The Death Office Refused Her por MaraVale em Inkitt
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O Escritório da Morte a Rejeitou

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Resumo

Todos em Grayhaven acreditam que Nora Vale está morta. Seu marido a enterrou, sua irmã tomou o seu lugar e até mesmo a sua própria casa começa a esquecê-la. Mas, quando Nora encontra o escondido Escritório da Morte, o funcionário se recusa a registrá-la como falecida. A página de sua morte foi arrancada, e o homem enviado para coletar fins atrasados sabe o porquê. Para recuperar seu nome, Nora precisa seguir um rastro de mortes roubadas, dívidas antigas e um perigoso desire antes que a vida que lhe foi tirada se torne impossível de recuperar.

Gênero
Mystery
Autor
MaraVale
Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Her Own Memorial

Meu marido me enterrou às onze da manhã.

Eu cheguei às 11:17.

Foi a primeira coisa que verifiquei ao alcançar os degraus da igreja: o relógio de bronze acima das portas da frente da St. Jude's. Eu precisava de um fato comum. Algo com que ninguém pudesse discutir.

Onze e dezessete.

Chuva nas minhas mangas.

Lama sob as minhas unhas.

Um corte na palma da mão esquerda que já tinha parado de sangrar.

Eu estava viva.

Dentro da igreja, todos concordavam que não.

Uma fotografia em moldura de prata ficava ao lado da entrada. O cartão abaixo dela dizia:

Nora Elaine Vale.

Esposa amada. Irmã devotada. Partiu cedo demais.

A mulher na fotografia usava o meu vestido azul-marinho e estava em frente à minha antiga floricultura.

À primeira vista, ela parecia comigo.

Então vi a cicatriz que faltava.

Deveria estar acima da sobrancelha esquerda. Uma fina linha branca do verão em que caí pelo telhado da estufa quando eu tinha doze anos. Celia sempre odiou aquela cicatriz. Minha irmã dizia que ela deixava meu rosto com uma aparência severa, como se sobreviver a algo significasse que eu devia a todos uma versão mais bonita de mim mesma.

Toquei minha sobrancelha.

A cicatriz ainda estava lá.

Prova.

Se é que a prova ainda significava alguma coisa.

O órgão tocava lá dentro. Um som grave, lento, pesado o suficiente para fazer as velhas tábuas do chão tremerem.

Abri a porta da capela e entrei no meu próprio serviço memorial.

Ninguém gritou.

Isso era pior.

A Sra. Bell, da padaria, olhou para mim, franziu a testa e virou-se de volta para a frente, como se tivesse quase lembrado de um nome e o perdido de novo. A esposa do prefeito deu uma olhada nos meus sapatos sujos de lama. Um menino no segundo banco sussurrou algo para a mãe, e ela o puxou para mais perto.

Eles me viram.

Eles só não sabiam o que estavam vendo.

Na frente da capela, Adrian estava ao lado de um caixão fechado.

O meu caixão.

Sua mão estava entrelaçada na de Celia.

Minha irmã usava um vestido preto, o meu pente de pérolas e aquela expressão suave e destruída que ela usava quando as pessoas a viam sofrer. O pente brilhou sob a luz das velas quando ela virou a cabeça.

Eu guardava aquele pente na caixa de veludo azul do lado esquerdo da minha cômoda.

Não na gaveta de visitas.

Não na gaveta onde as roupas de funeral pudessem ser encontradas por acidente.

Na gaveta particular.

"Adrian."

O som do órgão falhou.

Ele virou-se.

Por um segundo, meu marido me reconheceu.

Eu vi antes que ele escondesse. O rosto dele ficou vazio. Os dedos apertaram a mão de Celia.

Então, ele olhou para as pessoas nos bancos e voltou a ser um homem em luto.

"Senhora," disse ele gentilmente, "este é um serviço privado."

Senhora.

Caminhei pelo corredor.

"Não me chame assim."

As pessoas se afastaram de mim enquanto eu passava. Senti cheiro de lírios, lã molhada, cera de vela e aquele polidor forte que a igreja usava em feriados.

Celia me encarou com lágrimas já prontas nos olhos.

"Nora?" sussurrou ela.

O alívio me atingiu com tanta força que quase parei.

Então, Celia deu meio passo para trás do meu marido.

"Você se parece com ela," disse ela.

A capela ficou em silêncio.

Olhei para minha irmã. "Eu sou ela."

Adrian baixou a voz. Ele era bom nisso. Baixo o suficiente para soar gentil. Alto o suficiente para que todos ouvissem.

"Nora morreu três dias atrás."

"Então abra o caixão."

Celia fez um som baixo.

Não era luto.

Era medo.

Virei-me para ela. "Por que não?"

Ela olhou para o caixão fechado. Depois, para Adrian.

"Porque você não deveria estar aqui," disse ela.

Não porque isso seja impossível.

Não porque você está me assustando.

Porque você não deveria estar aqui.

Minhas mãos ficaram geladas.

"O que você fez?"

Adrian afastou-se do caixão.

"Alguém chame o Dr. Vale."

"Não me faça parecer doente."

"Esta mulher está perturbada," ele disse à sala. "Por favor, não falem com ela."

