Capítulo 1
Capítulo 1
Um Momento de Loucura
Meu pé esquerdo batia nervosamente debaixo da mesa enquanto eu a encarava, mal conseguindo me segurar para não gritar no meio do restaurante.
— Você pode repetir isso, por favor? — falei o mais calmamente possível, embora meu sangue estivesse fervendo.
Eu tinha certeza de que ela podia ver minha frustração. Meu maxilar já estava trincado de raiva. Afinal, ela me conhecia melhor do que ninguém. Estávamos juntos há sete anos.
Ou... deixa eu me corrigir.
Estávamos juntos há sete anos, até que ela decidiu terminar tudo abruptamente, bem aqui, bem agora.
— Estou vendo outra pessoa — disse ela casualmente.
Ela olhou para mim como se eu fosse um completo estranho, e o olhar irônico em seus olhos só me irritou ainda mais.
— Você está falando sério, Clara? Você me chamou aqui só para terminar comigo? Depois de sete anos juntos, é isso que eu mereço?
Minha voz subiu um pouco, e eu já não me importava com quem estava olhando. Ela imediatamente fez aquela expressão de bicho acuado novamente.
Que porra é essa?
Eu nunca tinha falado com ela de forma rude. Nunca tinha levantado a voz para ela.
O que ela estava tentando fazer agora?
Fazer a vítima?
— Sim, Jack... eu estou falando sério. Eu preciso de alguém que esteja sempre lá por mim. Eu preciso de atenção — disse ela através do que pareciam ser lágrimas falsas.
— Quem você está tentando enganar, Clara?
Eu me inclinei um pouco sobre a mesa, baixando a voz.
— Eu te conheço há quase quinze anos. Estamos juntos há sete. Você realmente acha que eu não sei a diferença entre suas lágrimas de verdade e as falsas? Só me diga a verdade. Acho que mereço pelo menos isso.
Peguei a taça de vinho da mesa e a virei de uma vez só.
Eu precisava de álcool se quisesse sobreviver a esta noite.
Meus olhos se voltaram para a garrafa entre nós.
Quase vazia.
Sinalizei para o garçom trazer outra e voltei minha atenção para a mulher que tentava apagar sete anos de nossas vidas.
— Eu me apaixonei — disse ela.
Revirei os olhos.
— Ele tem tudo o que você não tem — ela acrescentou rapidamente ao ver que eu não reagi.
— Duas rolas ou algo assim? — retruquei.
Ouvi ela bufar de irritação.
Ela abriu a boca para responder, mas o garçom chegou com a garrafa nova.
Eu praticamente a arranquei da mão dele e servi outra taça para mim.
— Poder... dinheiro... — disse ela, olhando para mim como se fosse, de alguma forma, superior.
Joguei a cabeça para trás e suspirei.
Deus...
Tive vontade de quebrar a garrafa na cabeça dela, o que sinceramente me assustou um pouco, já que eu não sou uma pessoa violenta.
Mas ela estava tirando o que havia de pior em mim.
— Sabe de uma coisa, Clara?
Tomei outro gole de vinho.
— Estou feliz por você. Espero sinceramente que você e seu namorado rico de duas rolas vão para o inferno.
Ela se levantou abruptamente, olhando para mim com uma expressão triste, como se eu ainda acreditasse na sua pequena performance barata.
Eu sabia que ela estava me traindo.
Descobri alguns dias atrás.
O cara tinha dinheiro.
Que era exatamente o que ela andava buscando desde que nos mudamos para esta cidade enorme.
Claro que ela gostava dele.
Ele podia dar a ela tudo o que ela nunca teve.
A garota do interior que veio para a cidade grande.
A coisa toda era um clichê tão grande que me dava náuseas.
— Você é patético — disse ela antes de virar nos calcanhares e ir embora.
Deixei-me afundar na cadeira e soltei um suspiro pesado.
Eu estava furioso.
Eu tinha desistido de muita coisa só para vê-la feliz.
Foi por isso que nos mudamos para cá dois anos atrás.
Eu queria dar a ela as coisas que nunca pude enquanto vivíamos naquela pequena fazenda em nossa cidade esquecida.
Levantei minha taça e bebi.
Eu não era muito de beber, mas hoje parecia uma exceção.
Eu já tinha começado a beber na noite em que descobri o caso dela.
Ironicamente, isso tinha se tornado outra desculpa para ela me deixar.
Eu mal a reconhecia mais.
Houve um tempo em que ela era a garota mais gentil que eu já conhecera.
Quando ela olhava para mim, sentia como se pudesse ver todas as coisas boas do mundo refletidas em seus olhos.
Agora...
Aquela garota tinha desaparecido completamente.
E doía.
Porque eu ainda a amava.
Eu tinha imaginado um futuro com ela.
Uma casa.
Filhos.
Uma vida juntos.
Agora tudo tinha desmoronado.
Meu olhar se desviou para o bar.
Levantei-me e fui até lá.
Subi em um dos bancos altos e pedi uma tequila.
Depois outra.
E mais outra.
