1ª Tentativa
Olá! Eu sou o Nima. Nima J’neb.
Começando este diário de bordo... kkkk. Vi isso num filme de naves espaciais e achei engraçado, mas serve bem para registrar tudo o que anda acontecendo.
Vai que um dia alguém lê e entende como foi que tudo começou.
Minha primeira tentativa de entrar no torneio TECNOBRUXOS aconteceu hoje.
A missão parecia simples: subir até o terraço de um edifício federal de dez andares, bem no centro da cidade, e capturar a bandeirola que tremulava lá em cima.
Simples demais... no papel.
Na prática, meu oponente — um colegial de 16 anos — chegou antes e virou o jogo. Armou um esquema: convocou tropa de choque, chamou reforços, e até os bombeiros apareceram, sabe-se lá como.
Ele tinha mais idade, mais contatos... e eu, com meus 14 anos, ainda no fundamental, só com notas medianas e uns drones remendados.
Cheguei meia hora antes do meio-dia. O cronômetro era implacável.
Analisei a área, repassei mentalmente meus “encantamentos” — códigos que só eu sei disfarçar como brincadeira no smartphone.
Funciona assim: cada gesto no touch, cada arrastar de dedo, não abre só aplicativos — abre feitiços.
Linhas de código curtas, ocultas em jogos falsos ou playlists estranhas, se transformam em runas digitais.
O que pra qualquer um parece uma música tocando, pra mim é um disparo de pulso eletromagnético.
O que parece uma foto de gatinho, na verdade é um script de camuflagem que bagunça câmeras de reconhecimento.
Meu smartphone é meu grimório.
Cada atalho é um encantamento.
Respirei fundo e decidi agir.
Usei um artifício tecnológico para criar uma distração controlada na entrada do prédio.
Sons, luzes, interferências digitais.
A confusão chamou atenção para o lado errado e abriu uma brecha.
Foi aí que meus quatro drones, restaurados às pressas em oficinas e assistências técnicas, levantaram voo em direção ao topo.
Enquanto eles subiam, tratei de me infiltrar.
Roubei um uniforme, ajeitei como deu, e me misturei aos funcionários.
Subi pelas escadas, passo a passo, até o sétimo andar.
O coração batia acelerado, mas eu achava que estava tudo encaixando.
Foi quando os olhos eletrônicos das câmeras me traíram.
Reconhecimento facial.
Fui identificado.
No instante seguinte, vinte unidades da força de combate já se aproximavam.
Usei as acrobacias que treinava nas aulas de educação física, técnicas de defesa pessoal que aprendi sem exagero.
Mas eram vinte.
O cronômetro corria.
Cada segundo parecia escapar pelos dedos, até que a sirene final tocou.
A chance se esgotou por segundos.
Fracassei na primeira eliminação.
Saí dali exausto, frustrado, mas também mais decidido.
Comprar ingresso para o torneio custava vinte e um quilos de ouro (ou equivalente em criptomoedas).
Inviável.
Então restava buscar patrocinadores.
Ou encontrar outro caminho.
E esse diário está aqui para registrar como foi que eu escolhi o mais arriscado.



história interessante mano 👏