1 A coroa roubada
O ar no grande salão de reuniões do Morrison Group cheirava a colônia cara, mogno polido e uma ansiedade sufocante. Cinquenta e dois executivos de alto nível estavam sentados na ponta de suas cadeiras de couro, seus murmúrios ecoando nos tetos altos. Era o dia dos anúncios da Redesenvolvimento do Centro da Cidade. O dia em que fortunas eram feitas.
Todos estavam suando de expectativa. Todos, exceto Cassian Morrison.
Cassian mantinha as mãos espalmadas sobre a mesa de conferência, encarando seu reflexo na madeira polida. Ele ajustou os punhos da camisa, sentindo o peito apertar conforme as pesadas portas duplas na frente do salão se abriam.
A sala ficou instantaneamente em silêncio absoluto.
Entrou a santíssima trindade do império Morrison. Patrick Morrison, o presidente, liderava o grupo com o sorriso treinado e benevolente de um homem que a mídia adorava como a um santo. Ao lado dele estava sua esposa, Rebecca — a matriarca coberta de diamantes — e, um passo atrás deles, caminhava Miles. O filho de ouro. O herdeiro legítimo.
"Olhe para eles", sussurrou Maurine, parceira de trabalho de Cassian, ao lado dele, dando-lhe um toque com o cotovelo. "Eles parecem ter acabado de comprar o mundo."
"E compraram", murmurou Cassian, com a voz tensa.
Enquanto Patrick subia ao palco, acenando com entusiasmo para os chefes de subdepartamentos que se curvavam diante dele, Cassian sentiu um amargor familiar subir por sua garganta. Para o público, Patrick era um visionário. Para Cassian, ele era um diabo que forçava os outros a carregarem o peso de seus pecados.
Olhando para o vinco perfeito no terno sob medida de Patrick, a mente de Cassian viajou para sua mãe, Neema. Ele ainda conseguia ouvi-la chorando na cozinha apertada deles quando ele era menino, com as mãos trêmulas enquanto ela alisava seu uniforme escolar barato. "Você tem que fazer com que nos respeitem, Cassy", ela implorava, sua voz sendo uma âncora desesperada que o puxava para baixo. "Vista-se como seu pai gosta. Estude o que ele gosta. Ganhe um lugar naquela empresa, ou sempre seremos o lixo deles."
Um herdeiro homem era tudo para os Morrison. Era uma tradição de merda que tinha deixado as próprias irmãs de Patrick sem um centavo. E quando Rebecca teve dificuldades de fertilidade anos atrás, dando à luz uma filha primeiro, Patrick entrou em pânico. Ele procurou sua assistente da época: Neema.
Mas o universo pregou uma peça cruel. Rebecca engravidou de Miles exatamente ao mesmo tempo em que Neema carregava Cassian. Um filho para o registro; um filho para ser apagado, para que o conselho administrativo não descobrisse um "caso com alguém de classe baixa".
Cassian foi forçado a existir, mas negado um nome.
"Bem-vindos, todos", a voz de Rebecca ressoou de repente pelo microfone, cortante e carregada de um orgulho ensaiado. O retorno do som ecoou pelas paredes, tirando Cassian de seu passado sombrio. "Hoje, celebramos um marco histórico. O projeto de Redesenvolvimento do Centro da Cidade é oficialmente nosso."
Aplausos ensurdecedores sacudiram a sala. Por cinco anos, toda a camada gerencial insistiu que o projeto estava morto antes mesmo de começar. Os moradores da região central se recusavam a sair; suas vidas estavam ligadas ao coração da cidade. Todos tinham desistido.
Mas Cassian tinha vivido naquelas ruas. Ele tinha ido para a lama, batido em portas, ouvido as demandas dos locais e reescrito o plano até que ele realmente os protegesse. Ele sangrou por este contrato.
"Eu me pergunto o que o presidente vai te dar", Maurine sussurrou, com os olhos brilhando. "Uma vice-presidência? Uma cobertura de luxo? Você praticamente construiu essa vitória com suas próprias mãos. Se você ganhar uma viagem para o Havaí, vai me levar."
Cassian forçou um sorriso juvenil, tentando acalmar a aceleração repentina de seu pulso. "Se eu ganhar, querida, você será a primeira a entrar no voo."
"Como se o Matt permitisse isso", ela bufou, rindo.
