Prólogo
Correndo pelo asfalto molhado, Sam tinha apenas uma coisa em mente: contar a boa notícia para sua esposa.
Depois de quatro meses desempregado, ele finalmente tinha conseguido um trabalho. Um sorriso surgiu em seu rosto enquanto ele imaginava a reação dela. Provavelmente, ela pediria desculpas por chamá-lo de inútil nas últimas semanas, cobrindo-o de palavras doces para compensar.
Ele fingiria estar chateado por alguns instantes antes de finalmente ceder ao carinho dela.
O pensamento o fez sorrir novamente enquanto ele balançava a cabeça levemente e pisava mais fundo no acelerador. O trânsito estava calmo naquela noite. Ele baixou o vidro, e o ar úmido da noite invadiu o carro violentamente, bagunçando seu cabelo castanho.
Sua atenção foi subitamente atraída por uma velha placa de madeira apontando para um atalho para a cidade. Sem hesitar, Sam entrou na estrada estreita e enlameada que cortava a floresta escura.
Os solavancos constantes dos buracos faziam seu estômago embrulhar. Sentindo que seu último jantar ia subir, ele se inclinou para pegar um saco de enjoo no porta-luvas, quando algo bateu violentamente contra seu para-brisa antes de ser arremessado para a parte de trás do veículo.
O pânico tomou conta dele.
Ele pisou fundo no acelerador, deu uma guinada brusca e bateu nas árvores que margeavam a estrada.
Meu Deus… que porra foi essa? ele pensou, com o coração batendo descompassado.
Ofegante, ele rapidamente saiu do veículo e pegou uma lanterna. A poucos metros, uma figura jazia imóvel na lama.
No início, ele pensou que fosse um animal.
Mas, ao se aproximar, o horror o dominou quando percebeu que era um homem — gravemente ferido.
Suas roupas rasgadas estavam encharcadas de sangue. Estranhas marcas de garras cobriam seu braço esquerdo. Um ferimento profundo no pescoço sangrava muito, e parte de seu lado direito parecia ter sido arrancada.
Aqueles ferimentos não poderiam ter sido causados pelo impacto com seu carro.
Sam se agachou e virou o corpo com cuidado. O homem ainda respirava, mas quase não se percebia.
Ele pegou o celular para pedir socorro.
"Droga!", ele praguejou ao ver que não havia sinal.
Rasgando rapidamente um pedaço da própria manga, ele pressionou contra o ferimento no pescoço do desconhecido para estancar o sangue, quando o homem ferido o segurou de repente pela gola, tremendo violentamente, com os olhos arregalados de terror.
"Eles estão aqui...", o estranho sussurrou com uma voz rouca. "As criaturas do inferno... elas estão entre nós."
Sam franziu a testa, descrente.
O homem estava claramente em choque.
"Eu preciso te levar para um hospital agora mesmo, ou você vai morrer", disse ele, ignorando as palavras delirantes do homem ferido.
Com muita dificuldade, ele carregou o homem de volta para sua picape e o deitou no banco de trás.
Quando estava prestes a entrar, uma força invisível o jogou violentamente contra uma árvore, quebrando suas costelas.
Atordoado e lutando para respirar, Sam se levantou lentamente.
Foi quando ele viu.
Uma figura encapuzada arrastando o homem ferido pela lama.
Sam deu alguns passos hesitantes em direção ao estranho, mas o que viu em seguida o congelou no lugar.
Da escuridão surgiu uma criatura monstruosa, posicionando-se entre ele e a figura encapuzada.
A besta era coberta por uma pelagem preta e espessa, com suas presas afiadas expostas sob os lábios curvados. Seus olhos brilhantes queimavam com uma intensidade aterrorizante, enquanto um rosnado profundo escapava de sua garganta.
Ela estava pronta para atacar.

