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AS COISAS QUE NINGUÉM VÊ

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Resumo

🩸 AS COISAS QUE NINGUÉM VÊ Em Millwood, o passado nunca desapareceu de verdade. Durante séculos, a cidade foi marcada por acontecimentos inexplicáveis: desaparecimentos, criaturas, bruxas, rituais proibidos e mortes que foram esquecidas pela maioria das pessoas. Mas existe um segredo ainda mais antigo. O Dark Roinds, um livro proibido que guarda conhecimentos capazes de despertar forças que deveriam permanecer adormecidas. Dentro dele existem entidades ligadas aos Sete Pecados, cada uma com seus próprios poderes e consequências. Quando Evily entra em contato com o livro, ela começa a descobrir a verdadeira história de Millwood e percebe que algumas das lendas da cidade são muito mais reais do que imaginava. Enquanto seus amigos tentam entender o que está acontecendo, antigas forças começam a despertar, bruxas voltam a agir e acontecimentos do passado começam a se repetir. E quanto mais Evily procura respostas, mais o Dark Roinds parece procurar por ela. Em Millwood, existem coisas que ninguém vê. Mas algumas delas estão apenas esperando alguém olhar. 👁️🩸8

Status
há um dia
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Capítulo 1 — Bem-vindo a Millwood

Em 1981, por volta de 23h25.

A escuridão engoliu a estrada naquela noite fria. O único som — além do silêncio — era o das rodas que percorriam aquela rua molhada.

Berne dirigia, impaciente, apenas focado na estrada, que parecia nunca ter fim. Enquanto isso, Toni estava no banco do acompanhante. Seus olhos encaravam uma placa não muito distante, que logo passaria pelo seu olhar.

Foi rápido, mas o suficiente para ler o que estava escrito:

“BEM-VINDO A MILLWOOD.”

TONI: — Berne, vamos parar naquelas barracas?

BERNE: — Certeza, cara?

TONI: — Bora. Tá com medo do quê?

BERNE: — Não.

Toni soltou uma risada sarcástica.

TONI: — Aham... Sei. Bora.

Parando o carro na beirada, ambos pegam suas lanternas assim que pisam naquele chão frio.

Iluminando a floresta à frente, aparentemente abandonada, levam os olhos até seus objetivos: as barracas velhas.

Quando se aproximam, mesmo com os sapatos, sentem que a terra estava mais molhada e mais funda. Talvez porque não fosse só terra.

Acompanhando o chão com a luz das lanternas, uma cor vermelha viva encharcava a terra.

Não era suco.

Nem tinta.

Era sangue.

Animais estavam abertos e estraçalhados. Tripas e órgãos se misturavam com pedaços de carne. Mal dava para saber o que era de quem.

Aquela cena dava arrepios aos rapazes. Não era frio. Era ânsia, misturada com agonia.

Aquilo à frente era estranhamente tenebroso demais para ser descrito.

Seus olhos se cruzaram. Pareciam torcer para que um deles dissesse:

“Vamos embora?”

Mas, para a tristeza deles, nenhum disse.

E nenhum recuou.

Toni caminhava mais à frente, se separando de Berne. Observando tudo, não sabia como, mas aquilo soava normal para ele.

A luz da lanterna revelava roupas rasgadas sobre o chão, espalhadas por todo lugar que olhava.

O que havia acontecido ali?

Quando Toni menos esperava...

Sentiu algo puxar seus pés sem dó nem piedade!

TONI: — AAAAAAAAA!!!!

Seu grito ecoou por todo o lugar vazio, como um pedido de ajuda.

Ou seria de desespero?

Berne se assusta com aquele som assim que ele alcança seus ouvidos. Corre em direção à origem do grito.

BERNE: — Toni?!

Ele grita, na esperança de ouvir a voz do parceiro.

BERNE: — Cadê você?

Berne fica em silêncio para ouvir alguma resposta de Toni.

Mas o silêncio gritava mais alto.

Berne abaixa a guarda.

Então, algo enfrenta o silêncio de frente.

NHAC...

A pele de Berne se arrepia.

NHAC...

Seus olhos se arregalam.

Berne conhecia aquele som, mas se recusava a acreditar.

Querendo ou não, ele teria que aceitar.

Era alguém mastigando.

Ele engole seco. Sua respiração fica mais tensa e firme, ao contrário de sua mão, que tremia com o peso da lanterna.

