Capítulo 1
CAPÍTULO 1 - Simon
Quando estou a centenas de metros abaixo da terra, não gosto de ouvir barulhos estranhos. Eles costumam significar problemas — desabamentos de túneis, abismos se abrindo ou a pior coisa possível: pessoas.
Conheço o som de Wes atrás de mim. Sua presença é uma constante — sua respiração firme, o arrastar de suas palmas das mãos na rocha bruta, o grunhido baixo de esforço, a forma como seu corpo se move pelo túnel estreito.
Depois de três anos tendo ele na minha cama, conheço seu corpo — sua respiração — tão bem quanto conheço o meu.
O som à frente, no entanto, não é dele. É mais suave — soa como música, baixo, ecoando na escuridão. Humano. Feminino.
Sigo em frente pela fenda estreita, o calcário raspando contra minhas mangas, o cascalho caindo das paredes em pequenos cliques. O ar é frio, metálico — carrega o cheiro úmido de minerais e decomposição lenta. Quando a passagem se alarga, coloco-me de pé, as botas triturando o cascalho solto, e paro.
Do outro lado da caverna, uma luz solitária se move. Não é branca. É verde.
Meu pulso acelera um pouco.
Feixes brancos são para amadores — brilhantes, arruínam a visão noturna. Verde significa alguém que sabe o que está fazendo. Alguém treinado. Alguém intencional.
"Wes", murmuro.
Ele desliza para fora atrás de mim, limpando a poeira da mão, movendo-se ao ver a luz também. Sua mão vai inconscientemente para a arma em seu quadril.
"Quem porra é aquela?" Sua voz é baixa, mas a acústica a leva longe.
O canto para. A luz verde se imobiliza — e então se vira.
Um brilho pontual irrompe pela caverna, pousando sobre nós.
"Quem porra são vocês?"
A voz ecoa pela caverna — feminina, doce e claramente irritada.
"Vocês primeiro", Wes responde, dando um passo à frente, posicionando-se levemente entre mim e a luz que se aproxima.
Não que eu precise de proteção. Fisicamente, estamos equilibrados — talvez eu seja mais forte —, embora seus anos no exército lhe tenham dado um tipo de vigilância reflexiva que não possuo.
Ele fica entre nós porque, historicamente falando, não lido bem com as pessoas.
Especialmente com pessoas não autorizadas dentro de sistemas de cavernas marcados como acesso restrito.
E estas cavernas são minhas — pelo menos academicamente falando. Levei nove meses de papelada, avaliações de risco e muita insistência junto ao Serviço de Parques para garantir os direitos de pesquisa aqui. Formações cársticas intocadas, ecossistemas preservados, camadas de sedimentos inalteradas — raras e insubstituíveis.
Quem quer que seja essa invasora, ela não deveria estar aqui.
A luz verde se aproxima, seu brilho ondulando através de poças de água cristalina que refletem o teto abobadado de pedra. Passos respingam suavemente, ecoando pela câmara em um ritmo sincopado que me deixa os dentes cerrados.
Então ela aparece.
Fêmea, confirmado. Cadeirinha de escalada, capacete, lanterna de cabeça. A luz refrata através das gotas em seu rosto e faz seus olhos capturarem o verde — brilhantes como estrelas na penumbra.
Objetivamente, ela é atraente — traços simétricos, esguia, mas com uma estrutura atlética, postura forte. Um tipo de beleza prática, aquela que nasce da função e não do artifício.
Ela caminha para a frente com uma autoridade que não condiz com sua intrusão, as botas batendo forte contra a pedra, até parar na nossa frente e colocar as mãos nos quadris.
"Vocês não deveriam estar aqui embaixo", ela dispara. "É restrito."
A boca de Wes se contorce. "Nem me fale. Nós temos permissão."
Uma de suas sobrancelhas se arqueia. "Ah!" Ela inclina a cabeça, como se tentasse se lembrar de algo. "Espere, vocês são aquele professor de geologia e... o outro cara? O cara do escritório do Serviço de Parques me disse seus nomes, mas eu esqueci."
Wes solta uma risada baixa. "O cara do Serviço de Parques?"