O barman estava começando a aparecer em duplicidade, mas eu estava determinado a beber até esquecer que ela existia.
O banco vazio ao meu lado logo foi ocupado por um homem que parecia não estar tendo o melhor dos dias também.
Pelo menos foi isso que meu cérebro encharcado de álcool decidiu.
— Um uísque. Puro — disse ele ao barman.
Eu bufei.
O som fez com que ele me olhasse com óbvia irritação.
— Gente rica — resmunguei.
Então peguei meu copo e me virei para ele.
— Ei!
Inclinei-me em sua direção, mas o movimento me tirou completamente do equilíbrio.
Praticamente caí no colo dele.
Endireitei-me imediatamente e afastei as mãos dele como se ele tivesse me puxado para lá.
Seus olhos se arregalaram.
Ele gentilmente me empurrou de volta para o meu assento.
— Você está cansado de viver? — perguntou ele, irritado.
Ele começou a se levantar, mas eu agarrei o braço dele e o forcei a voltar para o banco.
— Todos vocês, caras ricos, têm duas rolas? — perguntei.
O uísque que ele tinha acabado de tomar um gole espirrou diretamente no meu rosto.
— Que porra é essa?!
Comecei a gritar como um maníaco.
Pulei do banco, esquecendo completamente da altura, e caí estatelado no chão do restaurante.
Dois braços fortes imediatamente me levantaram de volta.
O estranho estava na minha frente, parecendo completamente enojado.
Revirei os olhos quando vi o olhar de superioridade em seu rosto.
— Eu conheço esse olhar.
Apontei para ele.
— Minha ex-namorada olhou para mim exatamente assim há poucos minutos. Ela me deixou por alguém como você.
Algo na expressão dele mudou.
Seus olhos viajaram lentamente da minha cabeça aos meus pés.
— Você consegue ficar de pé?
A voz dele fez meus olhos se arregalarem.
— Uau...
Fiquei encarando-o.
— De onde você veio?
Comecei a rir como um completo idiota ao ver a confusão no rosto dele.
— Você é algum tipo de anjo?
Isso só me fez rir ainda mais.
Talvez eu tivesse finalmente perdido o juízo.
A julgar pelo jeito como ele me olhava, ele também parecia achar o mesmo.
Meu riso morreu no momento em que a náusea bateu.
Abaixei a cabeça.
Tudo ao meu redor ficou embaçado.
Senti-me caindo de novo, mas as mesmas mãos me seguraram.
E, apesar disso...
Perdi a consciência.
***
O som estridente do meu alarme me puxou para fora da inconsciência.
Sentei-me na cama num solavanco, apenas para me arrepender imediatamente quando uma onda de tontura e uma dor de cabeça lancinante me atingiram.
Caí de volta no travesseiro macio e apertei os olhos com força.
Então eu os abri novamente numa velocidade impressionante e encarei o teto.
Aquele não era o meu quarto.
Meu olhar varreu o quarto desconhecido antes de eu me impulsionar lentamente para uma posição sentada.
Olhei para baixo.
E congelei.
Eu estava nu.
Que porra é essa?
Virei-me para o outro lado da cama.
Não havia ninguém lá.
Mas, pelo formato do travesseiro, alguém definitivamente tinha dormido ao meu lado.
Joguei o cobertor para o lado e saltei da cama.
A porta do quarto se abriu.
Uma mulher entrou.
Meus olhos se arregalaram.
Os olhos dela se arregalaram.
Por favor, Deus.
Por favor, não deixe que eu tenha dormido com ela.
Só então percebi que estava parado completamente nu na frente dela.
Peguei o travesseiro mais próximo e o enfiei na frente da minha virilha.
— Bom dia, ela disse suavemente enquanto entrava no quarto.
Eu ainda estava chocado demais para entender o que estava acontecendo.
Tudo estava confuso.
A mulher parecia muito mais relaxada agora.
Ela parecia estar secretamente divertida.
Ela devia ter uns cinquenta anos, talvez até mais.
Então notei o sorriso dela se abrindo mais.
— Trouxe suas roupas. Elas já estão lavadas e secas. Estavam cobertas de vômito.
Ela as colocou cuidadosamente na poltrona ao lado da cama.
— Dormiu bem?
Ela levantou uma sobrancelha.
— Hã?... O quê?... Quer dizer... o quê?
Era oficial.
Eu nunca mais tocaria em álcool na vida.
Eu tinha afogado completamente o meu cérebro na noite passada, e agora eu parecia um idiota.
— Você está bem? Quer que eu te faça um café?
— Eu... eu...
Fechei os olhos e soltei o ar lentamente.
Caminhando até a poltrona, peguei minhas roupas e comecei a olhar em volta.
Eu nem tinha certeza do que estava procurando.
— O banheiro fica ali, ela disse, apontando para uma porta branca.
Dei a ela um sorriso sem jeito e fui arrastando os pés para lá, enquanto segurava o travesseiro com uma mão e as minhas roupas com a outra.
Empurrei a maçaneta com o cotovelo e entrei rapidamente.