Esta mulher.

Não minha esposa.

Não Nora.

Esta mulher.

Peguei um dos programas do funeral na mesa ao lado do corredor. Papel creme. Tinta preta. Meu nome no topo.

Em memória amorosa de Nora Elaine Vale.

Nascida em 18 de agosto de 1990.

Falecida em 1 de julho de 2026.

Abaixo das datas havia uma fotografia de Adrian e eu no píer atrás da nossa casa. Lembrei-me daquela tarde. O lago estava verde. Adrian tinha deixado cair seus óculos escuros entre as tábuas e xingado porque achou que ninguém o ouviu.

No programa, meu rosto começou a mudar.

A tinta não borrou. Ela se corrigiu sozinha.

Minha boca suavizou. Meu queixo afinou. A cicatriz acima da minha sobrancelha desapareceu.

No tempo em que pisquei, Celia estava ao lado de Adrian no meu lugar.

Deixei cair o programa.

O recepcionista fez o sinal da cruz.

Adrian não olhou para baixo.

Ele olhou para mim.

Como se estivesse esperando que eu entendesse.

"Você usou", eu disse.

A expressão dele rachou.

Só um pouco.

O suficiente.

Celia tentou alcançá-lo. "Adrian."

Olhei para o caixão. "Quem está aí dentro?"

Ninguém respondeu.

Essa resposta também foi o bastante.

Afastei-me deles, do caixão fechado, de cada rosto que já tinha decidido que o luto era mais fácil que a verdade.

"Nora", disse Adrian, e agora a gentileza soava mais falsa. "Você precisa de ajuda."

"Não", eu disse. "Eu preciso de registros."

Corri antes que alguém pudesse me tocar.

Lá fora, a chuva batia nos degraus da igreja com força. Atravessei o caminho de cascalho e passei pela fotografia emoldurada perto da entrada.

A mulher na moldura de prata já não parecia nada comigo.

Ela parecia a Celia.

Foi aí que parei de pensar nisso como um erro.

Isso era burocracia.

Alguém tinha me apagado da minha própria vida através de papelada.

Quando meu pai morreu, eu tinha catorze anos. Lembro-me do agente funerário saindo com um envelope lacrado sob o casaco. Eu o segui para além do tribunal, do cartório, até o beco atrás da antiga relojoaria.

Ele tinha entrado por uma porta preta estreita com uma placa de latão.

DEATH OFFICE

Registros. Reclamações. Correções.

Minha mãe segurou meu pulso antes que eu pudesse bater.

"Algumas portas são para os mortos", ela me disse. "Outras são para as pessoas que lucram com eles."

Eu não pensava nessa frase há anos.

Agora ela era o único mapa que eu tinha.

Corri para o beco.

A porta preta ainda estava lá.

A placa de latão também.

Desta vez, quando alcancei a maçaneta, a porta se abriu antes mesmo de eu tocar nela.

Um ar quente saiu. Papel, poeira, fósforos apagados.

Lá dentro, a sala era maior que o prédio. Arquivos se estendiam para dentro de uma luz amarelada. Um relógio acima do balcão tiquetaqueava sem avançar.

Uma velha sentava atrás do balcão com um livro de registros aberto à sua frente.

Ela não parecia surpresa.

"Nome?"

"Nora Elaine Vale."

Sua caneta parou.

Foi a primeira coisa útil que alguém tinha feito naquela manhã.

Ela olhou para cima.

"De novo?"

Agarrei o balcão. "O que isso significa?"

"Significa que perguntei seu nome."

"Meu marido está me enterrando em St. Jude's. Minha irmã está usando minhas roupas. Todo mundo está me chamando de morta."

"Você está?"

Eu a encarei.

"Não."

"Então sua reclamação não é com a morte."

"É, se a morte aceitou a papelada."

Pela primeira vez, a atendente pareceu quase interessada.

Ela abriu uma gaveta e tirou uma pasta amarrada com um fio preto. Meu nome estava escrito na etiqueta.

NORA ELAINE VALE.

O fio se soltou sozinho.

A pasta abriu.

A atendente a virou para mim.

Certidão de nascimento.

Certidão de casamento.

Registro de propriedade.

Então, uma borda rasgada.

A quarta página tinha sido arrancada.

O papel ao redor do rasgo estava escuro, como se o arquivo tivesse sangrado tinta.

"Onde está o resto?", perguntei.

"Sua página de óbito está faltando."

O alívio veio primeiro. Um alívio estúpido e radiante.

"Então eu não estou morta."

"Não", disse a atendente. "Significa que alguém a usou."

A sala pareceu se inclinar para mais perto.

Pressionei minha palma sangrando sobre o balcão.

"Quem?"

A atendente olhou para minha mão. Depois para a página rasgada.

"Essa é a pergunta que tem te mantido viva."

"Eu não entendo."

"Você não está registrada como falecida, Sra. Vale."

Por um segundo, eu consegui respirar.

Então ela bateu na borda rasgada.

"Você está atrasada."

Nota da autora:

Uma nova história começa aqui. Se todos concordam que Nora está morta, o que ainda resta para ela: seu corpo, seu nome ou a verdade?

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