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Capítulo Um
Calor & Sombras
A mão da menina ainda estava quente.
Lena Caruso não conseguia se obrigar a soltá-la.
Os monitores já estavam silenciosos há muito tempo. As vozes frenéticas dos médicos e enfermeiros tinham diminuído para um silêncio respeitoso, substituídas pelos sons abafados do pronto-socorro que continuava a funcionar logo depois da cortina. Mais uma ambulância tinha chegado. Mais um paciente precisava de atendimento.
A vida continuava.
Sempre continuava.
Mas, dentro da Sala de Trauma Quatro, o tempo recusava-se a passar.
"Sinto muito", disse o Dr. Conti em voz baixa, tirando as luvas. "Hora do óbito... vinte e uma horas e quarenta e três minutos."
Ninguém falou nada.
Lena olhou para a mãozinha enrolada em seu dedo.
Oito anos de idade.
Ela tinha chegado rindo.
Ela partiu em silêncio.
A mãe da menina desabou ao lado da maca com um grito tão visceral que parecia partir a sala ao meio.
"Não... não, por favor... Mia, querida... acorda..."
O peito de Lena apertou dolorosamente.
Ela já tinha visto a morte mais vezes do que conseguia contar. Idosos. Ataques cardíacos. Acidentes de carro. Tiroteios de gangues. Overdoses.
Com crianças, nunca ficava mais fácil.
Nunca.
Ela ajoelhou-se ao lado da mulher em luto sem pensar, envolvendo os ombros trêmulos com o braço, enquanto as lágrimas que tentava segurar ameaçavam cair.
"Sinto muito", ela sussurrou.
As palavras sempre pareciam inúteis.
Que conforto existia para um pai ou mãe saindo de um hospital sem o seu filho?
Nenhum.
Após vários minutos longos, outra enfermeira tocou gentilmente o ombro de Lena.
"Temos outro caso de trauma chegando."
Claro que tinham.
O mundo não parava só porque o dela tinha parado.
Lena assentiu uma vez e, cuidadosamente, soltou os dedos da menina dos seus.
"Sinto muito", ela sussurrou uma última vez.
Depois, ela se afastou.
Duas horas depois, ela finalmente tirou as luvas e a touca cirúrgica.
Ela estava com uma aparência horrível.
Cachos escuros escapavam do coque bagunçado para todos os lados. Olheiras arroxeadas estavam sob os olhos castanhos-âmbar que tinham visto coisas demais para um só dia. Seu uniforme azul estava manchado de antisséptico, soro e exaustão.
Ela jogou água fria no rosto no banheiro dos funcionários.
Não ajudou.
"Você está com cara de quem morreu."
Lena olhou para a porta.
Marissa Vega estava encostada no batente com dois copos de café, seu batom escuro ainda impecável, apesar de um turno de doze horas.
"Eu ia dizer que estou cansada."
Marissa entregou um dos cafés para ela.
"Você passou do nível de cansaço há umas seis horas."
Lena aceitou com um suspiro de gratidão.
"Perdi uma criança hoje."
A expressão brincalhona desapareceu do rosto de Marissa.
"Ah."
"Oito anos de idade."
Marissa não perguntou o que aconteceu.
Ela não precisava.
Trabalhar com trauma significava entender que algumas histórias é melhor não contar.
Em vez disso, ela se aproximou e puxou Lena para um abraço.
"Sinto muito."
Lena apoiou a testa no ombro da amiga.
Por um segundo...
Apenas um segundo...
Ela se permitiu sentir o peso que carregara o dia todo.
Então, ela se recompôs.
"Estou bem."
"Mentira."
"Eu vou ficar."
"Continua sendo mentira."
Uma terceira voz interrompeu as duas.
"Se vocês já terminaram com o drama..."
Aria Bennett apareceu carregando três sacos de comida.
Diferente da confiança natural de Marissa, Aria irradiava calor. Ela sorria para quase todos que encontrava, e de alguma forma a pediatria a adorava por isso.