— Você foi fenomenal ontem à noite, eu a ouvi dizer.
Tudo escorregou das minhas mãos.
Fiquei parado ali completamente nu, de costas para ela.
A mulher caiu na gargalhada antes de sair do quarto.
Me abaixei para pegar minhas roupas e fechei a porta rapidamente.
Então escorreguei contra ela e me sentei no chão.
— Parabéns, Jack...
Comecei a bater levemente a testa contra a porta.
— Que porra você fez ontem à noite?
Como eu vim parar aqui?
Me levantei, joguei água no rosto e me vesti às pressas.
Poucos minutos depois, saí do banheiro e do quarto.
Droga.
Como eu deveria encará-la agora?
Foi então que percebi o tamanho enorme da casa.
Caminhei em direção à escadaria que levava ao andar de baixo.
Perto de um sofá grande na sala de estar gigantesca, vi meu paletó e meus sapatos.
Rapidamente os peguei.
Então congelei.
Uma figura estava sentada no sofá.
Um homem.
Ele me observava com uma diversão óbvia.
Com uma perna cruzada sobre a outra.
Uma xícara de café repousava em sua mão.
— Fazendo a caminhada da vergonha? ele perguntou.
Algo na voz dele parecia estranhamente familiar.
— Como disse?
A palavra saiu com um tom embaraçosamente agudo.
Limpei a garganta.
— Como disse? repeti, desta vez soando um pouco mais humano.
— Eu gostei de você ontem à noite.
Um sorriso surgiu nos lábios dele.
— Você foi... selvagem.
Meus olhos quase saltaram da cabeça.
Minha mão voou imediatamente para a minha bunda.
Eu o encarei em horror.
O paletó e os sapatos caíram dos meus dedos no chão.
A expressão dele mudou para confusão enquanto observava minha reação.
Então ele se levantou.
— Quem é você?
As palavras saíram entre dentes cerrados.
Eu já podia sentir meu temperamento subir.
— Que porra você fez comigo?
Ele começou a caminhar em minha direção.
Instintivamente, dei um passo para trás.
Nesse exato momento, a mulher mais velha entrou carregando uma bandeja.
Ela colocou outra xícara de café na mesinha.
Depois, ela me olhou por baixo dos cílios e piscou.
Piscou mesmo.
Eu estremeci.
Minhas mãos voaram para o meu peito como se eu estivesse rezando.
Eu estava oficialmente em pânico.
Nada fazia mais sentido.
— Pare! gritei.
Ambos se viraram para mim.
Sorrindo.
— Eu quero que alguém me explique exatamente o que aconteceu comigo. Você... digo... droga...
Passei a mão pelo cabelo.
— Com quem eu dormi?
Abaixei a cabeça.
A veia na minha testa parecia pronta para explodir.
— Helen, se você não quer uma morte na sua consciência, pare de brincar com ele, o homem disse.
— Desculpe, senhor, ela respondeu rapidamente.
Ainda sorrindo.
Então ela saiu da sala.
— Ontem à noite, você desmaiou em meus braços, ele começou.
— E você vomitou no meu carro.
— Por que você me trouxe para cá? interrompi.
— Porque você se recusou a me dizer o seu endereço.
Ele deu um gole no café.
— Você disse que eu parecia um criminoso.
— Ah.
Isso soava exatamente como algo que o "eu" bêbado diria.
— Depois, considerei te deixar na rua, mas você começou a chorar.
Ele deu de ombros.
— E eu sou uma pessoa compassiva. Digo, se eu visse um cachorro daquele jeito...
Lhe lancei um olhar furioso.
Esse cara acabou de me comparar a um cachorro?
— Pule essa parte, eu disse rapidamente.
Ele riu baixinho.
O som, de alguma forma, o tornava ainda mais irritante.
— Por que eu acordei nu?
— Bem, Helen só tirou o seu paletó e sua camisa.
Ele fez uma pausa.
Um sorriso surgiu lentamente no rosto dele.
Um sorriso muito perigoso.
— Então você decidiu dar o show da sua vida.
Eu o encarei.
— O quê?
— Você começou a fazer um strip-tease para mim.
Minha alma saiu do corpo.
— Você estava determinado a comparar o seu equipamento com os meus dois paus.
Meu queixo quase bateu no chão.
Naquele momento, tudo o que eu queria era que a terra se abrisse e me engolisse inteiro.
Ele se aproximou.
Então ele colocou dois dedos sob o meu queixo.
Eu fechei a boca automaticamente.
— Eu... eu...
Eu não conseguia nem olhar para ele.
— Me desculpe.
Minha cabeça caiu em humilhação.
— Eh.
A voz dele carregava um tom de diversão.
— Foi divertido.
E, naquele momento...
Eu genuinamente queria morrer.









Yeah this sounds like it's gonna be a fun read😀😀😀😀😀
Nie wieder Alkohol. Das sagen alle.😂
le commencement déjà est putain de drôle j'ai fait que rigoler du début à la fin 🤣🤣🤣🤣🫳