Chapter 1
Emery Collins estava sentada no chão, ao lado da sua cama no dormitório, com lágrimas escorrendo silenciosamente pelo rosto.
De novo.
Ela tinha escolhido o cara errado para amar.
Ela deveria saber melhor.
Ela sempre sabia.
Do lado de fora da porta do seu quarto, vozes ecoavam pelo pequeno apartamento que ela dividia com suas melhores amigas.
Poppy Bennett.
Maya Carter.
As duas pessoas que nunca a deixavam desmoronar sozinha.
“...ele é um idiota.”
Logan Hayes parecia estar a uma frase de sair para caçar alguém.
“Posso arranjar uma conversa se ela quiser.”
“Logan”, Poppy suspirou.
“Estou falando sério.”
“Eu sei que está.”
A voz mais calma de Maya se juntou à conversa.
“Não acho que outra briga seja o que a Emery precisa agora.”
Nicholas Hayes murmurou algo baixo demais para Emery ouvir.
Um segundo depois, Maya deu uma risadinha cúmplice.
“Você está com aquele olhar.”
“Que olhar?”, perguntou Nicholas.
“Aquele que diz que você já planejou três formas diferentes de lidar com ele.”
“São apenas duas.”
Logan bufou.
“Números de amador.”
Apesar de tudo...
O canto da boca de Emery quase se contraiu.
Quase.
Então ela se lembrou do porquê estava chorando.
O sorriso desapareceu.
Ela abraçou o travesseiro com mais força contra o peito.
Havia uma coisa que ela tinha aprendido com o passar dos anos.
Caleb Bennett.
Logan Hayes.
Nicholas Hayes.
Os três eram inseparáveis desde crianças.
Se um deles precisava de ajuda...
Os outros dois já estavam a caminho.
Era uma das razões pelas quais ela os amava como se fossem da família.
Também era uma das razões pelas quais ela sabia que nada de bom viria do que quer que estivessem planejando.
Uma risada ecoou pela parede ao lado dela.
Emery fechou os olhos com força.
O dormitório vizinho.
Ela sabia exatamente de quem eram aquelas vozes.
Sawyer Bennett.
E a garota que tivesse chamado a atenção dele nesta semana.
Ela não reconhecia a risada da garota.
Raramente reconhecia.
Isso não deveria tê-la incomodado.
Ela tinha passado anos se convencendo de que não se importava.
Que a vida amorosa de Sawyer não tinha nada a ver com ela.
Que ela eventualmente pararia de se comparar a cada garota que entrasse na vida dele.
Ela estava mentindo para si mesma há anos.
Uma batida suave interrompeu seus pensamentos.
“Em?”
Poppy.
“Por favor, destranque a porta.”
Emery cobriu a boca enquanto outro soluço escapava.
Ela não conseguia.
Ainda não.
“Emery.”
A voz de Poppy estava mais gentil agora.
“Você não precisa passar por isso sozinha.”
“Eu...”
A voz dela falhou.
“...eu não consigo.”
“Você não precisa falar nada.”
“Apenas abra a porta.”
Emery encarou a tranca.
Ela queria abrir.
De verdade.
Mas se ela abrisse aquela porta...
Tudo o que ela estava mal conseguindo segurar iria desmoronar.
“Apenas vá embora.”
Silêncio.
Então—
“Você não me deixa escolha.”
Emery franziu a testa.
“Do que você está falando?”
Os passos de Poppy se afastaram da porta.
“Caleb.”
“Oi?”
“Vá buscar o Sawyer ali ao lado.”
Houve um breve silêncio.
Então Poppy continuou sem hesitar.
“Diga para ele parar de foder qualquer garota que esteja embaixo dele e diga que precisamos de ajuda.”
Uma tosse ecoou da sala de estar.
“Jesus, Poppy”, Logan murmurou.
“O quê? Vocês todos sabem que estou certa.”
Caleb riu.
“Entendido, maninha.”
Os passos dele desapareceram pelo corredor.
Emery sentou-se tão rápido que seu travesseiro caiu no chão.
“Não.”
Ela limpou as lágrimas às pressas.
“Não, não, não.”
O pânico tomou conta do seu peito.
Qualquer um, menos ele.
Ela poderia sobreviver ao fato de suas amigas a verem assim.
Ela poderia sobreviver às provocações de Caleb até que ela sorrisse.
Ela poderia até sobreviver às ameaças de Logan a outro idiota que tivesse partido seu coração.
Mas o Sawyer?
De jeito nenhum.
Porque havia uma coisa que ninguém sabia.
Nem a Poppy.
Nem a Maya.
Nem o próprio Sawyer.
O motivo pelo qual todo cara errado sempre foi o cara errado...
Era porque nenhum deles jamais tinha sido ele.





