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O desejo nos encontra.

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Resumo

Felipe e Vick cresceram juntos. Nunca se perceberam como homem e mulher. Quando os olhares começaram a mudar, nasce um desejo quase que incontrolável. Aos poucos puderam entender e descobrir a sexualidade e a conexão verdadeira da carne, em sensações e em sentimentos que nunca sentiram antes. Mas será que acabaria bem algo tão repentino e repleto de fome e desejo um pelo outro?

Gênero
Erotica
Autor
Olivia_vtas
Status
há 3 dias
Capítulos
5
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

O reencontro

Felipe e eu estávamos com 23 e 20 anos, respectivamente, quando começamos a namorar.

Era um relacionamento à distância. Nós nos conhecíamos desde que me entendia por gente. Éramos vizinhos de rua; ele morava com a mãe e os avós a cerca de cinco casas de distância da casa dos meus pais, e crescemos brincando juntos na rua.

Sempre nos provocávamos e brincávamos quando éramos crianças. Nada muito gritante, apenas o suficiente para garantir que conservássemos um carinho um pelo outro — não o suficiente para sentirmos medo de “perder a amizade” caso rolasse uma paquera.

Quando ele completou 18 anos e se formou, foi embora para São Paulo, arranjou um emprego lá e raramente nos falávamos.

Até o dia em que ele estava de férias na casa dos avós e, como eu sempre fazia quando estava no interior, fui visitar rapidamente os avós dele. Naquele dia, quando entrei na casa, fui recebida por Felipe. Ele parecia diferente, aos meus olhos, do garoto que eu me lembrava, ao mesmo tempo que percebia dele apenas uma mudança mais amadurecida.

Ele era um rapaz de pele morena, clara, seus cabelos pretos e lisos eram curtos, seus olhos eram de um castanho escuro que pareciam hipnotizar; ele tinha pouco mais de 1,70 metros, o que constratou bastante com meus 1,57 metros quando recebi dele um abraço demorado e caloroso.

A princípio, não estranhei muito. Imaginei que ele estivesse sendo gentil e quisesse ser afetuoso depois de tanto tempo sem nos vermos.

Não demorei muito e segui meu caminho para visitar outras pessoas. Voltaria para a capital no dia seguinte; naquela época, eu estava fazendo faculdade de Direito.

Aquele episódio do abraço ficaria em um campo isolado e sem importância na minha mente até o dia em que Felipe decidiu comentar sobre minha foto de perfil de contato no aplicativo de conversação.

Nada muito intenso. Ele apenas disse que eu estava bonita e perguntou em qual praia eu estava na foto.

Não era uma foto tão detalhada. Eu estava de biquíni e mostrava apenas do busto para cima, e - na foto - eu dava um sincero sorriso feliz; minha pele negra estava contrastando com o brilho do sol da praia; meus olhos cor de mel olhavam com leveza e tentavam se manter abertos com a claridade gostosa do sol em meu rosto; meus cabelos cacheados, castanho claro, complementaram a cena e estavam bagunçados e molhados da água do mar que se via atrás de mim.

Respondi qual praia era e falei que também gostava muito daquela foto.

Desde então, passamos a nos falar todos os dias.

Eram flertes sutis, carregados de uma ou outra provocação mais empolgante e nada muito explícito. Era nítido o "interesse", mas não era posto de forma literal.

Até que, depois de um mês de mensagens frequentes e desse flerte muito sutil, Felipe me disse que não conseguia mais esquecer meu perfume depois de me abraçar naquele dia na casa dos avós dele.

Achei engraçado e um tanto apelativo da parte dele, mas eu me sentia envolvida o suficiente para aceitar aquela investida.

Passamos a intensificar o interesse um pelo outro e, além de trocar mensagens, começamos a nos ligar, inclusive por chamadas de vídeo.

Apesar de alguns de nossos papos serem quentes, nunca havíamos enviado fotos íntimas ou feito chamadas de vídeo para tentar sexo virtual.

Com pouco mais de cinco meses, estávamos sedentos um pelo outro, mas ele não me pressionava a enviar fotos ou transar por ligação, mesmo que apenas por uma chamada tradicional, “sonora”.

Quando estávamos perto de completar seis meses, ele anunciou que viria, dali a poucos dias, para a casa dos avós, para tirar alguns dias de férias.

Queria me fazer uma surpresa, mas precisava que eu estivesse disponível para que pudéssemos nos encontrar na mesma cidade.

Quando, finalmente, nos encontramos pessoalmente, parecia que não sabíamos muito bem como agir.

Se éramos amigos, ficantes, namorados; se ainda estávamos em uma fase de flerte... Era estranho tentar rotular.

Ele me perguntou se eu não queria beber alguma coisa.

Fui.

Bebemos, conversamos, rimos, falamos de várias coisas aleatórias, e nenhuma delas incluía o ar íntimo e romântico que havíamos construído durante cinco meses.

Quando voltamos para o carro, eu sentia uma certa frustração.

Pensei que talvez, por sermos amigos desde a infância, nem precisássemos ser extremamente próximos para existir um “medo” oculto de estragar tudo ultrapassando o limite da amizade.

