Wrong Side Of The Room
**Capítulo 1: O Lado Errado do Quarto**
Owen Hayes odiava o dia da mudança. O estacionamento era um circo de SUVs lotados e pais chorosos, aquele tipo de caos orquestrado que o deixava arrepiado. Ele marcou sua chegada para o meio da tarde, esperando evitar o pior, mas Hawthorne Tower ainda cheirava a tinta fresca, suor e sonhos destruídos.
Ele arrastou as malas pelo corredor do sexto andar, com fones de ouvido, já mentalizando a versão educada, porém distante, de si mesmo que apresentaria ao novo colega de quarto. *Quieto. Focado. Não estou aqui para fazer melhores amigos.* Quarto 612. Ele destrancou a porta e entrou no que deveria ser seu espaço pelo próximo ano.
Era decente — duas camas, duas mesas, uma boa luz natural. O lado direito estava completamente intocado. Perfeito. Owen tomou posse do lado esquerdo imediatamente, o lado mais perto da janela e mais longe do banheiro. Ele gostava de ter controle sobre seu ambiente. Precisava disso, na verdade. Arrumou a cama com cantos militares, organizou os livros por tamanho na prateleira e conectou seus fones com cancelamento de ruído como se fossem um suporte de vida.
Quando terminou, o quarto parecia ser dele. Ele permitiu-se um suspiro pequeno e satisfeito.
A porta foi aberta de supetão vinte minutos depois.
Um cara alto entrou de costas, arrastando um enorme duffel bag e uma bolsa de equipamentos de basquete, com fones de ouvido tocando algo agressivo. Ele se virou, viu Owen e tirou um dos fones.
"Merda. Você chegou cedo."
Owen arqueou uma sobrancelha. "Ou você chegou tarde."
O cara — ombros largos, traços marcantes, o tipo de beleza natural que provavelmente abria portas sem ele precisar bater — jogou suas bolsas na cama da *direita*. O lado que Owen tinha escolhido.
"Esse lado é meu", disse Owen.
O recém-chegado parou. "Não vi seu nome nele."
Owen apertou o maxilar. "Já desfiz minhas malas. O lado da janela é melhor para a luz natural. Tenho aulas cedo."
O cara — Owen já podia adivinhar quem ele era, o logotipo do basquete na bolsa era chamativo o suficiente — deu de ombros e começou a mover o cobertor extra de Owen, dobrado com cuidado, para a outra cama de qualquer jeito. "Sou mais alto. Preciso do espaço perto da porta para me alongar. Ordens do treinador. Mason Brooks, a propósito."
"Owen Hayes." O nome saiu seco. Ele observou Mason tomar território como se fosse dono do prédio. "Você sempre... pega o que quer?"
A boca de Mason se curvou em algo que não chegava a ser um sorriso. "Só quando não está pregado no chão. Relaxa, cara. É um quarto de alojamento, não um campo de batalha."
Owen mordeu a língua para não dizer as primeiras três respostas que lhe vieram à mente. *Você é exatamente o que eu esperava. Um atleta metido que acha que o mundo gira ao redor dele.* Em vez disso, ele disse: "Alguns de nós realmente se importam com o sono. E com os estudos. Nem todo mundo está aqui de graça."
As palavras soaram mais pesadas do que ele pretendia. A postura relaxada de Mason não mudou, mas algo em seus olhos esfriou.
"De graça?", repetiu Mason, com a voz enganosamente calma. Ele abriu o zíper da bolsa e começou a jogar as roupas nas gavetas sem organização nenhuma. Um par de tênis caros caiu perto dos sapatos de Owen, alinhados com cuidado. "Que suposição fofa. Você sempre julga as pessoas nos primeiros trinta segundos, ou eu sou especial?"
Owen sentiu o calor subir pelo pescoço. Ele odiava ser confrontado. Odiava mais ainda que Mason tivesse feito isso com tanta facilidade. "Eu chamo isso de ser observador."
"Observador", Mason repetiu, saboreando a palavra. Ele se endireitou, cruzando os braços. O movimento fez o tecido fino de sua camisa esticar sobre seu peito. "Ou crítico. De qualquer forma, estamos presos um ao outro, a menos que a administração resolva essa porra."
Owen franziu a testa. "O que você quer dizer?"
Mason pegou seu celular e o jogou na cama de Owen. O e-mail já estava aberto. Escritório de habitação. Algum erro com os quartos prioritários para atletas. Mason tinha sido prometido um quarto individual ou, pelo menos, um colega de quarto compatível. Em vez disso, jogaram Owen ali de última hora — uma falha de prioridade para veteranos ou qualquer bobagem burocrática desse tipo.
"Ótimo", murmurou Owen. "Então eu sou o prêmio de consolação."
Mason recuperou seu celular. "Não se ache tanto. Não preciso de uma babá nem de caridade. Tenho treino às seis da manhã. Tente não ser um notívago."
Ele desapareceu no banheiro. A porta se fechou com um clique firme — não chegou a ser uma batida, mas quase.
Owen encarou o lado direito do quarto, agora bagunçado. Roupas penduradas pela metade para fora das gavetas. A bola de basquete deixada no meio do chão como um obstáculo. Ele já conseguia imaginar os próximos nove meses: tropeçando nas tralhas de Mason, ouvindo-o entrar e sair em horários estranhos, lidando com o fluxo constante de colegas de time que provavelmente tratariam o quarto como uma sala de estar.
Ele sentou na cama e massageou as têmporas. Era exatamente por isso que preferia livros a pessoas. Personagens ficam em seus lugares. Eles não invadem seu espaço e depois agem como se *você* fosse o problema.
A porta do banheiro abriu novamente. Mason surgiu com uma camisa limpa, o cabelo ainda úmido. Ele pegou a bola de basquete e a girou uma vez no dedo com uma facilidade irritante.
"Estou indo para a academia. Você pode colocar seu cobertor de volta se for um problema tão grande assim." Ele pausou na porta. "Mas um aviso: eu sou esquentado. E não sou de deixar bilhetes passivo-agressivos na geladeira."
Owen encontrou seu olhar. "Bom. Eu não lido com divas metidas que acham que as regras não se aplicam a elas."
Por um segundo, algo real brilhou no rosto de Mason — frustração, talvez diversão, talvez ambos. Então, o meio sorriso retornou, mais afiado do que antes.
"Divas. Ousado. Boa noite, Hayes."
A porta se fechou.
Owen se jogou de volta na cama e encarou o teto. O quarto já parecia menor. Carregado. Como se o próprio ar estivesse esperando pela próxima faísca.
Ele disse a si mesmo que não importava. Eles definiriam limites. As pessoas faziam isso o tempo todo. Mas, enquanto ouvia o quique distante de uma bola de basquete ecoando em algum lugar lá fora, ele não conseguia afastar a sensação de que Mason Brooks seria um problema muito barulhento e muito persistente.
Seu celular vibrou. Escritório de habitação: *Devido à alta demanda, mudanças de quarto não podem ser processadas até a próxima semana, no mínimo. Pedimos desculpas por qualquer inconveniência.*
Owen fechou os olhos.
Uma semana.
Ele já estava contando as horas.


