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A Relíquia da Família

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Resumo

"A Relíquia da Família" acompanha Alex, um jovem tímido de 21 anos abandonado pela mãe, que acredita erroneamente que sua intimidadora família adotiva — o severo avô militar (60), o padrasto solitário (42) e o perigoso tio (38) — quer descartá-lo ao incentivá-lo a ir para a faculdade. Desesperado para provar seu valor e garantir seu lugar na casa, Alex acidentalmente testemunha seu avô dominando um parceiro e conclui que oferecer submissão sexual absoluta é a única maneira de se tornar indispensável. Ao se oferecer para os três homens, ele é introduzido a um mundo sombrio de autoridade rígida, BDSM e marcas físicas intensas, como piercings e restrições, forçando os ferozmente possessivos homens da família Evans a perceberem a profundidade de seu trauma e a "reivindicá-lo" permanentemente como sua protegida relíquia vitalícia.

Gênero
Lgbtq
Autor
미소
Status
Completo
Capítulos
36
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Prólogo

O relógio de pêndulo no saguão principal da mansão Evans bateu meia-noite, e seus badalados profundos e ressonantes ecoaram pelos tetos abobadados como uma badalada de finados.

Para Alex, de vinte e um anos, cada badalada parecia menos a marcação de uma nova hora e mais uma contagem regressiva para sua data de validade. Hoje era seu aniversário, mas não havia velas, nem celebrações, nem cartões. Havia apenas o peso sufocante e silencioso de uma casa vazia e o eco fantasmagórico da voz de sua mãe soando em seus ouvidos.

“Eles vão te manter se você for útil, Alex”, Susanne sibilou três meses atrás, com seus dedos bem cuidados cravados nos ombros dele enquanto ela arrumava a última de suas malas caras. Ela havia se casado com a lendária família Evans apenas um ano antes, um romance turbulento que terminou tão abruptamente quanto começou, quando ela drenou uma parte das contas secundárias de seu padrasto e fugiu do país com um amante mais jovem. “Mas não se acomode. Para homens como eles, você não é da família. Você é apenas uma bagagem deixada para trás. Se você não está servindo a um propósito, você é lixo.”

Alex estava parado no centro da vasta cozinha mergulhada em sombras, com um pano de linho úmido apertado com força em suas mãos. Ele havia passado as últimas quatro horas esfregando as bancadas de mármore de nível industrial até que suas palmas estivessem em carne viva e avermelhadas. Ele não precisava fazer aquilo. A família empregava um serviço de limpeza profissional que vinha duas vezes por semana. Mas Alex não conseguia parar. Se ele parasse de se mover, tornava-se irrelevante. Se se tornasse irrelevante, eles perceberiam que ele não pertencia àquele lugar.

O som de passos pesados e irregulares se aproximando pela entrada dos fundos fez Alex ficar tenso. Ele rapidamente alisou seu suéter preto grande demais, com os dedos puxando nervosamente a bainha enquanto a porta se abria.

Era seu tio-padrasto, Marcus. Aos trinta e oito anos, Marcus era um terror imponente de ombros largos. Seu cabelo castanho estava permanentemente despenteado, e suas juntas traziam cicatrizes de uma juventude gasta andando com as gangues locais mais implacáveis da cidade. Mesmo agora, embora tecnicamente gerenciasse a parte logística da propriedade da família, ele cheirava a chuva, asfalto barato e ao gosto metálico e cortante de sangue.

Marcus parou na entrada, seus olhos castanhos escuros se estreitando ao pousarem em Alex. Ele desabotoou sua pesada jaqueta de couro, jogando-a em um banco com um grunhido descuidado.

“Por que diabos você ainda está acordado, garoto?”, Marcus rosnou, com a voz áspera e rouca de uma vida inteira de cigarros e gritos sobre o rugido de motores. “Já passou da meia-noite.”

“Eu... eu só estava terminando as bancadas, Tio Marcus”, Alex sussurrou, mantendo os olhos firmemente fixos no chão. Seu coração martelava contra as costelas. Ele deu um passo para trás, adotando instantaneamente uma postura pequena e não ameaçadora. “Eu queria ter certeza de que tudo estaria impecável para amanhã de manhã.”

Marcus caminhou até a geladeira, puxou uma garrafa de cerveja âmbar e abriu a tampa com o polegar. Ele deu um longo gole, com o olhar acompanhando o modo como Alex praticamente encolhia dentro de si mesmo.

