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A Secretária do Diabo

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Resumo

Ela desapareceu depois de uma noite inesquecível. Seis meses depois... Seu novo chefe bilionário olhou para ela e disse: "Você me parece familiar." Ele nunca pode saber que ela é a mulher com quem passou aquela noite. Porque se ele se lembrar... ela perderá tudo.

Status
Completo
Capítulos
34
Classificação
4.6 15 avaliações
Classificação Etária
18+

O Escritório do Diabo

O Escritório do Diabo

A chuva castigava o asfalto. Não era apenas o clima. Parecia um aviso.

Eva Chen estava na calçada, deixando o temporal encharcar seu sobretudo barato, e inclinou a cabeça para trás para olhar o arranha-céu. Blackwood Enterprises. A torre de vidro cortava as nuvens de tempestade como uma lâmina. Aterrorizante — mas era exatamente onde ela precisava estar.

Ela apertou uma pasta fina contra o peito como se fosse um escudo. Dentro dela, um currículo construído com meias-verdades e desespero. O aviso final de despejo chegara ontem. A clínica onde sua mãe estava internada parara de fazer ameaças vazias; as dívidas médicas eram sufocantes. Pague ou saia.

Ela ficou ali tempo suficiente para uma mulher que passava com um guarda-chuva lhe lançar um olhar estranho. Eva quase deu meia-volta. Quase voltou para o metrô, para o apartamento com o aviso de despejo colado na porta, para uma versão de sua vida onde ela não precisava se tornar outra pessoa para sobreviver. Sua mão encontrou o crachá de visitante que ela imprimira na biblioteca — ela poderia rasgá-lo agora mesmo, desaparecer de volta na chuva, e ninguém na Blackwood Enterprises saberia que Eva Chen quase passou por suas portas.

Ela não rasgou. Em vez disso, passou pelas portas giratórias.

O saguão foi projetado para intimidar. O mármore preto se estendia para todos os lados, e o ar frio atingiu suas roupas molhadas com força suficiente para fazê-la tremer. Ela se aproximou da recepção. A recepcionista não se deu ao trabalho de olhar para cima no início e, quando finalmente o fez, seu olhar percorreu os sapatos gastos e o casaco úmido de Eva antes de voltar para o monitor.

“Eva Chen”, disse Eva com firmeza. “Entrevista das nove. Secretária executiva.”

Tec, tec, tec — as unhas de acrílico da mulher dançavam pelo teclado. “Décimo segundo andar. Recursos Humanos. Elevadores prateados.”

Eva agradeceu e se afastou. Conversas flutuavam pelo enorme saguão — “...três secretárias em dois meses”, “...chorou no elevador antes mesmo de descer”. O estômago de Eva deu um nó.

Então ela viu. Um enorme painel digital brilhava na parede: Ethan Blackwood, em uma gala de caridade. Mesmo congelado em uma fotografia, ele impunha respeito. Queixo marcado. Olhar frio. Ela desviou o olhar antes de perceber que estava encarando, e as portas de latão do elevador refletiram sua expressão ansiosa de volta para ela.

Décimo segundo andar.

O escritório de Recursos Humanos parecia tão frio quanto o saguão. A sra. Park, a diretora de RH, nunca sorria. A entrevista pulou todas as perguntas previsíveis — sem pontos fortes, sem pontos fracos, apenas velocidade de digitação, trabalho sob prazos impossíveis e controle de pressão.

“O sr. Blackwood é... diferente”, disse a sra. Park. “Semanas de noventa horas. Ele não repete o que diz. Nunca.”

“Entendido.”

A sra. Park deslizou um pacote grosso sobre a mesa. “NDA. Políticas da empresa. Código de conduta.” Uma pausa. “O sr. Blackwood não tem paciência para erros.” Outra pausa. “E ele valoriza a lealdade acima de tudo. Está claro?”

Eva não leu uma única página. Ela assinou com a assinatura falsa que praticara e memorizara semanas atrás. “Claro.”

Um telefone tocou. A sra. Park olhou para a tela e, pela primeira vez, sua expressão mudou — apenas por um segundo. Então ela se levantou.

“Mudança de planos.” Sua voz estava tensa. “O sr. Blackwood conduzirá a entrevista final pessoalmente.”

Todo o calor abandonou o corpo de Eva. Isso não era para acontecer.

“Siga-me.”

Minutos depois, Eva estava sozinha dentro do elevador executivo, observando os números subirem. 35... 36... 37... As paredes espelhadas refletiam alguém que ela mal reconhecia — cabelos tingidos de preto, um coque dolorosamente apertado, óculos grandes. Ela enterrara cada traço da mulher que costumava ser e, por um segundo de descuido, perguntou-se se fizera isso de propósito ou se alguma parte dela simplesmente queria desaparecer por completo, muito antes de Marcus lhe dar um motivo para isso.

