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O Plantão da Meia-Noite

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Resumo

Após um acidente de carro devastador que deixa seu namorado alegre, dono de uma floricultura, Von Parker, em coma crítico, o ex-enfermeiro de 25 anos Ryan Walker se vê preso em um pesadelo real. Forçado a percorrer os corredores do mesmo hospital de onde fugiu há dois anos para escapar de assédio sexual, Ryan fica horrorizado ao descobrir que o médico responsável por Von não é outro senão o Dr. Ellis Pittman — seu antigo algoz. Aproveitando-se de uma oportunidade distorcida para exercer controle, o influente e predatório médico de 39 anos usa os cuidados médicos de Von e um acervo de fotos explícitas roubadas para chantagear o jovem de coração partido. Para garantir a sobrevivência do homem que ama, um devastado Ryan é forçado a uma submissão sombria e transacional, rendendo-se relutantemente aos caprichos dominantes de Ellis enquanto busca desesperadamente uma forma de salvar Von e se libertar do controle sufocante do médico.

Gênero
Lgbtq/Erotica
Autor
미소
Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
4.0 4 avaliações
Classificação Etária
18+

The Pilot

As luzes fluorescentes do Hospital St. Jude zumbiam com um ruído estéril e incessante que sempre fazia Ryan Walker se sentir preso sob um microscópio. Aos vinte e três anos, ele se orgulhava de seu uniforme, de sua dedicação e amava de verdade ser enfermeiro. Ele tinha um coração bondoso, um corpo esguio e atlético que se movia com graça pelos corredores e olhos azuis marcantes que geralmente traziam conforto aos seus pacientes.

Mas, ultimamente, aqueles olhos azuis não carregavam nada além de um medo angustiante.

A fonte de seu terror estava parada no posto de enfermagem central, com um prontuário na mão. Dr. Ellis Pittman. Aos trinta e sete anos, Ellis era um homem musculoso, com olhos verdes penetrantes, cabelos grisalhos e uma presença autoritária que fazia a administração curvar-se a cada capricho seu. Ele também era um homem recém-divorciado, amargo e predatório. E, nos últimos seis meses, ele tinha voltado toda a sua atenção para Ryan.

"Ryan", uma voz profunda e suave ronronou atrás dele.

Ryan ficou tenso, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar o carrinho de medicamentos. Ele forçou um sorriso educado e se virou. "Sim, Dr. Pittman? Há algum problema com os dados do leito quatro?"

Ellis deu um passo à frente, invadindo completamente o espaço pessoal de Ryan. O perfume caro misturado ao cheiro forte de antisséptico envolveu Ryan. Ellis se inclinou, com seus olhos verdes fixos nos lábios de Ryan. "Os dados estão ótimos. É com a sua escala que estou preocupado. Você está no plantão noturno hoje, não está?"

"Sim, senhor. Farei um plantão duplo", disse Ryan, dando um passo sutil para trás enquanto seu coração martelava contra as costelas.

"Bom." O olhar de Ellis percorreu o corpo esguio de Ryan, demorando-se em sua cintura. "Você parece excepcionalmente em forma nesse uniforme azul, Ryan. Embora eu sempre me pegue imaginando o quanto melhor você ficaria sem ele."

O estômago de Ryan embrulhou. "Dr. Pittman, por favor, não fale assim comigo. É inapropriado."

Ellis soltou uma risada baixa e sarcástica, aproximando-se ainda mais até que as costas de Ryan batessem na máquina de venda automática. "Inapropriado? Ora, Ryan. Somos todos adultos aqui. Minha ex-mulher nunca deu valor ao que tinha, mas eu sei apreciar a beleza quando a vejo. E você é um jovem muito bonito."

"Preciso voltar para as minhas rondas, Doutor", sussurrou Ryan, com a voz trêmula, enquanto passava por baixo do braço de Ellis e se apressava pelo corredor, com o som da risada baixa do médico ecoando dolorosamente em seus ouvidos.

Não parou por aí. Nunca parava. Intensificou-se, passando de comentários sugestivos para perseguição direta.

Uma semana depois, Ryan estava no vestiário dos funcionários, trocando seu uniforme suado após um exaustivo turno de doze horas. Ele estava apenas de cueca quando sentiu a clara sensação de estar sendo observado. Virando-se rapidamente para a porta, ele viu o reflexo no espelho. A porta do vestiário estava entreaberta e, pela fresta, os olhos verdes de Ellis Pittman estavam fixos nele, escuros com luxúria pura.

Ryan pegou sua calça jeans e a vestiu depressa. "Quem está aí?", ele perguntou, embora já soubesse a resposta.

A porta se abriu completamente e Ellis entrou, trancando-a atrás de si. O clique da fechadura soou como um tiro para os nervos desgastados de Ryan.

"Dr. Pittman, este é o vestiário da enfermagem. O senhor não deveria estar aqui", disse Ryan, tentando manter a voz firme enquanto pegava sua camisa.

