O Alfa Sem Lobo

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Resumo

O Alfa Sem Lobo acompanha Seraphine, uma Ômega quieta, criada para obedecer, suportar e nunca questionar a alcateia real. Na noite em que deveria se unir ao Príncipe Theron, o adorado herdeiro de Moonridge, ele a rejeita diante de todas as casas de Alfas e a marca como indigna de sangue real. Todos esperam que ela se quebre. Em vez disso, Seraphine rompe o vínculo por conta própria, despertando um dom proibido em sua linhagem: o poder de expor falsos laços de parceiros e reivindicações de Alfas roubadas. Antes que o conselho possa puni-la, Cassian, o irmão mais velho de Theron, desonrado e exilado, apresenta-se e a reivindica como sua Luna escolhida. Primogênito, Cassian viveu como um segredo vergonhoso por não conseguir se transformar. Para o reino, ele é o Alfa sem lobo. Para Seraphine, ele é o único homem cujo silêncio soa verdadeiro. O vínculo deles não o cura. Ele o revela. O dom de Seraphine desvenda a verdade por trás de anos de mentiras reais: o lobo de Cassian foi selado quando criança, roubado para que Theron pudesse usar uma coroa que nunca lhe pertenceu. Com o trono em risco, Theron vira as alcateias contra eles e exige um desafio final sob a Lua de Sangue. Poder construído sobre o roubo não sobrevive à verdade. Enquanto Seraphine expõe a traição do conselho, Cassian recupera o lobo que enterraram e ascende como o verdadeiro Rei Alfa. Juntos, eles provam que o valor não é definido por patentes e que até mesmo uma Ômega rejeitada pode levar um falso reino aos joelhos.

Status
Completo
Capítulos
23
Classificação
5.0 4 avaliações
Classificação Etária
16+

Prólogo

O Lobo que Enterraram.

Na noite em que a linhagem real se despedaçou, a Lua recusou-se a esconder.

Sua luz prateada derramou-se pelo Palácio Moonridge, iluminando paredes que testemunharam séculos de Reis Alphas. Guardas corriam pelos corredores com espadas em punho, enquanto os servos se trancavam atrás de portas trêmulas. Em algum lugar nas profundezas do palácio, o uivo angustiado de um lobo ecoou pelos salões.

Não se parecia com nenhum uivo que o reino já tivesse ouvido.

Carregava luto.

Carregava fúria.

Carregava uma promessa.

"O conselho está vindo!"

O aviso ecoou pelo berçário real.

A Guardiã da Lua irrompeu pelas portas de carvalho esculpido, suas vestes prateadas manchadas de sangue. Ela correu em direção à Rainha, que segurava um garotinho firmemente contra o peito. A criança não devia ter mais de seis anos. Seus olhos cinzentos estavam arregalados de confusão, enquanto os gritos distantes ficavam mais altos.

"Mãe?"

A Rainha beijou a testa dele, com as mãos tremendo apesar de todo o esforço para permanecer calma.

"Escute-me, meu pequeno lobo."

"Eu não entendo."

"Você não precisa entender."

Ela passou um pequeno pingente de prata no pescoço dele. Estava esculpido com uma lua crescente envolvendo a silhueta de um lobo.

"Não importa o que aconteça esta noite, nunca deixe ninguém tirar isso de você."

Passos pesados trovejaram do lado de fora.

As portas do palácio sacudiram sob golpes repetidos.

"O conselho rompeu a entrada!", alguém gritou.

A Rainha fechou os olhos por um breve momento.

Quando ela os abriu novamente, as lágrimas haviam sumido.

Apenas determinação restava.

Ela se ajoelhou diante do filho.

"Você é mais corajoso do que imagina."

O garotinho franziu a testa.

"Papai virá?"

A dor cintilou em seu rosto.

"Ele sempre estará com você."

A Guardiã da Lua deu um passo à frente.

"Não há mais tempo."

A Rainha relutantemente soltou o filho.

A criança agarrou-se ao vestido dela.

"Eu não quero ir embora."

"Eu sei."

Ela gentilmente soltou os dedos dele.

"Mas esta noite..."

A voz dela falhou.

"...você deve confiar na Lua."

As portas do berçário explodiram para dentro.

Soldados armados invadiram o quarto.

À frente deles estava um homem vestindo as túnicas do Conselho Real.

Seu rosto estava escondido sob o capuz da capa.

"Majestade", disse ele calmamente, "o reino agradece pelo seu sacrifício."

A Rainha sacou uma adaga de prata.

"Vocês nunca o terão."

A Guardiã da Lua agarrou a mão do menino.

"Corra!"

Uma passagem secreta deslizou atrás de uma enorme estante de livros.

A criança olhou para trás uma última vez.

Sua mãe sorriu em meio às lágrimas.

"Vá."

A passagem fechou antes que ele pudesse ver o que aconteceu em seguida.

A última coisa que ouviu foi o choque do aço...

...seguido por um uivo de partir o coração que abalou a própria montanha.

O túnel secreto serpenteou sob o palácio por algo que pareceu uma eternidade.

O pequeno príncipe tropeçava em pedras irregulares, lutando para acompanhar o passo da Guardiã da Lua.

"Para onde estamos indo?"

"Para um lugar seguro."

"Onde está a mamãe?"

A velha mulher não respondeu.

Em vez disso, ela apertou mais a mão dele.

Finalmente, eles emergiram no coração da floresta antiga, onde o luar filtrava-se através dos pinheiros imponentes.

Pela primeira vez naquela noite...

Tudo estava silencioso.

Silencioso demais.

O menino olhou em volta, nervoso.

"Não gosto daqui."

A Guardiã da Lua ajoelhou-se diante dele.

"Você precisa se lembrar de uma coisa."

Ele assentiu.

"Não importa o que digam a você..."

Ela colocou ambas as mãos nos ombros dele.

"...a Lua nunca esquece."

Antes que ele pudesse perguntar o que ela queria dizer, um rugido ensurdecedor ecoou pela floresta.

O chão tremeu.

As árvores se curvaram quando um enorme lobo dourado emergiu da escuridão.

A criança ofegou.

Em vez de atacar, a criatura majestosa baixou sua cabeça imensa até que seus olhos encontrassem os dele.

Dourados.

Antigos.

Cheios de tristeza.

O lobo inclinou-se para frente e tocou gentilmente o focinho na testa do menino.

Uma luz quente brilhou entre eles.

Então...

A floresta explodiu.

Figuras sombrias surgiram de todas as direções.

Flechas voaram pelo ar.

O lobo dourado virou-se com um rosnado furioso que sacudiu a terra.

"Vá!", gritou a Guardiã da Lua.

A criança estendeu a mão em direção ao lobo.

"Espere!"

Uma explosão ofuscante de luz dourada engoliu a clareira.

Quando o brilho diminuiu...

O lobo havia sumido.

Apenas o silêncio restou.

O pequeno príncipe encarou o espaço vazio onde a criatura magnífica estivera momentos antes.

"Ele partiu..."

A Guardiã da Lua olhou para a lua, com a tristeza marcada em seu rosto.

"Não."

Ela sussurrou as palavras tão suavemente que apenas o vento pareceu ouvir.

"Eles o enterraram."

Muito longe, em algum lugar além das montanhas, outro lobo respondeu com um uivo solitário.

A Lua pairava imóvel acima do reino.

Observando.

Esperando.

Lembrando.