Quando ele entrou no carro, eu olhei para ele enquanto ajeitava alguma coisa no porta-luvas. Depois, o vi mais de perto, puxando o cinto de segurança do meu lado, mas sem colocá-lo em mim, e pensei no quanto queria beijá-lo. O rosto dele estava tão próximo, que eu conseguia sentir seu perfume e o calor de sua respiração.

Ok. Essa idéia de não ultrapassar o limite da amizade poderia estar na mente dele, mas definitivamente não estava na minha.

Senti minha buceta formigar só de perceber a respiração dele tão próxima à minha enquanto ele ajeitava o cinto.

Depois que ele voltou ao lugar dele, respirei fundo para tentar amenizar o calor. Segurei o cinto que ele havia puxado e olhei novamente para ele quando o vi sem o próprio cinto e demorando para ligar o carro.

Ele abriu uma bala e colocou na boca.

— Olha... Depois que eu te trouxe aqui para a gente beber, percebi a péssima ideia que foi... — enquanto ele falava, comecei a me sentir "murchar" aos poucos. — Eu queria te beijar desde aquele primeiro abraço que te dei, há meses, e estou me segurando muito desde que te reencontrei hoje... E eu não queria que o nosso primeiro beijo tivesse gosto de cerveja.

Aquilo me fez ter um misto de sensações, mas a predominante foi o alívio e excitação.

Quando ele sorriu e foi se aproximando de mim, coloquei a mão em seu peito e sussurrei:

— Ah... Eu quero uma bala também.

Ele riu, pegou outra bala, abriu e me olhou nos olhos antes de dizer:

— Fica com a minha...

E me surpreendeu com um beijo rápido, o suficiente para passar a bala da boca dele para a minha.

Ele, com pressa, colocou a outra bala na boca e se aproximou novamente para me beijar.

Minhas mãos seguravam o cabelo dele enquanto eu sentia sua mão apertar minha coxa com intensidade.

Estávamos esperando por aquele beijo havia muito tempo. Queríamos aproveitar cada segundo.

Eu sentia a língua dele passear com calma junto à minha, e aquilo não combinava com a pressa que nossas mãos e todo o nosso corpo exalavam.

Parei e afastei um pouco o rosto do dele.

Eu estava sem fôlego, excitada demais, e minha buceta doía de excitação.

Olhei nos olhos dele. Estavam quase pretos, de tão dilatadas que estavam suas pupilas. Ele respirava ofegante também, mas transbordava um fogo que parecia me devorar.

Ele tirou a mão da minha cintura, manteve a outra em minha coxa e puxou meu rosto para perto do dele.

— Ainda não acabamos...

Ele sorriu me olhando.

Não consegui emitir uma única palavra. Tamanho era meu tesão.

Apenas sorri e fechei os olhos, puxando-o para mim também.

Nos beijamos com mais intensidade do que antes e já não havia mais o sabor da bala. Era apenas o nosso gosto.

Eu conseguia sentir o coração dele acelerado perto de mim, e meu peito subia e descia, tentando fazer minha respiração acompanhar a intensidade do nosso beijo.

Não fazia ideia de quanto tempo havia passado. Apenas não queríamos nos afastar.

Mas já estávamos trocando beijos mais leves, com selinhos, que prenunciavam o fim do nosso primeiro beijo.

Quando afastei meu rosto do dele e abri os olhos, ele me olhava satisfeito, com um lindo sorriso no rosto.

Ele olhou para a minha boca e riu.

Abriu o porta-luvas e procurou por alguma coisa.

— Procurando mais balas? — perguntei, rindo.

Ele deu risada sem me olhar.

— Não. Estou procurando algum papel ou guardanapo para ajudar você com o batom...

Arregalei os olhos e baixei o quebra-sol do carro para olhar no espelho.

Minha boca estava completamente borrada. Não havia mais batom, mas havia lembranças de um batom vermelho ao redor dos meus lábios.

— Que horror! Eu estou parecendo um palhaço!

Ele gargalhou.

Puxei o rosto dele e observei que os lábios dele, mas apenas os lábios, estavam vermelhos de uma forma nítida, mas sutil.

— Como eu fui a que ficou mais suja se você foi a pessoa que mais atacou?

Ele arqueou uma sobrancelha, com um sorriso convencido no canto da boca.

— Eu? Bom... Eu posso ter começado o beijo. Mas você estava muito mais tarada...

Cerrei os olhos e entortei a boca, sem dizer nada.

Abri a bolsa e comecei a procurar por uns lenços umedecidos que costumava carregar comigo. Achei e tirei um.

Comecei a limpar o batom borrado enquanto ele me observava.

Quando acabei, tirei outro lenço, puxei o queixo dele para mim e comecei a limpar sua boca.

Ele sorria de vez em quando, mas não falava nada. Apenas não parava de alternar os olhos entre a minha boca e os meus olhos.

Era torturante...

Quando acabei, ele não disse nada.

Então, abri a bolsa e peguei o batom para passá-lo novamente nos lábios.

Ele tomou o batom da minha mão rapidamente.

