CAPÍTULO 1
Hazel Solari estava esticada em sua cama quando ouviu a confusão no corredor. Ela tentou ignorar, com os olhos fixos nas letras escritas na página. Tentou novamente, mas não conseguia se concentrar o suficiente para entender as palavras. O barulho estava alto demais para ela suportar.
Com um suspiro, ela deixou o livro de romance de lado, levantou-se, calçou os chinelos e caminhou pelo piso acarpetado. Ao abrir a porta bruscamente e sair, quase colidiu com uma estudante eufórica que passou por ela, assim como todos os outros que saíam de seus quartos.
“O que está acontecendo?”, ela perguntou a ninguém em particular, e ninguém respondeu. Eles continuaram a gritar pelo corredor até que todos desaparecessem, deixando-a sozinha ali parada. Ela ficou dividida, lutando contra a indecisão entre voltar para seu quarto e terminar o livro ou seguir os outros alunos. Decidindo ir, ela caminhou pelo corredor, seguindo o barulho dos outros estudantes.
O que deixou todo mundo tão animado?, ela pensou enquanto abria caminho pela universidade. Ela não era a única andando por ali desinteressada na confusão que agitava o campus. Tirando os estudos, pouca coisa acontecia por ali para animá-la. Ainda assim, ela seguiu centenas de alunos, o que a levou para fora dos dormitórios e pelo pequeno caminho que dava acesso aos prédios acadêmicos.
“O que está acontecendo?”, ela perguntou a Remi Elara, sua melhor amiga, quando as duas se esbarraram.
“O que está acontecendo?!”, ela guinchou de empolgação, embora sua voz carregasse um tom de irritação, como se não acreditasse no quão alheia Hazel estava. “Não me diga que você estava lendo de novo.”
“Eu adoro”, disse Hazel com uma voz baixa.
“Você é muito chata”, sua amiga provocou, pegando em sua mão e puxando-a para frente. Foi então que ela percebeu o quanto estava tarde. As estrelas brilhavam intensamente no céu noturno junto com a lua, lançando um brilho pálido e etéreo sobre o mundo. As paredes brancas da universidade pareciam refletir a luz da lua, dando ao lugar um ar mágico. As torres da universidade beijavam o céu estrelado; o terreno estava impecavelmente cuidado.
“Me conta logo”, Hazel implorou, mas Remi continuou andando. Ela segurou a mão de Hazel e a puxou para que pudessem andar mais rápido.
Juntas, elas passaram pelas portas duplas abertas do refeitório. Conversas e exclamações de surpresa flutuavam pelo ar, acompanhadas pelo cheiro de várias iguarias. Hazel observou a cena, seguindo com o olhar para onde os outros apontavam. À esquerda, em uma das mesas imensas, havia um grupo de alunos bloqueando sua visão. Eles conversavam entre si com um tom de admiração na voz, o que fez Hazel se perguntar o que poderia ter justificado tal reação.
“Vem!”, Remi chamou, pegando a mão de Hazel, que ela havia soltado ao passar pela porta. Relutante, Hazel seguiu. Os outros não as deixavam passar; elas tiveram que abrir caminho até a frente. Quando chegaram, Remi pulou de empolgação, apontando para os dois homens que estavam sentados do outro lado da mesa, jantando.
Hazel se perguntou o que todos os outros estavam vendo. Tudo o que ela via eram dois homens comendo — dois homens muito bonitos.
“Ele está aqui!”, Remi gritou, continuando a dar pulinhos. Hazel agarrou sua mão, parando-a imediatamente.
“Você não acha que isso é um pouco exagerado?”
“Nada é exagerado para eles!” Ela lambeu os lábios, seus olhos traçando cada centímetro dos homens, e Hazel quase teve ânsia de vômito.
“Para com isso”, ela repreendeu.
“Tá bom”, Remi cedeu com um resmungo. Ainda assim, elas continuaram ali, observando os homens comerem. Hazel olhou para eles atentamente. Eles eram realmente lindos, de um jeito nada natural, característica comum aos lobisomens de linhagem nobre, não alguém como ela — uma ômega.
