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Destino Traçado: Entre o Amor e o Perigo

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Resumo

Livro 1 Natalie passou anos sobrevivendo ao inferno dentro da própria casa, convivendo com uma mãe negligente e um padrasto que ultrapassou todos os limites. Quando decide se defender, tudo se transforma em um pesadelo. Com medo de que Marcus conte à polícia uma versão diferente do que aconteceu e ninguém acredite em sua história, Natalie foge. Tudo o que ela precisa é encontrar Elisa, a única pessoa que ainda pode ajudá-la. Mas sua chegada à cidade a coloca no caminho de Ethan. Policial acostumado a manter tudo sob controle, ele logo percebe que Natalie esconde alguma coisa. E, quanto mais se aproxima, mais difícil se torna ignorar a atração que sente por ela. Mas ao decidir ficar ao lado dela, Ethan está disposto a cruzar limites para protegê-la. - Eu faria qualquer coisa por você, inclusive coisas moralmente questionáveis. Mas nunca faria nada contra a sua vontade.

Status
há 15 horas
Capítulos
5
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

A discussão na cozinha já durava alguns minutos. Eu reconhecia a voz alterada de Marcus do lado de fora e, logo depois, a voz da minha mãe tentando responder sem provocar outra explosão.

Continuei sentada na minha cama, pressionando os fones contra os ouvidos enquanto a música tocava em um volume que começava a incomodar. Era mais fácil fingir que não estava ouvindo do que encarar o que acontecia do outro lado daquela porta.

Eles já tinham discutido outras vezes, tantas que eu conseguia imaginar exatamente como aquilo terminaria. Minha mãe choraria, Marcus sairia de casa irritado e, de algum jeito, alguém encontraria um motivo para me culpar.

Por alguns minutos, consegui fingir que não estava ouvindo, até a porta se abrir de repente.

— Natalie! — Minha mãe surgiu na entrada, os braços cruzados e uma expressão de raiva.

Tirei um dos fones e encarei, esperando pela próxima acusação.

— Você podia, pelo menos uma vez, fazer o que ele pede. — Ela entrou no quarto com passos firmes.

— Eu não fiz nada — respondi, sentindo a irritação crescer.

— Claro que não. Você nunca faz nada, não é? — Ela descruzou os braços e se aproximou. — Custava ter feito o que ele queria?

— Eu não sou obrigada a fazer tudo o que ele manda.

Minha mãe me deu um tapa antes que eu pudesse perceber que ela havia levantado a mão. O estalo ecoou pelo quarto, e minha cabeça virou com o impacto. Levei alguns segundos para sentir a ardência no rosto e o gosto metálico que surgiu no canto da boca.

— Da próxima vez que você não fizer o que ele mandar, vai ficar dois dias trancada aqui sem comer! — A voz dela tremia, misturando raiva e um desespero que eu já não sabia se conseguia compreender.

Voltei o rosto devagar e pressionei os dedos contra a bochecha. Ainda era difícil olhar para ela e não se lembrar daquela mãe carinhosa que um dia me fazia sentir segura.

Quando viemos morar com Marcus, alguma coisa nela mudou. Sempre que os dois brigavam e ele saía de casa, quase sempre era comigo que ela descontava a raiva.

Com o tempo, comecei a medir as palavras, os gestos e até o momento certo para sair do quarto. Qualquer coisa parecia ser motivo suficiente para deixá-la irritada.

— Eu não fiz nada — repeti, dessa vez mais baixo. — Só disse que não ia com ele.

— Ele só pediu que você fosse com ele até a cidade. Não custava nada acompanhá-lo por algumas horas.

— Eu não queria ir — respondi, sentindo a garganta apertar.

— E desde quando você tem que querer? — Minha mãe me encarou com impaciência. — Se ele pediu, você deveria ter ido.

— Tenho que fazer tudo o que ele quer só para ele não ficar bravo? —questionei, respirando fundo para impedir que minha voz tremesse.

— Olha tudo o que ele faz por nós. Sustenta essa casa, e você deveria agradecer por ter alguém como ele. — Ela apontou para a porta. — Da próxima vez, faça o que ele mandar.

Ela saiu e fechou a porta atrás de si.

Fiquei parada, ainda com a mão sobre a bochecha, tentando engolir o nó na garganta. Minutos depois, ouvi passos pesados no corredor, a porta da sala bateu e ouvi o motor da caminhonete arrancar lá fora.

Só então puxei o celular debaixo do travesseiro. Minha mão ainda tremia quando a tela acendeu com uma nova mensagem de Elisa.

Mais cedo, quando começaram a discutir, eu contei a ela sobre o pedido de Marcus. Elisa era minha melhor amiga desde a escola e a única pessoa para quem eu falava sobre o que acontecia em casa sem precisar esconder cada detalhe.

Depois que ela se mudou para a cidade em busca de uma vida melhor, continuamos conversando todos os dias, mesmo à distância. Minha mãe fazia questão de dizer que Elisa estava se metendo com coisas erradas. Eu sabia que aquilo tinha mais a ver com o preconceito contra ela e sua família, por serem imigrantes mexicanos.

Abri a mensagem da Elisa.

- Sua mãe ficou brava porque você não quis ir com Marcus?

- Ficou. Me bateu e disse que, da próxima vez, eu tinha que fazer o que ele mandasse.

- Nat, você sabe que não precisa aceitar isso.

Fiquei olhando aquelas palavras, sentindo meu peito apertar.

- Só queria que ela parasse de ficar brava e me culpar por tudo.

- Ela sempre fica brava quando você não faz o que ele quer.

Deixei o celular ao lado e deitei a cabeça no travesseiro. Encarei o teto mofado, tentando imaginar como seria acordar um dia sem Marcus naquela casa.

Será que as coisas seriam como ant antes?

Será que minha mãe me amaria outra vez?

O toque de uma nova mensagem me tirou dos pensamentos.

Quando Elisa havia falado sobre a possibilidade de eu ir para a cidade, eu estava tão nervosa com tudo que acontecia em casa que mal consegui pensar direito no assunto.

Agora, deitada naquela cama, comecei a considerar que talvez aquilo pudesse ser uma saída.

Peguei o celular novamente.

- Você pensou melhor sobre aquilo que te falei? - ela perguntou.

Meus dedos ficaram suspensos sobre o teclado enquanto eu olhava para a porta fechada.

- Você tem certeza de que isso pode dar certo? - digitei por fim.

Enviei a mensagem e fiquei olhando para a tela.

Talvez eu pudesse sair dali.

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