Between Worlds

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Summary

Nota: Esta obra foi originalmente escrita em português e pode estar sendo apresentada por meio de tradução automática. Algumas nuances podem não refletir totalmente a intenção original. Agradeço pela compreensão. --- "Between Worlds - - Light and Shadows" Num mundo consumido pelas sombras, onde cidades ruíram e o vento carrega ecos de algo que já foi esquecido… segredos antigos ainda permanecem à espera. Entre criaturas que desafiam a compreensão e vestígios de um passado que se recusa a desaparecer, um garoto desperta — sem memórias, sem passado… mas carregando algo que não deveria existir. Guiado apenas por instinto, ele atravessa terras abandonadas, onde o silêncio pesa e cada passo parece despertar algo adormecido. Dentro dele, algo cresce. Algo que não compreende. Algo que não pode controlar. E, embora ninguém saiba… há alguém observando. Esperando. Porque neste mundo… nada é simples. nada é seguro. E cada passo o aproxima de algo muito maior — e muito mais sombrio do que qualquer um poderia imaginar. --- ... Eu escrevo essa história e público imediatamente no Wattpad, para trazer essa história para o Inkitt eu tenho que modificar bastante a estrutura dela... Mas enfim Between Worlds no Wattpad segue com 22 capítulos publicados, Além de que tem mais duas histórias que estou trabalhando com o passar do tempo... Agradeço por acompanhar esta jornada.

Genre
Mystery
Author
ReyArts
Status
Ongoing
Chapters
2
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 1 - O Mistério da Esfera

- A Esfera °

O sol ainda não havia vencido as nuvens cinzentas.

Uma pequena cidade abandonada permanecia em silêncio.

O vento arrastava poeira pelas ruas vazias, e as paredes, cobertas por raízes e musgo, eram como cicatrizes do tempo.

Tudo parecia esquecido.

Mas, no subsolo, algo quebrava o silêncio dos escombros antigos.

Nas profundezas da mina, o ar era pesado.

O cheiro de ferro oxidado, suor e sangue impregnava as narinas.

Picaretas tilintavam contra a pedra, misturando-se a ecos de gritos abafados.

Homens e mulheres, se arrastando entre pó e barro, reduzidos a escravos - trabalhavam até que seus ossos tremessem.

O eco metálico se espalhava pelos túneis como um ritmo constante e opressor.

Entre eles, um trabalhador de aparência decrépita - coberto de fuligem e suor - avançava aos tropeços, quase perdendo o equilíbrio a cada passo.

Sua respiração falhava.

Carregada de urgência

Ele para diante de um homem de postura altiva, cujo olhar parecia arder mais que o próprio fogo.

- S-senhor...! - o trabalhador arfou, apoiando as mãos nos joelhos.

- Encontramos... algo.

- Lá embaixo...

Ele faz uma breve pausa, tentando recuperar o fôlego.

- O senhor estava certo...

- talvez tenha algo a ver...

- com restos do mundo antigo...

Aquele homem enfim se vira para o trabalhador.

E, quase sem perceber, ergue levemente o queixo.

Um sorriso de pura arrogância começa a se formar em seu rosto, seus olhos brilham como uma chama cruel.

- Ótimo... excelente.

A voz ecoa pelas paredes de pedra como um trovão contido.

Ele dá alguns passos à frente.

As botas pesadas batem contra o chão como marteladas secas.

- Então... debaixo de tantos escombros... realmente havia algo escondido, hm?

Seus olhos se estreitam por um instante, avaliando mais do que o ambiente.

- Vamos...

Um leve gesto com a mão.

- O que está esperando?

- Me leve até o local.

- C-ce... certo, senhor... - o trabalhador confirma no mesmo instante.

...

No coração da mina, uma cratera instável havia sido aberta.

O calor sufocante subia do solo, como se avisasse que estavam indo longe demais.

O trabalhador aponta para o local recém-exposto.

- Este é o setor principal de mineração, comandante...

Ele hesita por um instante antes de continuar.

- Não sei se o senhor consegue ver... mas encontramos a superfície de algo... desconhecido.

Seus olhos evitam encarar diretamente a coisa.

