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Reescrevendo o Desejo

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Resumo

Olivia Carter sabe exatamente como escrever um herói de tirar o fôlego. O problema? Ela não faz ideia de como escrever uma cena verdadeiramente picante. Quando sua editora lhe oferece um contrato de fantasia que mudaria sua carreira — com uma única condição: deixá-lo mais quente — Olivia se vê desesperada por inspiração. Infelizmente, a única pessoa disposta a ajudar é Knox Walker. Seu ex-meio-irmão tatuado e irritante. O homem que a deixa louca desde a adolescência. A solução de Knox é ridícula. Ele vai ajudá-la com a "pesquisa". Cada beijo. Cada toque. Cada cena. Estritamente para o livro, é claro. Mas quanto mais eles apagam a linha entre a ficção e a realidade, mais difícil se torna lembrar onde a história termina e onde os sentimentos começam. Porque algumas regras são feitas para serem reescritas. E outras são feitas para serem quebradas.

Status
Completo
Capítulos
35
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

POV de Olivia

Fiquei encarando as capas de livros emolduradas na parede atrás da mesa da Margot, tentando não me mexer muito enquanto esperava minha editora terminar o telefonema e me contar por que ela tinha me chamado com tanta urgência uma hora atrás.

Ainda parecia surreal ver as capas dos meus livros emolduradas.

Ver aquilo na realidade, ponto final, e não apenas como um sonho que eu tinha desde os dezesseis anos, quando comecei a escrever historinhas bobas no meu caderno rosa-choque.

Minha estreia na escrita tinha sido uma daquelas fantasias leves e em tons pastéis, com uma espada brilhante e dois adolescentes totalmente vestidos se encarando com toda a alma.

Eu publiquei por conta própria depois de muita tentativa e erro para encontrar meu público certo.

Mais três se seguiram.

Limpos.

Doces.

Fáceis de vender para pais e bibliotecários.

Eles pagavam o aluguel — por pouco — e me permitiam continuar escrevendo em tempo integral, que era tudo o que eu sempre quis.

Margot finalmente terminou o telefonema e empurrou um contrato pela mesa, batendo nele com uma unha pintada de vermelho-sangue.

“É um grande selo editorial”, disse ela sem rodeios. “O mesmo que vem abocanhando todos os títulos de fantasia romântica. Eles querem a série completa de quatro livros que você está oferecendo. Adiantamento de seis dígitos. Direitos estrangeiros em negociação. Eles já estão falando em interesse para adaptação.”

Olhei para o nome no contrato e quase engasguei.

Quando comecei a escrever uma nova série de fantasia um ano atrás, pensei que teria o mesmo destino da primeira.

Autopublicada.

Devorada pelos meus fãs e por mais ninguém.

Mais um marco na minha carreira de escritora.

Mas minha editora insistiu para que eu pelo menos tentasse o mercado tradicional desta vez.

Eu nunca imaginei que alguém fosse ter interesse.

Minha cadeira fez um rangido constrangedor quando quase caí para trás. “Você está brincando.”

“Eu não brinco sobre dinheiro, Olivia.” Ela sorriu daquele jeito que tubarões sorriem quando veem uma foca. “Eles amam o mundo. Eles amam os personagens. Eles amam o sistema de magia.”

“Meu Deus.”

Margot conteve minha empolgação com um dedo no ar. “Espere. O que eles querem é mais romance. E por ‘mais’, eles querem dizer muito mais. Nível de erotismo cinco, no mínimo. Na página. Frequente. Daquele tipo que faz as leitoras mandarem mensagem para as amigas às 2 da manhã.”

Abri a boca. Fechei. Abri de novo. “Eles querem que eu escreva cenas quentes?”

“Sim.”

“Mas eu escrevo romance Young Adult limpo. É isso que minhas leitoras querem.”

“Sim, Olivia. Todas as três mil delas. Isso aqui pode chegar a milhões de leitoras. As possibilidades são infinitas.”

“Mas só se eu mudar meu livro?”

“Não é mudar. É apenas adicionar. Eles querem que você escreva cenas quentes, e quentes mesmo. O mercado mudou. O YA limpo ainda vende, mas a fantasia romântica adulta com calor de verdade está imprimindo dinheiro. Eles acham que você consegue. Sua prosa já é forte; você só precisa deixar os personagens tirarem a roupa e aproveitarem.”

Meu cérebro entrou em curto-circuito em algum lugar entre “seis dígitos” e “tirarem a roupa.”

Durante três anos, namorei o Cameron, que tratava sexo como uma tarefa de manutenção agendada de vez em quando. Terça-feira à noite, luzes apagadas, cinco a sete minutos de papai e mamãe competente, mas sem graça, seguido por um beijo na testa e ele virando de lado para checar o celular.

Essa falta de paixão, de alguma forma, se traduziu nos meus livros.