Ele leva seu olhar, junto com a luz da lanterna, na direção de onde os sons vinham.

A luz revela alguma coisa peluda.

Presas enormes.

Garras do mesmo tamanho.

A lanterna de Berne cai de sua mão.

Suas pernas tremem. Se dissessem que ele estava mijando de medo, ele acreditaria.

A fera olha assustada para o rapaz vivo.

Toni estava apenas com a cabeça dentro da boca da criatura, entre os dentes que furavam seu crânio.

BERNE: — AAAA!!!!

Seu instinto de sobrevivência o aconselha a gritar.

Mas, assim como ele, a fera também escuta seu grito.

Aquele grito anunciou a caça.

A presa estava solta.

E a fera estava faminta — mesmo depois de acabar de comer.

Berne corre sem olhar para trás.

Não queria ser pego. Não queria ser alcançado. Não queria perder o ritmo.

Mas, para seu azar...

A fera sabia pular.

E que pulo.

O pulo silencioso da caça.

Mas a morte decide brincar mais com o próprio rapaz.

Berne perde um dos braços.

Diante de seus olhos, um filme de sua vida passa rapidamente. Os mesmos olhos que viram seu amigo vivo naquela noite agora o viam morto.

O sangue escorria, assim como suas lágrimas.

O que ele teria feito para receber tal castigo?

A fera o perseguia, e a morte parecia rir diante daquela situação.

O coração de Berne batia rápido.

Uma batida forte.

A fera poderia ouvi-lo?

Quem não poderia?

Ele sentia que seu coração sairia pela boca a qualquer instante.

Berne tropeça no medo e tenta se arrastar.

Mas era tarde...

BERNE: — Socor...

Ele tentou gritar, mas a fera impaciente o interrompeu.

Seus últimos fôlegos se misturaram com o sangue, as presas e as garras.

Sua visão começava a ficar embaçada.

Talvez, se tivesse ficado no carro...

Se não tivesse parado...

Mas era tarde.

Berne se perguntava quem seria sua próxima vítima.

E se Toni tinha pensado o mesmo.

9 ANOS DEPOIS...

BIP! BIP! BIP!

O som soou pelas quatro paredes do quarto de Evily.

Uma respiração profunda anunciou que a menina já havia acordado.

EVILY: — Acordei, mãe!!!

Ela vestiu seu uniforme, saiu do quarto, despediu-se e pegou sua bicicleta para ir à escola.

No ponto de ônibus, Soren aparece em seu campo de visão.

SOREN: — Tá animada pra hoje?

EVILY: — Lógico! Vou, depois da escola, passar o dia com você!

Evily e Soren já estavam juntos havia dois anos. Hoje, comemorariam esse tempo juntos.

Dando um rápido beijo, os dois fazem companhia um ao outro no caminho da escola.

No Colégio Estadual Millwood, na entrada, Evily se encontra com Valentina, enquanto Soren encontra Nando.

SOREN: — Boa, cara.

Soren vê as meninas se afastarem.

Nando olha para ele e dá de ombros.

NANDO: — Deixa as meninas fofocarem!

Enquanto a conversa fluía entre os rapazes, as meninas conversavam sobre algo mais interessante.

VALENTINA: — Você não sabe o que descobri...

EVILY: — Conta!

VALENTINA: — Descobri novas pistas do que aconteceu naquele lugar que a gente queria investigar... De nove anos atrás!

EVILY: — Mentira! Sério!? Não era só uma lenda?

Valentina olha para Evily.

VALENTINA: — Sei lá... Acontece tanta coisa estranha. Sinto que tem um mistério.

Evily revira os olhos.

EVILY: — Isso é coisa da sua cabeça.

O sinal toca.

Soren e Nando continuam conversando. Soren vê Evily vindo em sua direção.

SOREN: — Amanhã nós conversa. Falou, mano.

Evily chega perto dele.

EVILY: — Finalmente a gente vai ficar juntos. Já faz dois anos do nosso namoro.

Soren sorri.

SOREN: — 11/03 sempre vai ser uma data especial.

EVILY: — Sim. Sempre. Vamo completar juntos.

Já era por volta das 18h.

Os dois deitam na grama, de mãos dadas, olhando para as estrelas.

CORTA PARA VALENTINA.

Valentina juntava vários jornais antigos.