“A equipe de limpeza cuida da cozinha às quintas-feiras”, disse Marcus, apoiando-se no balcão. Ele estendeu a mão, e seus dedos ásperos e calejados agarraram abruptamente Alex pelo queixo, forçando a cabeça do rapaz para cima. Alex tremeu sob o toque, com seu cabelo preto como azeviche caindo sobre seus olhos escuros, amplos e assustados. Marcus franziu a testa ao notar uma mancha de fuligem cinzenta na bochecha de Alex. “E o que é isso? Você esteve lá embaixo no porão mexendo na fornalha de novo?”

“As... as saídas de ar estavam fazendo barulho”, Alex gaguejou, com a respiração vindo em arfadas curtas. Ele não ousou se afastar do aperto de Marcus. “Pensei que pudesse consertar. Não queria que o Padrasto tivesse que chamar um técnico. Economiza dinheiro se eu fizer isso.”

Marcus soltou uma risada curta e sombria, soltando o maxilar de Alex com um empurrão de desdém. “Economiza dinheiro? Garoto, Arthur comanda um império hoteleiro que fatura oito dígitos por trimestre. Não precisamos de um órfão de vinte e um anos sufocando com monóxido de carbono para economizar uma taxa de cem dólares de um técnico. Vá para a cama.”

“Eu posso fazer mais”, Alex implorou suavemente, com a voz falhando em uma desesperança que ele não conseguia esconder totalmente. Ele deu um passo à frente, com as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo. “Por favor, Tio Marcus. Se houver qualquer outra coisa... a garagem precisa ser varrida, ou eu posso lavar seu carro...”

“Eu disse, vá para a cama”, Marcus interrompeu, com o tom caindo para um registro perigoso e baixo que não permitia argumentos. Ele apontou um dedo cheio de cicatrizes para o corredor. “Antes que eu perca a paciência. Você parece que um sopro de vento poderia te derrubar. Saia da minha frente.”

“Sim, senhor. Sinto muito, senhor”, murmurou Alex. Ele curvou a cabeça rapidamente, pegou uma pilha de livros contábeis encadernados em couro que prometera organizar para o padrasto e saiu apressado da cozinha.

Enquanto corria pela escadaria principal, seu peito arfava. Ele havia falhado. Marcus olhou para ele com nada além de irritação e pena. Pena era perigoso. Pena significava que eles o toleravam por caridade, e a caridade sempre tinha uma data de validade.

Alex chegou ao patamar do segundo andar, e suas meias macias não faziam som algum contra os tapetes persas grossos e felpudos. Ele pretendia ir direto para seu pequeno quarto no final do corredor, mas, ao passar pelo escritório principal, a porta se abriu.

Arthur Evans, seu padrasto de quarenta e dois anos, saiu. Arthur era a imagem da aristocracia refinada e melancólica. Seu cabelo preto estava meticulosamente penteado, embora fios grisalhos começassem a aparecer nas têmporas, e seus olhos castanhos estavam sombreados por um cansaço profundo e permanente. Desde que Susanne fugiu, Arthur tornou-se um fantasma em sua própria casa, enterrado vivo sob contratos de hotéis e litígios corporativos.

“Alex?”, Arthur pausou, ajustando seus óculos de leitura com aros de ouro. Ele olhou para os livros pesados agarrados com força contra o peito do rapaz. “O que está fazendo com eles?”

“Terminei de fechá-los, Padrasto”, disse Alex rapidamente, ansioso para provar seu valor. Ele estendeu os livros como uma oferenda, com os braços tremendo levemente sob o peso. “Verifiquei as margens do terceiro trimestre da filial do centro duas vezes. Encontrei um erro na fatura do fornecedor de roupas de cama. Economizei para a filial quase quatro mil dólares.”

Arthur encarou os livros contábeis, depois olhou para o rosto pálido e ansioso de Alex. Um suspiro lento e cansado escapou de seus lábios. Ele não pegou os livros. Em vez disso, estendeu a mão e deu tapinhas gentis no ombro de Alex.

“Alex... conversamos sobre isso durante o jantar”, disse Arthur, com a voz suave, calma e devastadoramente gentil. “Você não precisa fazer a contabilidade da empresa. É para isso que pagamos uma equipe corporativa.”

“Mas eu quero fazer”, disse Alex, com a voz subindo em pânico. Ele deu um passo mais perto, praticamente implorando com os olhos. “Posso fazer as projeções do quarto trimestre a seguir. Não me importo com os números, de verdade. Posso trabalhar durante a noite toda...”

