sol depois de anos de frio. Ela se concentrou no carburador, na resistência específica do parafuso, no conforto familiar dos problemas mecânicos. Máquinas eram honestas. Elas quebravam, você consertava, elas funcionavam. Sem agendas ocultas. Sem querer ser dona de nada.

Suas mãos estavam marcadas. Ela sabia que ele podia vê-las: as linhas pálidas nos nós dos dedos, a marca de queimadura no polegar, os calos de anos segurando chaves com muita força. Ela não as escondeu. Não poderia, mesmo que quisesse. Elas eram mapas da sua sobrevivência, escritos em pele cicatrizada.

Ela trabalhou metodicamente, ignorando como seu pulso martelava na garganta, ignorando o calor que se acumulava baixo em seu ventre quando sentia outra lufada do cheiro dele. O giclê estava entupido com resíduos, ela o limpou com um trapo do bolso, remontou as peças com eficiência praticada, seus movimentos precisos apesar do tremor em seus dedos. Ela já tinha consertado motos com costelas quebradas, com concussões, com os homens de Walter observando da porta. Ela podia consertar aquela com um xerife Alpha agachado a um metro de distância, cheirando a tudo o que ela tinha negado a si mesma.

"Para onde você vai?", perguntou ele.

"De passagem."

"De passagem para onde?"

"Só de passagem."

Uma pausa. Ela podia sentir ele pesando sua esquiva, decidindo se deveria insistir. A maioria dos homens insistia. A maioria dos homens via o silêncio como um desafio, como algo a ser conquistado.

"Meu nome é Elias", disse ele. "Elias Black. Xerife do Território de Blackwood."

É claro que era. Ela tinha visto a placa dezesseis quilômetros atrás. Blackwood: População 3.400. Santuário para os Estranhos. Ela quase tinha dado meia-volta naquela hora. Quase.

"Jade", disse ela. Apenas Jade. Sem sobrenome. Sem passado. "Você sempre interroga motoristas parados, Xerife Black?"

"Apenas aqueles que parecem estar fugindo de alguma coisa."

Suas mãos pararam. Apenas por um segundo. Então ela voltou a se mover, apertando o parafuso final, checando a linha de combustível, seu coração martelando contra as costelas. *Ele não sabe. Ele não pode saber. Ninguém sabe.*

"Não estou fugindo", disse ela. "Passando por aqui. Como eu disse."

"Passar por aqui geralmente tem um aspecto diferente."

"É? Como assim?"

"Menos como se você estivesse esperando alguém surgir atrás de você. Menos como se você dormisse com um olho aberto."

Ela se levantou então, limpando as mãos na calça jeans, encarando deliberadamente aqueles olhos cinza-tempestade. Ele continuava agachado, o que o colocou abaixo dela por um momento, e ela soube que foi intencional. Uma demonstração de não ameaça de um homem que não conseguia esconder a ameaça em seus ossos. Ele era um Alpha. Ela sabia sem precisar da confirmação do cheiro ou do status, sabia pela forma como ele se portava, enrolado e cuidadoso, com o poder contido tão firmemente que vibrava. Um homem que poderia comandar sua obediência com uma palavra, se quisesse. Um homem que, ela suspeitava, estava escolhendo não fazê-lo.

"Você é vidente, xerife? Ou só intrometido?"

"Observador." Ele se levantou lentamente, desdobrando sua altura considerável, e o sol atingiu seus olhos novamente. "Vem com o distintivo. E com o território."

"Bem, observe isto." Ela deu um chute na partida. O motor pegou, rugiu e se estabilizou em um ronronar suave que soou como triunfo. "Viu? Consertado. Sem ajuda necessária."

Ela passou a perna sobre o banco, encaixando-se no sulco familiar do couro. A moto era velha, marcada, confiável. A única coisa que ela possuía que nunca a traiu. A única coisa que nunca tentou ser dona dela.

Elias levantou-se lentamente. Ele não estava sorrindo; seu rosto parecia ter esquecido como fazer isso, muito tempo atrás, mas algo suavizou ao redor de seus olhos. Interesse, talvez. Ou preocupação. Ou aquele mesmo reconhecimento biológico que agora estava fazendo seu lobo choramingar, andar de um lado para o outro e desejar. O vínculo, ou o que quer que fosse aquilo, puxava-a como um anzol em suas costelas, instigando-a em direção a ele, à promessa de seu calor, de seu peso e da segurança que ela sabia ser uma ilusão.

"Blackwood tem uma boa lanchonete", disse ele. "Se estiver com fome. Uma oficina decente também, se esse carburador te der trabalho de novo."

"Não vou ficar."

"Não disse que ia."

Eles se olharam. O momento se esticou, vibrando com algo para o qual Jade não tinha palavras. Seu lobo pressionava, insistindo: *mais perto, toque, fique*, mas ela empurrou aquilo para baixo com anos de prática, de negação, de sobrevivência. Ela tinha enterrado o animal tão fundo que esquecera como era querer algo, precisar de alguém, e agora ele estava surgindo, faminto, desesperado, fazendo suas mãos tremerem no guidão.

"Obrigada pela oferta", disse ela. "Mas tenho muitos quilômetros pela frente."

Ela acelerou o motor. Ele respondeu, ansioso, pronto. Ela não olhou para ele novamente; não conseguia, não sem fazer algo estúpido, como perguntar o nome dele de novo, como memorizar o traço de seu maxilar, como imaginar como seria ser vista por alguém que olhasse para ela como se ela fosse real e não apenas útil. Não apenas uma curandeira. Não apenas um ativo a ser alugado.

Jade entrou no asfalto, a moto disparando, o vento cortando o cheiro de pinho, fumaça e dele. A ausência súbita de seu cheiro pareceu uma perda, um luto, como um membro que ela nunca teve sendo amputado. Ela não olhou no espelho. Não imediatamente. Ela se obrigou a esperar, obrigou-se a focar na estrada, na linha amarela, na placa à frente que dizia *Blackwood – 3 km*.

Não olhe para trás. Nunca olhe para trás.

As palavras eram um ritual. Uma oração. A única coisa que a manteve livre até agora. Ela as sussurrava em quartos de motel às 3 da manhã, ouvindo passos que não estavam lá. Ela as gravou em sua própria mente, mais profundamente do que qualquer cicatriz, até que fossem a única verdade em que confiava. Olhar para trás significava querer. Querer significava fraqueza. Fraqueza significava correntes.

Mas sua mão contraiu no acelerador, e seus olhos dispararam para o espelho, apenas por um segundo.

Ele ainda estava lá. No meio da estrada vazia, observando-a partir, sua figura ficando cada vez menor até que ela subiu a colina e o perdeu de vista completamente. Ainda observando. Ainda esperando. Ainda ali.

Seu peito doeu. Seu lobo uivou, lúgubre, errado.

Ela dirigiu em direção à placa, à cidade, à lanchonete onde pararia apenas o tempo suficiente para comer, para reabastecer, para se lembrar de que ela não ficava nos lugares. Que ela não se apegava. Que a única coisa esperando por ela, se parasse de correr, era Walter, as correntes e a coisa que ela era antes de aprender a desaparecer. A garota que curava porque lhe mandavam. A garota que não sabia que podia dizer não.

A moto ronronava abaixo dela, firme e verdadeira.

Ela não olhou para trás de novo.

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Boa Escrita

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Enredo Envolvente

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

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so I am guessing she is rogue ? wouldn’t that alone cause issues with her entering pack territory?

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