- O problema é que o material ao redor dela é difícil demais de remover...

O comandante não responde de imediato.

Por um momento, ele apenas observa - sem se mover.

O silêncio se prolonga ainda mais.

- Você chama isso de problema?

A voz sai baixa.

Quase... calma demais.

Ele dá mais um passo à frente.

- Se está no caminho...

Um breve olhar para os trabalhadores.

- Então quebrem.

Mas ninguém sustentava o olhar.

Até respirar se tornava difícil demais.

- Enviem os usuários de magia.

O olhar dele retorna para a cratera.

- E tragam aquilo até mim o quanto antes.

Outro instante de silêncio se forma.

- O meu tempo... não deve ser desperdiçado.

O trabalhador mal tem tempo de reagir, e a quietude se rompe antes mesmo de se firmar - um barulho repentino surge ao longe.

Se aproximando rápido demais.

O som ecoa com urgência pelos túneis da mina, alguns trabalhadores param o que estavam fazendo, curiosos...

Não era muito comum receber visitantes naquela região, principalmente... em grupo pequeno

O som para abruptamente.

Um impacto seco.

E então, alguém desce do cavalo

O som de seus passos mantém o silêncio afastado por uns instantes

Um homem surge na entrada do setor, levemente ofegante, coberto por poeira.

Mas algo além de sua aparência não escapava à percepção dos presentes:

As vestes daquele homem carregavam o símbolo da capital.

Ninguém fala, mas todos entendem.

O homem se aproxima do comandante parando em sua frente,

Mas hesita por um breve instante... e então se curva.

- Comandante... trago ordens diretas da Capital.

O ambiente muda levemente com o peso daquelas palavras.

O olhar do comandante não se move.

- Então fale.

O mensageiro engole seco.

- O senhor deve retornar imediatamente à capital.

- E...

Ele hesita.

- Entregar seu cargo.

A última frase sai mais baixa do que o normal.

O silêncio que se segue não é comum.

Também não é vazio - ele pressiona, como se o próprio ar aguardasse a reação.

O comandante não responde de imediato.

Apenas observa, imóvel, como se estivesse decidindo se aquilo era mesmo verdade.

- Você está brincando comigo...? Por acaso não teme a morte?

A voz sai baixa, mas pesada o suficiente para endurecer o ambiente.

O mensageiro hesita novamente, mas não recua.

- Eu não ousaria, comandante...

- Esse título...

Ele para, relutante - mas continua mesmo assim.

- A capital ordena que não o use.

- Senhor Fraink.

A fala pesa no mesmo instante.

"Ousando me chamar pelo nome...?"

"Então é isso... aqueles vermes da capital..."

"Como ousam... me descartar assim?"

Seus olhos se estreitam levemente.

"Depois de tudo que eu fiz por esse lugar... depois de anos mantendo essas minas funcionando - eles acham que podem simplesmente me substituir?"

Um sopro curto escapa pelo nariz.

Controlado demais.

Ele ergue o olhar novamente, como se nada tivesse acontecido.

- Entendo...

Ele curva a cabeça levemente.

- Ordem... recebida.

Ele se vira, já se afastando alguns passos.

- Estarei retornando à capital ainda hoje.

- Volte... e entregue minha mensagem.

O mensageiro hesita sob um peso quase invisível.

- Sinto muito... Senhor Fraink.

Mas logo se levanta, recuando alguns passos e seguindo de volta pelo caminho por onde veio, mais apressado do que o normal.

Pouco depois, o som dos cascos volta a ecoar - agora se afastando, engolido lentamente pelos túneis da mina.

O silêncio se ergue por longos segundos.

Fraink observa o mensageiro se afastando cada vez mais.

Imóvel, como se planejasse algo que apenas ele sabia.

Por um breve instante, parece que tudo terminou ali.

E então-

- Enviem batedores.

A voz sai baixa. Controlada.

O trabalhador ao lado hesita.

- Ma-mas, senhor...?

O olhar de Fraink não se move.

Mas o silêncio é pesado demais para ser ignorado.

Ele vira levemente o rosto, o suficiente para que o olhar alcance o homem ao lado.

Frio demais.

