O GAROTO QUE EU DEVERIA ODIAR

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Resumo

Adrian Villareal passou três anos odiando Lucas Navarro. Na quadra de basquete, eles são rivais lendários — duas estrelas universitárias cujos confrontos atraem multidões, manchetes e milhares de discussões online. Adrian vê Lucas como um riquinho arrogante que nunca precisou lutar por nada. Lucas vê Adrian como o único jogador teimoso o suficiente para desafiá-lo — e o único homem capaz de tirá-lo do sério. Então, ambos são convocados para uma equipe de treinamento nacional de elite. De repente, os rivais não estão mais jogando um contra o outro. Eles vestem a mesma camisa. Dividem o mesmo vestiário. E, graças ao técnico Serrano, dormem no mesmo quarto. As discussões os seguem a portas fechadas. Mas, em algum lugar entre conversas tarde da noite, treinos exaustivos, vulnerabilidade inesperada e momentos que nenhum dos dois está disposto a explicar, o ódio começa a se transformar em algo muito mais perigoso. Porque se apaixonar pelo seu maior rival é complicado. Se apaixonar por ele quando milhares de pessoas estão te assistindo é pior. E alguns segredos nunca foram feitos para sobreviver aos holofotes.

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16+

O Homem que Eu Mais Odeio

Capítulo 1

O Homem que Eu Mais Odeio

Havia exatamente três coisas que Adrian Villareal odiava em Lucas Navarro.

O sorriso dele.

A arrogância dele.

E o fato irritante de que ele era inacreditavelmente bom no basquete.

Adrian conseguia perdoar as duas primeiras.

A terceira era pessoal.

“Trinta segundos!”

A voz do técnico Ramirez mal conseguia ser ouvida por causa do barulho dentro da arena universitária lotada.

Adrian limpou o suor do queixo com a gola de sua camisa preta do San Gabriel e encarou o placar.

SAN GABRIEL — 78 MONTEVERDE — 79

Restavam vinte e oito segundos.

Um ponto.

Era só isso que os separava da vitória.

E, entre Adrian e a cesta, estava a pessoa que ele menos queria ver.

Lucas Navarro.

Camisa branca do Monteverde.

Número um.

Um metro e noventa e três de altura.

Cabelo escuro encharcado de suor.

E aquele maldito sorriso.

Lucas se abaixou em posição de defesa.

“Qual é, Villareal.”

Adrian quicou a bola lentamente.

“Você fala demais.”

“Só quando você está ouvindo.”

“Eu não estava.”

“Mas você respondeu.”

O maxilar de Adrian travou.

Lucas sorriu.

Esse era o problema dele.

Lucas não jogava apenas basquete.

Ele brincava com as pessoas.

Ele sabia exatamente quando sorrir, o que dizer e o quanto chegar perto antes que alguém perdesse a concentração.

Adrian tinha passado três anos aprendendo a não cair nessa.

Na maioria das vezes.

A torcida começou a contagem regressiva.

“Dez!”

Adrian se moveu.

Lucas o seguiu.

“Oito!”

Adrian cortou para a esquerda.

Lucas previu o movimento.

Adrian mudou de direção imediatamente.

Por meio segundo, o peso de Lucas oscilou.

Foi o bastante.

Adrian avançou em direção à cesta.

“Cinco!”

Ele passou por Lucas.

O caminho ficou livre.

Adrian saltou.

A arena pareceu congelar.

Ele soltou a bola.

Então...

Uma mão apareceu.

Lucas.

Tapa.

A bola mudou de direção.

A buzina soou estridente.

Por um segundo impossível, ninguém se moveu.

Depois, a arena explodiu.

O banco de reservas do Monteverde invadiu a quadra.

FINAL: 79–78.

Adrian aterrissou e encarou a bola rolando inutilmente para a lateral.

Um ponto.

De novo.

“Baita jogo.”

Ele ouviu a voz atrás dele.

Adrian fechou os olhos.

Claro.

Ele se virou.

Lucas estava lá, respirando fundo, parecendo satisfeito demais consigo mesmo.

“Não ouse.”

Lucas levantou as duas mãos.

“Eu ia te fazer um elogio.”

“Guarde para você.”

“Não sabia que perder te deixava tão sensível.”

Adrian deu um passo à frente.

“Eu disse para guardar para você.”