"É. Fala muito devagar. Parece que o nariz dele está sempre entupido?"
Wes ri abertamente. "Elton Myers?"
Elton Myers. Nosso contato no Serviço de Parques. Responsável pelas licenças de acesso, instruções de segurança e um fluxo interminável de e-mails sobre protocolos federais. E sim — ele sempre soa como se estivesse a uma sinusite de distância de um colapso. Uma vez perguntei ao Wes se deveríamos recomendar um médico que pudesse ajudá-lo com isso, mas Wes disse que seria rude. Não vejo por que; estaríamos apenas oferecendo ajuda. Ainda assim, confio no julgamento do Wes nessas questões.
A mulher estala os dedos. "É ele mesmo! De qualquer forma, ele disse que eu poderia encontrar um professor e seu parceiro aqui embaixo. São vocês?"
"Devo entender que você também recebeu acesso?", pergunto, tentando tirar a aspereza da minha voz. Eu falho.
"É." Ela concena, indiferente. "Mas Myers me disse para não contar a vocês o que estou fazendo aqui embaixo. Disse que vocês ficariam putos."
Meu pulso aperta. "Por quê?"
Ela dá de ombros, o movimento solto e fluido. "Não faço ideia." Com um rápido movimento da mão, ela arrasta umidade e poeira pelo nariz, deixando um rastro de lama na bochecha. "Não dou a mínima se vocês ficarem putos porque estou aqui", ela acrescenta, de forma pragmática. "Mas ele pareceu achar que importava."
"Por que você está aqui?", insisto, com as palavras curtas.
Isso me rende um sorriso — largo, desafiador, um clarão de dentes na semiescuridão. Há travessura nele, sim, mas também algo desprotegido. Uma faísca.
Ela aterrissa no meu peito como um sinalizador. Indesejada. Desconhecida.
"Boa tentativa, Doutor." Ela ri, o som baixo e divertido.
"Doutor?"
"Professor, certo? PhD ou algo chique assim?", ela diz, já se virando, sua voz ecoando preguiçosamente pela câmara. "Então, Doutor."
O feixe de sua lanterna varre a pedra, pintando as paredes em arcos de luz verde enquanto ela se afasta.
Wes olha para mim, sorrindo levemente. Percebo que ele está se divertindo.
Eu, no entanto, não estou.
Caminho atrás dela. "Essa é uma resposta insatisfatória."
"Ah, não!", ela grita por cima do ombro, a voz carregada de um falso desespero.
Sarcasmo.
Levei anos para identificar o sarcasmo como um padrão linguístico de forma confiável e, mesmo agora, não gosto dele. O tom transmite ridicularização enquanto permite que o falante negue — ineficiente e desonesto por design.
"Wes", digo, baixo, quase um rosnado. Essa é a especialidade dele — fazer as pessoas falarem.
"Deixa comigo", ele murmura, alto o suficiente apenas para eu ouvir. Sua mão toca meu braço — um toque leve, tranquilizador. Ele é a única pessoa cujo toque não me faz recuar.
A mulher para à nossa frente. Suas botas respingam suavemente enquanto ela se posiciona diante da parede distante da caverna, com a cabeça inclinada para trás para estudar a elevação da pedra. A parede é íngreme, escorregadia com a condensação, as estrias brilhando como costelas sob o feixe de sua lanterna.
Então ela se move — cuidadosa, precisa — arrastando as pontas dos dedos pela rocha. Um roçar suave de pele sobre pedra. É quase reverente.
Wes dá um passo à frente, cortando seu caminho.
Ela pisca, franzindo a testa. "Posso ajudar?"
"Para onde você vai?", ele pergunta de forma relaxada.
"O que você tem a ver com isso?"
"Curiosidade."
Seu suspiro é audível mesmo acima do gotejar da água distante. Sua boca se aperta.
"Olha, se vocês querem me seguir, eu não posso impedir. Mas não sou obrigada a dizer o que estou fazendo ou para onde vou. E eu tenho um horário." Ela gesticula vagamente entre nós. "Então não tenho tempo para ficar aqui medindo quem tem a maior."
