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Cinzas do Bordel

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Resumo

Sobrevivência não é um milagre. É uma transação. Na Casa de Entretenimento "Flor Vermelha", a carne é moeda e a agonia é o único idioma falado. Koel é um escravo com um segredo adormecido: uma linhagem de um quarto de demônio que dorme em suas veias. Seus clientes são monstros vestidos de seda e pele. Lycans sedentos por sangue que anseiam pelo gosto de cobre. Elfos sádicos que tratam seu corpo como sua tela pessoal e sangrenta. Eles vêm para quebrá-lo, para usá-lo, para despedaçá-lo para seu próprio prazer distorcido. Eles pensam que o estão destruindo. Eles estão apenas alimentando-o. Cada chicotada, cada gota de sangue, cada violação é combustível. O demônio interior está despertando, e ele está faminto. Quando finalmente quebrar a jaula, a "Flor Vermelha" queimará, e as ruas serão tingidas de vermelho. AVISO: Este é um grimdark sem filtros. Não há plot armor, não há romance leve e não há espaços seguros. Espere tortura gráfica, conteúdo sexual explícito (incluindo temas dark), gore extremo, desmembramento e combate brutal. Se você procura uma história de amor delicada, procure em outro lugar. Se você quer a verdade nua, crua e sangrenta — bem-vindo ao bordel.

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Livro 1. Cinzas do Bordel CAPÍTULO 1

Local: Mundo-5 (paralelo)

Objeto: Casa de Entretenimento “Red Flower”

Status: Escravo (categoria: lazer)

Código: 1/4 demônio (latente)

Tempo restante: 6 dias 23 horas

Recurso: 3%

As correntes de ferro frio pressionavam seus pulsos, o gelo infiltrando-se profundamente em seus ossos e fazendo seu corpo exausto tremer. Diante dele, estendia-se a sala de punição, paciente e expectante; suas paredes pareciam respirar em antecipação. As superfícies em tom de vermelho e preto traziam as marcas escuras e indeléveis de incontáveis noites — manchas que haviam penetrado no reboco antigo muito mais fundo do que as molduras douradas e ornamentadas que decoravam o teto, um testemunho grotesco do senso estético distorcido e do complexo de deus do projetista. Pelo menos o sangue nas paredes não feria a visão. Prático, de uma maneira horrível.

À sua frente, erguia-se uma estante meticulosamente organizada de instrumentos — metal, couro e madeira, cada peça polida com um brilho ofuscante, quase sagrado, pelo suor e sofrimento daqueles que vieram antes. O brilho cortava a luz fraca e bruxuleante como cacos de vidro quebrado. A sentença por derramar uma bebida na lapela de um cliente: sete dias acorrentado. Acesso livre. Primeira noite. Recurso em zero absoluto.

Seu corpo conhecia o protocolo intimamente, tensionando-se automaticamente com a precisão treinada de um soldado antes da batalha, como se preparasse para um mergulho em águas geladas e implacáveis. Sua respiração travou na garganta, mas ele forçou o ritmo a se estabilizar pela força de vontade pura.

Inspira. Expira.

Apenas mais uma rotina neste ciclo infinito de degradação. Passos pesados ecoaram no corredor, seu ritmo deliberado e ameaçador. Duas cadências distintas — uma confiante e autoritária, a outra ficando um pouco para trás com incerteza subserviente. A porta pesada se abriu sem ruído, revelando duas silhuetas contra a luz fraca do corredor. Uma fêmea e um macho. O cheiro o atingiu primeiro, um ataque visceral aos seus sentidos: pelo molhado, adrenalina forte e um perfume barato tentando desesperadamente mascarar os feromônios esmagadores, mas perdendo a batalha miseravelmente.

Lycans.

Koel apertou o maxilar com tanta força que a articulação estalou audivelmente. Claro. A noite começou mal, o que significava que terminaria da mesma forma — como tudo em sua vida nos últimos anos torturantes. Uma única gota de suor escorreu por sua espinha, um reflexo de medo primal que ele não conseguiu controlar, apesar de anos de condicionamento. Seu corpo se preparou para os golpes inevitáveis, como um cão se encolhendo antes de uma tempestade. Mestres de feras. Eles sempre vinham em busca do exótico e saíam com expressões satisfeitas e saciadas. Ciclo padrão de cliente. Aparentemente, faltava-lhes imaginação ou talvez coragem para algo mais refinado.