- Preciso repetir?

A pergunta não é alta.

Mas carrega algo pior que um grito.

O trabalhador sente um frio subir pela espinha no mesmo instante.

- N-não, senhor.

Ele abaixa a cabeça rapidamente.

- Vou providenciar agora mesmo.

Sem esperar mais um segundo, afasta-se rápido demais, como se permanecer ali por mais um instante custasse mais do que podia pagar.

O som dos passos some.

E, entre a mina e os trabalhadores... apenas Fraink permanece.

Ele finalmente volta o olhar para a cratera.

Para aquilo enterrado sob as camadas densas de pedra.

Seus dedos se movem levemente ao lado do corpo, impacientes.

- Tudo bem...

Ele ergue a mão lentamente, aberta como alguém prestes a receber algo.

Por um instante, nada acontece.

Mas então, meio segundo depois, uma centelha nasce no centro da palma.

Pequena demais para ser levada a sério... viva o suficiente para não ser ignorada.

Ela cresce aos poucos, como se respirasse, alimentando-se do próprio ar ao redor.

A luz se intensifica gradualmente, passando de um amarelo suave para um laranja mais denso, até alcançar um vermelho profundo, pesado, que pulsa como um coração instável.

O calor se espalha.

O espaço ao redor se distorce levemente, como se o próprio ar estivesse sendo pressionado para fora.

A esfera continua crescendo, comprimida, densa - não muito maior que a mão que a sustenta, mas pesada o suficiente para fazer o ambiente inteiro reagir à sua presença.

Alguns trabalhadores recuam sem perceber, instintivamente, incapazes de sustentar aquele calor.

Apenas Fraink parece não se incomodar com a energia que aquilo emanava.

Ele observa por alguns instantes.

Até que um leve sorriso se forma.

- Vamos ver... o que isso esconde.

Sem pressa, ele fecha parcialmente os dedos ao redor da esfera - não para apagá-la, mas para contê-la.

E, no instante seguinte, seu braço se move em um gesto rápido e preciso.

A esfera é lançada sem a menor hesitação.

A massa de fogo corta o ar com violência, atravessando o espaço da mina em linha reta, deixando um rastro incandescente para trás.

O impacto vem quase no mesmo instante.

E o som que se segue não é apenas de colisão - é de ruptura.

Um clarão violento preenche o túnel por um breve instante.

Logo em seguida, uma onda de calor sufocante se espalha, avançando como um golpe invisível e forçando os escravos a recuarem, cada um tentando proteger o próprio rosto por puro instinto.

O chão treme.

Fragmentos de rocha são lançados em todas as direções, cortando o ar como lâminas descontroladas, ricocheteando pelas paredes estreitas da mina.

Fraink encara o caos que se forma diante dele com uma tranquilidade que beira o desconfortável.

O barulho, os gritos, o tremor, tudo parece distante - como se não o alcançasse.

O silêncio que se segue não pertence ao ambiente.

Pertence a ele.

E então...

- Meu Senhor...!

A voz surge apressada.

O mesmo trabalhador de antes reaparece, visivelmente abalado, o rosto ainda marcado por poeira e tensão.

Ele se aproxima rápido demais, quase tropeçando.

- N-nós temos um pro...

A voz falha, quebrando no meio.

Os olhos dele se desviam, fixando-se em algum ponto atrás de Fraink.

- ...blema.

A última palavra sai atrasada.

Baixa demais para a urgência que parecia carregar, como se já não fosse mais sobre o que ele veio dizer.

O trabalhador dá um passo para trás,seguido de outro.

No terceiro, tropeça nos escombros e cai ao chão, ainda sem conseguir desviar o olhar.

Seus olhos tremem, presos naquilo que flutuava no fundo da cratera.

Estranha demais para o mundo que viviam.

- S-se... senhor Fraink...?

A voz falha.

Fraca demais.

Fraink permanece parado, o olhar fixo no fundo da cratera - sem a menor intenção de responder.

- Então...

O tom é baixo demais para ser ouvido claramente, quase um sopro.

- Eu estava certo.

Uma breve pausa.

- Finalmente...

Seus olhos se estreitam.

Não havia dúvida naquele olhar.