A comemoração ao redor deles continuava, mas algo mudou entre os dois homens.

O sorriso de Lucas diminuiu um pouco.

“Você está levando isso para o lado pessoal.”

“Eu levo basquete para o lado pessoal.”

“Esse é o seu problema.”

Adrian soltou uma risada seca.

“Meu problema?”

“É.”

Lucas se aproximou.

“Você joga como se cada posse de bola fosse uma vingança.”

“E você joga como se todo mundo estivesse aqui para te assistir.”

“Talvez estivessem.”

Lá estava.

Aquela arrogância.

Adrian se moveu antes que pudesse pensar melhor.

Seu ombro bateu no de Lucas.

Lucas o empurrou de volta na hora.

Os jogadores próximos pararam de comemorar.

“Ei!”

Miggy Santos se meteu entre eles.

“Aqui não.”

Adrian tentou desviar dele.

“Sai da frente, Miggy.”

“De jeito nenhum.”

Os companheiros de time de Lucas já estavam se aproximando.

Lucas não se moveu.

Ele apenas encarava Adrian.

Isso, de alguma forma, deixou Adrian ainda mais irritado.

“Você acha que é melhor que todo mundo”, disse Adrian.

Lucas inclinou a cabeça.

“Não.”

Uma pausa.

“Só melhor que você.”

Adrian avançou para cima dele.

“Adrian!”

Três companheiros de time o seguraram.

A torcida reagiu imediatamente.

Celulares foram levantados por toda parte.

Claro que foram.

Milhares de pessoas tinham acabado de ver o San Gabriel perder por um ponto, e aparentemente isso não era entretenimento suficiente.

Agora eles queriam uma briga.

“Me solta!”

“Você vai ser suspenso!” gritou Miggy.

“Vale a pena.”

“Não, não vale!”

Do outro lado da multidão que crescia, Lucas estava sendo puxado para trás por dois jogadores do Monteverde.

Mas ele estava sorrindo de novo.

Adrian apontou para ele.

“Isso não acabou, Navarro!”

Lucas abriu os braços.

“Olha o placar, Villareal!”

A torcida do Monteverde explodiu.

Adrian considerou, sinceramente, cometer um homicídio.

Vinte minutos depois, Adrian estava sentado no vestiário do San Gabriel com uma toalha cobrindo a cabeça.

Ninguém falou com ele.

Homens inteligentes.

Seu celular vibrava continuamente dentro do armário.

Ele ignorou.

Provavelmente redes sociais.

Provavelmente vídeos do confronto.

Provavelmente milhares de estranhos discutindo se Adrian Villareal e Lucas Navarro realmente se odiavam ou se a rivalidade era fabricada para chamar atenção.

Não era.

Adrian o odiava.

Completamente.

Absolutamente.

Sem complicação.

“Já terminou de planejar o funeral do Navarro?”

Miggy sentou ao lado dele.

Adrian não tirou a toalha.

“Depende. Você conhece alguém que tenha uma pá?”

“Viu só? Piadas desse tipo são exatamente o motivo da minha preocupação.”

“Estou falando sério.”

“Isso torna tudo pior.”

Adrian finalmente tirou a toalha do rosto.

Miggy estava sorrindo.

“Você está gostando disso.”

“Imensamente.”

“Nós perdemos.”

“Por um ponto.”

“Continua sendo uma derrota.”

Miggy deu de ombros. “De qualquer forma, vamos para as semifinais.”

“Não é esse o ponto.”

“Literalmente é.”

Adrian o encarou com fúria.

Miggy riu.

“Sabe qual é o seu problema?”

“Se você disser Lucas Navarro—”

“Lucas Navarro.”

Adrian jogou a toalha nele.

Miggy a pegou.

“Você é obcecado por ele.”

“Eu o odeio.”

“É a mesma quantidade de energia.”

“Nem de longe é a mesma coisa.”

“Você sabe a média de pontos dele.”

“Todo mundo sabe a média de pontos dele.”

“Você sabe o aproveitamento de lances livres dele.”

“Porque eu estudo os adversários.”

“Você sabia que ele trocou de tênis na temporada passada.”

Adrian parou.

As sobrancelhas de Miggy se ergueram.

“Aquela foi bizarra.”

“Eles eram laranja-brilhante!”

“Claro.”

“Todo mundo notou!”