Antes que ele pudesse vesti-la, uma mão pesada e musculosa agarrou seu ombro nu. O aperto era firme e causava hematomas. Ellis pressionou seu corpo grande contra as costas de Ryan, com o peito sólido encostado nas omoplatas do enfermeiro.

"Você tem uma pele tão macia, Ryan", sussurrou Ellis contra seu ouvido, com a respiração quente e sufocante. "Tão suave. Um corpo esguio e em forma como o seu não deveria ser desperdiçado em turnos exaustivos. Deixe-me cuidar de você."

"Me solta!", arfou Ryan, livrando-se violentamente do aperto do homem mais velho. Ele vestiu a camisa, com as mãos tremendo tanto que mal conseguia acertar os botões. "Isso é assédio! Eu vou te denunciar!"

Ellis não parecia nem um pouco intimidado. Ele apenas deu um sorriso presunçoso, cruzando os braços musculosos sobre o peito, com os vincos perto dos olhos franzindo em um divertimento sombrio. "Me denunciar? Para quem, Ryan? Para a diretoria? Vá em frente. Veja em quem eles acreditam: um enfermeiro novato ou o neurocirurgião-chefe cuja família financia metade da ala de oncologia." Ele deu um passo à frente, levando a mão grande para segurar o queixo de Ryan com audácia, forçando-o a olhar para cima. "Você é um bottom, Ryan. Posso ver isso nesses seus lindos olhos azuis. Você quer ser dominado. Você quer ser tomado. Pare de lutar contra isso."

Ryan afastou a mão dele com um tapa, com lágrimas de raiva e humilhação ardendo nos olhos. Ele pegou sua bolsa e disparou para fora da sala, correndo até chegar ao seu carro e soluçando sobre o volante.

O pesadelo atingiu seu clímax aterrorizante três semanas depois. Já passavam das duas da manhã e o andar estava silencioso. Ryan estava na sala de suprimentos, escura e isolada, repondo fluidos intravenosos. A porta pesada se fechou atrás dele.

Ele se virou, esperando ver um colega. Em vez disso, deu de cara com Ellis. O médico parecia desgrenhado, com os botões superiores da camisa desabotoados, seus olhos verdes injetados e predatórios. Ele parecia um homem que não queria mais esperar.

"Dr. Pittman, estou ocupado", disse Ryan, com o pânico subindo instantaneamente pela garganta. Ele tentou passar, mas Ellis bloqueou a saída com seu corpo musculoso e pesado.

"Fui paciente o suficiente com você, Ryan", rosnou Ellis, com a voz carregada e perigosa. "Toda vez que te toco, você corre. Toda vez que comento sobre como você é lindo, você me afasta. Estou cansado desses joguinhos."

"Saia da minha frente, Ellis!", gritou Ryan, deixando cair as bolsas de soro. Elas atingiram o chão com um som metálico e seco.

Ellis não discutiu. Ele avançou.

Seus braços enormes envolveram a cintura esguia de Ryan, levantando-o do chão e jogando-o com força contra as prateleiras de metal. Caixas de suprimentos médicos caíram ao redor deles. Ryan ofegou quando o impacto tirou o ar de seus pulmões. Antes que pudesse respirar, a boca de Ellis se chocou contra a dele.

Não foi um beijo; foi uma agressão. Ellis tinha gosto de uísque e malícia. Ele usou seu corpo pesado para imobilizar Ryan completamente, enquanto suas mãos grandes rasgavam o tecido do uniforme de Ryan.

"Mmph! Não! Para!", murmurou Ryan, girando a cabeça violentamente para o lado. "Socorro! Alguém me ajude!"

"Ninguém pode te ouvir", sibilou Ellis, pressionando o joelho entre as coxas de Ryan e forçando-as a se separar. Com uma mão, ele imobilizou os pulsos de Ryan acima da cabeça e usou a outra para rasgar a parte superior do uniforme dele, com as palmas ásperas arranhando o peito de Ryan. "Você é meu hoje, seu bastardo lindo. Você estava pedindo por isso."

"Por favor! Não! Me solta!", gritou Ryan, com lágrimas escorrendo pelo rosto. O puro terror de ser dominado, de estar completamente indefeso contra um homem tão maior e mais forte, paralisou-o por um segundo. Ellis mudou o peso do corpo para desabotoar as calças, com sua respiração quente ofegante contra o pescoço de Ryan, enquanto seus dentes mordiam a pele sensível.

Não. Eu não vou deixar ele fazer isso comigo.

Reunindo cada grama de força em seu corpo atlético, Ryan subiu o joelho com força explosiva, atingindo Ellis bem no meio das pernas.

Ellis soltou um suspiro estrangulado, e seu aperto se soltou instantaneamente enquanto ele se dobrava de agonia. Ryan não perdeu um segundo. Ele empurrou o médico pesado para o chão, correu até a porta, abriu-a e disparou pelo corredor, gritando e segurando o uniforme rasgado contra o peito.