Apenas reconhecimento.

Um leve arco surge no canto de seus lábios, contido demais para o peso daquilo diante dele.

- Então era isso...

Fraink ainda observa a esfera por mais alguns instantes.

Então se vira lentamente.

- Kael.

O trabalhador congela ao ouvir o próprio nome.

- Quero que subam aquilo imediatamente.

O homem hesita.

Fraink franze levemente o cenho.

- Por acaso ficou surdo?

- N-não, senhor...!

A resposta vem rápida demais.

- É que...

Ele engole seco, e baixa o olhar, incapaz de encará-lo por mais um segundo.

- O senhor... lá embaixo...

Uma pausa curta.

- O caminho não está... estável.

Silêncio.

Pesado demais.

Fraink observa o homem por um segundo a mais do que o necessário.

Então, um suspiro curto escapa.

- Que inúteis...

É fácil enxergar uma leve frustração em seu rosto, mas logo vira-se novamente em direção à cratera.

Dá alguns passos à frente, como se quisesse ver melhor.

- Quero que me encontre lá embaixo.

E, sem hesitar- salta.

O corpo desaparece nas profundezas da mina.

Durante a queda, suas mãos e pés encontram apoio nas paredes irregulares.

Movimentos precisos.

Controlados.

Como se o próprio ambiente fosse extensão do seu corpo.

Pedra após pedra.

Desvio após desvio.

No fundo da cratera, o calor ainda subia do impacto anterior, distorcendo o ar.

Mesmo assim, ele não recua.

Pelo contrário - apenas continua, como se tivesse ganhado mais velocidade.

E atinge o chão com um impacto leve.

...

Fraink ergue-se, mantendo o olhar fixo no que estava à sua frente.

No centro da cratera, havia algo.

Uma esfera negra, com um leve tom arroxeado que parecia se mover sob a superfície.

Ela flutuava a poucos centímetros do chão.

Imóvel.

Perfeita demais.

O ar ao redor não condizia com o restante do ambiente.

Mais denso.

Mais pesado - como se aquilo não pertencesse àquele lugar.

Ou talvez...

Como se já estivesse ali muito antes deles chegarem.

O silêncio permanece por alguns segundos, quase sufocante.

Logo depois, passos descuidados ecoam pelos corredores da mina.

Kael surge entre os escombros, descendo com dificuldade, ainda tenso pelo calor que só aumentava.

Ele alcança o fundo da cratera, parando ao lado de Fraink.

E então vê.

O corpo trava mais uma vez ao encarar aquilo de perto.

- Senhor... isso é...

A voz falha antes de se completar.

Seus olhos permanecem presos na esfera, incapazes de se afastar.

Fraink não responde de imediato.

Continua observando, como se analisasse algo que apenas ele conseguia compreender.

- Eu nunca vi nada como isso nos registros... - diz por fim, em tom baixo.

- Talvez eu esteja diante de uma descoberta capaz de mudar tudo.

Kael engole seco.

- Se o senhor estiver certo... o seu cargo-

- Sim. - Fraink confirma, sem hesitar.

Seu olhar permanece fixo na esfera, atento a algo que ainda não havia se manifestado por completo.

Mesmo assim, ninguém realmente sabia o que aquilo poderia ser...

Por um instante, nada acontece.

Até que- a superfície vibra.

Não como algo vivo... mas como algo que deixou de permanecer estável.

O brilho arroxeado se intensifica sob a superfície lisa, percorrendo-a em pulsos irregulares - como se algo estivesse tentando emergir...

Ou retornar.

Kael recua meio passo, sem perceber.

E então- um pulso percorre toda a esfera.

De dentro para fora - uma luz roxa se projeta por um breve instante.

Não forte.

Mas o suficiente.

O suficiente para revelar, por um fragmento de segundo - uma silhueta dentro dela.

O ar muda instantaneamente.

Mais pesado.

Não como antes...

Dessa vez, muito mais denso.

Como se céu e terra estivessem se comprimindo lentamente.

A própria luz parece enfraquecer ao redor daquilo.

Fraink interrompe o passo por um instante, percebendo a mudança no ambiente.