— O que está fazendo? — perguntou, fingindo estar alarmado.

— Ué... Eu vou retocar meu batom! — estendi a palma da mão. — Pode me devolver, por favor?

— Não...

Ele disse isso em um tom mais baixo enquanto se aproximava do meu rosto.

— Eu só vou nos tirar daqui, mas ainda quero muito continuar te beijando...

Corei quando o ouvi falar assim, de uma forma tão natural.

Ele colocou o batom na minha mão, colocou o cinto e olhou para mim, esperando que eu tivesse a mesma reação.

— Quer que eu coloque o cinto pra você? — perguntou, sorrindo.

Não falei nada. Me recompus e coloquei o cinto.

Saímos do estacionamento do bar em que estávamos.

Enquanto ele dirigia, eu simplesmente não conseguia tirar as mãos dele. Sempre que tinha oportunidade, inclinava-me em sua direção, dando-lhe um beijo no pescoço.

Às vezes, ele apenas suspirava, como uma espécie de “reclamação”. Em outros momentos, virava a tempo de alcançar minha boca.

Depois, dava uma breve bronca por ter perdido a atenção no trânsito, o que me fazia rir e querer provocá-lo ainda mais.

Fomos para uma praça não muito longe da nossa rua, mas o suficiente para termos certeza de que ninguém nos veria.

Quando éramos crianças, a praça era repleta de outras crianças. Hoje em dia, porém, era praticamente deserta, enquanto elas ficavam em casa em seus celulares ou computadores.

Assim que paramos o carro, ele puxou meu rosto para me beijar com uma fome que parecia maior do que antes.

Dei um leve gemido por causa do desconforto do cinto, e ele parou.

Ainda segurando meu rosto, perguntou:

— O que foi?... Desculpe, eu te machuquei? — perguntou alarmado, sem soltar meu rosto e procurando onde poderia ter me machucado.

Dei um sorriso diante do cuidado dele.

— Não... O cinto... Está me apertando por eu estar assim, de lado...

Falei pausadamente, diante do desconforto do cinto apertando minha barriga.

Ele olhou para baixo e apertou a trava do meu cinto e do dele antes de voltar a me puxar para si.

Dessa vez, as mãos dele estavam no meu rosto e na minha cintura.

Ele estava com ainda mais fogo.

Quando o vi desacelerar para buscar fôlego, com a testa ainda próxima à minha, perguntei:

— Calma... Por que essa pressa? Vai sugar todo o meu ar! — ri.

Ele afastou o rosto apenas o suficiente para olhar nos meus olhos.

— Acho que a gente demorou uns vinte minutos para chegar até aqui — começou a falar, um pouco ofegante. — Mas parece que passei horas desde o nosso primeiro beijo... Acho que suas provocações também ajudaram a me deixar assim, né?

Ri sem dizer nada e puxei seu rosto para mim enquanto olhava em seus olhos.

Comecei a beijá-lo mais lentamente, tentando fazê-lo aproveitar cada segundo.

Ele parecia incontrolável em alguns momentos, como se tivesse urgência para que todos aqueles cinco ou seis meses fossem supridos naquele beijo.

Sentia meu corpo todo pegar fogo enquanto as mãos dele passeavam pelas minhas coxas e cintura.

Imaginei que, se ele me tocasse, eu não conseguiria conter minha vergonha por estar tão molhada.

Ele, finalmente, afastou o rosto do meu e direcionou a mão para o botão do meu shorts.

— Posso...? — disse, em um sussurro que me arrepiou completamente.

Eu queria dizer que sim, que estava louca por aquilo, mas parei a mão dele.

— É melhor a gente ir com calma.

Ele sorriu, tirou um fio de cabelo do canto do meu rosto e voltou a me beijar.

— Tudo bem. É você quem manda...

Ele sussurrou entre o beijo enquanto acariciava minha cintura.

Ficamos muito tempo nos beijando.

Às vezes parávamos, conversávamos um pouco, brincávamos ou fazíamos provocações um ao outro e, depois, voltávamos a nos beijar.

Ele me deixou na esquina da nossa rua.

Subiu com o carro e parou ao lado da casa dos avós dele, de onde eu conseguia vê-lo.

Ele me fez sinal para eu ir até ele.

Dei um sorriso e virei a rua para ir pelo outro lado.

Achei melhor que ninguém nos visse assim juntos. Ainda tinha a impressão de que ficaria muito na cara que havíamos acabado de nos beijar ou que estava “rolando alguma coisa”.

Enquanto dobrava a rua, ainda olhei para ele antes de sumir e o vi estender a mão para cima, sutilmente, em desaprovação por eu não ter escolhido o caminho que passaria por ele.

Quando cheguei à porta de casa, vi que ele acenava para mim casualmente.

Acenei de volta e entrei.

Tomei um banho e, quando entrei no quarto, sentindo que o banho frio não havia sido suficiente para baixar o calor que eu estava sentindo, vi uma mensagem dele no celular.

“Seu perfume delicioso está em mim. Não vou ser capaz de lavar mais essa roupa...”

Dei um sorriso lendo a mensagem.

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