As manchetes falavam sobre animais mortos.

Ela olha para as páginas, intrigada.

Por que tantos animais estavam morrendo?

MAIS CEDO — COLÉGIO ESTADUAL MILLWOOD

Evily estava distraída quando Valentina aparece.

EVILY: — Ai! Que susto!

Valentina fala sobre o misterioso acampamento da floresta, o mesmo lugar de 1981.

Evily fica completamente surpresa.

Era um local fechado e proibido.

SOREN: — Não... Vocês não vão gostar disso. Minha mãe vai me matar se descobrir. E a sua mãe também.

VALENTINA: — Falei pra minha mãe que vou posar aqui.

EVILY: — Sério isso?

Evily pensa por alguns segundos.

EVILY: — Fazer o quê? Vou no orelhão avisar o Soren que nós vamos a uma festa de boneca.

Valentina olha para ela.

VALENTINA: — Na realidade, você tem três.

As duas vão até o orelhão.

Evily coloca o cartão e liga para Soren.

SOREN: — Oiii, mor?

EVILY: — Então... Hoje eu vou ajudar a Valentina a fazer uma festa de boneca.

SOREN: — Festa de boneca?

EVILY: — A gente cresce, mas a cabeça não.

SOREN: — Tá, ok? Qualquer coisa, vem aqui.

EVILY: — Tá. Te amooo!

SOREN: — Eu mais aindaaa!

EVILY: — Eu mais, mais, mais, mais, mais aindaaaaaa!

SOREN: — Eu mais, mais, mais, mais, mais, mais, muito ainda!

Valentina fica olhando para os dois, completamente confusa.

VALENTINA: — Meu Deus... Vamoooo!

Evily desliga.

CORTA PARA 20H.

Soren estava deitado na cama, pensando.

Aquilo era estranho.

Evily tinha avisado que iria fazer uma festa de boneca, mas alguma coisa não parecia certa.

SOREN: — Vou ver se ela tá bem.

CORTA PARA EVILY.

Evily olha para a mãe.

EVILY: — Mãe, eu já vou dormir, tá?

MÃE: — Tá bom, filha.

Valentina fala baixinho e entrega uma lanterna para Evily.

Em seguida, mostra uma câmera de captura.

EVILY: — Como você vai achar esse bicho?

Valentina mostra um rato.

Evily olha para o animal.

EVILY: — Sério isso? Dá pro Sabão. Ele já janta isso.

Evily pega seu gato, que se chama Sabão, e coloca-o na cama.

Valentina fica com uma expressão confusa.

Evily e Valentina pulam pela janela, pegam as bicicletas e vão para o acampamento abandonado.

Quando chegam ao local da floresta, um silêncio absurdo toma conta de tudo.

O frio também era intenso.

Evily olha para Valentina.

EVILY: — Tem certeza?

Valentina não responde de imediato.

As duas passam pela placa.

Valentina liga a lanterna, iluminando bem o caminho.

Evily continua nervosa.

EVILY: — Valentina... Tem certeza?

CORTA PARA SOREN E NANDO.

Soren e Nando chegam à casa de Evily e começam a jogar pedras na janela.

Depois, percebem que ela estava aberta.

SOREN: — Nando, olha os corredores.

Soren pula pela janela com dificuldade.

Ele olha ao redor.

Evily não estava ali.

SOREN: — Cadê a Evily?

Ele vê apenas Sabão dormindo. 😴

Então, Soren olha para o mapa.

Seu rosto muda.

SOREN: — Me diz que você não foi aí...

Nando olha para ele.

NANDO: — Aí onde?

Soren respira fundo.

SOREN: — As meninas foram no acampamento abandonado.

Nando arregala os olhos.

NANDO: — Quê?

Soren olha para ele.

SOREN: — Vamo lá.

CORTA PARA A FLORESTA.

Valentina coloca o rato no meio do mato e se esconde.

Evily posiciona a câmera na árvore.

CLIC.

A câmera começa a capturar tudo.

O ambiente fica tenso.

Frio.

Escuro.

O vento forte bate nas árvores.

Então...

Uma coisa passa em alta velocidade atrás de Evily.

Ela sente um arrepio.

EVILY: — Valentina... Acho que senti alguma coisa atrás de mim.

Passos começam a surgir.

Depois, um barulho estranho.

Como se alguma coisa estivesse cheirando o ar.