“Olhe para este espécime requintado.”

Dedos ásperos agarraram seu queixo com força brutal. Uma torção aguda e dolorosa. Unhas cravaram em sua pele, deixando marcas em forma de meia-lua que ficaram brancas instantaneamente devido à pressão.

“Passarinho. Você vai proporcionar prazer?”

Ela chutou os sapatos com desdém casual. Despiu-se lenta e metodicamente, com a confiança suprema que apenas a impunidade absoluta e o poder desenfreado podem dar. O macho já estava escolhendo seu instrumento de tortura. Ele revirou chicotes, ganchos e grampos com o olhar exigente de um conhecedor. Parou em um chicote de couro pesado adornado com cruéis pontas de metal, pesando-o na mão como um açougueiro selecionando a faca perfeita para o abate.

“Eu quero sangue”, disse ele, sua voz assustadoramente calma, embora seus dedos tremessem levemente no cabo. A escolha era óbvia, previsível. Os clientes adoravam o conjunto clássico. Sem inovações, sem surpresas, apenas a fórmula confiável e testada pelo tempo da dor.

Seu coração falhou uma batida, depois martelou contra as costelas como um pássaro preso buscando desesperadamente escapar. Seu pulso disparou perigosamente. Adrenalina inundou suas veias, quente e amarga, preparando seu corpo para o ataque.

Golpe.

O ar explodiu de seus pulmões em um chiado irregular e doloroso. A pele rasgou com uma ruptura repugnante, e a dor atravessou seus nervos — afiada, limpa, precisa, como o bisturi de um cirurgião cortando a carne.

Golpe.

Rios de sangue escorreram por suas omoplatas, quentes e viscosos, pintando sua pele de carmesim. O cheiro metálico de ferro misturou-se com a luxúria avassaladora dos lycans, criando um aroma enjoativo, doce e pesado. O cheiro de flores podres após uma chuva de verão, sufocante e pegajoso.

Koel entreabriu seus olhos inchados. As pupilas da fêmea estavam dilatadas, quase completamente pretas, engolindo a íris por inteiro. Sua respiração vinha em suspiros ofegantes. Sua língua traçou os lábios em um movimento lento e deliberado, e naquele movimento havia algo faminto, desesperado, quase feral. Um predador sentindo uma presa vulnerável. Ou talvez um predador com medo de que a presa pudesse desaparecer antes do abate.

O próximo golpe atingiu seu peito em cheio, a força reverberando por todo o seu corpo. Raspou sua bochecha e o gosto de cobre do sangue explodiu em sua boca. Um gemido escapou de sua garganta contra sua vontade, um som de pura agonia. O oxigênio queimava em seus pulmões como ácido concentrado. Seu corpo implorava para desligar, para deslizar na escuridão misericordiosa da inconsciência.

Ele não permitiu. Não podia permitir.

Contar até dez não ajudou; os números se dissolveram em estática sem sentido. Ele mudou para táticas de sobrevivência: respirar pelo nariz. Não olhar para o instrumento de tortura. Fixar o olhar na rachadura na parede — fina, sinuosa, como um rio em um mapa antigo, levando a algum lugar muito longe daquele inferno.

Os golpes vieram caoticamente agora, sem ritmo ou misericórdia. Seu olho esquerdo inchou e fechou, o mundo estreitando-se para uma única fenda dolorosa. Sangue inundou sua têmpora, quente e aparentemente sem fim. A náusea subiu por sua garganta, mas ele a engoliu com determinação sombria.

O último golpe derrubou-o de joelhos com uma força devastadora. Ele desabou no chão de pedra frio e implacável. A superfície cheirava a umidade e sangue velho — de outra pessoa, há muito absorvido pela rocha porosa, uma mancha permanente de sofrimento.

A fêmea agachou-se ao lado dele com graça predatória. Um dedo mergulhou em seu sangue. Ela lambeu lentamente, respondendo ao gosto com um gemido baixo, e naquele gemido havia algo que lembrava vergonha ou talvez satisfação.