Esta noite, porém, até o seu sorriso parecia contido.
"Trouxe carboidratos de emergência."
Marissa suspirou de forma teatral.
"Nosso anjo chegou."
Aria ergueu os sacos.
"Batatas fritas com alho."
"Retiro todas as coisas ruins que já disse sobre você."
"Você nunca disse nada de ruim sobre mim."
Elas riram.
Não foi uma risada alta.
Mas foi o suficiente.
Trinta minutos depois, elas estavam sentadas no refeitório do hospital, quase vazio, compartilhando batatas que já tinham esfriado.
Lena quase não tocou nas suas.
"Sabe do que você precisa?", perguntou Marissa.
"De um coma?"
"De uma bebida."
"De um cochilo."
"Bebida primeiro."
Lena balançou a cabeça.
"Vou para casa."
"Não vai."
"Estou falando sério."
"Nós também estamos."
Aria concordou com entusiasmo.
"Você não tira uma noite de folga há quase três meses."
"Tive na terça."
"Você ficou respondendo e-mails."
"Isso conta."
"Não conta absolutamente nada."
Marissa inclinou-se para frente, apontando uma batata para ela como um advogado acusador.
"Você trabalha."
"Você dorme."
"Você trabalha mais um pouco."
"Você faz compras."
"Você acaba dormindo sem querer assistindo a documentários."
Lena franziu a testa.
"...Como você sabe sobre os documentários?"
"Você me mandou mensagem no meio de um sobre baleias."
"Não me lembro de ter feito isso."
"Você enviou dezessete emojis de baleia."
Aria deu uma risadinha.
"Foi realmente impressionante."
O calor subiu às bochechas de Lena.
"Eu estava cansada."
"Você está sempre cansada."
"Sou enfermeira do pronto-socorro."
"Exatamente por isso que estamos te sequestrando."
Lena estreitou os olhos.
"Não acho que isso seja legal."
"É, se for feito com amor."
"Definitivamente não é."
Marissa levantou-se, pegando a bolsa de Lena antes que ela pudesse protestar.
"Vamos."
"Marissa."
"Nem pensar."
"Estou com cheiro de desinfetante."
"Nós sobreviveremos."
"Tenho trabalho amanhã."
"Nós também."
"Minha bateria social morreu em algum momento de fevereiro."
Aria passou o braço pelo de Lena.
"Por favor?"
Lena olhou de uma para a outra.
Uma já estava na metade do caminho para a saída, carregando sua bolsa.
A outra sorria com esperança suficiente para derreter concreto.
Ela suspirou dramaticamente.
"Eu odeio vocês duas."
Marissa sorriu.
"Não, você não odeia."
“Eu realmente não estou.”
Uma hora depois, Lena estava diante do espelho do seu apartamento, perguntando-se por que tinha aceitado aquilo.
Ela trocou o uniforme de enfermeira por calças pretas sob medida, uma regata de seda cor de esmeralda e uma jaqueta de couro ajustada. Seus cachos escuros agora emolduravam seu rosto em ondas soltas, e ela aplicou apenas o suficiente de maquiagem para esconder o cansaço que ainda sentia.
Quase todo.
Marissa apareceu atrás dela segurando dois pares de salto alto.
“Estes.”
“Os pretos.”
“Os pretos me deixam alta demais.”
“Eles deixam suas pernas um escândalo.”
“Acho que essa frase não faz sentido.”
“Hoje faz.”
Aria saiu do quarto colocando brincos prateados.
“Meu Deus.”
Lena franziu a testa.
“O quê?”
“Você está maravilhosa.”
“Eu pareço funcional.”
“Você parece alguém que está prestes a arruinar a vida de um bilionário por acidente.”
Marissa caiu na risada.
“Eu pagaria para ver isso.”
Lena revirou os olhos.
“A única coisa que vou arruinar hoje é o meu sono.”