Antes que Wes possa responder, ela passa por ele, sua lanterna cortando um arco verde afiado pela parede. Seus dedos percorrem a pedra novamente e param. Ela volta um passo, toca em algo — uma pequena mudança na face da rocha, quase invisível na luz fraca — e fica imóvel.
Ela prende um mosquetão à cadeirinha e puxa uma corda da mochila. O tilintar metálico ecoa pela caverna. Então, sem preâmbulos, ela crava um pitão na rocha com o ritmo treinado de quem já fez isso mil vezes.
O clangor agudo soa, reverberando pela garganta de pedra da caverna. Ela testa o suporte, o peso mudando facilmente, e então alcança a próxima âncora.
Percebo o que ela estava procurando — a faixa sólida de calcário, mais densa e menos fraturada, capaz de suportar seu peso. Ela a mapeou apenas pelo toque.
Como pesquisador, acho isso irritante. Como geólogo, acho impressionante. Poucas pessoas conseguem fazer isso. Eu sei. Eu sou uma delas.
"Você não precisa escalar aí", digo a ela. "Há uma prateleira natural na parede oposta que leva para cima. Mais fácil e mais seguro."
Ela olha para baixo, uma sobrancelha levantada sob a borda do capacete. O canto da boca se eleva. "Não vou por ali."
"Por ali?"
"O túnel da direita", ela diz, apontando para o caminho por onde viemos. "Vou para a esquerda."
"Não existe túnel à esquerda", respondo, franzindo a testa.
Seu sorriso se alarga — brilhante no brilho verde de sua lâmpada. "Sim, existe", ela diz, com firmeza, como se fosse um fato objetivo.
"Como você sabe?"
"A rocha me disse", ela diz, ajustando a pegada e olhando para a parede novamente.
Por um momento, não consigo falar. A frase paira no ar, estranha e impossível, como uma linha de falha que eu não tinha visto até se abrir sob meus pés.
"A rocha te disse", repito lentamente.
Ela olha para baixo novamente, com um sorriso de lado. "Você me ouviu, Doutor." Então ela posiciona a bota, testa a corda e começa a subir — segura e graciosa, como se a própria pedra estivesse guiando suas mãos. Eu a observo subir, os músculos de seus braços e costas trabalhando em ritmo fluido sob sua cadeirinha. Ela se move como se pertencesse a este lugar — como se a caverna não fosse um obstáculo, mas uma conversa.
Sua lâmpada projeta arcos amplos de verde pelas paredes, capturando o brilho úmido dos veios minerais e antigos rastros de água. Cada movimento de sua mão parece preciso, intencional. Calculado — mas de uma maneira que eu não entendo.
"A rocha te disse", repito baixinho. Quero dizer como uma crítica, mas não soa como uma.
Wes olha para mim, sorrindo levemente. "Ela é muito boa."
"Ela está indo pelo caminho errado", contraponho, mas mesmo aos meus ouvidos soa vazio.
Ele não responde. Ele também está observando ela.
Suas botas raspam, fazendo poeira e algumas pedras pequenas choverem. Inclino a cabeça para trás, rastreando sua ascensão, tentando dar sentido a isso. A parede esquerda deveria terminar em calcário sólido. Eu escaneei esta seção — mapeamento a laser, radar de penetração no solo, todos os métodos disponíveis.
Não há túnel ali.
E ainda assim ela escala com a confiança de alguém que segue um caminho que só ela pode ver.
Uma vibração fraca zune através da pedra sob minhas botas — tão sutil que quase perco. O som de seus pitões, ecoando pelas camadas. O sussurro do metal encontrando a pulsação da montanha.
Algo aperta no meu peito. Curiosidade, sim. Mas algo mais também — um lampejo de inquietação que não consigo classificar.
O cientista em mim quer desafiá-la. Dizer-lhe que ela está errada, esperar pelo inevitável colapso de sua certeza.
Mas outra parte — a parte que eu não gosto, aquela que responde a padrões, ritmos e ao inexplicável — inclina-se para a frente.
Fascinado por uma confiança construída no instinto, e não na ciência.
Curioso para ver se ela está correta.
E, mais perturbadoramente — curioso sobre ela.









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