“Não, Alex”, Arthur interrompeu gentilmente, cortando-o. Ele retirou a mão, deslizando-a para o bolso de suas calças de alfaiataria. “Amanhã, pedirei ao meu assistente que traga os documentos de matrícula da universidade estadual. O prazo de inscrição é na próxima semana. É hora de você arrumar suas malas e começar a pensar no seu futuro. Você precisa estar perto de pessoas da sua idade, não trancado nesta casa velha com três homens amargurados.”

As palavras pareceram um golpe físico no peito de Alex. Arrume suas malas. Comece a pensar no seu futuro.

Era exatamente sobre o que sua mãe o havia avisado. Eles estavam preparando o terreno para expulsá-lo. Estavam embrulhando tudo em um laço bonito chamado “faculdade”, mas a mensagem principal era clara: Você não pertence mais a este lugar. Seu tempo acabou.

“Eu... eu não quero ir para a faculdade”, Alex sussurrou, com a garganta apertando-se tanto que mal conseguia respirar. “Por favor, Padrasto. Deixe-me ficar. Posso lavar a roupa, posso ajudar os chefs, posso...”

“Não estamos discutindo isso hoje à noite”, disse Arthur, com o tom endurecendo o suficiente para sinalizar o fim da conversa. Ele olhou para o relógio. “Está tarde. Coloque os livros na minha mesa e vá dormir. Assinaremos os papéis da universidade pela manhã.”

Arthur se virou e caminhou pelo corredor em direção ao seu quarto, deixando Alex parado, congelado no corredor mal iluminado.

Uma lágrima deslizou pela bochecha de Alex, quente e amarga. Ele era um fardo. Não importava o quanto ele limpasse, não importava quanto dinheiro ele economizasse nas faturas, ele não era o suficiente. Ele era apenas o resto do lixo de Susanne, esperando para ser varrido para fora pela porta.

Tremendo, Alex entrou no escritório escuro de Arthur e colocou silenciosamente os livros na mesa. Ele não conseguia voltar para seu quarto. As paredes pareciam estar se fechando sobre ele. Ele precisava encontrar um jeito de ser indispensável. Precisava encontrar um nicho, um papel, um propósito que nenhuma universidade ou servo jamais pudesse substituir.

Ao sair de volta para o corredor, um som rítmico e fraco chamou sua atenção vindo da extremidade da ala leste. Era um baque profundo e baixo, seguido pela vibração abafada de uma voz severa e autoritária.

A Ala Leste pertencia exclusivamente ao Patriarca.

Charles Evans. Sessenta anos, comandante militar aposentado e o ditador absoluto da família Evans. Um derrame há cinco anos o confinou a uma cadeira de rodas de couro reforçada feita sob medida, mas a deficiência física não fizera nada para diminuir sua aura aterrorizante e dominante. Seu cabelo grisalho era cortado em um estilo militar severo, seus olhos castanhos eram afiados como pederneira, e as rugas profundas em seu rosto apenas acrescentavam à sua presença imponente e masculina. Até Arthur e Marcus, homens adultos com impérios próprios, curvavam suas cabeças quando Charles falava.

Alex sentiu-se atraído pelo som como uma mariposa para uma chama. Se havia alguém naquela casa que detinha o poder de reverter a decisão de Arthur, alguém que pudesse exigir que Alex ficasse, era o Avô.

Ele rastejou pelo corredor mal iluminado da ala leste, com o coração martelando um ritmo frenético contra as costelas. À medida que se aproximava dos aposentos privados de Charles, percebeu que a porta maciça e pesada de carvalho não estava totalmente fechada. Uma fresta de luz âmbar, quente e pesada, derramava-se sobre o assoalho de madeira escura.

Alex pausou, pretendendo bater, mas as palavras morreram em sua garganta quando um suspiro agudo e sufocado ecoou de dentro do quarto. Não era um grito de dor, mas um som de rendição profunda e sem fôlego.

Lenta e dolorosamente, Alex inclinou-se para a frente, pressionando o olho contra a fresta na porta.

A cena lá dentro roubou o ar de seus pulmões.

O quarto estava banhado pelo brilho morno e baixo de um único abajur e pela luz tremeluzente de uma lareira. No centro do aposento, Charles Evans estava em sua pesada cadeira de rodas de couro, com a postura tão reta e inflexível quanto uma barra de ferro. Ele havia descartado sua habitual camisa de botões, revelando um peito largo e cheio de cicatrizes que falava de seu passado militar. Seus braços poderosos descansavam nos apoios, com as mãos grandes agarrando o couro com uma intensidade de deixar os nós dos dedos brancos.