Mas continua logo em seguida.

Ele avança calmamente, mantendo toda a atenção na esfera.

Passos lentos.

Controlados.

Seus olhos não demonstram medo - apenas interesse.

A esfera reage novamente.

Ela começa a ceder.

Mas não se quebra.

Nem explode.

Ela se comprime.

Cada vez mais - como se estivesse sendo puxada para dentro de si mesma.

A forma perfeita se deforma, afundando em camadas que se dobram umas sobre as outras - até perder completamente sua estrutura inicial.

E então...

algo muda.

A matéria escura se alonga para baixo, espessa, quase viscosa - como uma sombra que ganhou peso.

Diante daquilo - os dois apenas observam.

Imóveis.

A esfera já não existia mais.

Mas algo ocupava seu lugar.

Um contorno.

Uma forma.

Encoberta.

A massa negra se conecta a esse ponto, e começa a recuar para dentro dele - sendo absorvida com uma lentidão quase deliberada.

Braços.

Tronco.

Rosto.

A forma humana se revela pouco a pouco, ainda envolta por resíduos daquela escuridão que insistem em permanecer.

Até que, por fim-

as últimas camadas cedem.

Revelando o que estava oculto sob as sombras.

...

Um garoto.

Completamente imóvel.

Ainda flutuando a poucos centímetros do chão.

Mas não era apenas isso.

O ambiente ao seu redor parecia... congelado.

Pedras.

Poeira.

Destroços.

Até mesmo seus próprios cabelos permaneciam levemente erguidos, presos em um instante que não avançava.

Além disso, não era possível ver seus olhos.

Nem mesmo sua forma por completo - como se algo impedisse que fosse enxergado de verdade.

E naquele instante- ninguém se movia.

Nem mesmo Fraink.

O corpo do garoto cede lentamente, até tocar o chão.

Mas não desaba.

Permanece erguido de forma estranha, sustentado por algo que não se vê.

Seus cabelos escuros absorvem a pouca luz da mina, enquanto reflexos pálidos surgem de forma irregular - como se não pertencessem a ele.

Fraink não ousa desviar o olhar,

mas não por medo,

e sim por fascínio.

Sem pressa, ele começa a se aproximar, disposto a entrar naquela pequena área esquecida pela gravidade.

Ainda assim, não deixa de avaliar cada detalhe.

- ...Não era isso que eu esperava.

A voz sai baixa, mais para si mesmo do que para qualquer outro.

O trabalhador o observa, curioso, sem entender o que ele pretendia fazer.

Fraink continua avançando.

"Isso não faz sentido..."

A distância diminui até que pudesse alcançá-lo.

Ele ergue a mão levemente, antes de atravessar aquele pequeno espaço, seu corpo parece hesitar por um instante...

Mas seus olhos não expressam o mesmo.

A mão se aproxima.

E no mesmo instante, ele sente uma distorção sutil - como se aquele espaço não obedecesse às mesmas regras.

E então, quando tenta tocá-lo - algo se move - rápido demais.

O garoto reage.

A mão fecha repentinamente ao redor de seu braço.

Firme.

Precisa.

Impedindo qualquer aproximação.

Mesmo com a cabeça baixa.

Mesmo sem sinais de consciência - como se aquele movimento fosse mais um reflexo do que uma ação clara.

Fraink para.

Mesmo assim, sua reação permanece neutra.

Mas as chamas em seus olhos ainda demonstram curiosidade.

Ele tenta puxar o braço de volta, como se nada tivesse acontecido.

Mas, por algum motivo, não consegue...

Por um momento, se surpreende com a força daquilo.

Ele aplica mais força.

Mas a pressão em torno de seu braço muda.

Ele continua puxando- intensificando o esforço.

E mesmo assim, não se move.

Nenhum centímetro.

Sua expressão já não era a mesma.

O olhar se estreita levemente, sutil demais para ser percebido.

E então...

Um calor começa a surgir sob sua pele.

As chamas aparecem primeiro como um brilho contido, mas crescem rápido, envolvendo seu braço com intensidade crescente.

O ar distorce ao redor.

A força aumenta.

Os trabalhadores curiosos espalhados pela mina - desviam o olhar com a claridade intensa das chamas.