“Eu não.”

“Você é cego.”

Miggy encostou as costas no armário.

“Tudo o que estou dizendo é que, para alguém que supostamente você não suporta, você gasta um tempo impressionante pensando no Lucas Navarro.”

Adrian levantou-se.

“Conversa encerrada.”

“Ah, com certeza. Não iria querer descobrir algo sobre si mesmo.”

Adrian virou-se lentamente.

Miggy levantou as duas mãos imediatamente.

“Basquete. Eu quis dizer basquete.”

“Você é um idiota.”

“Já me chamaram de coisa pior.”

Adrian abriu seu armário.

Seu celular exibia quarenta e sete notificações.

Ele gemeu.

Um vídeo já tinha mais de oitenta mil visualizações.

VILLAREAL VS. NAVARRO ESQUENTA NOVAMENTE 🔥

Outro:

A MAIOR RIVALIDADE DO BASQUETE UNIVERSITÁRIO?

E mais um:

NAVARRO: “SÓ VOCÊ.” 😳

“Fantástico.”

Miggy olhou por cima do ombro dele.

“Ah, isso vai viralizar.”

“Obrigado, Capitão Óbvio.”

“Os comentários são hilários.”

“Não leia.”

Miggy os leu imediatamente.

“‘Adrian parecia pronto para matá-lo.’ Preciso.”

“Para.”

“‘Navarro definitivamente gosta de deixá-lo irritado.’ Também preciso.”

“Miggy.”

“Ah, olha este aqui—”

Adrian pegou o celular.

“Não.”

Miggy riu.

A porta do vestiário abriu.

O técnico Ramirez entrou.

Toda conversa parou.

Ele não estava sorrindo.

“Villareal.”

Adrian suspirou.

“Sim, Técnico?”

“Na minha sala.”

Miggy sussurrou: “Funeral adiado.”

Adrian mostrou o dedo do meio para ele pelas costas.

O técnico Ramirez não mencionou a briga imediatamente.

Isso preocupou Adrian mais do que gritos teriam feito.

O treinador sentou-se atrás da mesa e deslizou um envelope sobre ela.

Adrian encarou o envelope.

“O que é isso?”

“Abra.”

“Se for minha suspensão, pode falar direto?”

“Você não está suspenso.”

“Sério?”

“Embora, depois do que aconteceu hoje, eu esteja repensando.”

Adrian, sabiamente, ficou em silêncio.

Ele pegou o envelope.

Havia um selo oficial na parte da frente.

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ALL-STAR DA UNIVERSIDADE NACIONAL DAS FILIPINAS

O coração de Adrian parou.

Ele olhou para o treinador.

“Não pode ser.”

O técnico Ramirez sorriu.

“Abra.”

Adrian rasgou o envelope.

Ele leu a primeira linha.

Depois, leu de novo.

Suas mãos, de repente, pareceram trêmulas.

Prezado Sr. Adrian Villareal,

Temos o prazer de convidá-lo formalmente para participar do Programa de Treinamento All-Star da Universidade Nacional das Filipinas deste ano...

Ele parou de ler.

Por anos, este programa tinha sido um dos caminhos mais importantes para o basquete profissional.

Técnicos nacionais.

Olheiros profissionais.

Treinadores de elite.

Os melhores jogadores universitários do país.

E agora—

Adrian era um deles.

“Técnico…”

“Você mereceu.”

Adrian olhou para a carta novamente.

Por um momento, a derrota desta noite desapareceu.

A multidão desapareceu.

Tudo desapareceu.

Ele pensou na mãe.

Marco.

Os anos acordando antes do nascer do sol para treinar.

Os tênis gastos.

A bolsa de estudos.

As noites em que se perguntou se o basquete realmente o levaria a algum lugar.

Estava acontecendo.

“Isso pode mudar tudo”, disse o técnico Ramirez.

Adrian assentiu lentamente.

“Eu sei.”

“É por isso que você precisa controlar esse temperamento.”

Adrian sabia exatamente onde aquilo iria parar.

“Técnico...”

“Você acha que os olheiros profissionais querem alguém dando socos depois de cada jogo acirrado?”

“Eu não dei soco nenhum.”

“Porque três homens te seguraram.”

Justo.

O técnico inclinou-se para frente.