Os homens comiam com precisão. Suas mãos e bocas se moviam de forma tão sensual que ela entendia por que todos estavam agindo daquela maneira. Mas isso não explicava por que todos estavam tão excitados. Por mais lindos que fossem, aquilo a deixava arrepiada.
“Vamos, a gente precisa ir.”
“Ir! Ir para onde?! Te garanto que não vai acontecer nada de empolgante esta noite ou este semestre além desses dois.” Hazel olhou para os homens novamente, e para o grupo de garotas que se reunira atrás deles. Uma delas era a autoproclamada rainha da escola — Artemis Nightingale. Filha de Dain e Pearl Nightingale, os donos da universidade onde estavam. Artemis sorriu e lambeu os lábios, com os olhos fixos no homem de cabelos brancos à sua frente.
“Ah, por favor, eles são apenas homens.”
“Apenas homens?”, Remi pareceu ofendida. “Olhe mais de perto e baixe o tom antes que alguém te ouça”, ela avisou, sua voz carregada de medo enquanto olhava ao redor para ver se alguém tinha escutado.
Apesar de seu bom senso, Hazel olhou mais de perto. Para aquele de quem Artemis não conseguia desviar o olhar. Ele usava uma camiseta e calças pretas como obsidiana; seu rosto era esculpido de uma maneira que trazia a palavra ‘não natural’ novamente à mente de Hazel. Seu cabelo loiro platinado estava bagunçado, como se ele tivesse passado as mãos nele várias vezes. Sua pele era de um tom quase translúcido.
O ar ao redor, ela percebeu, parecia se curvar à vontade dele. Poder emanava dele em ondas; isso a fez imaginar como seria se ela fosse a única pessoa na sala com ele. Ela teve a sensação de que isso a faria cair de joelhos.
Hazel continuou encarando, seus olhos absorvendo cada centímetro dele. Desde seu rosto perfeito até seus ombros largos, mãos com veias aparentes e o que ela deduziu serem coxas poderosas sob a mesa.
Agora que tinha se permitido olhar com atenção, ela via por que todos estavam enfeitiçados. O cara carregava poder, e no mundo deles, poder significava tudo, e foi então que a ficha caiu.
A percepção de quem ele era a atingiu com mais força do que ela esperava, e então ele levantou os olhos. Mesmo com centenas de estudantes ao redor, ela sentia que o foco dele estava apenas nela. Seus olhos azuis penetrantes pousaram sobre ela instantaneamente. Mesmo em uma sala cheia de gente, ela sentia como se estivesse sozinha com ele.
O calor seguiu o caminho traçado pelo olhar dele, e ela viu o azul se tornar negro a cada segundo que passava. Enquanto ele olhava para ela, algo mudou dentro dela. Hazel queria chegar mais perto, pular a mesa e sentar no colo dele. Ela queria sentir as mãos dele traçando cada centímetro de seu corpo. Curiosamente, sua loba, geralmente silenciosa, agitou-se dentro dela, encorajando seus desejos.
Ela olhou para cima novamente e viu que ele ainda a encarava, e ela tomou uma decisão na hora.
“Precisamos ir”, ela disse a Remi. Um protesto morreu na língua de sua amiga enquanto ela a segurava pela mão e a afastava da mesa e do príncipe.
Lá no fundo, ela sabia que estava fugindo, mas não se importava.
Ser uma ômega em um mundo onde o poder significava tudo já era ruim o bastante. Ter a atenção do príncipe era pior.
Hazel soltou a mão de Remi, a uma certa distância da mesa. Ela puxou uma quantidade enorme de ar, tentando se acalmar.
Não significou nada, ela garantiu a si mesma, mas o medo se infiltrou em suas veias. Um medo forte o suficiente para fazê-la tremer até os ossos.
“O que há de errado com você?”, perguntou Remi, preocupada.
“Nada”, ela respondeu, e percebeu que até a distância que ela tinha criado entre si mesma e o príncipe não significava nada. O calor do olhar dele permanecia, criando um zumbido estranho em seu sangue.





mates
mates at first sight 😂😂
And the jump in with two feet begins