O resultado foi uma lição sobre corrupção.

Na manhã seguinte, Ryan sentou-se no escritório do Chefe de Administração, machucado, traumatizado e trêmulo. Ele contou cada detalhe: as espiadas, os toques, os comentários e, finalmente, a tentativa de estupro na sala de suprimentos.

O administrador, um homem de semblante severo, suspirou pesadamente, esfregando as têmporas. "Sr. Walker, essas são acusações extremamente graves contra o Dr. Pittman. Ele é um dos nossos cirurgiões mais valorizados. A família dele é... altamente influente nesta cidade."

"Olhe para o meu peito! Olhe para os hematomas nos meus pulsos!", gritou Ryan, com a voz embargada pela emoção. "Ele tentou me forçar! Tem câmeras no corredor, você pode vê-lo entrando na sala de suprimentos atrás de mim!"

"Conduziremos uma investigação interna", disse o administrador suavemente, embora seus olhos carecessem de qualquer empatia real. "Enquanto isso, sugerimos que tire uma licença remunerada."

Duas semanas depois, Ryan recebeu o veredito oficial. A gerência o chamou.

"O Dr. Pittman foi transferido discretamente para outra instituição de prestígio fora do estado", informou o administrador, oferecendo um sorriso falso e condescendente. "Sentimos que uma mudança de ares seria melhor para todas as partes. Nenhuma queixa será registrada e o hospital considera este assunto encerrado. Você pode retornar às suas funções na próxima semana."

Ryan sentou-se na cadeira, com um sentimento frio e vazio instalando-se em seu peito. Transferido discretamente. Sem marcas em seu histórico. Sem envolvimento policial. O monstro influente recebeu apenas um tapinha nas costas, enquanto esperavam que Ryan voltasse aos mesmos corredores onde havia sido caçado.

"Já tive o suficiente", disse Ryan baixinho, levantando-se. "Eu me demito."

"Sr. Walker, não vamos ser precipitados—"

"Eu disse que me demito!", gritou Ryan, jogando seu crachá sobre a mesa. Ele saiu do hospital, jurando nunca mais vestir um uniforme de enfermeiro novamente. Ele estava farto da corrupção, farto do medo e completamente destruído.

Durante seis meses, Ryan viveu como um fantasma. Ele mal saía de seu apartamento, sobrevivendo de suas economias, aterrorizado por cada sombra, por cada passo pesado. Seu mundo era sombrio, definido inteiramente pelo trauma que Ellis Pittman havia infligido a ele.

Até ele conhecer Von Parker.

Aconteceu em uma tarde ensolarada quando Ryan finalmente se forçou a sair para caminhar. Uma chuva repentina o pegou de surpresa, e ele se escondeu sob o toldo de uma loja vibrante e colorida chamada The Blooming Corner.

"Ah, veja só você! Você está completamente encharcado!"

Ryan se virou e viu um jovem correndo para fora da loja segurando uma toalha macia e seca. O homem era lindo — tinha mais ou menos a sua idade, vinte e três anos na época, cabelos loiros brilhantes e beijados pelo sol, e olhos negros, únicos e profundos, que brilhavam com calor. Ele tinha uma aura alegre e despreocupada que praticamente irradiava uma energia contagiante.

"Aqui, use isto", disse o loiro, oferecendo um sorriso largo e cheio de covinhas. "Eu sou o Von, a propósito. Von Parker. Eu sou o dono desta pequena selva."

"Ryan", ele respondeu suavemente, pegando a toalha com hesitação. "Obrigado."

Aquele encontro casual mudou tudo. Von não se importava com a natureza reservada de Ryan ou com a tristeza que ainda habitava seus olhos azuis. Com uma persistência alegre e incessante, Von tirou Ryan de sua concha. Ele o convidou para tomar café, contou piadas ridículas e o ensinou a plantar orquídeas.

Seis meses depois de deixar o hospital, Ryan se viu sorrindo novamente. Ele começou a ajudar Von na floricultura. Ele encontrou uma paz estranha e profunda ao trabalhar com terra e pétalas em vez de sangue e remédios.

Eventualmente, seu vínculo profundo floresceu em amor. Em seu relacionamento, Ryan recuperou sua confiança. Apesar de seu corpo esguio, Ryan assumiu o papel de protetor. Ele era o top — feroz, amoroso e profundamente atento a Von, que era um bottom gentil, submisso e totalmente devotado. Eles eram perfeitos um para o outro. Por dois anos maravilhosos, Von foi a âncora de Ryan, curando sua alma quebrada com cada sorriso e cada beijo terno.

Sentado na floricultura iluminada pelo sol, cercado pelo perfume de jasmim e rosas, Ryan finalmente se sentiu seguro. O pesadelo de Ellis Pittman estava finalmente atrás dele.

Ou era o que ele pensava.

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