PRÓLOGO
Desculpa começar assim. Prometo compensar a ansiedade ao longo da história, mas não saberia te contar isso de outro jeito.
Sábado à tarde eu estava de quatro na cama, completamente descabelada e já no último fôlego. Pedro arfava atrás de mim. Eu sabia exatamente o que ele ainda pretendia.
Quando senti que ele me segurou pela cintura com uma das mãos, tirei devagar o rosto que estava enterrado entre os travesseiros. Percebi que ele queria me penetrar por trás.
Pedro tinha esse costume. No sexo anal, nunca tinha muita pressa no começo. Preparava o caminho devagar, com uma paciência quase carinhosa, até o momento em que resolvia avançar de uma vez — e era justamente essa mudança brusca que sempre me fazia gritar, sem saber direito onde terminava a dor e começava o prazer.
Mas dessa vez, não.
Percebi o instante em que ele se preparou. Olhei para trás e disse a frase que mudaria a minha vida:
— Estou tendo um caso com a Helena.
Pedro me surpreendeu. Não perguntou quem era Helena. Não parou. Não hesitou.
Quando ele avançou, gritei. De dor, de prazer, de tudo ao mesmo tempo. Senti Pedro gozar dentro de mim e, para meu próprio espanto, gozei junto.
Por alguns segundos, houve apenas silêncio. E foi assim, da maneira mais inadequada possível, que contei ao meu marido que estava transando com uma mulher.