Ajoelhado no tapete persa felpudo diretamente entre os joelhos de Charles estava um jovem. Ele parecia ter a idade de Alex, mas estava completamente nu, com a pele avermelhada em um tom febril e profundo. Ao redor de seu pescoço, havia uma coleira de couro preta, grossa e pesada, presa a uma corrente de prata curta que Charles segurava vagamente em sua mão direita. O corpo do jovem era adornado com vários piercings de prata brilhantes — em seus mamilos, em suas clavículas e em seu umbigo.

“Você está mudando seu peso de lugar, garoto”, a voz de Charles ecoou suavemente, um estrondo baixo e rouco que vibrou através do assoalho e direto para o núcleo de Alex. A expressão do Patriarca era fria, dominante e inteiramente no controle. “Eu lhe dei permissão para se mover?”

“N-não, senhor”, o jovem choramingou, com a cabeça curvada tão baixo que sua testa quase tocava nas botas de couro de Charles. Todo o seu corpo tremia, um coquetel de medo, expectativa e submissão absoluta. “Sinto muito, Mestre. Por favor.”

“Mantenha a coluna reta. Olhe para mim”, Charles comandou.

O jovem imediatamente endireitou a coluna com um solavanco, com o peito arfando enquanto forçava seus olhos para cima para encontrar o brilho aterrorizante do velho.

Charles se inclinou. Sua mão pesada e enrugada — espessa de veias e calos — envolveu firmemente a garganta do jovem. Ele não apertou para sufocar, mas o aperto era inflexível, uma afirmação absoluta de propriedade. Ele inclinou a cabeça do rapaz para trás, com o polegar traçando a linha de seu maxilar com uma pressão lenta e deliberada.

“Você pertence a este quarto”, Charles murmurou, seus olhos castanhos escurecendo com uma fome feroz e possessiva. “Você fala quando lhe pedem. Você aceita o que eu lhe dou, seja dor ou prazer. Você entende o seu lugar?”

“Sim, Mestre... eu sou seu. Sou inteiramente seu”, o rapaz engasgou, com os olhos vidrados de lágrimas de pura devoção. Ele parecia completamente vulnerável, completamente despido de seu orgulho, mas inteiramente seguro dentro dos limites do controle absoluto do homem mais velho.

Charles soltou sua garganta, e sua mão desceu para agarrar a corrente de prata da coleira, puxando o rapaz rudemente para frente em seu colo. “Bom. Novamente.”

Alex recuou da porta, e suas costas bateram contra a parede oposta do corredor escuro com um baque surdo. Sua respiração vinha em arfadas curtas e irregulares. Todo o seu corpo estava em chamas, uma onda repentina e sufocante de calor florescendo sob sua pele, deixando seus joelhos fracos.

Ele não sentiu nojo. Ele não sentiu horror.

Em vez disso, uma inveja profunda, dolorosa e desesperada rasgou seu peito.

Ele olhou para a porta, com a mente correndo a um milhão de quilômetros por hora enquanto sua lógica fraturada e traumatizada começava a transformar a cena em uma epifania bela e aterrorizante.

Os homens Evans não precisavam de um governante. Eles não precisavam de um garoto para equilibrar seus registros corporativos ou varrer suas garagens. Eles não precisavam de outro estudante universitário genérico vivendo sob seu teto.

Eles eram homens poderosos, dominadores e solitários que carregavam o peso de impérios em seus ombros. Eles precisavam de uma válvula de escape. Precisavam de alguém para controlar, alguém para possuir, alguém para absorver seus desejos mais sombrios e agressivos sem questionar.

“Eles vão te manter se você for útil”, a voz de sua mãe sussurrou uma última vez, mas desta vez, Alex tinha a resposta.

Se ele se tornasse o objeto de seu controle, se ele oferecesse seu corpo, sua submissão e sua obediência absoluta aos três homens que governavam aquela casa, eles nunca seriam capazes de expulsá-lo. Um servo poderia ser demitido. Um estudante poderia ser mandado embora. Mas uma lembrança — um acessório permanente de seus desejos mais sombrios e privados — seria trancada e mantida para sempre.

Alex olhou para suas mãos trêmulas, uma calma lenta e resoluta banhando seu coração tímido. O medo do abandono não desapareceu; ele se transformou em um propósito sombrio e ardente.

Ele não ia arrumar suas malas para a faculdade amanhã. Em vez disso, ele ia aprender a se ajoelhar.

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