Prólogo
Dizem que o destino escreve nossas vidas antes mesmo de nascermos. Que cada passo, cada encontro, cada ferida já está riscado em algum lugar, em tinta que não sai mais.
Eu nunca acreditei nisso. Até ele.
O mundo ao meu redor já tinha desabado faz tempo. O que restou foi só poeira, medo e a certeza de que eu passaria o resto dos meus dias apenas tentando não morrer. Até que o fogo o trouxe até mim.
Ele não veio com paz. Não veio com promessas doces. Chegou com sangue nas mãos e olhos que pareciam ver tudo o que eu tentava esconder. E naquele instante, eu soube: o caminho que a vida traçou para mim não era mais meu.
Agora pertencemos um ao outro. Selados em sangue. Queimando em fogo. Unidos por um laço que nem a morte tem coragem de cortar.
E que comece o nosso inferno. Porque ao lado dele, até o fogo parece abrigo.