Até que enfim,

o aperto cede...

A mão do garoto se solta.

E Fraink recua alguns passos, quase tropeçando.

Ele pressiona a área apertada instintivamente, como se tentasse amenizar a dor.

Mesmo sem entender como aquele simples garoto pode ter tanta força.

O olhar permanece fixo no garoto por mais alguns segundos.

Agora mais duro.

Mais impaciente.

E, pela primeira vez- ligeiramente irritado.

Fraink não consegue ignorar o incômodo em seu braço.

Ele desvia o olhar, tentando entender o que estava acontecendo em seu corpo...

Até que-

- Se-senhor Fraink...

A voz de Kael sai trêmula, com uma urgência quase imperceptível.

Fraink ergue o olhar novamente.

E sente um leve frio ao perceber - que o garoto já não estava mais como antes.

As pedras e destroços que flutuavam ao redor do garoto se moviam lentamente - como se, de alguma forma, reagissem a ele...

Até que, sem aviso- o garoto abre os olhos.

Ou pelo menos...

era o que parecia.

Seu corpo reage, erguendo levemente a cabeça.

Alguns metros à sua frente, Fraink permanece, sem saber exatamente o que estava por vir...

Principalmente, sem saber se aquilo sequer olhava para ele.

Nos olhos do garoto, havia algo... errado.

Profundos demais.

Não era possível distinguir sua cor, mas a intensidade era inegável.

O suficiente para que qualquer um que os encarasse- se perdesse.

Mesmo que apenas por um instante...

Fraink dá um passo à frente.

Sua intenção estava clara.

Entender...

E controlar.

Mas então - como se percebesse algo além do visível

O garoto reage.

As pedras que flutuavam ao seu redor são lançadas como projéteis.

Rápidas demais.

Impossíveis de acompanhar.

Elas se espalham em todas as direções, atingindo o que restava da mina- destruindo quase todo o setor de mineração.

Trabalhadores que ainda vagavam são esmagados sob os escombros - outros gritam por socorro, atravessados antes mesmo de compreender o que aconteceu.

Mas havia alguém entre eles, que não fez som algum.

Kael.

Parado alguns passos atrás de Fraink, o corpo tremia como se algo dentro dele estivesse prestes a falhar.

Até que - ele cospe sangue.

Fraink entende no mesmo instante o que aconteceu.

Mas não se move - como se aquilo não tivesse importância.

Kael baixa o olhar para o próprio corpo- e percebe.

Uma parte essencial...

Já não estava mais lá.

Ele tenta falar, mas não consegue...

Kael ergue o olhar, percebendo Fraink, mas desvia logo em seguida - fixando-se naquilo que lhe feriu.

Sua respiração falha - como se o próprio peito estivesse sendo comprimido por uma força invisível.

Os joelhos cedem levemente.

Os dedos tremem.

Até mesmo se manter de pé exigia um esforço que ele já não conseguia sustentar.

Não eram apenas as consequências do ataque.

Era algo pior.

O medo.

Mas não um medo comum.

Era... diferente.

Como se cada instinto dentro dele gritasse ao mesmo tempo - como se uma única mensagem ecoasse, repetidamente-

"Você não deveria estar aqui."

Mesmo assim,

Kael reage.

Ergue a mão com dificuldade em direção ao garoto.

Seu braço pesa muito mais do que deveria naquele momento.

Mas não para.

Com esforço... começa a fechar levemente os dedos.

Até que- ele olha mais uma vez para Fraink.

Logo em seguida, retorna o olhar para onde o garoto estava.

Ou pelo menos, é o que ele esperava...

Porque, entre um instante e outro - o garoto havia sumido.

Kael sente uma alteração no ar - um peso irregular - como se algo tivesse sido arrancado dele abruptamente.

Fraink se vira rapidamente em direção a ele, mas, ao fazê-lo, não olha para ele- e sim para algo atrás dele.

Algo que não estava ali antes.

De costas.

Imóvel.

Kael hesita.

A mão ainda erguida.

Mas já não era força- na verdade... seu corpo já não respondia mais.

Ele força mais um pouco.