Marissa passou o braço ao redor de cada uma das amigas.
“Ótimo.”
“Porque hoje...”
Ela apontou de forma dramática para a porta do apartamento.
“...você não é a Enfermeira Lena.”
“Nada de salvar vidas.”
“Nada de papelada.”
“Nada de hora extra.”
“Nada de pensar.”
Aria sorriu.
“Apenas dançar.”
“E tomar um coquetel muito caro.”
Lena não conseguiu evitar o sorriso.
“Um coquetel.”
Marissa trocou um olhar cúmplice com Aria.
Nenhuma das duas acreditou nela.
Nem por um segundo.
Ao saírem para a noite quente de Milão, Lena não fazia ideia de que, ao amanhecer, toda a sua vida começaria a mudar.
Não por sorte.
Não pelo destino.
Mas porque em algum lugar da cidade, um homem que passou a vida inteira acreditando que pertencia apenas à escuridão estava prestes a olhar através de um salão lotado...
...e ser incapaz de desviar o olhar.
O La Luna dominava o horizonte brilhante de Milão como uma joia suspensa sobre a cidade.
Janelas do chão ao teto emolduravam milhares de luzes que se estendiam à distância, enquanto um jazz suave preenchia o lounge na cobertura. Lustres de cristal lançavam um brilho quente sobre os pisos de mármore polido, e cada mesa era ocupada pela elite de Milão — executivos da moda, políticos, celebridades e aqueles tão ricos que ninguém ousava perguntar como ganhavam dinheiro.
Lena parou logo na entrada.
“Estou malvestida.”
Marissa zombou.
“Você está incrível.”
“Todo mundo aqui tem um iate.”
“E daí?”
“Eu tenho uma cafeteira.”
Aria riu enquanto a recepcionista se aproximava.
“Boa noite. Tem reserva?”
“Marissa Vega.”
A recepcionista sorriu educadamente antes de levá-las pelo lounge lotado.
Lena não pôde deixar de notar como todos ali pareciam... naturais.
Vestidos de grife.
Ternos sob medida.
Relógios caros que provavelmente custavam mais do que seu salário anual.
“Este lugar é ridículo”, murmurou ela.
Marissa se aproximou.
“Exatamente.”
“É intimidador.”
“É inspirador.”
“É caro demais.”
“É de graça porque meu primo conhece o gerente.”
Lena piscou.
“Eu sabia que tinha alguma pegadinha.”
Elas chegaram a uma mesa curva com vista para a cidade.
A vista era de tirar o fôlego.
“Então...” anunciou Marissa, sentando-se. “Regra número um.”
Lena suspirou.
“Já não estou gostando disso.”
“Nada de falar de trabalho.”
“Combinado”, disse Aria.
“Nada de checar e-mails do hospital.”
“Tá bom.”
“Nada de ir embora antes da meia-noite.”
Lena estreitou os olhos.
“Essa parece pessoal.”
“E é.”
Um garçom apareceu quase instantaneamente.
“Champanhe?”
Lena abriu a boca.
“Água—”
“Três taças”, interrompeu Marissa.
Lena resmungou.
“Você é impossível.”
“Já me chamaram de coisas piores.”
Enquanto o garçom se afastava, Aria apoiou o queixo na mão, admirando o horizonte deslumbrante.
“Eu poderia ficar aqui para sempre.”
“Você estaria falida em uma semana”, respondeu Marissa.
“Provavelmente.”
Lena sorriu, apesar de si mesma.
Pela primeira vez em todo o dia...
Ela se sentiu mais leve.
Do outro lado do salão...
Aurelio Romano não tinha rido uma única vez naquela noite.
Ele estava sentado em uma mesa reservada no canto, parcialmente escondido atrás de divisórias de carvalho escuro que proporcionavam privacidade sem isolamento. Seu terno cinza-chumbo parecia costurado diretamente ao seu corpo, com cada linha limpa e precisa. Um relógio de prata repousava em seu pulso — vintage, discreto, valendo mais do que a maioria das pessoas ganharia em anos.
