Depois do sim
Fazia três dias.
Três dias desde a formatura.
Três dias desde que Noah tinha colocado aquela aliança no meu dedo.
E, mesmo assim, eu ainda olhava para ela como se fosse a primeira vez.
Talvez porque ainda não tivesse me acostumado com a ideia.
Ou talvez porque, toda vez que eu olhava, lembrava do jeito que ele tinha me encarado depois de perguntar se eu queria ficar com ele.
Como se já soubesse a resposta.
Como se, depois de tudo, ainda tivesse medo de ouvir um não.
Passei o polegar pela aliança enquanto estava deitada na cama.
Sorri sozinha.
Era estranho.
Eu tinha passado tanto tempo tentando entender o que Noah sentia por mim.
Agora eu sabia.
E, de alguma forma, isso me deixava ainda mais nervosa.
Meu celular vibrou ao lado do travesseiro.
Peguei sem pensar.
Noah:
Bom dia.
Olhei para a mensagem por alguns segundos.
Só duas palavras.
Duas palavras que conseguiam me fazer sorrir feito idiota.
Digitei:
Eu:
Bom dia.
Apaguei.
Escrevi de novo.
Eu:
Bom dia, namorado.
Fiquei encarando a tela.
— Meu Deus...
Enviei antes que pudesse mudar de ideia.
A resposta veio quase imediatamente.
Noah:
Você me chamou de namorado?
Revirei os olhos.
Eu:
Não se acostuma.
Noah:
Tarde demais.
Sorri.
Eu:
Convencido.
Noah:
Você que me chamou de namorado.
Parei.
Ele tinha razão.
Odeio quando ele tem razão.
Eu:
Foi sem querer.
A resposta demorou alguns segundos.
Noah:
Claro.
Eu ri sozinha.
Talvez fosse isso que mais tinha mudado.
Antes, cada conversa com Noah parecia um jogo.
Quem provocava primeiro.
Quem desviava o olhar.
Quem conseguia deixar o outro sem resposta.
Agora não precisava mais fingir.
Eu podia simplesmente dizer que estava com saudade.
Podia mandar mensagem.
Podia segurar a mão dele.
Podia olhar para ele e saber que, quando aquele momento terminasse, ele ainda estaria ali.
E isso era assustador.
Mas era um assustador bom.
Levantei da cama e fui até o espelho.
Meu cabelo estava completamente bagunçado.
Ótimo.
Perfeito.
Exatamente a aparência que eu queria ter enquanto refletia sobre o futuro do meu relacionamento.
Peguei o celular novamente.
Noah:
Vai fazer alguma coisa hoje?
Pensei por alguns segundos.
Eu:
Não.
A resposta veio:
Noah:
Então se arruma.
Franzi a testa.
Eu:
Pra quê?
Noah:
Surpresa.
— Ah, não.
Sorri.
Ele tinha aprendido rápido demais.
Talvez ser a namorada de Noah fosse exatamente isso.
Nunca saber o que ele estava planejando.
E, pela primeira vez, eu não queria descobrir.
Queria apenas ver onde aquilo ia dar.
Porque agora não era mais sobre descobrir se existia alguma coisa entre nós.
Era sobre descobrir o que nós poderíamos ser.
E, sinceramente?
Eu estava começando a gostar dessa parte.
— Helena