- Dro-droga...

A visão se estreita, como se o mundo estivesse sendo puxado para longe

E então,

seu corpo desaba.

Sem nenhuma resistência.

...

Fraink não acompanha a queda de Kael.

Seus olhos estão focados em outra coisa- algo na mão do garoto.

Pulsando...

antes de desaparecer.

"Nenhuma ruptura.

Nenhum deslocamento visível."

Seus olhos percorrem o garoto, mesmo sem haver movimento algum.

"Como alguém... ... não, como eu não consegui acompanhar..."

"Os movimentos daquela coisa."

Ele tenta continuar pensando, mas algo o impede no mesmo instante...

Ele sente um aperto percorrer todo o seu corpo - como um eco profundo, sem fim - como uma sentença que parecia gritar do fundo da alma.

Ou então... como se algo que ele havia abandonado, tivesse retornado

"Como que... o meu corpo, parece tão pesado?"

Ele serra levemente os dentes

"Esse garoto conhece alguma magia?"

Até que sua expressão relaxa meio segundo depois.

Fraink baixa a cabeça levemente.

Seus olhos se estreitam,

Seus punhos fecham...

Ele percebe o que estava ignorando instantes atrás - mesmo que seu corpo tivesse alertado repetidamente...

Medo.

Mesmo assim, sua intenção não muda.

"Ok... vou ter que mudar meus planos."

"Ainda bem que venho preparando este solo há muito tempo..."

A essa altura, qualquer faísca abaixo da superfície - seria o suficiente para levar toda a mina pelos ares.

Ele ergue o olhar, como se buscasse uma direção.

E então-

algo.

Não um som.

Não um movimento claro.

Mas algo.

Seu corpo reage antes do pensamento.

Ele se desloca para a esquerda num reflexo brusco, rápido demais- como se tivesse evitado algo.

...

Silêncio.

Fraink permanece naquela posição por um instante a mais do que deveria.

O corpo ainda tenso, os músculos preparados para um impacto que não veio.

Nada.

Nenhum ataque.

Nenhuma presença.

O garoto permanece exatamente no mesmo lugar.

Imóvel - como se nada tivesse acontecido.

O olhar de Fraink vacila por um único instante.

Não por medo.

Mas por algo pior- inconsistência.

"O que..."

Ele não termina.

Seus olhos se estreitam.

"Eu desviei..."

Uma pausa.

"...do quê?"

O silêncio responde.

Pesado.

Errado.

"Já cansei dessa brincadeira."

Ele não espera mais.

Um gesto mínimo.

Faíscas saltam de seus dedos e atingem o chão.

E então-

o solo responde.

Um som grave percorre as profundezas da mina.

As paredes vibram.

O ar se comprime.

E, no instante seguinte- a explosão rompe tudo.

O chão sob seus pés se ergue, inflando em uma reação violenta - que devora a mina em segundos.

As chamas disparam pelos corredores, consumindo tudo que ainda permanece.

Uma pressão brutal o lança para cima, arremessando-o para fora da cratera.

As chamas o acompanham, distorcendo o ar ao redor de seu corpo.

Ele tenta olhar para baixo.

Chamas.

Fumaça.

Escombros despencam por toda parte.

A visão falha.

Nenhum sinal do garoto.

É então que- algo muda.

O ambiente pesa instantaneamente.

Fraink sente antes mesmo de ver.

Ele vira o rosto- e percebe.

O garoto.

Suspenso no ar.

Próximo demais - como se sempre tivesse estado ali.

Fraink reage no mesmo instante.

O corpo tenta girar, mas algo trava o movimento.

Instinto.

Se não defendesse, não haveria próxima ação - ele ergue os braços - cruza a guarda.

E então-

o impacto.

Direto.

Bruto.

O soco atravessa sua defesa como se ela não existisse.

O ar se rompe ao redor.

O corpo de Fraink é lançado em alta velocidade,atravessando a abertura da mina como um projétil- colidindo contra um prédio antigo.

A estrutura cede no mesmo instante.

...

Destroços voam por toda parte.

A poeira se ergue como uma explosão, rápida demais para conter.

E então-

Fraink emerge dos escombros.