Sua atenção permanecia no homem sentado à sua frente.
“Você mentiu para mim.”
A declaração foi calma.
Quieta.
Quase gentil.
O homem mais velho engoliu em seco.
“Eu... eu cometi um erro.”
Aurelio cruzou as mãos.
“Não.”
Silêncio.
“Você fez uma escolha.”
A respiração do homem acelerou.
“Posso explicar.”
“Eu sei.”
Outra pausa.
“E não acredito em você.”
Sem elevar a voz.
Sem raiva.
Ainda assim, a tensão ao redor da mesa tornou-se sufocante.
Giovanni Ricci, sentado ao lado de Aurelio, não se moveu.
Nem Emiliano Romano.
O homem mais jovem girava casualmente o líquido âmbar em seu copo, sua postura relaxada quase convincente o suficiente para fazer alguém esquecer que tipo de reunião era aquela realmente.
Quase.
Finalmente, Aurelio falou novamente.
“As contas.”
“Serão devolvidas.”
“Já foram.”
Os olhos do homem se arregalaram.
“Você...”
“Eu verifiquei antes de convidá-lo aqui.”
Aurelio levantou-se suavemente.
Sua cadeira mal fez barulho.
“Eu valorizo a lealdade.”
Ele ajustou o punho do paletó.
“Eu não negocio traição.”
Sem dizer mais nada, ele se afastou.
O homem mais velho permaneceu paralisado.
Giovanni deslizou calmamente um envelope lacrado sobre a mesa.
“Seu voo sai em quarenta e cinco minutos.”
O homem encarou-o.
“Eu não entendo.”
“Você recebeu algo que poucas pessoas ganham.”
“O quê?”
“Uma segunda chance.”
Um alívio inundou o rosto do homem.
“O Sr. Romano é misericordioso.”
Giovanni deu um sorriso de leve.
“Não confunda misericórdia com esquecimento.”
Ele se levantou e seguiu Aurelio.
O envelope permaneceu fechado.
Dentro...
Havia apenas um destino.
Nunca volte a Milão.
Lá fora, no terraço da cobertura, Aurelio afrouxou a gravata.
O ar da noite estava mais fresco ali.
Mais silencioso.
Ele preferia assim.
Emiliano juntou-se a ele momentos depois, enfiando as mãos nos bolsos.
“Sabe,” começou ele, “a maioria das pessoas celebraria por evitar um assassinato.”
Aurelio olhou para a cidade.
“Eu não estava planejando um.”
“Não?”
“Eu estava planejando consequências.”
Emiliano riu.
“Semântica.”
Giovanni entrou no terraço.
“Os carros estão prontos quando vocês estiverem.”
Aurelio acenou com a cabeça.
“Só um minuto.”
Giovanni desapareceu novamente, já atendendo a outra ligação.
Emiliano apoiou-se no parapeito.
“Você tem estado mal-humorado a semana toda.”
“Tenho estado trabalhando.”
“Você tem estado pensativo demais.”
“É a mesma coisa.”
“Nem perto disso.”
Aurelio o ignorou.
Seu irmão mais novo o estudou por um longo momento antes de sorrir.
“Eu sei do que você precisa.”
“Tenho quase medo de perguntar.”
“Uma bebida.”
“Eu já estou com uma.”
“Uma mulher.”
Aurelio lançou-lhe um olhar.
“Não.”
“Você não sai com ninguém há...”
Emiliano fingiu calcular.
“...anos.”
“Eu não saio com ninguém.”
“Eu notei.”
“Eu não tenho tempo.”
“Você não arruma tempo.”
“Não há diferença.”
“Há, se você gosta de ser feliz.”
“Eu não sabia que a felicidade estava na agenda de hoje.”
Emiliano riu.
