Chapter One
CAPÍTULO UM
O bolo de casamento ainda estava na geladeira.
Brynn tinha pensado nisso às três da manhã, sentada na beira da banheira com as roupas de ontem, ouvindo o celular vibrar com mensagens que ela não ia responder. O bolo. Três andares, rosas de creme de manteiga, as iniciais deles em folha de ouro porque ele queria aquilo e ela tinha pensado: claro, por que não? É só cobertura.
Era só cobertura.
Ela tinha pensado que muitas coisas eram só alguma coisa.
O vestido estava na parte de trás da porta do banheiro porque ela não conseguiu pensar em outro lugar para colocá-lo. Não era uma decisão que ela estava pronta para tomar às três da manhã. Então ele ficou lá pendurado, aquele enorme fato branco, enquanto Morris serpenteava entre seus tornozelos com a urgência focada de alguém que entendia que o café da manhã estava atrasado e nada mais importava.
Ela o alimentou. Fez um café que não bebeu. Ligou para a clínica e falou com o Dr. Okafor, que ouviu sua voz e disse não se preocupe com isso, tire a semana de folga antes mesmo de ela terminar de explicar. Doze anos trabalhando com animais tinham ensinado a Brynn que a maioria das criaturas percebia quando algo estava errado antes mesmo de você dizer uma palavra. Aparentemente, isso funcionava com veterinários também.
Ela ficou na janela da cozinha e observou a luz da manhã se mover pelo quintal. A cerca com a tábua quebrada. A grama que ela planejava arrumar há três anos.
A manutenção comum de uma vida que ela aparentemente vinha construindo sozinha.
Ela ainda não estava com raiva. Achou que provavelmente ficaria, mais tarde. Agora, havia apenas esse estranho silêncio vazio, como o momento depois de um som alto demais para processar. Antes que o zumbido comece.
A mensagem de voz tinha quarenta e sete segundos. Ela não precisava ouvir de novo.
A batida na porta veio às sete e quarenta e três.
Quatro homens estavam na sua varanda.
Seu primeiro pensamento foi grandes — não apenas altos, mas o tipo de presença que se nota antes mesmo dos detalhes físicos. O tipo que ela associava a certos animais. Aqueles que não precisavam se mover para ocupar o ambiente.
O que estava na frente falou primeiro.
“Brynn Carter.” Não foi uma pergunta. Cabelo escuro, maxilar firme como uma decisão, olhos que varreram seu rosto com a eficiência de quem está acostumado a avaliar situações rapidamente e agir de acordo com o que encontra. “Meu nome é Cassian Veyran. Precisamos conversar.”
“São sete e quarenta e três da manhã.”
“Estou ciente.”
“Eu não conheço vocês.”
“Ainda não.” Algo mudou em sua expressão — nem bem um pedido de desculpas, nem bem impaciência. O peso de uma longa espera finalmente chegando ao fim. “Esperamos três anos por isso. Teríamos vindo antes, mas havia regras. Essas regras não se aplicam mais.”
Brynn olhou para os quatro.
O que estava atrás do ombro esquerdo de Cassian observava a rua, não ela — examinando metodicamente, do jeito que se verifica um perímetro antes de se decidir por uma posição. Uma cicatriz curvava-se do maxilar até a orelha. Ele não tinha olhado para ela nenhuma vez e ela já confiava mais na avaliação dele sobre o quintal do que na sua própria.
O que estava à direita cruzou o olhar com ela e quase sorriu. Quase — como se tivesse desistido no último segundo, como se a situação tecnicamente não permitisse, mas ele pessoalmente achasse aquilo um pouco notável. Quando Morris apareceu em seus tornozelos e encarou os quatro estranhos com uma atenção redonda e sem piscar, aquele olhou para o gato e seu quase-sorriso ficou um pouco mais evidente.
O quarto não estava sorrindo.
Ele estava um pouco afastado dos outros, com as mãos nos bolsos, a jaqueta gasta de quem passava muito tempo ao ar livre. Ele não estava observando a rua nem o gato. Estava observando ela. Diretamente. Firme. Com uma expressão que ela não sabia definir — como um reconhecimento sem contexto, como saber uma palavra em uma língua que você nunca estudou.
Ela desviou o olhar primeiro.
“Você disse que as regras não se aplicam mais”, ela disse. Para Cassian, porque Cassian tinha falado e aquilo parecia mais seguro. “Que regras?”
“Algo encontrou você ontem à noite.” A voz dele era cuidadosa, do jeito que se fala com alguém em terreno instável. “Algo que está procurando por você há muito tempo. Não sabemos exatamente como te rastreou, mas sabemos que está perto.” Ele sustentou o olhar dela. “Podemos explicar tudo. Mas não aqui fora.”
Brynn olhou para os quatro estranhos em sua varanda às sete e quarenta e três da manhã, no dia em que deveria se casar. Ela pensou na mensagem de quarenta e sete segundos. Pensou no bolo na geladeira e no vestido na porta.
Morris ainda estava encarando-os. Ele não tinha se movido, não tinha se assustado, não tinha feito o que costumava fazer quando o cachorro do vizinho chegava perto demais da cerca. Apenas observava. Calmo e certo, do jeito que ficava às vezes com os pacientes — aqueles que estavam realmente doentes, aqueles que precisavam de algo real.
“Me dê um motivo para confiar em vocês”, ela disse.
Cassian olhou rapidamente para o que tinha a cicatriz. Algo passou entre eles, sem palavras e rápido. Então ele olhou de volta para ela.
“Porque o que quer que esteja vindo”, ele disse calmamente, “você não deveria estar sozinha quando chegar.”
Ela começou a responder.
De algum lugar depois da cerca quebrada, depois da grama que ela vinha querendo consertar, algo na borda da linha das árvores fez um som. Não foi alto. Uma única nota grave, quase abaixo da audição, que se moveu pelo seu peito como uma mão fechando em volta de algo que estava procurando.
Morris disparou.
Brynn abriu mais a porta.




this is probably not for me bc I actually love the idea of the bond it's the whole reason I read warewolf romances in the first place the idea of having one person who only sees and wants you and you alone is very desirable
sorry js
Suspenseful!