Uma tosse pesada.

Sangue.

Ele tenta se mover, mas o corpo falha por um instante.

A visão ainda borrada - não por muito tempo.

Até que o peso retorna.

Mais uma vez.

Fraink sente a pressão se formar ao seu redor.

No instinto,

Ele ergue a mão - uma lâmina de fogo nasce em um instante.

Sem hesitar, ele corta o ar.

Uma onda de chamas avança, arrastando tudo à frente - rasgando o espaço em direção ao garoto.

Ele se aproximava.

Sem pressa.

O impacto vem.

O ar explode.

O céu se tinge de laranja - iluminando a mina por um breve instante.

Fraink observa a massa de fogo se fechar ao redor do garoto.

Esperando.

Mesmo que fosse pouco, queria ver - ao menos um dano.

E então, de novo

A mesma sensação.

A mesma opressão.

Fraink reage.

Gira o corpo, a lâmina já em movimento - um golpe cego.

Mas o garoto apenas ergue a mão - segurando a lâmina - sem esforço,

Como se aquilo não significasse nada - como se não fosse possível.

E então,

Como uma vela, ele apaga a espada.

As chamas se dissipam lentamente no ar

Restando apenas a mão de Fraink - erguida

Seus olhos se fixam no garoto, incrédulo

Por um instante ninguém mais reage

Ele sabia que não podia ficar parado - sabia que deveria fazer alguma coisa, se quisesse seguir...

Mas...

Naquele exato momento, não importa o que pensasse... nada perecia funcionar.

A voz vem errada,

Falha, e pela primeira vez... confusa

- O... o que é você...?

Nenhuma resposta

O garoto se move lentamente, como se soubesse que ele não reagiria

Mesmo sem consciência.

A mão se ergue,

Os dedos se abrem.

Um toque.

No peito.

E o impacto vem.

Seco - como um soco na alma.

Ainda mais forte que o anterior.

A armadura cede no mesmo instante, se partindo quase por completo.

O corpo responde, sem forças - sem resistência

O dano se espalha como rachaduras.

Mas ele não é lançado - não desta vez.

Permanece ali.

Em pé.

Imóvel.

Por um segundo, forçado a sustentar o próprio peso.

Até que, meio segundo depois,

cedem...

Os joelhos falham.

O corpo inclina lentamente,

E caem

Sem força.

...

O garoto o observa por um breve instante,

Mesmo sem consciência.

Mesmo sem expressão.

Olho por olho, como se, de alguma forma, reconhecesse a bravura.

E então-

Simplesmente se afasta.

Caminhando em direção à cratera novamente - como se nada daquilo tivesse importância - como se estivesse apenas - retornando.

Ele se aproxima do que restou da cratera, agora completamente destruída.

Até que, simplesmente, para.

O vento reage.

Assobia ao redor dele.

Seus olhos se apagam completamente.

Até mesmo seus cabelos caem suavemente sobre o rosto, como se estivessem suspensos até agora.

E então...

o corpo cede.

E ele cai.

Ali mesmo, sobre aquele morro.

Aquela coisa que eles despertaram permanece no chão, enquanto o vento leva os ecos do que aconteceu sobre a mina.

O ambiente se acalma.

Mas não muda.

Como se o mundo estivesse em silêncio... apenas esperando.

...

Sobre os escombros no fundo da cratera, uma planta cresce.

Como se nada disso importasse - como uma lembrança de que nem tudo é perda.

...

E assim, algo que permaneceu escondido por muito tempo... enfim, retornou…

...

O CAPÍTULO 1 ESTÁ COMPLETAMENTE CONCLUÍDO

- LEMBRANDO QUE ESSA É A VERSÃO REVISADA DO CAPÍTULO 1 INICIAL, QUE SINCERAMENTE... SOFREU MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS, MAS NECESSÁRIAS...

ESPERO QUE GOSTEM DESSA VERÃO,

REFORÇANDO ALGUNS ERROS AINDA NÃO ESCAPAM DESSA VERSÃO, MESMO ASSIM, ESTAREI CORRIGINDO COM O PASSAR DO TEMPO.

AGRADEÇO DESDE JÁ!