Eu escrevia o desejo, a tensão, a necessidade desesperada… e então cortava a cena toda vez.

Isso servia para minhas leitoras adolescentes.

Isso servia para mim.

Claramente, não servia para essa editora, que estava basicamente me pedindo para parar de cortar e fazer a transição do YA para o território do romance adulto com portas abertas.

“Olivia?” Margot estava franzindo a testa para mim. “Cenas quentes não vão ser um problema, vão? É só sexo. Sexo em livro, para ser exato.”

Pensei na última vez que Cameron e eu tivemos qualquer tipo de sexo.

Faziam três semanas.

Uma terça-feira, é claro.

Ele perguntou se eu queria “resolver logo isso” antes do jantar.

Eu disse que sim, porque era mais fácil do que admitir que eu não queria muito.

Endireitei a postura, com o coração martelando. “Claro que não vai ser um problema.”

A sobrancelha da Margot subiu, divertida. “Tem certeza? Você nunca escreveu nada além de um beijo de porta fechada. Eles querem língua. Mãos. Várias posições. Suado, bagunçado, obsceno. Eles querem que as leitoras sintam a magia e os orgasmos.”

Um calor subiu pelo meu pescoço.

Forcei um sorriso radiante e confiante, que parecia pertencer a alguém que realmente tinha uma vida sexual excitante. “Eu consigo escrever isso. Eu estive… pesquisando. Mentalmente. Para a nova série.”

Mentiras.

Só mentiras.

Minha pesquisa consistia em suspirar com vídeos do BookTok e fechar a aba quando Cameron chegava em casa.

Margot recostou-se na cadeira, satisfeita. “Bom. Eles querem os primeiros capítulos revisados em quatro semanas. O roteiro completo para os momentos quentes até o mês que vem. Eles sugeriram dar aos seus protagonistas um arco de inimigos a amantes com uma situação de ‘apenas uma cama’ no primeiro livro e um vínculo mágico que faz com que sintam a excitação um do outro no segundo —”

Eu estava balançando a cabeça tão rápido que devia parecer um boneco de mola. “Uma cama. Vínculo mágico. Entendido.”

“E o interesse amoroso da heroína precisa ser… substancial. Alto, com cicatrizes, moralmente cinza, boca suja. Você já tem o básico. A heroína será virgem, obviamente. Eles querem que ele a guie durante o processo. Muito papo, Olivia.”

Minhas coxas se apertaram sob a mesa antes que eu pudesse evitar. “Virgem. Boca suja. Papo. Excelente. Eu dou conta da boca suja.”

Dentro da minha cabeça, Cameron já parecia vagamente ofendido.

Margot deslizou uma pasta em minha direção. “Cenas de exemplo dos títulos deles que mais vendem. Leia hoje à noite. Veja como está o nível da concorrência.”

Peguei a pasta com as mãos tremendo um pouco. Meu cérebro já estava girando — novos personagens, novas apostas, cenas de sexo inteiras que eu teria que escrever em vez de apenas fazer o corte para o preto.

Parecia aterrorizante.

Parecia a primeira coisa honesta que me pediram para fazer na minha carreira.

Levantei-me, com o contrato embaixo do braço. “Obrigada. De verdade. Não vou decepcionar você.”

Ela apontou para o meu braço. “Pense um pouco antes de assinar. Mas estou te avisando agora, Olivia: você não vai receber outra oferta como esta.”

“Tudo bem. Eu entendo.”

Ela deve ter lido algo na minha expressão.

“Olivia.” A voz de Margot suavizou. Só um pouco. “Eles não estão pedindo para você se tornar outra escritora. Estão pedindo para você parar de se segurar. O que quer que esteja te impedindo de escrever esse calor — livre-se disso. Suas novas leitoras vão te agradecer. Sua conta bancária também.”

Saí para a tarde ensolarada, com as pastas apertadas contra o peito como se fossem contrabando.

A cidade parecia mais barulhenta do que o normal.

Meu pulso ainda estava acelerado.

Quatro semanas.

Situações de uma cama só.

Vínculos mágicos que deixam duas pessoas sentirem o prazer uma da outra.

Bocas sujas.

Eu já conseguia visualizar meu herói se tornando algo que eu nunca tinha imaginado — alto, com cicatrizes de batalha, com aquele tipo de voz que murmuraria instruções como “abre para mim, querida” enquanto a magia da heroína faiscava entre eles.

Só esse pensamento fez minhas bochechas queimarem.

Meu celular vibrou quando cheguei ao metrô.

Cameron: Jantar às 7? Fiquei sabendo daquele lugar de massas novo.

Digitei um rápido “sim” e guardei o celular; as páginas brilhantes de exemplo na pasta já me chamavam enquanto eu encontrava um assento na janela do metrô e começava a ler.