O som se aproxima.

Até que, do nada...

A criatura salta do escuro.

Evily e Valentina entram em desespero e saem correndo.

Evily corre sem olhar para trás, mas acaba batendo a cabeça contra uma árvore.

TUM!

Ela cai.

Valentina, suada e morrendo de medo, olha para o chão.

O rato estava ali.

Mas havia apenas a cabeça.

Valentina pega a câmera que estava na árvore, segura a mão de Evily e sai correndo com ela.

As duas deixam a floresta.

E então...

Trombam com Soren e Nando.

Soren olha imediatamente para a testa de Evily.

Havia um machucado.

EVILY: — Foi só um ralado. Tá tudo bem.

Nando olha para Valentina.

NANDO: — E você? Tá bem?

Valentina respira fundo, ainda assustada.

VALENTINA: — Tô bem... Eu senti alguma coisa pulando. Eu juro.

A mãe de Evily acaba sabendo de tudo e coloca a filha de castigo.

Valentina pede desculpas.

EVILY: — O Soren vai conversar com minha mãe depois.

Evily suspira.

EVILY: — Ela vai me deixar um mês de castigo. Só colégio e casa. E amanhã é nosso aniversário de namoro de dois anos... Eu tô tão feliz.

Ela olha para Valentina.

EVILY: — Cadê a câmera?

VALENTINA: — Tá aqui. Mas eu não tenho revelador.

Evily pensa por um momento.

EVILY: — Eu tenho um revelador, mas não sei se funciona. Vamo ver.

Ela coloca a fita no revelador.

As duas começam a olhar.

Poucos segundos depois...

As duas ficam assustadas.

EVILY E VALENTINA: — O QUE É ISSO?

Valentina aponta para a gravação.

VALENTINA: — Olha esses olhos vermelhos... O que significa?

Na gravação, parecia haver uma criatura peluda.

Evily fica em silêncio.

EVILY: — Eu quero esquecer disso.

Ela tenta encontrar uma explicação.

EVILY: — E se for um homem que colocou uma fantasia?

Valentina balança a cabeça.

VALENTINA: — Impossível. Aceita que tem alguma coisa sobrenatural nessa cidade.

Evily olha para ela.

EVILY: — Melhor você ir antes que sua mãe te mate.

VALENTINA: — Tá. Tchau.

Valentina vai embora.

Pouco depois, Soren liga para Evily.

SOREN: — Oii, mor. Sua mãe deixou você sair amanhã?

Evily fica animada.

Afinal, amanhã seria o aniversário de dois anos de namoro.

Depois da ligação, Evily dorme.

Na manhã seguinte...

BIP! BIP! BIP!

O despertador toca.

Evily acorda cedo.

Ela olha para Sabão.

EVILY: — Bom dia, Sabão.

Ela pega o gato no colo.

EVILY: — Hoje é nosso aniversário de namoro de dois anos!

Evily abre o armário e começa a se arrumar.

CORTA PARA SOREN.

Soren prepara um piquenique e algumas palavras para deixar gravadas.

CORTA PARA EVILY.

Evily já estava arrumada.

Ela usava um vestido azul, uma tiara de flores azuis e um colar com a letra S, de Soren.

Ela estava muito feliz.

Esperava pelo piquenique especial.

Soren aparece usando tênis branco, calça branca, camisa branca e uma corrente com a letra E, de Evily.

Os dois se sentam.

Soren mostra alguma coisa para Evily.

Ela começa a se emocionar.

Os dois se aproximam.

Estavam prestes a se beijar.

Mas, ao longe...

Um caminhão vinha em alta velocidade.

TCHIIIIIIII!

O pneu canta no asfalto.

O motorista estava bêbado.

O caminhão perde o controle e entra no gramado.

Soren percebe o caminhão se aproximando.

Seus olhos se arregalam.

Sem pensar duas vezes, ele empurra Evily para longe.

EVILY: — SOREN!

O caminhão passa por cima da cabeça de Soren.

TUM!

Evily cai no chão.

Por alguns segundos, tudo fica em silêncio.

Ela se levanta desesperada e olha para trás.

Então vê Soren.

A cabeça estava completamente aberta, com os miolos para fora e cobertos de sangue.

Evily fica paralisada.

Seus olhos se enchem de lágrimas.

Ela começa a chorar e gritar.

EVILY: — SOREN!!!!!

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