“Você é talentoso, Adrian. Talvez um dos jogadores mais talentosos que já treinei. Mas o talento não importa se ninguém quiser trabalhar com você.”

Adrian olhou para o convite.

“Eu entendo.”

“Bom.”

O técnico Ramirez entregou-lhe outra folha.

“O treinamento começa na segunda-feira. Essa é a lista de participantes.”

Adrian a desdobrou.

Nomes.

Universidades.

Posições.

Ele reconhecia quase todos.

Alguns contra quem já tinha jogado.

Alguns que ele só tinha visto jogar.

Então seus olhos chegaram ao quarto nome.

Ele parou.

Não.

Definitivamente não.

Adrian olhou novamente.

Talvez tivesse lido errado.

Não tinha.

LUCAS NAVARRO — UNIVERSIDADE DE MONTEVERDE — ARMADOR

“Você só pode estar brincando comigo.”

O técnico Ramirez sorriu.

“Eu estava imaginando quando você veria isso.”

Adrian encarou-o.

“Ele vai?”

“Ele é indiscutivelmente o melhor armador do basquete universitário. É claro que ele vai.”

“Eu consigo citar cinco melhores.”

“Não, você não consegue.”

“Quatro.”

“Adrian.”

“Três.”

O técnico Ramirez riu.

“Você vai sobreviver.”

Adrian olhou novamente para o papel.

Sua empolgação durou aproximadamente quarenta e cinco segundos.

“Quando isso começa?”

“Segunda-feira.”

“Quanto tempo?”

“Seis semanas.”

Seis.

Semanas.

Com Lucas Navarro.

O técnico Ramirez aparentemente viu o horror em seu rosto.

“Desta vez vocês serão colegas de time.”

“Isso não torna as coisas melhores.”

“Deveria.”

“Não torna.”

“Então considere como um desenvolvimento de caráter.”

Adrian dobrou o papel.

“Eu já tenho caráter suficiente.”

“Isso é discutível.”

Adrian levantou-se.

Seu técnico o deteve antes que chegasse à porta.

“Mais uma coisa.”

Adrian virou-se.

“Você não está representando apenas San Gabriel lá. Você está representando a si mesmo.”

A expressão do técnico Ramirez tornou-se séria.

“Esta é uma oportunidade pela qual as pessoas matariam. Não a desperdice só porque você não suporta uma pessoa.”

Adrian olhou para o nome de Lucas.

Ele sabia que seu técnico tinha razão.

Seis semanas.

Ele conseguiria lidar com seis semanas.

Eles treinariam.

Eles jogariam basquete.

E eles ficariam longe um do outro sempre que possível.

Fácil.

Adrian dobrou a lista e a colocou no bolso.

“Vou me comportar.”

O técnico Ramirez riu.

“Isso soou extremamente convincente.”

Pelo outro lado de Manila, Lucas Navarro estava sozinho no banco de trás de um SUV preto.

As luzes da cidade passavam pela janela.

Seu celular descansava em sua mão.

Na tela estava a mesma lista.

Ele a recebera horas antes.

Já tinha lido cada nome.

Mas seus olhos sempre voltavam para um.

ADRIAN VILLAREAL — UNIVERSIDADE DE SAN GABRIEL — ALA-ARMADOR

Lucas encarou o nome.

E então sorriu.

Seu celular vibrou.

Uma mensagem de Ethan apareceu.

ETHAN: Soube que Villareal entrou no programa.

Lucas respondeu digitando.

LUCAS: Infelizmente.

Três pontos apareceram.

ETHAN: Você parece devastado.

Lucas franziu a testa.

LUCAS: Eu o odeio.

Ethan respondeu quase imediatamente.

ETHAN: Sei que odeia.

Lucas encarou a mensagem.

Seu sorriso desapareceu.

Do lado de fora da janela, Manila passava como um borrão.

Ele se lembrou de Adrian em quadra.

A fúria em seus olhos.

O suor escorrendo pelo seu rosto.

O jeito que ele se aproximara o suficiente para que Lucas pudesse sentir sua respiração.

Lucas bloqueou o celular.

Não.

Definitivamente não.

Adrian Villareal era arrogante.

Esquentado.

Irritante.

Impossível.

E Lucas Navarro não suportava ele.

Pelo menos—

era o que ele vinha dizendo a si mesmo há três anos.

FIM DO CAPÍTULO 1