"Para honrar as mentes brilhantes que garantiram este futuro multimilionário", continuou Rebecca, seu sorriso deslumbrante cortando a sala como uma lâmina, "a empresa está concedendo apartamentos de luxo como cortesia no novo local para os três principais responsáveis por este projeto."
Cassian prendeu a respiração. Ele se sentou um pouco mais ereto. Era isso. O momento em que seu pai finalmente teria que dizer seu nome.
"Nosso Chefe de Projeto, nosso Líder de Equipe..." Rebecca pausou, seus olhos varrendo a multidão, pulando intencionalmente o rosto de Cassian. "...e, finalmente, o homem que comandou perfeitamente todo o processo de proposta e negociação — Miles Morrison!"
A sala entrou em erupção. As pessoas batiam as mãos nas mesas, aplaudindo.
O mundo de Cassian ficou completamente silencioso. O som das palmas tornou-se um estático abafado e rugiente em seus ouvidos.
"Além disso", Rebecca trovejou acima do barulho, "estamos entusiasmados em anunciar que Miles subirá de Diretor para o cargo de novo Diretor Executivo do Morrison Group!"
A multidão levantou-se em uma ovação de pé. Cadeiras arrastaram-se pelo chão. Executivo após executivo se inclinava para capturar o olhar de Miles, desesperados para bajular o novo rei.
Apenas Maurine e Cassian permaneceram sentados.
A boca de Maurine estava aberta, seu rosto ficando de um vermelho perigoso e irritado. "Que porra é essa?", ela sibilou, jogando sua caneta na mesa. "O que é isso? Por que seu nome não foi lido? Este projeto é seu, Cassian. Seu!"
Cassian não conseguia formar palavras. O ar saiu de seus pulmões, deixando um vazio doloroso em seu peito. Cinco anos de noites sem dormir. Cinco anos implorando aos moradores locais. Tudo apagado com uma única frase para que o filho de ouro pudesse usar uma coroa roubada.
Como se sentisse a intensidade do silêncio dele, Patrick Morrison mudou de posição no palco. Seus olhos frios e escuros percorreram a multidão em pé até travarem diretamente em Cassian.
Cassian não desviou o olhar. Ele deixou toda a sua dor devastadora, todos os seus anos de agonia contida, transparecer em seu olhar.
Patrick respondeu com total e brutal indiferença. Ele se aproximou do microfone, seus olhos nunca deixando o rosto de Cassian.
"Enquanto alguns trazem glória a este império", a voz gelada de Patrick cortou os aplausos que diminuíam, "outros meramente exploram nossos recursos. Ir a campo dia após dia com zero resultados tangíveis é uma falha que não toleraremos. O salário de Cassian Morrison será severamente descontado este mês para compensar os fundos da empresa desperdiçados em suas viagens inúteis."
Maurine arfou, sua voz engasgando em pura descrença. "Que porra..."
Alguns executivos olharam para Cassian, alguns com pena, a maioria com uma satisfação presunçosa.
Cassian não quebrou o contato visual com seu pai. Ele não discutiu. Ele apenas soltou um suspiro lento e irregular enquanto o último fio que o prendia ao nome Morrison se rompia completamente.
A porta de mogno do escritório particular do Presidente bateu, silenciando a conversa distante e festiva da sala de reuniões.
Cassian estava perto das poltronas de couro, seu coração martelando contra as costelas. Uma parcela patética e desesperada de esperança brilhou em seu peito. Talvez, apenas talvez, Patrick o tivesse chamado ali para se explicar. Talvez a portas fechadas, longe de Rebecca e do conselho, seu pai olhasse para ele com um pingo de arrependimento e se desculpasse por entregar seu suor e sangue para Miles — o príncipe que já tinha tudo.
Em vez disso, Cassian caminhou direto para uma emboscada.
Ao redor da enorme mesa de vidro de Patrick estavam o Chefe de Projeto e o Líder de Equipe. O ar estava pesado com uma intimidação silenciosa. Antes que Cassian pudesse sequer falar, os dois executivos deixaram os termos da administração brutalmente claros: Cassian deveria manter sua boca fechada. A Redesenvolvimento do Centro da Cidade pertencia a Miles agora, e ambos os executivos já tinham assinado a mentira.
"Estamos entendidos, Cassian?", perguntou Patrick, com sua voz plana e transacional.
Cassian engoliu o nó seco em sua garganta. "Sim", ele sussurrou.
Ele não concordou porque queria. Ele concordou porque ainda estava preso na ilusão tóxica de que, se cedesse só um pouco mais, se provasse que era obediente, seu pai poderia finalmente lhe dar um pingo de reconhecimento.
