Prólogo
O mundo não acabou em chamas.
Ele foi tomado por elas.
No ano de 2030, o que antes eram apenas lendas, teorias e medos sussurrados à meia-noite deixou de ser escondido. Não houve mais disfarces, nem tentativas de convivência silenciosa. Aqueles que carregavam o elemento bestial no sangue se cansaram de viver sob máscaras humanas.
E então, eles se revelaram.
Não foi uma revolução lenta. Não foi política. Não houve negociação.
Foi guerra.
As cidades queimaram. Os céus foram rasgados por criaturas que antes só existiam em mitos. Bestas com olhos brilhantes, presas afiadas, asas gigantescas e poderes que os humanos jamais poderiam enfrentar.
Os humanos tentaram resistir.
Falharam.
O erro deles não foi a falta de coragem… foi a ilusão de que estavam no controle. Durante séculos, acreditaram que eram a espécie dominante, sem perceber que sempre estiveram cercados.
E em menor número. Muito menor.
Os bestiais não apenas venceram, eles esmagaram.
Governos caíram em dias. Exércitos inteiros foram destruídos como se nunca tivessem existido. Armas modernas não eram nada contra fogo vivo, velocidade sobrenatural e forças que desafiavam qualquer lógica humana.
Quando a guerra terminou… o mundo já não pertencia mais aos humanos. E nunca mais pertenceria.
Para garantir o controle absoluto, os bestiais destruíram aquilo que unia os humanos: a informação.
A internet foi apagada. Satélites foram derrubados.
Redes de comunicação foram fragmentadas, mantidas apenas sob o domínio dos clãs. O conhecimento passou a ser um privilégio… não um direito.
Territórios foram divididos. O mundo foi repartido entre clãs.
Vampiros dominavam as sombras e as grandes metrópoles.
Lobos controlavam regiões extensas e territórios de força bruta.
Serpentes se infiltravam no poder silencioso.
Raposas manipulavam, negociavam e enganavam.
E as Fênix… as Fênix reinavam pelo fogo.
Acima deles, existiam aqueles que não apenas governavam… mas eram tratados como realeza.
Dragões.
Demônios.
Tigres.
Tritões.
Criaturas que não pediam respeito. Elas o impunham. Décadas passaram. Depois, um século inteiro. E com o tempo, o mundo se reorganizou, não em igualdade, mas em submissão.
Os humanos não foram exterminados. Foram mantidos. Controlados. Transformados em mão de obra, em números, em peças substituíveis dentro de um sistema que não os favorecia.
Trabalhavam mais. Recebiam menos. Viviam sob leis que não criaram… e sob líderes que não podiam desafiar.
Comida, roupas, remédios, empregos, tudo passou a ser controlado pelos clãs. Tudo tinha preço. E quase ninguém conseguia pagar.
Famílias inteiras lutavam para sobreviver com o mínimo. Doenças simples se tornaram sentenças de morte para aqueles que não tinham recursos. Esperança virou luxo.
E ainda assim… o mundo continuava girando. Porque os humanos aprenderam algo essencial. Mesmo quando tudo é tirado… eles ainda tentam sobreviver.
Mesmo quando vivem à sombra de monstros… eles ainda ousam lutar. Mesmo quando o fogo ameaça consumir tudo… ainda existem aqueles que se aproximam demais dele.
Sem saber… que algumas chamas não queimam apenas o corpo. Elas marcam a alma.
E quando isso acontece… não existe mais volta.