Margot tinha destacado passagens — descrições de mãos agarrando quadris, bocas traçando a pele suada, o estalo elétrico da magia e da luxúria colidindo.

Eu nunca tinha escrito nada assim.

Meus livros anteriores paravam em olhares de desejo e beijos castos.

Isso era diferente.

Essa era uma versão de “adulto” que nem eu sentia na maior parte do tempo.

Quando cheguei em casa, no nosso apartamento minúsculo de um quarto no coração da cidade, minha cabeça estava girando com possibilidades.

Joguei minha bolsa, chutei os saltos e espalhei as páginas de exemplo pela mesa da cozinha.

Uma cena nova surgiu na minha cabeça: um par destinado, encharcados pela chuva, rasgando as roupas um do outro em uma caverna enquanto o poder da heroína explodia e o herói rosnava exatamente o que ele queria fazer com ela.

Passei pela cena duas vezes na mente, com o coração batendo forte, e abri meu notebook.

Cameron entrou às seis e meia, com a gravata solta, cheirando a metrô e loção pós-barba. “Oi, amor. Como foi a reunião?”

Girei na cadeira, praticamente vibrando. “Eles querem a série toda. Um adiantamento alto. Mas eles precisam… de mais romance. Romance adulto. Com cenas detalhadas.”

Ele colocou a pasta no chão e franziu a testa. “Tipo cenas de sexo?”

“Cenas quentes, é. Várias por livro. Disseram que as leitoras querem algo bem intenso.”

Cameron piscou e deu de ombros. “Legal. O que vende, né?”

Ele me deu um beijo na testa — aquele selinho distraído de sempre — e foi em direção à geladeira. “Quer vinho? Comprei aquele branco barato que você gosta.”

Observei-o se mover pela cozinha, eficiente, familiar e dolorosamente alheio.

Três anos juntos e ele ainda não sabia que eu odiava aquele vinho.

Minha mente voltou para a cena que eu tinha imaginado.

Como seria escrever algo tão cru?

Descrever o herói prendendo os pulsos da heroína acima da cabeça, a magia crepitando entre seus corpos, a boca dele quente contra o ouvido dela enquanto ele dizia exatamente como ia tomá-la?

Minhas coxas se apertaram.

Fechei o notebook antes que o meu rosto corado me entregasse.

O jantar foi agradável, porém previsível — massa, conversa fiada sobre o trabalho dele, uma menção ao aniversário dos pais dele.

Quando fomos para a cama, ele me procurou com a habitual eficiência de terça-feira.

Deixei acontecer, pensando que talvez desta vez eu conseguisse alguma inspiração em vez de ficar criando mentalmente nossa lista de compras semanal o tempo todo.

Mas, como sempre, foi suave, rápido e, no final, insatisfatório.

Ele teve um orgasmo com um gemido no meu ouvido, e eu não tive nenhum.

Depois, ele virou de lado, murmurou “te amo” e já estava navegando no celular em menos de trinta segundos.

Fiquei acordada ao lado dele, encarando o teto, com as páginas da pasta ainda brilhando atrás das minhas pálpebras.

As palavras de Margot ecoavam — Pare de se segurar.

Às duas da manhã, saí da cama, caminhei em silêncio até a sala e abri um documento novo.

Meus dedos pairaram sobre o teclado.

Cena: Livro 2, Capítulo 12 – A Caverna.

A chuva batia na entrada da caverna enquanto Kael prensava Lira contra a parede de pedra. Suas mãos — calejadas de espada e feitiço — deslizaram sob a túnica encharcada dela.

“Você sente também”, ele rosnou, com a magia percorrendo seus dedos direto para o centro dela. “O vínculo. Está queimando.”

A respiração de Lira falhou. “Kael—”

“Me peça para parar e eu pararei. Caso contrário, vou saborear cada centímetro de você até que esteja implorando misericórdia aos deuses.”

Apaguei a última frase, com as bochechas em chamas, e a reescrevi.

Às três da manhã, eu tinha duas páginas de cenas quentes experimentais, com o coração acelerado e uma mistura estranha de emoção e terror correndo por mim.

Isso não era nada parecido com a rotina silenciosa e de luzes apagadas do Cameron.

Isso era faminto.

Imprudente.

Livre.

E ainda não parecia nada comigo.

Eram palavras — quentes, sim — mas não eram minhas palavras.

Salvei o arquivo com um suspiro de frustração, fechei o notebook e voltei para a cama.

Cameron nem se mexeu.

Lá fora, a cidade pulsava com possibilidades sinistras.

Quatro semanas para entregar.

Quatro semanas para me tornar o tipo de escritora que consegue escrever cenas de sexo obscenas sobre perder a virgindade sem recuar de vergonha.

Foda-se.

Eu estava ferrada.

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

author

Cameron's either complacent, cheating or both 🙁

5 dias

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