Satisfeitos, os dois executivos ofereceram acenos rígidos e deixaram o escritório, a porta batendo pesadamente atrás deles.
Patrick não perdeu um segundo. Ele puxou uma pasta grossa de sua mesa e a empurrou para frente. "Preciso que você prepare o plano de execução para a próxima reunião de lançamento do governo. Certifique-se de que o cronograma de início do projeto seja impecável."
Cassian encarou a pasta. Ele hesitou, seus dedos contraindo-se contra suas calças sociais. Ele sabia que deveria apenas pegar aquilo e sair, mas a imagem do rosto cansado e esperançoso de sua mãe brilhou em sua mente.
"Presidente...", começou Cassian, sua voz falhando levemente antes de se corrigir. "Pai... quero dizer, Presidente. Você... você virá à festa de aniversário de sessenta anos da minha mãe na próxima semana? É a única coisa que ela deseja. Apenas uma hora."
Patrick parou de escrever. Ele levantou a cabeça lentamente, sua expressão tornando-se de puro nojo. "Você está louco? Quer que as pessoas fofoquem? Como devo explicar minha presença na casa de uma funcionária de baixo nível?"
Cassian sentiu uma dormência fria se espalhando por seus membros. "Ela não é apenas uma funcionária—"
"Não abuse da sua sorte, rapaz", Patrick rebateu, reclinando-se em sua cadeira de couro. "Permitir que você trabalhe aqui ao meu lado já é reconhecimento suficiente. Estou te tratando da melhor forma. Então pare de—"
"Fazendo o quê?!", as palavras explodiram de Cassian antes que ele pudesse impedi-las, anos de agonia reprimida fraturando sua compostura. "Tratando-me da melhor forma?! Você pega o crédito por tudo que eu faço e usa para coroar Miles! Tudo o que ele tem é uma coroa roubada, construída sobre o meu trabalho duro! Por que você não simplesmente—"
CRACK.
O tapa foi tão forte, tão repentino, que a força dele girou o rosto de Cassian para o lado. O ardor agudo e quente explodiu em sua bochecha, o som ecoando violentamente contra as paredes à prova de som do escritório.
"Seu bastardo estúpido", sibilou Patrick, parando sobre ele, seu rosto contorcido em um rosnado. "Um filho da puta de classe baixa, como você ousa desejar a coroa do meu filho? Como ousa chamá-la de roubada? Miles é meu filho. O único herdeiro legítimo do Morrison Group."
Cassian tropeçou um passo para trás, sua mão subindo lentamente para pairar sobre sua bochecha vermelha e ardente. Sua visão ficou turva com lágrimas quentes e pesadas, mas ele se forçou a não deixá-las cair. Ele se recusava a chorar na frente daquele monstro.
"Pessoas com o seu cérebro existem aos montes", Patrick zombou, ajustando seus punhos com uma calma doentia. "Se eu quiser, posso comprar dez... porra, um milhão de cérebros como o seu. Mas apenas meu filho Miles é o verdadeiro herdeiro. Você não compete onde não se compara. Você me entendeu?"
Cassian apertou as mãos em punhos com tanta força que suas unhas cravaram nas palmas, tirando sangue. Todo instinto em seu corpo gritava para que ele dissesse que se foda, para que girasse nos calcanhares e dissesse ao homem para enfiar seu legado no cu. Mas o eco da voz de sua mãe — seus apelos patéticos e chorosos para que ele conseguisse uma posição, para salvá-los do lixo — enrolou-se em sua garganta como uma corda. Ele se calou.
Com o peito arquejando violentamente devido à agonia sufocante, Cassian forçou a cabeça para baixo. Ele se curvou, sua voz não passando de um sussurro vazio e sangrento.
"Eu entendo."
Ele se virou e saiu do escritório frio e sem vida, deixando para trás o homem que deveria ser seu pai — e deixando para trás o último pingo de lealdade que ele um dia daria ao nome Morrison.
Nota da autora:
Bem-vindos! Muito obrigada por dar uma chance a Rage with Benefits. Estou muito animada para compartilhar a história de Oliver e Cassian com vocês!
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Boa leitura!
- nanzia15









Alguien que le parta su madr3 al Viejo ese😡descarado bueno para nada
😂😂😂
Petty estoy emocionada me parece que sera otra historia increíble