“Você sabe qual é o seu problema?”
“Eu tenho vários.”
“Você esqueceu como viver.”
Por um breve momento...
Aurelio não respondeu.
Em vez disso, ele olhou através do vidro para o salão.
Para a multidão.
E foi então que ele a viu.
Ela estava rindo.
Não alto.
Não de forma dramática.
Apenas o suficiente para que seu rosto inteiro ficasse suave.
Seus cachos escuros emolduravam as bochechas enquanto ela se inclinava para as amigas, com seus olhos âmbar brilhando sob as luzes quentes.
Ela parecia...
Viva.
Um sentimento estranho instalou-se em seu peito.
Desconhecido.
Ele franziu a testa.
“O que foi?” perguntou Emiliano, notando a mudança imediatamente.
Aurelio não respondeu.
Seus olhos nunca deixaram a mulher do outro lado da sala.
Como se sentisse o peso do olhar de alguém...
Lena levantou os olhos.
Seus olhares se encontraram.
Todo o resto desapareceu.
A música.
As conversas.
O tilintar dos copos.
Por um batimento cardíaco suspenso...
Eram apenas os dois.
Ela deveria ter desviado o olhar.
Ela não o fez.
Nem ele.
Do outro lado da sala, Marissa notou que Lena tinha ficado completamente imóvel.
“...Lena?”
Nenhuma resposta.
Aria seguiu o olhar dela.
“Ah.”
Marissa virou-se.
“Ah.”
Perto das portas do terraço estava o homem mais marcante que qualquer uma delas já tinha visto.
Alto.
De ombros largos.
Cabelo escuro penteado cuidadosamente para trás de um rosto forte.
Seu terno cinza-carvão parecia caro sem esforço, mas não era o terno que comandava a atenção.
Era ele.
Ele estava perfeitamente imóvel.
Observando Lena com uma intensidade que, de alguma forma, não era desconfortável.
Era... curiosa.
Calculada.
Como se ele tivesse encontrado algo inesperado.
Marissa inclinou-se para mais perto.
“Aquele homem...”
“O que tem ele?” perguntou Lena, incapaz de desviar os olhos.
“...parece ter pelo menos três corpos enterrados em algum lugar.”
Aria soltou uma risada pelo nariz.
“Eu ia dizer que ele parece ridiculamente gostoso.”
“Ele pode ser os dois.”
“Eu acho que ele é.”
Lena finalmente piscou.
“Eu... na verdade concordo com vocês duas.”
Elas caíram na risada.
Do outro lado da sala, Aurelio captou o som.
Ele não conseguia ouvir as palavras.
Mas ele viu o sorriso dela.
Foi o suficiente para fazer o canto de sua própria boca levantar quase imperceptivelmente.
Emiliano notou imediatamente.
Seus olhos se arregalaram.
“Bem...”
Aurelio chamou o garçom que passava.
Sem tirar os olhos de Lena, ele murmurou algo.
O garçom acenou respeitosamente antes de desaparecer em direção à mesa das mulheres.
Emiliano olhou entre seu irmão e a mulher do outro lado da sala antes de abrir um sorriso lento e satisfeito.
“Então...”
Aurelio arqueou uma sobrancelha.
“...você se lembra de como viver.”
Um momento depois, o garçom parou ao lado da mesa de Lena carregando um copo de cristal preenchido com um coquetel âmbar vibrante.
“Senhoritas,” disse ele educadamente, colocando-o na frente de Lena. “Um cavalheiro pediu que eu entregasse isso.”
Lena levantou os olhos.
O garçom gesticulou sutilmente para o outro lado da sala.
Aurelio ainda a observava.
Ele ergueu seu próprio copo em um brinde silencioso.
Por um batimento, Lena simplesmente encarou.
Então...
Um sorriso lento espalhou-se por seus lábios.
Ela pegou o coquetel.
Ergueu-o em direção a ele.
E sorriu.