O elevador apitou. Quadragésimo andar.

O último andar era silencioso. Portas de carvalho maciço ficavam no final do corredor, e Eva as empurrou, sentindo como se estivesse caminhando para a forca.

O escritório era enorme, com janelas do chão ao teto que davam para a cidade encharcada pela chuva. Um homem estava de costas para ela, com as mãos cruzadas atrás do corpo, observando o horizonte. Ela parou no centro da sala. Dez segundos se passaram. Vinte. Trinta. Ele sabia que ela estava lá. Ele simplesmente escolheu não reconhecer sua presença.

Finalmente, ele se virou.

Ethan Blackwood dominava a sala sem dizer uma palavra — alto, impecavelmente vestido com um terno cinza-chumbo, calmo, controlado. Seus olhos cinzentos e claros pousaram sobre ela com precisão silenciosa, como se pesassem cada mentira que ela pudesse contar antes mesmo de ela dizer uma palavra. Ele nunca olhou para o currículo dela. Ele olhou apenas para ela.

“Três secretárias pediram demissão nas últimas oito semanas.” Sua voz ecoou pela sala, baixa e controlada. “Uma me acusou de ser abusivo porque exijo competência.” Uma pausa breve. “Por que você vai durar?”

“Eu não choro por causa de erros de formatação.”

Pela primeira vez, algo mudou — o canto de sua boca se contraiu. “Por que você deixou seu último emprego?”

“Corte de pessoal.”

Ele deu a volta na mesa, sem pressa, cada passo diminuindo a distância entre eles. “E do que você está fugindo, srta. Chen?”

Seu pulso vacilou. Será que ele sabe?

“Estou correndo para pagar meus empréstimos estudantis.” A mentira veio sem esforço.

Ele parou perto o suficiente para que ela sentisse sua presença. Sem pedir, ele alcançou o currículo ainda preso contra o peito dela, seus dedos roçando os dela. O contato durou menos de um segundo — então o perfume a atingiu.

Bergamota. Cedro. A mesma colônia.

Ela prendeu a respiração. Sua expressão não mudou.

Pela primeira vez, Ethan hesitou. Seu olhar demorou-se no rosto dela.

“Você parece familiar.” Sua voz estava mais baixa agora.

“Eu tenho um daqueles rostos comuns.”

Nem um piscar de olhos. Nem uma rachadura. Ela encontrou seus olhos sem desviar. O silêncio se estabeleceu entre eles. Ele examinou o rosto dela por mais um momento, depois se afastou, voltou para sua mesa, abriu seu laptop e falou sem olhar para cima.

“Você começa na segunda-feira.” Outra pausa. “Não se atrase.”

Eva saiu sem olhar para trás. As portas pesadas se fecharam atrás dela. Só então ela se permitiu respirar. Ela se encostou na parede do corredor, dez segundos para entrar em pânico, então se recompôs, ajustou os óculos, alisou a saia. Seja invisível. Nada mais.

Dentro do escritório, Ethan não se movera. Seus olhos permaneciam fixos nas portas fechadas. Ela tinha ido embora, mas o perfume de baunilha e chuva ainda pairava no ar. Seu maxilar se contraiu.

Lentamente, ele colocou a mão dentro do paletó e tirou seu celular pessoal. Uma pasta oculta abriu com um deslize — uma única fotografia, granulada, tirada de uma câmera de segurança de hotel seis meses antes. Uma mulher caminhando descalça por um corredor. Cabelos ruivos caindo pelas costas.

Ele estudou a foto e, em seguida, olhou para a porta fechada. Seu polegar discou um número. Chamou uma vez.

“Descubra por que não consigo parar de olhar para ela”, disse ele calmamente. “Eva Chen. Quero saber tudo — de onde ela veio, do que está fugindo, tudo isso.”

Ele encerrou a ligação. Seu olhar voltou para a porta, incapaz de desviar os olhos do espaço onde ela estivera parada.

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Enredo Envolvente

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Personagem Ótimo

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Diálogo Forte

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Diálogo Forte

Ver 10 comentários anteriores...
author

A wonderful first chapter. The tension between them is almost tangible, and poor Eva was forced by her family's circumstances to accept a job she would otherwise have never considered.

um mês
author

Excellent first chapter, builds the stakes, establishes the scenery, and sets everything up. No paragraph is wasted.

um mês
author

I would've asked what he did to make his previous assistant call him abusive 😅 Like, come on Ethan, don't be shy, tell us what you did.

um mês

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