“Não é o suficiente”, ela decidiu, sua voz tremendo levemente com uma excitação mal contida.

Uma garra afiada traçou uma linha de sua clavícula até o estômago, cortando profundamente. Até o músculo, onde uma veia pulsava com vida frenética. Koel gritou, um som cru e primal arrancado das profundezas de sua alma. Da dor e da sobrecarga esmagadora de seu sistema nervoso, quando havia sinais demais e todos gritavam ao mesmo tempo em uma cacofonia de agonia.

Ele tentou se arrastar para longe, para escapar do tormento. Uma bota pesada chocou-se contra suas costelas com força brutal. Outro estalo, mais alto e mais repugnante desta vez.

“Onde porra você pensa que vai, seu merdinha?”

Ela respirou em seu rosto, seu hálito quente carregando um cheiro insuportável — uma mistura tóxica de desejo, medo e algo podre no fundo de sua alma. Seu coração entrou em uma arritmia perigosa, falhando batidas como um velho à beira da morte. O macho a girou abruptamente com as mãos ásperas. Jogou-a na cama com força descuidada. As molas gritaram em protesto.

Começou. Gemidos. Tapas. Rosnados animalescos. Ruído de fundo. Acompanhamento de áudio para o procedimento que chamavam de prazer. Koel jazia em uma poça crescente de seu próprio sangue, sua consciência vagando como um caco frágil em uma corrente violenta. A dor pulsava no ritmo dos movimentos deles — rítmica, quase musical em sua crueldade.

Engasguem com isso, pensou com ódio amargo. Empanturrem-se. Até explodirem. Até morrerem em suas próprias peles nojentas. Feras lascivas. Podres. Cegas.

Mas, lá dentro, sob a espessa camada de ódio, algo mais se agitou. Não medo. Não dor. Piedade. Por aqueles que precisavam da agonia de outra pessoa para se sentirem vivos, para se sentirem humanos.

E ódio. Ódio puro e concentrado.

Como o último circuito reserva quando os sistemas principais falham catastroficamente. O corpo estava fraco demais para resistir. A mente, nublada demais pela dor para planejar.

Mas o ódio — ele não exigia força. Ele a sintetizava. Da dor. Da humilhação. Da memória de quem ele era antes desta sala, antes desta vida.

Ele infiltrou-se em seu sangue lenta e densamente. Afogou o grito dos nervos sobrecarregados. Reuniu sua visão desfocada em um único ponto ardente.

Nas costas deles. No ritmo da respiração deles. Na confiança deles em sua própria impunidade, que já estava rasgando pelas bordas.

Eu vou me lembrar, pensou, as palavras cristalizando-se em sua mente. Não como um juramento. Como uma promessa a si mesmo.

Cada golpe. Cada cheiro. Cada palavra. Cada tremor em suas mãos.

Algo clicou lá dentro. Não em sua cabeça. Em sua espinha. Na própria estrutura de seu sangue, onde o quarto de demônio dormia, esperando sua hora.

O quarto de demônio respondeu. Não com um rugido. Não com fogo. Ele sentiu combustível de alta qualidade — ódio, purificado e refinado pela dor.

E então a sensação veio. Calor rastejando da base de seu crânio por suas vértebras. Uma coceira sob a pele, como se algo adormecido há muito tempo estivesse acordando dentro dele. O gosto de sangue em sua boca mudou — mais afiado, mais metálico, quase elétrico.

Eu vou sobreviver, uma voz interna e seca fixou, fria e absoluta. Sem tremores. Como um veredito.

Shell atualizando. Código ativando. O demônio lá dentro espreguiçou-se, sentindo a gaiola rachar.

Eu vou aguentar o próximo golpe. E o próximo. Até que seja o suficiente. Até que a hora chegue.

Ele exalou lentamente. O ar sibilou de seus pulmões e, naquele som, havia algo que lembrava riso, sombrio e conhecedor. A dor não foi embora, mas parou de ser caos. Tornou-se segundo plano. Uma ferramenta.

Lembrou-se de usar. Lembrou-se de sobreviver. Lembrou-se de se tornar.

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